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segunda-feira, março 23, 2026

Saudosismos & relatoriozinhos...


Apetecia-me falar da Eva Cruzeiro a quem os deputados do Chega mandaram ir para "a terra dela", que penso que seja o nosso país (talvez por isso não seja entendido como uma frase racista...), e do deputado do PSD Hugo Carneiro,  que assinou um relatório, a repreender a deputada socialista, porque parece que no nosso Parlamento não "existem racistas"...

O que sei é que o "programa" começa a quer ir longe demais, na aproximação desejada ao dia 24 de Abril de 1974 (e se possível, ainda mais para trás...). Nessa altura parece que só havia "comunistas" e "fascistas", hoje mantém-se a dicotomia, "esquerda", "direita", ao ponto dos extremistas do lado direito já começarem a reivindicar uma "cultura de direita" e a tentar correr com os "perigosos esquerdistas", que ocupam lugares de destaque (a Rita e o Francisco são o começo de qualquer coisa...).

Talvez queiram voltar à "cultura de salão", com um ou dois músicos do regime, dois escritores, dois pintores... e por aí diante, deixando bem claro, que se vai acabar o regabofe da "cultura para todos".

Quem aplaude sem mexer as mãos são os "moedinhas", os "leitõezinhos" e os "carneirinhos", que gostam de se fingir democratas, nem que seja para a fotografia...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sexta-feira, março 20, 2026

Cargos de responsabilidade que querem transformar em tachos e tachinhos...


Sem fugir muito ao que escrevi ontem sobre a nossa lei maior, a Constituição, percebe-se que aqueles que deviam ser os primeiros a respeitá-la, desvalorizam-na, sempre que podem.

Isso explica a dificuldade que os principais partidos do Parlamento têm, em chegar a acordo para a nomeação de juízes para o Tribunal Constitucional.

Quando se mete a política e a ideologia à frente da independência e do dever, acontecem coisas destas...

Os últimos governos tanto de Costa como de Montenegro tiveram de alterar vários diplomas porque eram inconstitucionais. Algo que os fazia "trepar paredes", como tem sido o caso do primeiro ministro actual, que nem sequer esconde o incómodo.

Ou seja, aquela que deve ser a principal qualidade na escolha de juízes para o Tribunal Constitucional - a sua independência em relação ao poder político - é a que menos conta nesta "batalha" pela escolha de três juízes. 

O partido do costume, nem tem qualquer problema em dizer que esta é a altura de virar o país para o lado direito (mesmo nos órgãos que devem ser independentes...), como se o PSD já não fosse um partido democrático...

Pois, o problema está aí. Se calhar o PSD já não é o partido que ajudou a construir esta Constituição, mesmo que os seus dirigentes gostem de encher a boca com o nome de Sá Carneiro...

(Fotografia de Luís Eme - Vila Franca de Xira)


domingo, março 15, 2026

«O que será de nós quando deixarmos de ler livros?»


Falávamos dos temas nacionais do momento (continuamos a não gostar de falar de guerras...) e lá apareceu o partido do "vale tudo menos tirar olhos" na conversa - que consegue ser ainda mais fiel ao "faz o que eu digo, não faças o que eu faço",  que os partidos, que tanto critica -, com os escândalos do vereador de Lisboa e da sua namorada.

Como temos a mania de que somos todos "gente das culturas", acabámos por falar ainda mais da senhora do mesmo partido, também de Lisboa (Assembleia Municipal), que quer alimentar uma coisa que não existe: uma política cultural de direita.

Mas como sabe que existe a versão oposta (pelo menos no seu olhar...), atacou com as mãos, os braços e as pernas, o Teatro do Bairro Alto, mais por ignorância que por outra coisa. Se estivesse bem informada, sabia que aquele espaço (depois do fim da Cornucópia...) foi criado para se ensaiarem e experimentarem outros lados da cultura e do teatro, mas sem pensar apenas nas minorias. 

