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sexta-feira, janeiro 25, 2019

Um Escritor Único...


Acabei de ler o romance, "Andam Faunos pelos Bosques", do grande Aquilino Ribeiro, requisitado na Biblioteca da Incrível Almadense.

Foi uma sugestão de um amigo, durante uma conversa, em que por qualquer motivo, falámos da influência da religião católica junto das comunidades, especialmente no Interior Norte, durante a ditadura e o PREC. A meio da conversa perguntou-me se já tinha lido o livro. Como disse que não aconselhou-me a sua leitura, sem se esquecer de referir a riqueza vocabular única.

E sim, mais importante que a história do livro (o aproveitamento da mitologia por parte das jovens, bonitas e casadoiras, que "inventaram" um demónio que as atacava e violava, metade bicho, metade homem, conseguindo dar vida aos "faunos", para justificar os seus devaneios... que também é um bom retrato de época, especialmente da vida dos padres, ao ponto de percebermos que a maioria achava estranho que um deles, o padre Dâmaso, não tivesse mulher, não fumasse nem bebesse...), é a utilização primorosa da linguagem regional (ou popular).

Percebi também que Ricardo Araújo Pereira, foi buscar algumas palavras ao Aquilino, misturando-as nas frases de humor inteligente, que é uma das suas imagens de marca  (já o ouvi mais que uma vez a falar de "éguas rabonas" ou de "fúfias de cócoras" ou ainda de "marmanjos amolecidos"... ou referir-se a "safardanas", coisa que nunca faltou por aqui).

Foi bom voltar a ler Aquilino (talvez não o lesse há mais de vinte anos...).

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

segunda-feira, janeiro 21, 2019

Quando a História e a Dignidade Valem Muito Pouco...


Alguns amigos chegaram-me a falar da possibilidade de a Incrível Almadense vir a ter problemas no futuro, com o edifício onde está instalada a sua sede social, após a morte do seu principal proprietário. Porque os herdeiros poderiam pensar apenas no prédio e não em toda a história que este encerra. Uma história que já terá mais de 118 anos, como edifício-sede, da Colectividade mais antiga de Almada, que comemorou em Outubro de 2018, 170 anos de vida associativa, ininterrupta.

Infelizmente foi isso acabou por acontecer. E a Incrível Almadense foi notificada que a sua renda ia ser actualizada (para valores obscenos...), porque há muitos anos que não sofria qualquer aumento...

Claro que todos sabemos que a lei não contempla questões morais ou éticas. Mas devia. Pois no caso particular do prédio onde está instalada a sede social da Incrível, sabemos que seu senhorio não realizou qualquer obra de beneficiação, pelo menos nos últimos cinquenta anos (provavelmente o número real está mais próximo dos 100 que dos 50...).

Poderia enumerar dezenas de obras, algumas avultadas, como foi a substituição do telhado, da canalização, da instalação eléctrica, das janelas e portas, das múltiplas reparações de paredes, das pinturas, interiores e exteriores, etc. Ou seja, a Incrível gastou milhares de euros em benefício de umas instalações, que sempre considerou suas (é importante referir que a Colectividade tentou comprar o prédio várias vezes, mas o  principal dono, disse para não nos preocuparmos com isso, por que era um processo complicado, havia muitos herdeiros, etc), com o apoio dos associados e também do Município e da Junta de Freguesia.

Nada que incomode os novos senhorios. Eles querem lá saber dos 170 anos de Incrível, de todo o seu passado histórico, que tanto dignifica a Cidade de Almada. Querem sim, dinheiro, quanto mais melhor. 

Claro que não alugarão o prédio a ninguém, pelo valor que que estão a pedir à Incrível. Mas vão conseguir ficar "famosos" em Almada, por retirarem a Incrível no espaço que funciona como sua sede social, há mais de 100 anos (118, segundo os relatos dos antigos...).

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, outubro 22, 2018

Estavas Ali para Ver a Banda Tocar...


Bem me parecia que não tinhas ido ao largo ver a banda passar. Até porque este ano não passou como nos outros anos pelas ruas de Almada (A PSP cobra uma nota preta pelas Arruadas na Cidade...).

