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quarta-feira, agosto 21, 2019

«Como é que as pessoas se podem conhecer, se fazem sexo de luz apagada?»


Estava a deitar papeis fora quando descobri esta quase não pergunta. Fiquei na dúvida se era da minha autoria, se a tinha retirado das legendas de algum filme, ou se apanhei qualquer coisa parecida nas ruas.

Hoje de manhã, voltei a encontrá-la, aqui ao pé do computador. Pensei que ela por si só, já daria uma boa história, mesmo esquecendo o sexo (está aqui só para disfarçar)...

Antes de a escrever, li-a em voz alta: «Como é que as pessoas se podem conhecer, se fazem sexo de luz apagada?»

Eu sei que terá muitas respostas, mais ou mais óbvias, sem termos de nos deitar em qualquer divã do mobiliário dos sobrinhos do Freud. Mas mesmo assim, dá que pensar...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

segunda-feira, junho 10, 2019

Olhar a Publicidade como um Mero Artifício Social


Sempre olhei a publicidade como um mero artifício social, como algo que faz parte do nosso dia-a-dia, e que quando tem qualidade, consegue acrescentar cor, imaginação e graça aos nossos dias.

Sei que actualmente é quase impossível manter este olhar "inocente", pelo menos fora das ruas. Na televisão, por exemplo, a publicidade há já algum tempo que deixou de se limitar aos largos minutos publicitários entre programas, entra dentro dos filmes, das novelas e dos programas de entretenimento, de uma forma cada vez mais descarada. Mas nos cinema passa-se a mesma coisa, há grandes planos a focar a marca de uma bebida (tabaco nem por isso, porque quase que foi banido dos filmes...), um carro, um perfume ou um computador.

Há três ou quatro anos participei numa exposição e pediram-me duas fotografias para o folheto. Uma das escolhidas (a que ilustra este texto...), fazia publicidade a um banco, porque a instituição bancária ficava no final da praça e "apagar" o seu nome seria falsificar a história. Antes de me chamarem a atenção, nem sequer ligara ao pormenor, por que para mim era natural a sua existência. Mas o mais curioso, é que não se limitaram a chamar-me a atenção, cortaram a "publicidade" da fotografia nas provas do folheto, fazendo com que ela perdesse alguma da profundidade que tinha. Claro que não autorizei o "corte" e substitui a fotografia da Praça da Fruta das Caldas por outra...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)

quinta-feira, junho 06, 2019

O Meu Amigo, Filho do "Belarmino"...


Estive com um amigo que não via há mais de uma dúzia de anos.

Acabámos por falar sobretudo da nossa juventude. Do nosso bairro, das nossas "patifarias" de adolescentes, dos nossos amigos e também da nossa família, dos nossos irmãos e pais. A Foz do Arelho também não faltou, não fosse ela a praia da nossa vida...

Ou seja, falámos sobretudo do passado. Não dissemos uma palavra sobre os nossos filhos e companheiras. Só quando vinha de cacilheiro para a Outra Banda é que pensei no assunto. 

Pois, o presente é outra coisa, onde só nos encontramos por acaso...

Os nossos pais já partiram, sobram as mães, que são amigas, apesar da distância geográfica que as separa (penso que continuam a falar ao telefone...). Quando lhe falei no pai e das confusões que gostava de armar quando bebia mais que a conta (o seu lado texano de gostar de virar homens e bares de pernas para o ar...), ele continuava a não se sentir nada orgulhoso, desse lado quase negro paterno. Recordei que na época nós delirávamos quando sabíamos o que acontecera na noite anterior na tasca do Alfredo, ele nem por isso... O pai só se "curou" destas aventuras (que chegavam a meter polícia e tudo...) quando conseguiu deixar de beber.

Mas a sua lenda continua viva. Não deve haver ninguém do nosso antigo bairro que não conheça o poder dos punhos do "Belarmino" (não fazemos ideia de quem lhe ofereceu esta alcunha, que deve ter tudo a ver com o filme de Fernando Lopes...). 

A componente mítica é de tal forma forte, que hoje até há quem associe todas estas aventuras ao "herói" do filme do bom do Lopes, e não ao pai do meu amigo, mesmo que Belarmino Fragoso nunca tenha passado pelas Caldas...