Claro que este foi o primeiro ensaio de um partido que quer "matar o teatro" e outras expressões artísticas "esquerdistas", que só conseguem sobreviver através dos subsídios que eles querem cortar (curiosamente, ou não, já contou com a complacência do Moedas, que substituiu, Francisco Frazão, o responsável pelo TBA).

Claro que a culpa acaba de ser de todos nós, de se olhar para  o teatro e para as culturas com estranheza. Se esquecermos os primeiros anos após a Revolução de Abril (anos setenta e oitenta...), nunca se fez um esforço muito grande para criar públicos, para ensinar a olhar o teatro com olhos de ver, tal como outras artes. Teatro esse, que funciona muitas vezes como o nosso espelho, mas sem brilhos...

Foi engraçado a forma como a regressada Rita nos surpreendeu, quando disse: «O que será de nós quando deixarmos de ler livros?»

Pois é. Parece que não tem nada a ver. Mas tem tudo a ver...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, fevereiro 23, 2026

"Bilhete-postal" para um amigo...


Sei que devia conversar, olhar-te nos olhos, em vez de estar a escrever este "bilhete-postal".

Até porque não acredito que tenhas mudado assim tanto, ao ponto de teres viajado para o planeta do Trump e do Ventura, sem levares bilhete de regresso. Faz-me confusão que acredites que o mundo agora é uma mentira e que vale tudo para "lixar o próximo".

Por muito desiludido que possas estar com os nossos políticos incompetentes e corruptos (eu sei que são mais de meia dúzia...), não podes pensar em os substituir por uma coisa pior: populistas especialistas em "cantos da sereia" e "cantigas do bandido", que dizem sempre o que queres ouvir, em especial quando estás farto de tudo e de todos. Cansado de ser enganado e de ver gente que está interessada em tudo, menos em resolver os teus problemas.

Podia dizer-te para olhares para os Estados Unidos.

Mas já não é preciso atravessares o Atlântico, começas a ter muitos exemplos de que esse partido onde votas não passa de um "antro de bandidos". E nem é preciso colocar o foco nos ladrões de malas ou nos pedófilos. Agora que se chegaram ao poder, já começaram a oferecer "tachos" (e panelas), às namoradas, irmãs, tias e primas, porque seguem à letra a frase mestra dos políticos de sarjeta: "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço".

E depois há a parte que eles tentam esconder (mesmo que o seu "rabo gigante" fique sempre de fora...), a ideologia. De vez enquanto lá aparecem os "três salazares", assim como a tentativa de tapar "Abril" com "novembro", que é sempre demasiado pequeno e curto, para apagar esse dia inesquecível que nos devolveu a liberdade e a democracia.

Nota: texto publicado inicialmente nas "Viagens pelo Oeste", dirigido a um amigo caldense...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


quinta-feira, fevereiro 12, 2026

O mundo agora é outra coisa...


Chovia e eu estava na paragem do metro.

Uma mãe com a idade da minha filha estava com o chapéu aberto, com a filhota ao colo. Cheguei-me para uma ponta e convidei-a a vir para o abrigo da paragem.

Ela veio e agradeceu.

Depois chegou o metro, sentei-me e ela sentou-se a meu lado. Como ainda havia lugares sentados perguntei-lhe se queria sentar a filha. Disse-me que não.

Quando se levantaram para sair a pequenita virou-se para mim a sorrir e ofereceu-me um "Tchau".

Surpreendido deu-lhe um "adeus linda".

Tudo isto seria normal, se não se desse o caso da mãe e da filha, serem de cor... E por isso mesmo, não estarem habituadas a serem tratadas e olhadas pelos outros, com normalidade, desde que existe um partido político, que faz questão de colocar as pessoas dentro de catálogos de cores e de nacionalidades...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


domingo, fevereiro 01, 2026

O "jornalixo" e uma comunicação social que não mostra tudo...