Estavas sentada, mas para ver a nossa Incrível (e as bandas amigas, claro) tocar, na manhã de domingo, que até chegou a ameaçar chuva. 

Nada que te assustasse, muito menos aos músicos de Almada, Alverca e Aljustrel...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, março 27, 2018

O Primeiro Ensaio...


Fingia que não tinha curiosidade, de ver os actores "Incríveis" a usarem as minhas palavras no palco.

Mas naquele dia calhou, a reunião acabou mais cedo e eu  lá fui até ao Salão de Festas. Depois de descer as escadas que me levaram da segunda galeria até à sala, sentei-me numa das cadeiras de plástico, tentando permanecer anónimo.

Fui anónimo pouco tempo, dai a quase nada a encenadora perturbou a silêncio da plateia ao anunciar a presença do autor na peça. Os actores bateram palmas e eu levantei-me e fiz-lhes uma vénia.

A mulher que estava a meu lado disse a sorrir que não me tinha imaginado a escrever aquelas coisas.

E num primeiro momento até eu duvidei ter escrito aquelas palavras, que agora ganhavam vida através dos corpos e das vozes das personagens da peça "O Amor é uma Invenção do Cinema", a minha estreia mais a sério nos palcos...

(Fotografia de Luís Afonso)

domingo, outubro 22, 2017

Um Festival de Bandas Almadense (e Centenário)...


Há já alguns anos que a Incrível Almadense organiza o seu Festival de Bandas Filarmónicas, que é sempre uma boa oportunidade para quem gosta deste género musical e também para recordar memórias, de quando esta era a única música possível em muitos lugares deste país...

O Festival que está quase a começar (estou a escrever antes de passar por lá...), este ano tem uma particularidade bastante importante e singular. As três bandas que a Incrível convidou são as suas congéneres do Concelho de Almada, S.F.U.A. Piedense, Academia Almadense, e Musical Trafariense, todas elas centenárias, tal como a "Mãe" do Associativismo Almadense...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, outubro 05, 2017

Festejar 169 Anos Todos os Dias...

Hoje é um dia especial, e não apenas por a República ser muito mais bonita que a Monarquia, também foi pensada para ser mais justa e igualitária...

Felizmente a realização da Sessão Solene da Incrível Almadense coincide muitas vezes com o 5 de Outubro, festejando-se a Democracia e o Associativismo, duplamente, em Almada, uma Terra profundamente republicana.

Foi o que aconteceu hoje à tarde, com o Salão de Festas a receber a visita das forças vivas da Cidade, que ofereceram discursos mais sentidos e também com mais história que o costume, não estivessem eles na " Colectividade-Mãe" do Associativismo Almadense, que está a festejar o seu 169.º aniversário durante todo o mês de Outubro. 

Joaquim Judas e António Matos, presidente  e vereador da Cultura do Município de Almada (cessantes) falaram com grande lucidez, evocando a história da Incrível que se confunde com a história de Almada, sem fugir aos tempos que se avizinham (e sem qualquer ressentimento...). Não só transmitiram confiança à assistência incrível, como afirmaram que continuarão presentes no dia a dia de todos nós.

Estes dois nossos governantes sabem melhor que ninguém, que há um equilíbrio de forças em Almada (empate técnico, quatro vereadores do PS e quatro da CDU - além de dois do PSD e um do BE), pelo que faz todo o sentido colocar em funcionamento a tão célebre "geringonça", que tão bons resultados tem obtido no país.

Quem como eu, não gosta de "maiorias", sabe que, para bem de todos nós, o PS e a CDU têm mesmo de se entender. Há todo um capital de experiência (são 41 anos no poder...) que poderá ser útil aos socialistas, que de forma completamente inesperada, ficaram com os destinos de Almada nas mãos...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, março 30, 2017

A Teimosia, Essa Minha Força Motriz...


Ainda ontem falei nisso com amigos. Se não fosse ser teimoso e gostar de contrariar alguns pessimistas, não teria feito mais de metade das coisas que fiz nos últimos anos.

Alguns "fantoches" que passaram por mim ao longo dos últimos vinte anos, bem arrependidos devem estar por de certa forma terem sido a "força motriz" de toda esta minha vontade de fazer coisas...

