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sábado, agosto 03, 2019

O Velho Hábito de Encolher o Mundo...


Folheio o último número do "Jornal de Letras" e penso nas pessoas que me dizem, «Ainda lês isso? São sempre os mesmos a escrever sobre os mesmos. A literatura é muito mais que isso.»

Lembrei-me  também de uma frase da Rita, que disse que o mundo era outra coisa, maior que os jornais e as televisões. 

Embora em saiba que ela tem razão, não é essa a lógica de quem exerce qualquer poder, por mais insignificante que seja. O exemplo mais visível é a prática do mundo partidário, que escolhe os seus dirigentes e governantes tendo como base o cartão de militante, o grau de amizade e até o parentesco (não deve haver nenhum governo local de Norte a Sul que não tenha a sua dose de primos, tios, cunhados - por ter mais vergonha que eles, "excluo" neste texto esposas, irmãos e pais...). A competência e o conhecimento técnico, estão quase sempre distantes das três ou quatro primeiras premissas, para qualquer escolha. 

É por isso que todos temos a sensação de que é tão difícil deixarmos de "plantar cepas tortas", do Algarve ao Minho (e estava eu a pensar escrever sobre livros e escritores...).

É uma pena não nos conseguirmos libertar deste velho hábito de "encolher o mundo"...

(Fotografia de Luís Eme - Vila Real de Santo António)

quarta-feira, julho 03, 2019

A Tentação de "Usar o Chinelo" para Fazer Festas...


Devo começar por vos dizer, para não ligarem muito ao título, e muito menos à imagem. Até por que as metáforas valem o que valem (depende sempre do uso que lhe damos...).

Embora gostasse que a justiça tivesse a arte de "desmontar" todos os "castelos de papel" que giram à volta de Joe Berardo, com mais ou menos budas, não acho muita piada que alguns políticos, jornalistas e até gente comum, troque o Joe por José, sempre que falam da personagem.

Até porque isso pode fazer confusão a pessoas menos avisadas, que até poderão pensar que se está a falar de um irmão ou de um primo deste nosso "artista pop".

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quarta-feira, maio 29, 2019

Palavras e Olhares...


Enquanto descia a avenida pelo seu lado mais sombrio (e agradável...), pensava que era capaz de me fazer bem mudar de ares, de estar algum tempo afastado desta cidade onde vivo. Talvez conseguisse ter um olhar mais frio e rigoroso, sobre as pequenas e grandes coisas, que nos vão apoquentado no dia-a-dia...

Vinha de um almoço de trabalho com um amigo pintor, onde houve espaço para quase tudo, até para a "má língua". Abordámos sem medo as mudanças que nos cercam, ditadas, quase sempre, pelos ignorantes do costume. Ele até se culpou do filho ser mais inteligente que esperto, de estar "condenado" a trabalhar para todos estes medíocres  que dominam a história do nosso tempo. Eu não consegui ir tão longe...

Já na Praça São João Baptista, entrei na Oficina de Cultura para ver a exposição que está por lá. A autora estava a conversar com as pessoas que a quiseram escutar. Eu limitei-me a ver as esculturas estranhas e a partir (as minhas palavras de indignação ficaram reservadas para o "Casario")... 

Esta passagem "artística" podia ter sido evitada, pois só serviu para avivar o meu olhar sobre a forma como se tenta apoucar o passado recente de Almada e dos Almadenses...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, maio 27, 2019

As Conversas de Segunda-Feira


Hoje durante o almoço falámos, naturalmente, das eleições. Da abstenção já crónica, mas também da tentativa, quase sempre frustrada, de "ninguém" ter o bom senso de admitir a derrota. Nem mesmo os partidos que traçaram objectivos claros (o CDS por exemplo além de querer o segundo deputado, queria muito ficar à frente de todos os partidos de esquerda...).

Mas também falámos do papel da televisão, nesta subida da percentagem da abstenção, que gosta mais de alimentar o "espectáculo" que a "informação". Infelizmente isso não acontece apenas nos canais mais populistas (CMTV e TVI), os outros (RTP e SIC), acabam por ir atrás, assim como os seus comentadores, alinhados com os interesses de quem lhes paga o lanche (o outro Luís, ingenuamente até foi capaz de dizer que alguns políticos que comentavam política e futebol o faziam de graça, a troco apenas de "tempo de antena". Claro que nenhum de nós foi na sua "cantiga"...). 