Não vou escrever sobre a tragédia na região Centro, mas sim sobre um acontecimento que não vi ser notícia em lado nenhum, ligado à tentativa de colher dividendos eleitorais com a desgraça dos outros, com o artista da "tv e da cassete pirata" de sempre... 

Uma das pessoas que conheço natural de Leiria é a Isabel, que além do retrato indescritível que encontrou no terreno (até me falou do Japão dos terramotos, como termo de comparação...), também me falou do "aparecimento e desaparecimento" de Ventura, numa das zonas mais atingidas pela "Kristin". O jeitoso assim que foi visto pela população, rodeado pelos seus "muchachos", foi de tal forma insultado e vaiado, que desapareceu em segundos, sem que ninguém lhe pusesse mais a vista em cima. Estava acompanhado de pelo menos duas câmaras de televisão...

Como ela não viu nenhuma reportagem a mostrar estes enxovalhos (aconteceram pelo menos dois, que foram do seu conhecimento e quem o insultava não eram "ciganos"...), concluiu que há mesmo cumplicidade entre o Chega e as televisões.

Como eu esta semana tinha lido o artigo de opinião de Filipe Luís na "Visão" que também diz muito sobre a relação do senhor com a comunicação social, transcrevo-o com a devida vénia: «Se há alguém que não tem nenhuma razão de queixa dos jornalistas é o candidato apoiado pelo Chega. Pelo contrário: com sete dezenas de entrevistas, nos últimos cinco anos, em horário nobre, em todas as televisões, ele teve mais do dobro de tempo de antena de dois líderes, juntos, do PSD, um dos quais primeiro-ministro, e é o campeão político da nossa democracia em exposição mediática favorável, isto é, com presença constante, não apenas em entrevistas, mas também em declarações avulsas – nomeadamente, nos Passos Perdidos, no Parlamento – quase sempre em regime de “pé de microfone” (sem contraditório) com questionamentos “fofinhos” de entrevistadores que, muitas vezes, e sem cerimónia, em certos canais, trata publicamente por tu. Seguro ganhou a primeira volta, mas, três dias depois, era Ventura quem já tinha sido entrevistado três vezes, nas televisões. Duas conclusões: primeira, o “jornalixo” existe mesmo. Segunda, se Ventura é o que é, aos jornalistas o deve.»

Falar de cumplicidade, talvez seja ir longe demais, mas que há muito boa gente que escreve nos jornais e faz reportagens televisivas que está na profissão errada, está. Ou então não, sente-se bem, atolada no "jornalixo"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, janeiro 17, 2026

Cada um por si...


Não deixa de ser curioso, que quem se afirma através dos valores colectivistas e da solidariedade, nestas eleições presidenciais, tenha agido no sentido contrário.

Falo do PCP, do Livre e do BE, que em vez de se unirem numa única candidatura de esquerda, quiseram levar os seus candidatos até ao fim, apenas para fazer propaganda às suas ideias,  já a pensar em futuros dividendos políticos.

Claro que António José Seguro nunca foi o candidato de esquerda desejado (em especial pelo seu partido...), mas mesmo assim era, e é, o mais forte, o único que poderá ter aspirações a chegar à segunda volta.

O mais curioso, é que se o conseguir, o mérito será quase todo seu. Mas não precisava de ter começado a campanha, quase como medo de se afirmar como "socialista democrático" (o que quer que isso seja...), ao ponto de até merecer o apoio de "passistas"...

Esperemos que este "cada um por si" não dê maus resultados amanhã...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, janeiro 12, 2026

Esconder a realidade "debaixo do tapete"...


Há um problema muito mais grave, que os "50 anos de corrupção" dos cartazes do senhor Ventura, é a forma como se nomeia e demite gente dos cargos públicos que dizem ser de "confiança política".

Isso explica em grande parte o que se passa na saúde, em que parece que a única coisa para a qual a ministra tem capacidade, é demitir os responsáveis de hospitais ou de outra coisa qualquer, apenas por não terem o cartão de militante do PSD.