O mais curioso é saber exactamente como tudo começou, quando alimentei a ideia de se fazer uma exposição de homenagem a um grande pintor almadense, que falecera um ano antes e era fundador da SCALA, uma associação que continua a ser minha - juntamente com a Incrível. 

Um dos elementos que devia fazer a ideia avançar, pelas suas funções directivas, decidiu começar a colocar obstáculos, quase sempre coisas pequeninas de gente miudinha. Enquanto ele pedia ajuda aos "profetas da desgraça" eu quase que corria, por outras ruas, porque era preciso andar para a frente e fazer coisas. E as coisas que que eu fiz, desde ir a galerias de arte lisboetas buscar quadros emprestados a fazer um folheto, uma gravura, um boletim especial...

Claro que tive muitas ajudas, mas esta foi a minha primeira vitória no mundo do associativismo, contra os "velhos de Almada"...

(Aguarela de Arménio Reis - o tal grande Pintor Almadense que mereceu todas as batalhas vencidas...)

quinta-feira, dezembro 22, 2016

O Amor, o Cinema, o Teatro e o Livro...


A peça que escrevi e foi representada durante a 18 ª Mostra de Teatro de Almada, encenada pelo Cénico Incrível Almadense, "O Amor é uma Invenção do Cinema", agora também é um pequeno livro.

Como digo na "nota de autor", decidi finalmente, transformá-la em livro, para que possa chegar a outras pessoas, que não puderam assistir à peça, representada em Almada.

Foi uma experiência especial. Ainda me recordo de assistir a um dos ensaios e ter algumas dúvidas de ter sido o autor do texto (graças à interpretação dos actores, que deram vida às personagens e transformaram o texto que tinha escrito numa outra coisa (melhor)...

sábado, setembro 24, 2016

Quando se "Inventa" para Ficar na História...


A história de Almada saltou para cima da mesa do café (tal como tem acontecido tantas vezes...) e na defesa dos meus pontos de vista e da história local, acabei por de alguma forma chamar mentiroso a um dos meus companheiros de "tertúlia". Sei que era mais simples ter dito que a verdade não era bem assim, mas em algumas coisas sou demasiado intransigente.

A minha experiência - primeiro como jornalista e depois como historiador - de quase três décadas, faz com que apanhe um "mentiroso" com relativa facilidade. Basta fazer duas ou três perguntas sobre o mesmo tema, para encontrar contradições. Ou estão estar a par dos factos (o que aconteceu...).

É por isso que sempre que quero saber coisas do passado, recorro normalmente a duas ou três fontes, que são de uma honestidade rara. 

Claro que quem "mete os pés pelas mãos" nem sempre o faz por mal. A passagem do tempo faz com que muitas pessoas não tenham a noção de que já se passaram décadas e décadas sobre determinado acontecimento, é isso faz com que se enganem com relativa facilidade na data, e por vezes até do local. Mas pior são  mesmo as pessoas que gostam de se meter dentro da história. Fala-se sobre determinado acontecimento e a primeira coisa que dizem é, «eu estive lá», quando lhes era impossível estarem presentes fisicamente, por serem demasiado pequenos,  por residirem noutra cidade ou até por ainda não serem nascidos...

Eu sei que por vezes é difícil resistir à tentação, de ficarmos na história, mesmo que esta nos tenha passado ao lado. Espero ter sempre a lucidez suficiente para ser um autor e uma fonte credível...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, novembro 05, 2015

Quase Teatro na Biblioteca


Podia ser quase um número de teatro, mas aconteceu numa tarde destas. O cenário é a biblioteca da Incrível e as personagens uma mulher que gosta de livros e o bibliotecário (sim, eu mesmo).