(Fotografia de Luís Eme - Foz do Arelho)

segunda-feira, maio 20, 2019

O Jogo das Diferenças entre Portugal e o Brasil


Posso dizer que só conheço o Brasil da televisão, das telenovelas e de algumas reportagens. Sei que a leitura de alguns livros de autores brasileiros e a própria música têm sido uma boa ajuda, pelo menos para descobrir diferenças tão óbvias como a alegria, a leveza, a cor e  até a safadeza. Talvez sejam coisas dos Trópicos. Talvez...

A única pessoa com quem tenho conversado com alguma profundidade, sobre o que nos divide e o que nos une, é o Gui. Nem mesmo nestes tempos "bolsonaros" ele consegue deixar de manter um pé em Salvador da Baía, e de dizer, com o ar mais sério do mundo, que se sente mais baiano que lisboeta.

Gosta de nos chamar de "mortos-vivos", entre outras coisas, bem piores. Não percebe por que razão ninguém faz "tiro ao boneco" aos salgados e berardos deste país. E menos ainda, por que se encontram em liberdade e têm a lata de fazer pouco da justiça e de todos nós. Adorava vê-los vestidos com fatos listrados, a arrastarem aquelas bolas de ferro presas aos pés e a partirem pedra, como se protagonizassem um filme de aventuras poético, em que os maus pagam pelos seus crimes (pois, o cinema é o seu mundo...).

Mas vai ainda mais longe, diz que só somos "heróis" quando andamos em "matilha" ou quando estamos no sofá agarrados às caixas de comentários do que quer que seja, a demonstrar que tipo de pessoa somos e o que pensamos mesmo da vidinha.

Não concordo nada com ele nesta parte. Não é por dois ou três por cento dos portugueses destilarem ódio nas redes sociais, se esconderem no meio de grupo violentos ou pincharem paredes, que se pode generalizar ou colar o "mesmo rótulo". 

Argumento que este retrato pode facilmente ser transposto para outro país europeu, provavelmente até para o Brasil. Mas ele continua a encontrar sempre diferenças e a fingir que não é português...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, abril 07, 2019

O Cinema Português com Nomes Próprios


Não é piada, mas é no mínimo curioso que dois títulos de filmes de cinema estreados recentemente tenham nomes de pessoas. Um é o "Gabriel" e o outro é o "Diamantino".

Abordam ambos o fenómeno desportivo (o boxe e o futebol...), entre outras coisas. Sim, a "vidinha" está lá. De um lado com a cor de pele, do outro com a cor do dinheiro...

Como não vi nenhum dos filmes, é melhor ser parco nos meus comentários.

Sei que o último tem feito mais furor, porque ganhou um prémio em Cannes, e segundo as críticas, tenta explorar em jeito de comédia o "lado Cristiano Ronaldo" do futebol, cheio de tostões. Embora os realizadores (são dois...), digam que se tratou apenas uma feliz coincidência... (que calha sempre bom ao negócio).

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

segunda-feira, março 25, 2019

"O Homem Pikante - Diálogos Kom Pimenta" (um título mais que prometedor...)


As pessoas que gostam de literatura conhecem Alberto Pimenta, nem que seja pela sua irreverência e pelo seu querer, de ser único, imune a imitações.

Edgar Pêra, provavelmente por estes motivos, resolveu fazer um documentário sobre esta "peça" rara, que é professor universitário e poeta (sim, e desses, dos malucos, com éme grande...).

O documentário (que quero ver...) vai estar muito pouco tempo nos cinemas (e penso que só no Porto e em Lisboa, e depois, com sorte, em alguns auditórios menos comerciais, que existem de Norte a Sul...). O título é todo ele um tratado de humor e um bom chamariz, para quem ainda não conhece este homem de baixa estatura, mas capaz de "cair com estrondo", em qualquer lugar. Sim, "O Homem Pikante - Diálogos Kom Pimenta", só por si, dispensa apresentações (grande Pêra...).

Não estou à espera de uma "biografia", mas sim de um documentário onde o Alberto Pimenta se deve recriar, no seu melhor. Até porque se trata de um filme com imagens de vários tempos, de várias performances do "artista" Pimenta, onde o humor e a diferença estão sempre presentes. Talvez até seja capaz de se sentir melhor em frente à câmara que um peixinho a nadar no interior de um lago cheio de delícias e tentações...