Ou seja, são retiradas pessoas de cargos de responsabilidade, muitas vezes com provas dadas nesses lugares, para se colocar no seu lugar gente que nem como doentes visitavam os hospitais públicos, porque davam preferência às clínicas privadas (Talvez a sua missão seja mesma essa, continuar a preferir a fazer o "jogo" das clínicas privadas e "destruir" o SNS...).

O curioso da questão, é perceber que apesar das palavras e dos cartazes do senhor Ventura, o Chega é exactamente igual aos outros, como se percebeu na Câmara de Lisboa (e provavelmente em outros Municípios...), onde o partido se "vendeu" ao Moedas, por meia dúzia de "tachos", pouco relevantes mas bem remunerados...

E também percebo, cada vez com mais nitidez, o porquê da manutenção no poder de uma ministra tão incompetente: nunca houve um primeiro-ministro com um discurso tão distante da realidade. É capaz de chamar azul ao verde.

Podem existir mais de 20 horas de espera nas urgências dos principais hospitais, que Montenegro vai continuar a dizer que as coisas na saúde estão melhor que no "tempo dos socialistas"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, janeiro 11, 2026

As memória de Alegre com o Guterres do "pantanal"...


Estou quase a acabar de ler as "Memórias Minhas" de Manuel Alegre e continuo a gostar do ritmo e da qualidade da escrita (nunca é chata...), mas também pela forma como relata os muitos acontecimentos que viveu no interior do PS.

Uma das partes mais curiosas desta obra é a explicação factual da deriva do PS para o "centrão", a caminho do liberalismo (abrindo a porta ao capitalismo e aos interesses económicos...), ainda nos anos oitenta, que teve como protagonistas Vitor Constâncio e António Guterres, a chamada "terceira via". 

Embora Alegre possa dar a sua visão pessoal, sem erguer qualquer bandeira a favor dos seus adversários dentro do partido, concordo com ela. Isto foi possível porque Mário Soares, queria muito ser presidente da República e afastou-se da direcção do Partido...

Foi neste período que as "raízes" de esquerda do PS começaram a "secar" nos corredores do Rato, graças ao sempre muito católico Guterres...

Há ainda outra coisa curiosa (não vem no livro...), é com Guterres que emerge Sócrates, que começara por ser militante do PSD lá nas Beiras, com os resultados que todos sabemos...

Todos falam da "grande inteligência" de Guterres. Não duvido dela. Mas com tudo o que se têm passado na ONU, percebe-se que ela está longe de ser a melhor qualidade de um político. Falta-lhe a coragem (sempre faltou, era mais de conspirar no sótão...) que os grandes políticos devem ter (que Soares e Sá Carneiro por exemplo tinham...), de ir contra tudo e contra todos, na defesa do que acha ser o melhor para todos, de dar murros na mesa na hora certa...

Muitos políticos limitam-se a perseguir sonhos, sem conseguirem "ler nas estrelas" e perceber que estão longe de ser os melhores para exercer as tais funções sonhadas (Marques Mendes é o nosso último grande exemplo...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, janeiro 02, 2026

A diferença entre leitores de jornais e leitores de títulos de jornais acentuou-se muito nos últimos anos...


"As pessoas não querem saber..." É já quase uma frase batida, pela mistura que se faz entre ficção e realidade, no dia a dia, mesmo ao mais alto nível.

Fala-se do líder do Chega, mas temos um primeiro-ministro que vive num mundo só dele, rodeado de cinderelas e de cristianos ronaldos, cada vez mais distante do "mundo dos outros"...

Mas o que eu quero mesmo é falar de jornais e de leituras.

Há bastantes anos que o "pasquim" mais vendido no burgo, raramente fazia coincidir os títulos de primeira página com as notícias publicadas no interior. Isso criava um problema - na época ainda menor - porque conseguia enganar as pessoas que tinham por hábito ler apenas os títulos de jornais e as "letras gordas".