E se eu já sabia que o Fernando Rosas tinha muitos "ques" como historiador, acabei por juntar à minha "lista" mais três ou quatro episódios, pouco abonatórios, para quem investiga o século XX, oferecidos pelo Mário.

Mas a televisão alimenta-se sobretudo dos melhores comunicadores, que poucas vezes são os melhores jornalistas, historiadores ou políticos...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

domingo, maio 26, 2019

O Nosso Virar Costas à Europa...


O "partido" vencedor das eleições europeias cada vez se distancia mais dos adversários políticos.

E não acredito que a solução seja marcar esta data para um dia de chuva...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quarta-feira, maio 15, 2019

Chegar (ou não) Tarde aos Sítios...


Há pouco, ao escutar algumas palavras pela rádio, pensei numa outra coisa, com um sentido completamente diferente, muito mais abrangente que um simples dia, ou apenas 24 horas das nossas vidas...

Olhei para trás e senti que por ter chegado mais tarde a alguns lugares, esse "tempo" (perdido ou não...), acabou por condicionar quase tudo.

Foi o que se passou com o jornalismo, onde já cheguei  com 28 anos (embora já escrevesse diariamente, para mim...). 

Por sentir que não estava num "porto seguro", fui fazendo sempre outras coisas. E não estou nada arrependido das minhas decisões, de ter seguido outros caminhos. Posso ter ganho menos dinheiro, mas fui sempre mais livre...

O afastamento de alguns amigos das redacções fez-me perceber que se envelhece cedo demais na profissão. E que a experiência e o saber, em vez de serem utilizados como uma mais valia junto dos mais novos, acabam por ser encarados quase como uma ameaça, para quem chega a chefe de redacção ou a director.

Pior mesmo só este tempo de indecisões e de virtualidades, que se tem arrastado nos últimos anos e vai "matando" lentamente os jornais de papel... Quem esteja atento sabe que hoje as pessoas entram nas tabacarias, sobretudo à procura da sorte. Sorte que tanto se pode esconder dentro das raspadinhas como nas máquinas que registam os jogos. Os jornais e as revistas servem quase só como decoração, quem sai e entra, olha para as capas apenas de relance. Só pára quando é surpreendido (coisa rara nos nossos dias...).

Embora ouça menos rádio do que devia, gostei de sentir que a "telefonia" além de nos fazer sorrir e cantar, também nos faz pensar (e escrever...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, maio 13, 2019

Sei que Não há Desculpa Possível


Hoje ao almoço com alguns amigos percebi que não é nada de anormal, desculparmos as gentes que governam Angola há várias décadas,  com os malefícios do poder. Só que uma coisa não tem nada a ver com outra.

Eles poderiam ter usado o poder (e o dinheiro...) para tornar a sociedade angolana mais justa, até por pertencerem a um partido que em tempos que já lá vão, foi marxista (muitos deles até estudaram na antiga União Soviética...), e não apenas em benefício próprio.

Os nossos governantes também fingiram que não se passava nada em Angola, porque importante, importante, era que algum do dinheiro angolano fosse esbanjado no nosso país. E tanto podia ser em imobiliário como em bugigangas das lojas de luxo da Avenida da Liberdade... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, maio 03, 2019

O Velho Hábito de Partir o Mundo em Dois...


Os dramas humanos que estão ligados à crise política da Venezuela, talvez merecessem uma outra leitura da minha parte.

Mas não consigo passar ao lado do velho hábito da comunicação social de partir o mundo em dois, preparando o "palco" para a peça do costume (quase mais gasta que os dramas de Shakespeare...), "o fantasma da guerra fria". 

Só não sei o que é que a China pensa disso. Mas talvez até ache alguma graça...

Sei que o elogio da estupidez faz parte do quotidiano norte-americano, há bastante tempo. É a explicação possível para as palavras do político dos EUA, que tentou separar o mundo de forma geográfica, ao mesmo tempo que enviava um recado aos russos, dizendo que eles não têm nada que se meter nas "alhadas das américas"... 

Pois, parece que só os norte-americanos é que têm "livre trânsito" para andarem pelo mundo inteiro, disfarçados de "soldados da paz"...

No meio de tanta ambiguidade e de tanta ficção, partilho do ponto de vista do governo espanhol. Não estou do lado de Maduro nem de Guaidó, estou do lado da realização de eleições livres, sem qualquer tipo de condicionalismo.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

terça-feira, abril 09, 2019

As Leis e a nossa Justiça pouco Justa...