(Fotografia de autor desconhecido)

sábado, março 02, 2019

Cenas da Tarde de Sábado e o Filme "Melhor é Impossível", com um Actor Diferente...


A tarde de sábado começou com o café "belíssimo", no espaço do costume. Depois seguimos para lugares diferentes. A minha companheira foi ao cabeleireiro e eu fui até à Oficina de Cultura de Almada assistir à inauguração da Festa das Artes da SCALA.

Gostei de reencontrar vários amigos e amigas, conversar um pouco, e claro, de ver os seus trabalhos artísticos.

Depois fui ver o que o meu filho tinha feito à nespereira da avó, que já estava a ocupar demasiado espaço no quintal. Descobri que tinha feito um bom trabalho, já era possível andar normalmente por ali.

Depois fomos para casa. E quando liguei a televisão, descobri o Jack Nicholson dentro do filme, "Melhor é Impossível", onde ele faz mais um excelente papel, interpretando, para variar, uma personagem à sua medida, estranha e diferente.

Fiquei a pensar que não há nenhum actor capaz de vestir a pele de uma pessoa complicada, de forma tão convincente, como o Jack (não é por acaso que ganhou três óscares e foi 12 vezes nomeado...).

E depois percebi que há já algum tempo que ele não aparece em nenhum filme. Com a ajuda do "google" fiquei a saber que alguém espalhara o boato que ele andava com problemas de memória e já não conseguia fixar as falas das personagens. Mas que não passava de um falso rumor (mais um...).

Fiquei a saber também que últimos anos tem recusado vários papeis e que o seu afastamento tem sido uma opção pessoal, por que isto de se ser "vedeta de Hollywood", está longe de ser a melhor coisa do mundo, pelo menos para quem goste de um pouco de sossego...

Mas ele um dias destes vai aparecer por aí, segundo consta dentro do papel de um idoso brincalhão...

(Fotografia de Luís Eme - uma desconhecida a olhar para as minhas fotografias expostas - Almada)

sexta-feira, fevereiro 15, 2019

O Teatro Continua a ser Único


Sempre ouvi dizer que o teatro vive permanentemente em crise.

Talvez seja essa "crise" a chave para o facto de a arte de talma ter muito mais vidas que um bando de gatos juntos.

Fico feliz por as peças não terem mudado assim tanto nos últimos quinhentos anos, mesmo que não ache piada a que Shakespeare continua a ser um dos autores da moda.

A literatura e o cinema, por exemplo, mesmo sem terem passado por esta "crise permanente" ao longo dos anos, não deixam de viver com mais apreensão o presente.

Será que os livros num futuro próximo vão voltar a ser imagens e palavras, como a banda desenhada que devorada na infância? E as salas de cinema, continuarão a ser sobretudo pipocas e efeitos especiais?

Não sei... A única coisa que sei, é que o Teatro vai permanecer igual a ele próprio, único.

(Fotografia de Luís Eme - a memória do grande Mário Viegas em Lisboa)

quarta-feira, dezembro 12, 2018

Cinema, Circo e Palavras...


Estávamos a falar de cinema, de "O Livro de Imagem", de Jean-Luc Godard e do bom que era encontrarmos-nos para conversarmos sobre o que parece interessar cada vez a menos pessoas, quando fomos interrompidos por uns "meliantes" que ocuparam as mesas ao lado e  davam mostras de ter bebido mais que a conta, mesmo que ainda estivéssemos na hora de almoço.

Nós falávamos de cinema e eles aparentemente de circo. Apontavam o dedo a uns tipos com artes de "fantoches" e "palhaços", ausentes, ao mesmo tempo que assumiam o seu papel de "ursos" e "camelos" (palavras deles), no palco da vida...

Olhámos uns para os outros e passámos quase a falar com sinais, sem condições de nos ouvirmos, tal era a "festa" alheia. Esperámos que aquela "vaga" despachasse os cafés e águas ardentes e continuasse a sua marcha.

E depois ficámos pelo "circo", já não conseguimos voltar ao "Livro" de Godard...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, novembro 27, 2018

«Bom Dia Cinema Italiano»


Quem gosta de conversar sobre as culturas comentou com alguma naturalidade o desaparecimento de mais um Mestre do cinema Italiano, e Europeu, Bernardo Bertolucci. Mesmo os que só o conheciam de "O Último Tango em Paris", um dos filmes mais vistos e revistos  no calor da Revolução de Abril, quando as senhoras de negro, entre outras coisas, fingiram deixar de criticar as mulheres que usavam saias ligeiramente acima do joelho.