Hoje existem mais seguidores da "fórmula" na imprensa, mas de pouco lhes vale, porque o leitor de jornais de papel, é "uma espécie em vias de extinção"...

Curiosamente, estes "leitores" das letras grandes foram os que mais facilmente deram o "pinote" para o mundo das redes sociais, que usa a mesma "técnica informativa", com uma diferença: quando mente, mente a valer, tanto nos títulos como no conteúdo.

Este fenómeno que tem pouco do entroncamento, é seguido pelo partido que também adora "desinformar" e é um caso de estudo pelo seu sucesso eleitoral, mesmo com ladrões de malas, pedófilos, agressores, violadores, etc.

Isto faz com que acabe o texto com a frase inicial: "As pessoas não querem saber..."

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, dezembro 22, 2025

Hoje é um daqueles dias em que se pode dizer que a democracia funcionou...


Hoje é um daqueles dias, em que podemos dizer que a democracia funcionou no nosso país.

Viver em democracia será tudo, menos "fazermos o que nos dá na real gana", sem nos preocuparmos em respeitar os outros, apenas porque são diferentes de nós

E não é a existência de um partido formado por gente ordinária e com "alma de bufos", que se pode andar por aí, a apontar dedos aos outros, dentro e fora de cartazes, que procuram discriminar, neste caso particular, os ciganos.

E não venham com histórias sobre liberdade de expressão. Não há nenhum dicionário que indique que a palavra liberdade é sinónimo de libertinagem...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sexta-feira, dezembro 19, 2025

Quando a meritocracia é usada como música de serrote...


É engraçado - sem ter graça nenhuma claro - o que algumas pessoas pensam da meritocracia, principalmente aquelas que se aconchegam mais para o lado direito da política.

O problema é quando a boca lhes foge para a verdade e temos de lhes dizer pra consultarem um dicionário, para perceberem qual é o verdadeiro significado da palavra "mérito".

Eu sei que o "homem cor de laranja" está a querer mudar tudo na América, com uma grande vontade em regressar ao velho Oeste e à lei do mais forte. O que me faz confusão é ver tanto europeu a defender o seu mundo, ou seja, uma sociedade sem princípios, onde tudo é possível, desde que tenhas dinheiro e poder.

Toda esta prosa porque encontrei um rapaz que em tempos trabalhou comigo, com quem acabei por beber um café e meter a conversa em dia.

Se soubesse o que esperava, tinha alegado "pressa" para um encontro qualquer, importante, e limitava o nosso convívio a um café e desejos de boas festas. Mal nos sentámos, veio logo com a "lengalenga" do costume contra os estrangeiros, apenas porque aquele lugar só tinha funcionários das terras por onde andámos a navegar nos séculos XV e XVI.

A conversa avançou logo para os nossos filhos (ele tem um rapaz mais velho um ano que a minha filha...). Estava chateado porque o filhote não conseguia arranjar um emprego de jeito e ganhava pouco mais que o ordenado mínimo e que a licenciatura que tirou de pouco lhe valia. Depois disse que os bons empregos deviam sempre em primeiro lugar para os portugueses, e só depois para os estrangeiros. 

Aquilo caiu-me tão mal. Esperava aquele conversa de muita gente, mas não daquele rapaz...

Percebi que estava na companhia de um "chegano". São contra a corrupção, contra uma sociedade pouco "meritória", mas quando toca às suas famílias, "venha a nós a santa corrupção e o compadrio" e que se lixe o mérito usado nos discursos. 

Claro que a conversa azedou. Ele ainda teve a lata de dizer, "continuas um comuna do caraças", como se isso fosse um "pecado mortal". 

Talvez por estarmos próximos do Natal, não lhe chamei fascista e ainda fui capaz de desejar boas festas a ele e à família...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


domingo, dezembro 07, 2025

A "cegueira ideológica" dos liberais...