Ela ia andando pelos pequenos corredores da biblioteca, à espreita dos nomes das lombadas dos livros, sem no entanto os tirar do sítio. Depois perguntou-me:

«Incomoda-te que quase ninguém frequente esta biblioteca?»
«Não. Não me incomoda, nem preocupa muito. Sei que há bibliotecas com melhores condições e com livros mais bonitos que esta.» Ela insistiu agora com uma quase afirmação.
«Mas de certeza que gostavas que existissem mais leitores.»
«Nunca pensei a sério nisso, mas acho que sim. Sei que esta biblioteca ainda podia ser mais que um quase museu. Mas também sei que estes tempos não são de livros, é difícil resistir ao mundo que nos aparece a um simples toque de telemóvel. Vejo-o pela minha filha que andava sempre com um livro atrás e agora anda a namorar um "tablet" para o Natal, porque o telemóvel é demasiado pequeno para ela estar dentro do "mundo"...»
«Consegues perceber porque razão estas bibliotecas eram tão frequentadas há cinquenta e sessenta anos?»
«Claro que consigo. Em primeiro lugar os livros eram caríssimos nesse tempo, comparados com outros bens essenciais. Isso fazia com que não existisse o hábito de teres uma biblioteca em casa, o normal era ires requisitar um livro para ler às bibliotecas das colectividades. Em segundo lugar, tirando o trabalho, o cinema e os bailes de fim de semana, não havia muito mais para se ocupar o tempo. E não menos importante, os livros eram uma das poucas oportunidades que existiam para se conhecer o mundo, e até de se sonhar. A televisão só apareceu no final dos anos cinquenta do século passado e era muito pobrezinha, com um horário limitado.»
«E eu que pensava que te sentias mais desgostado.»
«Pensavas... a vida é o que é.»
«Nem pareces um ficcionista a falar...»
«E tu não pareces uma mulher que lê livros. A ficção é a vida tal como ela é. Quase sempre com menos vírgulas.»

E depois seguiu-se um silêncio quase de ouro. Até que finalmente pegaste num livro e contaste-me uma história deliciosa sobre o autor.

quinta-feira, outubro 22, 2015

Leituras Antigas Problemas Modernos


Este Outubro fez com que começasse a ler livros fora de moda e a dar algum uso aos  velhos livros da biblioteca da Incrível Almadense, da qual sou colaborador.

Estou a ler quase em simultâneo dois livros de contos de duas autores quase esquecidas, Maria Judite de Carvalho ("Flores ao Telefone") e Isabel da Nóbrega ("Solo para Gravador").
Este último livro foi editado em 1973 e num dos contos ("Colagem") senti algumas palavras muito próximas de 2015, embora as pessoas tenham crescido um palmo e não se agarrem à maternidade, como nesta ficção de Isabel da Nóbrega, que transcrevo com a devida vénia:

[...] «O quarto que habitam é tão pequeno que tiveram de serrar os pés à cama, encurtando-a, para lá caber junto do armário, das mesas de cabeceira e da mesa da cozinha e agora dormem encolhidos. Não haverá desmancho deixam ir o menino avante. Não é um acto de coragem, nem de fé, nem de boa moral, nem de amor, ainda. Desconfio que é simplesmente para sentirem qualquer coisa de seu. Despojados de tudo, numa sociedade errada, onde hipocritamente se prega a caridade e não a justiça social, sentem confusamente que também têm direito a uma coisa sua.» [...]

Nesta última parte, descobrimos uma sociedade próxima dos nossos dias, com milhões de pessoas reféns da "caridazinha" de todos os "bancos alimentares" e de "todas as "sopas dos pobres" que criaram de Norte a Sul.

Infelizmente este nosso país está a ficar com gente a mais que sofre, gente que tem medo, gente que deixou de ter vontade própria. E isso explica um pouco o porquê deste impasse político, o porquê da vitória da coligação de dois charlatões...

O óleo é de Theodore Roussel.

sábado, setembro 26, 2015

Salão de Festas da Incrível: um Lugar onde é Possível Ser Feliz


Ao passar por um painel destinado aos cartazes da campanha eleitoral, gostei de ver que o Bloco de Esquerda continua a escolher o Salão de Festas da Incrível Almadense para fazer o seu grande comício na Margem Sul.

Esta minha satisfação não teve nada  que ver com a política, teve sim a ver com o associativismo, ou seja com a minha Incrível. Sei bem o jeito que dá esta receita extra para o equilíbrio das contas da Colectividade mais antiga de Almada...

Depois também fiquei a pensar que o Salão de Festas da Incrível é um lugar de culto para muito boa gente.  Provavelmente também o é para o BE, que além de gostar do lugar, talvez encontre ali algo de especial, e é por isso que volta à nossa "Catedral", de quatro em quatro anos.