Houve alguém mais pessimista (o Carlos segundo) que falou na colocação de mais um prego no cinema europeu. Eu não concordei, e o Gui também não.

Ambos sabemos que quando desaparece um realizador (ou um escritor...) a sua obre emerge, mesmo que seja apenas por breves momentos. Pelo menos durante esta semana vai-se falar do Tango mais popular do cinema, mas também do "Último Imperador" e com sorte de outras obras, como "1900", "Os Sonhadores" ou "O Conformista".

Neste caso especial parte-se ainda para o "geral", recordam-se outros "monstros sagrados" da Sétima Arte, que deram luz e movimento aquela que continua a ser a "melhor escola de cinema europeia": Fellini, Rosellini, Antonioni, Visconti, Tornatore, Scola, Pasolini, de Sica ou Leone (quase que me apetecia meter Scorcese nesta lista...). Assim como os seus melhores filmes italianos.

Mesmo que seja apenas por um dia, quando um realizador ou escritor desaparecem, a sua obra ganha vida (e como acontece com os cidadãos anónimos, ele também se torna melhor pessoa...).

quarta-feira, outubro 17, 2018

A Inesquecível Rita Hayworth...


A inesquecível Rita Hayworth faz hoje cem anos.

Embora tenha tinha uma vida demasiado agitada e problemática, fora dos palcos e grandes ecrãs (como costuma acontecer com as belas actrizes...), Rita continua a ser uma das figuras femininas mais memoráveis da história do cinema mundial. 

Só a sua presença em cena fazia magia...

(Fotografia de autor desconhecido)

quinta-feira, setembro 27, 2018

«Acho que se lê-se mais do que parece.»


Quando a Rita nos espantou com uma quase nova teoria, de que se lê mais do que parece, sorrimos, com vontade de lhe chamar mentirosa.

Tudo isto porque os últimos "casos de polícia" (armas de Tancos e assassínio do triatleta), em vias de resolução, saltitaram para a nossa mesa.

Eu disse-lhes que o problema era mais dos filmes que dos livros. 

O Carlos foi ainda mais longe, é disse que, se era para culpar alguém, culpavam-se os criativos americanos, que inventavam tanta série policial, quase todas bem feitas, que inundavam os canais de filmes do cabo.

Lá ficou a Rita desconsolada, porque sim, esta gente era capaz de se deixar influenciar mais pelas séries americanas que por um bom livro negro ou de aventuras...

terça-feira, agosto 21, 2018

O Surrealismo que Faz Bem à Vida...


Sei que os filmes são capazes de nos contar histórias mirabolantes sobre alguns homens normais, que quase passam por "super-homens", por meros acasos que lhes passam à sua frente e os obrigam a reagir, a fazer alguma coisa quase louca, por que não são muito de fugir dos problemas. Quanto muito, são mais de os ficar a ver passar...

Eduardo foi e é um desses homens.

Conheci-o hoje, juntamente com as suas histórias de vida, capazes de encher qualquer "jornal do incrível", apenas porque não é homem para fugir de uma aventura, mesmo que esta cheire a sarilhos.

Poderia muito bem ser um Fernão Mendes Pinto do século vinte, se  conseguisse e quisesse escrever os acasos que o levaram do Brasil ao Japão, com paragens, em mais uma dúzia de países, com tradições e hábitos estranhos, que só se conseguem aceitar, quando se tem uma filosofia de vida especial... 

E sim, sempre gostou do surrealismo, porque a vida dos "certinhos" era demasiado estúpida... e sem precisar de coçar o rabo nas cadeiras do mítico "Café Gelo", porque havia meia dúzia de tabernas, bem mais instrutivas que os cafés, que também serviam leitinho. Ou seja,  havia muito mais surrealistas em Lisboa, que os do costume. Gente que fazia questão de estar fora do "circuito artístico".

Não se lembra de se ter cruzado com o Cesariny, o O'Neill ou o Lisboa, mas bebeu tintos com o Gancho, o Forte, o Sampaio ou o Verne.