A cegueira ideológica está a atingir níveis impensáveis, tanto dos políticos que nos governam como de alguns jornaleiros, que inventam narrativas e um país que nunca existiu.

Quando li o que um sujeito chamado Ricardo S. Ferreira escreveu no Diário de Notícias, fiquei na dúvida de ele estava a querer enganar-nos, ou se estava a enganar-se a ele próprio. Provavelmente, era as duas coisas...

Quando alguém é capaz de escrever: «Quando o candidato presidencial comunista afirma, num debate, que o liberalismo são "ideias mofas do século XIX", o escândalo não é a sua mentira. Afinal, o comunismo vive da mentira, de reescrever a história. O escândalo é a tirada passar incólume. Mas isso tem uma explicação: nesta sociedade, quase todos os jornalistas inclusive, foram "educados" na mesma escola ideológica que ele.»

O que disse António Filipe, pouco me importa. O que me interessa é a parte final, quando este jornaleiro "explica" que quase todos os jornalistas foram "educados" na mesma escola ideológica que ele, ao ponto de falar da facilidade destes em recitar o "Manifesto Comunista". 

Sei que agora é normal mentir, com todos os dentes ou apenas com metade, na televisão, nos jornais, etc. Mas há limites (ou pelo menos devia haver...).

Em cinquenta anos de democracia, fomos governados apenas pelo PSD, PS e CDS, que não têm nada de socialistas. São eles que têm alimentado o famoso "polvo", que faz com que o líder do Chega, diga, à boca cheia, que temos vivido 50 anos de corrupção. Se nunca fizeram as reformas necessárias, foi por falta de competência técnica e por falta de vontade (o mais importante continua a ser ganhar eleições e não em tornar o nosso país mais competitivo e economicamente mais viável), nunca por questões ideológicas, muito menos "socialistas".

Esta governação social democrata reflectiu-se em praticamente tudo, desde a saúde à educação. Nunca existiram "ilhas" (os Açores e a Madeiras não contam nesta "aritmética").

Talvez o senhor Ferreira ache que tanto Mário Soares como António Guterres ou António Costa, são uns "perigosos marxistas" (não vale a pena colocar Cavaco Silva na equação embora este tenha sido primeiro-ministro durante dez anos)...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, novembro 28, 2025

«Tiraram o lugar a quem? Você vai fazer o que eles fazem, por esses campos fora?»


Sei que estou melhor, mas estou longe de estar curado.

Ainda falo muitas vezes em situações, em que o o bom senso aconselhava o silêncio.

Tudo isto que aconteceu no Alentejo e que reflecte uma realidade que não é apenas do Sul, mas que nos devia envergonhar, a todos, fez-me recordar um episódio. 

Realidade que é quase sempre conhecida e aceite pelos habitantes locais, por razões que continuo sem entender. A única coisa que sei, é que são estas mesmas razões que levaram as pessoas a fazer uma viragem de quase 360 graus, passando a votantes do Chega, depois de andarem  décadas a votar na CDU, por essas planícies fora.

Sei que os seus níveis de instrução são baixos, mas daí a não conseguirem perceber a realidade que lhe entra pelos olhos dentro, é outra coisa... 

Compreendo que não olhem para os sujeitos que trespassaram o café e o mini-mercado, como as melhores pessoas do mundo, até por estarem ali para ganhar dinheiro à custa deles. 

Mas o problema nem é esse, nunca foi. 

É aquela cor de pele, aquele olhar escuro e em desconfiança permanente, que não lhe garante nada de bom. E depois vêm as palavras de ordem que lhes entram pela cabeça dentro, sempre que o "rei dos aldrabões" aparece na televisão. Palavras que ainda os fazem acreditar mais, que aqueles estranhos só vieram para cá para lhes "roubar trabalho".

Foi num destes cafés, perdidos por esse interior fora, quase sem gente, que escutei esta frase sacramental enquanto bebia uma mini na companhia de dois familiares afastados, à passagem pela rua de três "indianos".