Não é nada estranho, Por exemplo os "Moonspelle", a nossa grande banda de rock metálico continua a ter uma relação especial com a Sala e gosta sempre de voltar...

domingo, junho 29, 2014

A Boa Novidade de Assistir na Plateia à Minha Peça


Felizmente fui ao Salão da Incrível Almadense, assistir ao texto que escrevi, "O Amor é uma Invenção do Cinema", transformado em teatro pelo CIA (Cénico Incrível Almadense).

Gostei de tudo, das interpretações, dos cenários e até das sonoridades escolhidas.


Eu já tinha sentido uma sensação estranha quando assisti a um dos ensaios, como se tudo aquilo fosse novidade, e eu não fosse o autor. Acabei por sentir a mesma coisa, em várias partes, durante a peça.

Parabéns aos actores principais: Eduardo Pereira, Mara Martins, Marisa Vasconcelos e Nelson Sousa, aos figurantes, aos técnicos, e claro, à encenadora, Eugénia Conceição.

As fotos são da Gena Souza.

quinta-feira, junho 26, 2014

A Minha Estreia Teatral com: "O Amor é uma Invenção do Cinema"


O Cénico Incrível Almadense vai estrear no próximo sábado uma comédia romântica da minha autoria,  a que dei o título, "O Amor é uma Invenção do Cinema".

Quando a escrevi não estava a pensar que fosse representada, foi sobretudo um exercício literário de aproximação à escrita dramática, com mais fôlego que outros textos anteriores.

Como devem calcular estou bastante satisfeito e também curioso pelo que irá surgir no palco da Incrível (mesmo sem ter a certeza se poderei estar presente...).

Assisti a dois ensaios (ainda no início...) e ao ver os actores a representarem, cheguei a questionar-me se tinha sido eu que tinha escrito o texto. Provavelmente pela novidade e também por perceber que as minhas palavras também pertenciam agora aos dois homens e às duas mulheres que davam vida às personagens principais desta história de amores e desamores, tão comum nos nossos dias...

E agora o mais importante, a peça tem início às 17 horas, no Salão de Festas da Incrível Almadense. 

sábado, janeiro 04, 2014

A Sorte dá um Trabalho do Caraças


Eu já sei há algum tempo que a sorte dá um trabalho do caraças.

Hoje tive mais uma vez a prova, através da organização de um espectáculo de homenagem a um amigo que fez há dois dias a bonita idade de noventa anos e que se chama Fernando Barão.

Correu tudo bem. Tenho a certeza de que as pessoas que encheram o Salão da Incrível Almadense, saíram satisfeitas com o espectáculo e com o ambiente fraterno que se viveu e que teve vários pontos altos, desde o número alegre de teatro "O Barão de Cacilhas" (que escrevi e até interpretei um papel pequenino...) ao excelente filme realizado pelo Pedro, neto do Fernando, com fotografias, pedaços de filmes e os testemunhos da filha, do genro, dos netos e dos bisnetos, cheios de amor, mas sem qualquer ponta de lamechismo.

Mas o melhor de tudo foi sentir a felicidade do homenageado e dos seus familiares e amigos próximos.

E que bom é ter amigos como o Carlos, o Orlando e o Chico! Fomos mais uma vez uns autênticos "mosqueteiros" a dobrar as várias adversidades (a última aconteceu dois dias antes do espectáculo, quase com a ameaça velada de uma não participação...) que nos surgiram pela frente.

O óleo é de Heidi Palmer.

domingo, março 17, 2013

Não Vale a Pena Esconder as Emoções


Quando organizamos uma iniciativa Cultural e verificamos que tudo correu bem, é difícil definir o que sentirmos. 

E se pensarmos que minutos antes do espectáculo começar, ainda tivemos de "improvisar", à boa maneira portuguesa...

Mas à medida que as coisas avançaram, fomos tendo a noção perfeita de que todas  as escolhas tinham sido certas.

Foi bom ver tantos amigos felizes pela grandeza do momento.

O resultado final diz-nos que valeu a pena...

Obrigado António, Carlos, Francisco e Orlando.