Não tenho qualquer dúvida que  a má aplicação da justiça é o problema mais grave do nosso país.

É ele que nos torna cada vez mais desiguais e afecta todos os sectores da nossa sociedade. Pois além das diferenças de vencimentos obscenas entre gestores e trabalhadores (o "D. Notícias" fala disso hoje...), há também o sentimento, cada vez mais generalizado, da existência de uma justiça para pobres e outra para ricos.

Embora não falte por aí gente, que nos tenta iludir que o problema não está nas leis, mas sim na sua interpretação, facilmente se percebe que não passa de mais uma das muitas "patranhas" que enchem o nosso dia-a-dia. 

Claro que o problema é das leis (quase sempre pouco objectivas...) e do nosso parlamento (cheio de advogados "avençados", cuja única pátria que conhecem é o dinheiro...). 

As "fugas" e os "desvios" diários à letra de lei não se podem resumir apenas à falta de bom senso dos juízes ou à habilidade dos "senhores de toga" pagos a peso de ouro...

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)

quinta-feira, março 14, 2019

O Poder e a Autocrítica (aliás, a falta dela)...


Quando falo com pessoas que já foram "poder", de um modo geral, noto a ausência de qualquer palavra, por mais simples que seja, de autocrítica.

Parece que fizeram tudo bem feito. E fazem questão de manter sempre uma barreira (por vezes gigantesca...) entre o "nós" e o "eles".

Talvez seja por isso que existe a tendência para alterar quase tudo, mesmo o que está bem (e é a coisa que mais me desagrada em qualquer governo, local ou nacional...), quando regressam ao poder.

Só que isto, pelo menos no meu entender, é uma prova da "perfeita estupidez" (normalmente disfarçada de "esperteza"...) de quem ocupa o poder. 

Só uma pessoa estúpida é que vai alterar o que está bem, por outra coisa, pior, sem sequer pensar nos danos que irá provocar a terceiros, apenas por que sim...

(Fotografia de Luís Eme - Olivais)

sexta-feira, julho 20, 2018

O País dos Ricos Cada Vez mais Ricos e dos Pobres Cada Vez Mais Pobres...


Há uns dias escrevi aqui no "Largo" sobre as diferenças e os preconceitos que existem dentro de nós.

Mas sei que a verdadeira diferença que existe no nosso país (e nos outros, claro...), é entre pobres e ricos.

Os ricos, mesmo que sejam castanhos, amarelos, azuis ou vermelhos, são sempre tolerados, porque o dinheiro tem o "poder" de esconder (na gaveta ou no armário) todos os preconceitos ou diferenças que aparentemente possam existir.

Já o pobre, mesmo que seja branquinho e bonitinho... é sempre tratado como pobre...

E infelizmente esta diferença tem-se acentuado nos últimos anos. O capitalismo selvagem que se vai ocupando do nosso Planeta, faz com que o fosso entre ricos e pobres seja cada vez maior...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, junho 10, 2018

Portugal, Futebol e Telenovelas...


Hoje Dia de Portugal, com as Comunidades, o Camões e até a "Raça", a um pequeno passo, apetece-me escrever sobre o absurdo de toda esta "futebolização" televisiva, que consegue dar cabo da paciência a qualquer pessoa, por muito que goste de futebol.

Eu pergunto: será que os principais clubes (Benfica, Sporting e Porto) são assim tão importantes para a maioria dos portugueses, ao ponto de serem notícia em todos os canais televisivos noticiosos? Acredito que não. E vou mais longe, passávamos todos bem melhor sem termos de assistir, de "camarote", a todas estas misérias alheias.

É por isso que não percebo todo este "tempo de antena", muito menos a atenção que se dá ao "ditador de Alvalade", que ofende diariamente a inteligência de qualquer pessoa com as suas intervenções, até por normalmente não responder às questões que lhe são colocadas. Só por este pequeno grande pormenor, os jornalistas deveriam virar-lhes costas e deixarem-no a falar sozinho. Se gosta de discursar horas e horas para as câmaras (à boa maneira "fedeliana"), tem a televisão do seu clube, aliás, a única que recomendou aos sportinguistas...

Quem esteja de fora, deve pensar que anda tudo maluco. E deve questionar-se: como é possível perderem-se tantas horas, com insignificâncias, que não contribuem com nada de positivo, para o nosso país? Até porque há muito que  estes acontecimentos deixaram de ser tratados como notícias. São sim, meros "folhetins de telenovelas"...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, abril 22, 2018

A "Canalhice" Feita a um "Canalha"...