Não consegui falar calado e perguntei-lhes, sem qualquer rodeio: «Tiraram o lugar a quem? Você vai fazer o que eles fazem, por esses campos fora?» Olharam um para o outro e não me responderam. 

Só uns dois minutos depois e que um deles disse qualquer coisa como: «Também não é bem assim...»

Nada era bem assim, mesmo que eles fingissem não perceber.

Não disse mais nada mas fiquei a pensar, que a trabalharem desta forma e ser recebidos desta maneira, de Norte a Sul, talvez a melhor coisa que esta gente fizesse, fosse mesmo "ir para a (tal) terra deles"...

(Fotografia de Luís Eme - Beira  Baixa)


quinta-feira, novembro 27, 2025

Um PSD apostado em desregular, desiquilibrar e destruir o País...


A escolha das ministras da Saúde e do Trabalho, foram feitas com um propósito cada vez mais claro, ao ponto de parecerem desenhadas a régua e esquadro.

E pode-se dizer que têm tido sucesso nos seus propósitos.

O SNS é o que se vê, por mais "areia que nos tentem atirar para os olhos", está tudo pior nos hospitais e centros de saúde públicos. Algo que deve agradar - e de que maneira - a todos os grupos privados, que têm construído hospitais e clinicas nas principais cidades do país, com um sentido de oportunidade único. 

O trabalho começa a ser cada vez mais sinónimo de precariedade e salários baixos. E com a nova proposta de lei deste Governo, que segundo a ministra apenas tenta "equilibrar a balança" (segundo ela a lei actual favorece os trabalhadores...), as coisas só podem piorar. 

Só alguém que está ao lado do patronato, é que é capaz de dizer uma coisa dessas.

É uma vergonha para todos nós termos um governo que se diz democrático, mas que se percebe à légua, que está cada vez mais apostado em desregular, desiquilibrar e destruir o país, tanto no campo económico como social.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, novembro 18, 2025

Quando os extremistas não querem ficar sozinhos na fotografia...


Os últimos tempos dizem-nos, que não é apenas o partido mais da "bagunça" e da "anarquia política", da "extrema-direita", que tenta colocar rótulos aos nossos partidos de esquerda e do centro.

O PSD, sempre que pode, tenta empurrar o PS para o lado da esquerda radical (Alexandra Leitão foi vítima desta prática em Lisboa, como antes já tinha sucedido com Pedro Nuno Santos, que caiu em duas ou três "esparradelas" sociais democratas...), só que, com o líder actual, conservador até mais não, é um pouco difícil fazer esse jogo.

O caso ainda se torna mais de estudo, quando a direita (PSD, IL e Chega) começa a apelidar todos os partidos de esquerda, sem excepção (BE, Livre e PCP), de "extrema-esquerda", como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.

Basta comparar  os seus valores e os métodos de fazer política, dentro e fora do parlamento, para se perceber que se trata de mais um embuste político. 

Embuste que conta com a parcialidade de muitos dos comentadores políticos, que falam e escrevem com dois braços direitos.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, outubro 20, 2025

O prazer quase doentio de "pregar partidas" aos portugueses...


Lembro-me, sobretudo na adolescência, de nos unirmos à volta de uma mentira, para pregarmos uma partida a um amigo, acabadinho de sair na "rifa". Isso acontecia, muitas vezes apenas porque sim.

Até nos reuníamos em grupo, para que a mentira fosse mais convincente e não pudesse ser desmontada logo às primeiras.

Penso que esta deve ser a "táctica" usada pelo partido mais mentiroso e ordinário que existe no nosso Parlamento (não é por acaso que não há uma semana em não sejam desmentidos no Poligrafo da SIC...).

Pelo seu ar de pândegos, há uma forte possibilidade de terem colada numa das paredes da sede, uma lista com os "reis dos mentirosos" do partido.