Quando lhe tentam chamar "herói" ele defende-se com o seu metro e sessenta e os seus cinquenta quilos. Acrescentando que o segredo da sua sobrevivência, deve-se à sua aparente fragilidade física. Sorri, quando conta que ninguém queria perder tempo com uma amostra de gente...

Depois caminhamos como se acabássemos de sair de uma sala de cinema, daquelas com mais "piolho" que pipoca... com muita vontade de pensar e de escrever coisas...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, julho 14, 2018

Ainda o Cinema, no dia de Ingmar Bergman...


Hoje é o dia de Ingmar Bergman, o realizar sueco, que trouxe muito mais que o frio da Escandinávia para o cinema, trouxe sobretudo a mulher, as suas histórias e os seus dramas (são vários os exemplos, "Um Verão de Amor", "Mónica e o Desejo" ou uma "Lição de Amor"...).

Embora em não seja grande adepto da ligação que ele faz entre o cinema e teatro (tal como aconteceu com Manoel de Oliveira e com muitos outros autores europeus, talvez a quererem marcar a diferença entre o Velho Continente e a "indústria do cinema-espectáculo Norte-Americana"), ele realizou filmes muitos bons, que continuam a despertar o interesse e a curiosidade das novas gerações.

Há também outro aspecto curioso na sua obra, é a atenção especial que deu a meia-dúzia de actrizes, em praticamente toda a sua filmografia (mulheres especiais, com quem acabou por casar ou manter casos amorosos, alguns mais duradouros, como foram os casos de Bibi Andersson e Liv Ullmann...).

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, julho 13, 2018

A Laura Soveral é Sobretudo do Cinema...


Laura Soveral deixou-nos ontem, aos 85 anos de idade, vitima de esclerose lateral amiotrófica.

Foi uma excelente actriz,  que despertou para a representação já depois dos trinta anos (iniciou-se no teatro em 1964, no Grupo Fernando Pessoa, com João d'Ávila) e nunca mais parou de fazer teatro, televisão e cinema.

Valorizo sobretudo a sua memorável passagem pelo cinema. Deverá ser uma das actrizes portuguesas que fez mais filmes (um número próximo das três dezenas...) e que trabalhou com mais realizadores (Henrique Campos, Fernando Lopes, António-Pedro Vasconcelos, Manoel de Oliveira, Teresa Vilaverde, João Botelho - o "recordista"... -, José Fonseca e Costa, Margarida Gil, José Álvaro Morais, Marco Martins, Bruno Almeida e Miguel Gomes), entre 1968 e 2014.

(o facto de ter sido tantas vezes "escolhida", e escolhida por"tantos", diz praticamente tudo, sobre a sua qualidade artística e humana...)

Das dezenas de personagens que interpretou, a Maria dos Prazeres de "Uma Abelha na Chuva" - filme realizado por Fernando Lopes -, terá sido uma das mais brilhantes.

Pensamos que vale a pena recordar pelo menos uma dúzia dos filmes em que participou e que fazem parte da história do cinema português: "Estrada da Vida" (1968); "Uma Abelha na Chuva" (1972); Oxalá (1980); "Francisca" (1981); "Três Irmãos (1984); "Vale Abraão (1993); "Cinco Dias, Cinco Noites" (1996); "O Delfim" (2002); "Quaresma" (2003); "Alice" (2005); "Tabu" (2012), "Os Maias (2014).

É por tudo isto que não tenho grandes dúvidas que a Laura Soveral - a par da Isabel Ruth -, é uma das nossas melhores actrizes da Sétima Arte.

(Fotografia de Manuel Costa e Silva - "Uma Abelha na Chuva")

sábado, junho 30, 2018

Um Outro "Cine Futebol Clube"...


Através de Miguel  Carvalho e da "Visão", tomei conhecimento da realização na cidade do Porto da terceira edição do "Cine Futebol Clube" (ontem e hoje).

O Miguel explica-nos que este é: «Um festival de estádio cheio onde o jogo é apenas o pretexto para ler as máscaras feridas, laços e imaginários que atravessam o planeta.»