Quando assisti à transmissão televisiva de parte dos interrogatórios a José Sócrates, perguntei a mim mesmo, como é que era possível, tornarem aqueles filmes públicos. Porquê esta necessidade de humilhar o arguido e de colocar a justiça ainda mais nas "bocas do povo"?

Mas hoje ao ler a crónica de António Barreto no "Diário de Notícias", em que ele escreveu muito do que pensei, achei que devia dizer alguma coisa. E nada melhor que transcrever algumas das suas palavras:

[...] «A divulgação em canais de televisão do interrogatório de José Sócrates, brada aos céus. Outros, incluindo os banqueiros arguidos, já por ali tinham passado. E também aqui não se viu, até agora, uma reacção institucional que traga decência e civilidade à justiça.
Mesmo em democracia, um interrogatório feito pela polícia é sempre um momento de debilidade pessoal. Seja ou não bandido ou aldrabão, tenha ou não um currículo violento, possua ou não músculos ou capital, partilhe ou não ferocidade com animais selvagens, um arguido ou um suspeito está sempre, durante o interrogatório, em situação de inferioridade, facilmente amedrontado, quase sempre em fragilidade psicológica. Mesmo quando reage com fúria destemperada, como foi o caso, o arguido está assustado e luta pela vida. Em pleno interrogatório, sobretudo se tem algo a esconder, se há culpa, se procura defender-se, qualquer pessoa, mesmo valente ou violenta, merece, porque é uma pessoa humana, um pouco de respeito. Uma justiça decente tem em consideração a humanidade das pessoas e dos processos. O que estão a fazer com José Sócrates é imperdoável. Como foi com os banqueiros e outros. A falta de respeito pelo arguido não é apenas isso: é sobretudo falta de respeito pelos cidadãos, por nós todos.» [...]

Quem será que tem a coragem de dizer aos juízes, delegados, procuradores e jornalistas, que eles não são "justiceiros populares"?

E nem me apetece falar das estações televisivas e da comunicação social em geral... a não ser para dizer que a SIC afinal não é assim tão diferente da TVI e do CMTV, nem o "Expresso" do "Correio da Manhã"...

(Óleo de Armando Morales)

quarta-feira, abril 18, 2018

«Um Corrupto de esquerda é diferente de um da direita. Ponto final.»


De repente a comunicação social voltou a "acordar" o monstro adormecido e a inquietar alguma esquerda, que ainda quer acreditar que o antigo presidente do Brasil é diferente dos seus companheiros de partido e governo, já que sobre o antigo primeiro-ministro pouco haverá a acrescentar. 

Em conversa de café, ficou mais uma vez registado que há uma exigência moral maior para a esquerda que para a direita, no mundo da política. Isso pode explicar em parte a forma como o jornalismo e a justiça têm "perseguido" o nosso "Animal Feroz" por cá, e o "Molusco Metalúrgico " por lá.

Essa exigência prende-se sobretudo pelos valores que defendem.

Quando o Jorge disse que «um corrupto de esquerda é diferente de um da direita. Ponto final», explicou quase tudo.

Falou-se muito do "cavaquistão", dos muitos escudeiros do "homem que nunca se engana" que se safaram à grande com os fundos comunitários, e que nunca foram alvo de uma investigação séria como esta (nem mesmo os envolvidos no "roubo" do BPN...). 

Mesmo que precisássemos de exorcizar os nossos fantasmas, todas as comparações são odiosas... 

E na verdade, pelo que se diz e mostra, nunca houve um "pobre provinciano" que usasse tanto a chamada "esperteza saloia" e pensasse que éramos todos tolinhos... 

Mas o erro maior disto tudo é dizer-se que o rapaz que "veio das berças" é de esquerda, ele até andou pela JSD, como salientou a Rita...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, abril 14, 2018

Um País Cheio de Fios...


Quem gosta de tirar retratos a lugares, encontra quase sempre um obstáculo comum (mesmo na aldeia mais recatada...), um conjunto de fios de várias "nações", que também gostam de ficar, e "estragar", a fotografia.

Sei que existem programas que os podem "apagar", mas de pouco vale. Talvez embeleze um pouco mais as fotografias, mas não altera em nada a paisagem, porque os fios continuam no mesmo sítio, muitas vezes já sem qualquer préstimo para os residentes...