Aquilo que eu não sei, é se alguma vez irão perceber, que não se governa a trocar as voltas à realidade e a "pregar partidas" aos portugueses...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, outubro 18, 2025

A tentativa de fuga do "mundo normal"...


O sinal mais óbvio da aproximação da política ao pior que existe no futebol e nas religiões - a "clubite" e a "crença cega" -, foi termos voltado a ouvir, a ler (e a conhecer...), notícias sobre zangas familiares por causa da política, aliás, partidos políticos.

Quando as coisas se tornam pouco racionais e as pessoas nem sequer querem "ouvir o outro", preferindo ficar agarradas à "cegueira ideológica", é muito difícil trazer esta gente de volta ao "mundo normal".

Sim, "mundo normal", esse lugar onde ainda é possível pensar-se pela própria cabeça, sem se responder com provocações ou insultos a quem pensa de forma diferente...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quarta-feira, outubro 15, 2025

Olhamos quase sempre para a árvore e não para a floresta


A discussão na mesa era sobre o comunismo e os comunistas, sobre a forma como se aguentavam, contrariando todas as previsões, especialmente nas autárquicas.

Disse-se muita coisa parva. Ainda há quem olhe para os comunistas como uma praga ou um vírus. Provavelmente por não conhecerem nenhum comunista...

Ao contrário do que se disse na conversa, os comunistas (pelo menos a maioria dos que conheço...) são pessoas cultas, solidárias, amigas e que gostam de ter qualidade de vida. Sim, ao contrário do que se disse, a mais que uma voz, a luta social dos comunistas é que toda a gente viva melhor e não que sejamos "todos pobrezinhos".

Foi também por isso que escolhi o exemplo das árvores como título, também a pensar no primarismo como se olha para os militantes e simpatizantes do partido.

Para mal dos pecados de todos estes "anticomunistas", o PCP parece estar também apostado em morrer de pé.

O Rui disse que a minha proximidade e amizade com os comunistas da Margem Sul, me toldava as ideias. Nova risada colectiva. Claro que lhe respondi, que era precisamente o contrário, que o que faltava a todos eles era terem um ou dois amigos comunistas.

Quando o Carlos chamou "sapateiro" ao secretário geral do PCP, sorri (o meu pai usava muito esta expressão para se referir a políticos manhosos, sem jeito para a coisa, normalmente mais das direitas...), por ele estar certo. Quando um partido tem dirigentes como João Oliveira ou João Ferreira e prefere um Paulo Raimundo, há alguma coisa de errado no interior do partido...

Felizmente, desta vez não falámos da Ucrânia ou da Venezuela. São estas incongruências que fazem com que as pessoas olhem com mais facilidade  para a árvore que para a floresta...

(Fotografia de Luís Eme - Seixal - escolhi esta fotografia porque havia algum receio do Seixal passar directamente da CDU para a extrema-direita...)


quinta-feira, outubro 02, 2025

A Paz, o Pão e a Liberdade a Sério, que tanto falta fazem na Palestina...


Já todos percebemos que a direita e a extrema direita, com a ajuda de vários comentadores (e até de jornalistas...), estão apostados em serem os "pais" da "extrema esquerda portuguesa", mesmo que ela continue ausente no nosso espaço político, se pensarmos nos partidos que defendem os valores democráticos.

O único partido que tenta não cumprir nem respeitar a nossa Constituição, é o "albergue venturioso", que tanto aceita fascistas como bandidos (os "casos de justiça" falam por si...).

É por isso que acaba por ser estranhamente normal escutarmos - e lermos - as muitas adulterações que têm sido feitas à "Flotilha de Gaza", até mesmo de ministros, como o da nossa defesa.

Digam o que disserem, é sobretudo uma acção humanitária, promovida pela esquerda europeia, que apoia a Palestina. A esquerda que não esconde os valores que defende nem o que pensa sobre o genocídio de Gaza, levado a cabo por Israel.

(Fotografia de Luís Eme - Setúbal)