Escolhemos as palavras que escreveu sobre Bagdah Messi, que foi filmado em cenário de guerra por Sahim Omar Kalifa. Filme que já venceu 12 prémios internacionais e foi seleccionado para os Óscares (é exibido hoje à noite no "Hard Club"):

«No Iraque devastado, o pequeno Hamoudi tem apenas uma perna, mas dois sonhos, jogar futebol e conseguir ver, pela televisão, a final da Liga dos Campeões entre o Barcelona de Messi e o Mancester United de Cristiano Ronaldo.»

(Fotografia de autor desconhecido do pequeno Hamoudi, que por razões óbvias deve ter sido "empurrado" para a baliza - retirada da "Visão")

quarta-feira, maio 23, 2018

A "Vida dos Outros" Continua a ser cá um "Filme"...


Passei para baixo e duas das minhas vizinhas estavam ali, na esquina, a falar em surdina sobre a vida "interessante" de alguém. Disse boa tarde e continuei a caminhada para o centro da cidade.

Quarenta e alguns minutos depois eu estava de regresso e elas continuavam no mesmo sítio, a conversar no mesmo tom de voz. Provavelmente a quererem guardar segredo de algumas das notas que "pintam" o quotidiano do nosso  "bairro"... 

Desta vez passei sem dizer nada, para não interromper nenhuma cena do "filme" cujo guião - "a vida dos outros" - desperta sempre grande curiosidade alheia...

(Fotografia de Marvin Newman)

quarta-feira, abril 04, 2018

O "Esquecimento" da Notícia e os Argumentos do Realizador...


Quando venho de um período de férias, ainda que curto, não me apetece começar logo a escrever sobre assunto demasiado sérios.

Foi por isso que ainda não disse uma única palavra sobre a apropriação das palavras da escritora Deana Barroqueiro, por parte do realizador João Botelho, no argumento de "A Peregrinação", o último filme que realizou.

Mas esta apropriação nem é o mais grave grave de todo este caso. O seu pedido de desculpas, "esfarrapado", na qual ele diz que não conseguiu contactar a editora e a escritora, é uma coisa sem pés nem cabeça. Se pensarmos que estamos a falar de uma das duas principais editoras do nosso pais... não vale a pena acrescentar mais nenhuma palavra.

Outro aspecto não menos importante é a quase ausência de notícias ou críticas negativas sobre este acontecimento. O que é bastante revelador da nossa "vida cultural", cheia de capelinhas, onde se junta a gente "bem" da cultura e do jornalismo, para beber copos e desdenhar dos nossos "tonis carreiras" ou "diogos piçarras", que até podem ter menos talento que eles, mas não lhes ficam a dever nada em dignidade.

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

A Nossa Vida Dentro dos Filmes...


Desde sempre que deixo que os filmes se misturem mais com a realidade que os livros... 

Talvez seja devido ao facto das personagens serem de carne e osso, terem um rosto, terem uma voz... 

Estava a ver o filme a passar e a sentir a ligeireza com que ele era capaz de se intrometer na minha vida. Aquele era eu, estava ali a ser retratado, a passar pelos mesmos problemas que a personagem...

Sorri, quando me lembrei que comecei a acabar um namoro praticamente à saída do cinema. Voltei a andar atrás no tempo, voltei a ver "Setembro" de Woddy Allen, onde percebi, com uma nitidez pouco vulgar, que me andava a enganar a mim próprio, e também à "mulher-vitima", quase no fim dos anos oitenta. 

Sabemos quase sempre que o amor é uma coisa diferente, mas fingimos não perceber... por mais que uma razão. Uma delas prende-se com a solidão, que nem sempre é boa companhia...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, fevereiro 07, 2018

Escritas e Olhares Diferentes...


Hoje dei por mim a pensar que as crónicas do quotidiano (é quase o que escrevo aqui...) não pertencem à família da ficção, quando muito são uns primos de segundo ou terceiro grau.

Para escrever aqui preciso de andar pelo mundo, escutar o barulho do metro que dá cor às vozes das pessoas que povoam as ruas (nestes dias menos, porque o frio com vento torna tudo mais agreste...), olhar as pessoas, com mais ou menos beleza, que se cruzam comigo... e principalmente, agarrar uma palavra ou uma frase, que se solta, apenas por que sim...

A ficção muitas vezes alimenta-se do silêncio, e inspira-se em coisas estranhas que estão dentro dos livros e dos filmes.

(Fotografia de Luís Eme)