Era bom que o Estado se preocupasse com esta questão, de uma vez por todas, e obrigasse as empresas que continuam a ter o "monopólio" de fios (EDP e Altice), a começarem a retirar tudo aquilo que está inerte e rouba a beleza a tantos lugares, de Norte a Sul.

É por estas e por outras que tenho de dar razão ao dono da vivenda que afixou um letreiro bem visível na sua propriedade, que "proíbe" (mesmo que seja ilegal...) a passagem de qualquer fio pelas paredes da sua casa.

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, abril 06, 2018

Para Acabar a Semana em Beleza...


Para acabar a semana em beleza, nada como falar dos polémicos apoios à Cultura.

E eu até conheço bem o meio, às vezes bem demais, desde os "amadores", que se divertem mais a fazer cultura que a tirar dividendos (onde me incluo...) aos "profissionais", que aprendem desde cedo, que "sem dinheiro não há palhaço"...

Normalmente são pessoas diferentes, que se movimentam em "dois mundos" diferentes, e à partida não tenho nada a criticar nestas duas posturas (só à chegada...).

Mas vamos lá aos apoios. O que mais me irrita nisto tudo é a habitual falta de transparência  - e de regulamentos compreensíveis e iguais para toda a gente -, embora saiba que é isto que dá jeito a quem distribui dinheiro, porque assim  arranja sempre uma maneira de beneficiar os amigos, sem dar muito nas vistas.

Por outro lado, já ouvi coisas a gente da cultura, completamente  absurdas,  algumas recusam-se mesmo a assinar protocolos. Querem sim é "cheques em branco". E infelizmente os poderes locais e nacionais continuam a "dançar" algumas destas modas. Em vez de combaterem a "subsidio-dependência",  alimentam-na com "caviar", mesmo que recebam em troca, apenas "latas de atum".

Voltando-me apenas para as gentes do teatro, aflige-me que não se preocupem em criar públicos, em visitarem escolas, ensinar a gostar e a compreender o teatro... e acima de tudo, descerem do seu pedestal e fazer peças que vão ao encontro das pessoas.

Custa-me muito entender esta coisa cada vez mais normalizada de se fazer teatro para cadeiras sem pessoas...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, março 11, 2018

O Benfica, a Clubite, a Justiça e o Jornalismo de Sarjeta


Tenho evitado falar sobre o que se tem passado com o Benfica nos últimos tempos, com o clube a ser vitima de uma campanha de "desinformação" e "intoxicação", sem paralelo no nosso país, por parte dos dois clubes rivais (querem evitar o "penta" a todo o custo...). Campanha que se tem estendido a algum jornalismo que se alimenta sobretudo das "meias-verdades" e meias-mentiras", com manchetes e capas fabricadas diariamente (mesmo que os títulos muitas vezes tenham pouco a ver com o conteúdo das notícias...), com um único objectivo: vender gato por lebre.

A campanha começou com os "vouchers", depois foram os "e-mails"  e agora são "toupeiras"...

Embora não procure desvalorizar as investigações em curso - nem inocentar ninguém -, faz-me um bocado confusão a leitura que se está a fazer deste último processo. Por mais voltas que dê, não consigo perceber  a posição de algum jornalismo, tão "escandalizado com as toupeiras", quando eles são useiros e vezeiros na utilização dos mesmos métodos, conseguindo ter acesso a partes de processos em segredo de justiça, que só podem ser divulgados pelos vários agentes envolvidos na respectiva investigação (ministério público, polícia judiciária e tribunais...).

Do ponto de vista criminal, não consigo perceber a diferença que existe entre um dirigente desportivo e um jornalista, quando ambos utilizam os mesmos métodos para se apropriarem de informação privilegiada fornecida por terceiros, para benefício próprio. 

(Ilustração de Otto Lange)

sábado, fevereiro 24, 2018

Ilusões, Cambalhotas e Mentiras...

Se há classe de quem se pode esperar quase tudo, é a dos políticos.

É por isso que nem estranho as palavras ditas hoje por Assunção Cristas, líder do CDS:

«Queremos um CDS que já não é visto como partido 'dos ricos', 'dos patrões' ou 'dos quadros', mas é o partido de todos, de todas as idades, homens e mulheres, rapazes e raparigas, que valorizam mais o trabalho, o mérito, as ideias, o afinco, a credibilidade, e, sobretudo, a imaginação, a força criativa e o entusiamo.»

Mas não deixa de ser curioso, todo este "esvaziamento" ideológico coincidir com mais uma "crise existencial" do PSD...

Percebe-se, que se der votos, o CDS até volta a ser um partido democrata, a caminho do socialismo, como aconteceu em 1974 e 1975...

A luta pelo poder faz com que os políticos utilizem todas as armas, assim com todos os números de circo, mesmo aqueles que agora são proibidos, que metem tigres e leões (que agora são mais PSD)...

(Fotografia de Luís Eme) 

domingo, fevereiro 11, 2018

Uma Entrevista Esclarecedora...

Um amigo telefonou-me e disse-me para ler o "Diário de Notícias", vinha lá uma entrevista de Inês Medeiros, a presidente da Câmara de Almada (posteriormente descobri que a entrevista vinha na revista, na "Notícias Magazine").

Li a conversa com interesse, fiquei a conhecer um pouco melhor a nova presidente. Identifiquei-me com muitas coisas que disse, com outras nem tanto. Foi uma entrevista sobretudo política, à autarca.

Houve algo que registei, por sempre me ter feito confusão, o facto dos museus almadenses estarem fechados ao domingo (assim como a prática local do PCP nem sempre coincidir com a  sua "teoria" parlamentar...)

«Nestes últimos anos, as despesas com o pessoal dispararam mas à despesa não correspondeu maior eficácia de serviços. Evidência disso são os museus. Os museus em Almada fecham aos domingos quando é conhecida a luta do PCP na Assembleia pela abertura dos museus aos domingos e com entrada livre. E sou testemunha da forma intransigente e sem olhar a custos com que o PCP defende a proposta. Estranho portanto chegar a Almada e verificar que aqui a questão orçamental foi prioritária e, portanto, não há museus ao domingo. Ainda por cima fecham às seis da tarde nos restantes dias da semana, no inverno e no verão. Uma regra que inutiliza, em grande medida, espaços fantásticos como a Casa da Cerca, um local ideal para beber um copo ou visitar ao fim da tarde.»

(Fotografia de Sara Matos - "N.Magazine")

sexta-feira, dezembro 15, 2017

O Associativismo e o Poder...


Não vale a pena bater mais na "ceguinha", ou colocar em causa uma instituição de utilidade pública (mesmo que não tenha o estatuto...), que cresceu demasiado e começou a ser gerida como uma "empresa", até por prestar serviços que a obrigam a ter um número significativo de funcionários.

O que é mais relevante neste caso é o exemplo (mais um...) do que as pessoas fazem com o poder, especialmente no movimento associativo, com demasiados casos de associações vitimas de gestões danosas, por parte de dirigentes incompetentes e com poucos escrúpulos. Não deixa de ser curioso, que acabe por parecer mais fácil, dirigir uma colectividade que vive o seu dia a dia com dificuldades, que uma que viva desafogadamente...

Isto acontece porque uma boa parte das pessoas não sabem (acho que não querem saber...) gerir instituições que tenham dinheiro. Dinheiro esse que continua a ser o alvo de todas as tentações, e que faz com que se dêem tantas vezes, passos mais largos que as pernas, que acabam por ter consequências desastrosas.

Mas o problema maior é o alheamento das pessoas, mesmo que sejam associados desta ou daquela colectividade. De uma forma geral não se preocupam com as questões colectivas, só perdem tempo quando estas se "individualizam" e lhes batem à porta e os obrigam a agir (muitas vezes tarde demais). Mas se isso não acontecer, continuam à espera que sejam os outros a resolver os problemas que deviam ser de todos...

Claro que esta problemática tem muito a ver com a sociedade onde estamos inseridos, do facto de não sermos educados a intervir e a participar, ter uma voz activa e estarmos atentos ao mundo que nos cerca. E não será com os políticos que temos (uma boa parte deles medíocres e pouco honestos...), que as coisas mudarão. Até por que não querem perder o "poder" que têm (basta ver a forma como são sempre selectivos a escolher os seus pares, ou seja, nunca se rodeiam dos "melhores", para não perderem os seus lugares...).

Enquanto não resolvermos esta questão cívica e de cidadania, não iremos a lado nenhum. Só quando as pessoas sentirem que é sua obrigação intervir nas instituições que regem o seu dia a dia (Câmaras, Juntas de Freguesia, Bombeiros Voluntários, Associações de Solidariedade, Sociedades Culturais, Clubes Desportivos, etc), conseguirão afastar os "oportunistas" que tomam conta do "poder", e em vez de servir os interesses colectivos, servem os individuais...

(Ilustração de Robert Armstrong)