O óleo é de Gianni Gueggia.

quinta-feira, dezembro 27, 2012

Sem Tempo para Brincar com Barquinhos de Papel


Neste final de ano, continuo com vários projectos em mãos, desde uma antologia poética, que esperou quase um ano pela luz verde para puder avançar - luz chegou em Dezembro -, a duas exposições que já estão a ser preparadas, uma para Janeiro (individual) e outra para Fevereiro (colectiva).

No próximo ano há também a possibilidade de pelo menos uma peça escrita por mim ser encenada e apresentada ao público. Veremos...

Como disse nas "Viagens", projectos não me faltam, num ano particularmente difícil para todos nós. Claro que uma boa parte destas actividades não têm quaisquer contrapartidas financeiras. É isso mesmo, muito amor à arte...

Ainda não deve ser em 2013, que vou ter tempo de brincar com barquinhos de papel. E também não espero ser um "sem abrigo da cultura", como este da imagem, algo que continua a crescer no nosso país, pouco sensível ao mundo das culturas...

O óleo é de Gioxe de Micheli.

sábado, fevereiro 11, 2012

O Amor Vence Quase Tudo


Há muitos tipos de amor, como todos nós sabemos.

O amor daquele homem era demasiado grande, para se confinar apenas às pessoas.

O seu sonho de menino era um dia vir a ser músico da banda da Incrível Almadense, que se habituara a ver desfilar e a espalhar música pelas ruas da Vila, nas datas festivas.

Começou a trabalhar com apenas dez anos, mal completou o ensino primário. Foi nesta altura que foi saber o que era necessário para se inscrever na escola de música da Colectividade.

Descobriu que o sonho estava muito mais acessível do que o  pensara inicialmente.

O tempo passou rapidamente e hoje, setenta anos depois, mostra com orgulho os dedos ainda calejados, marcas da sua profissão de torneiro mecânico, que nunca foram um obstáculo para fazer "magia" com os  vários instrumentos que tocou na Banda Incrível...

O óleo é de Isabel Frias. 

domingo, outubro 23, 2011

A Importância da Música


Hoje ao ouvir os concertos do Festival de Bandas da Incrível, lembrei-me de várias coisas, inclusive de uma história real, digna de um filme, e com música.


Durante a guerra colonial, um alferes apaixonado por música clássica, pegou o gosto ao seu pelotão, que primeiro estranhou a sonoridade, mas depois entranhou e interiorizou...

Sempre que chegavam do mato, especialmente quando havia troca de tiros com o inimigo, com baixas de ambos os lados, o alferes ligava o gira-discos e colocava música de Mozart, Beethoven, Bach, Verdi, Mahler ou Wagner, que escutava em silêncio, sentado no chão, com uma cerveja gelada nas mãos.

Os seus homens ao principio riam-se e trocavam piadas e sinais que o alferes estava a ficar "apanhado", mas depois renderam-se e começaram a seguir o mesmo ritual, pegavam numa cerveja e ficavam por ali, a olharem para nenhures, saboreando a música que os conseguia levar para onde queriam, ainda que apenas por breves momentos...

O Manuel nem precisou de ver "Apocalypse now", para sentir a força da "Cavalgada das Valquirias" de Richard Wagner...

Ainda hoje quando anda mais irritadiço, pega num "cêdê", coloca música clássica e parte de viagem. E só regressa depois da "tempestade"...

quinta-feira, outubro 13, 2011

Alves Redol em Almada


Hoje, às 21 horas, Alves Redol será recordado no Salão de Festas da Incrível Almadense.


Esta sessão comemorativa do centenário do nascimento do escritor ribatejano (que decorre durante todo o ano de 2011) e inserida no 163º aniversário da Colectividade Almadense, começará com a projecção de um filme biográfico, de 50 minutos, onde nos surge o autor a falar na primeira pessoa, sobre a sua vida e obra.

Após o filme terá lugar um colóquio com as presenças de António Mota Redol (filho de Alves Redol), Vitor Viçoso (professor universitário e grande estudioso do movimento neo-realista e da obra do escritor) e Alexandre Castanheira (professor e um grande Incrível que conviveu com o homenageado)

Haverá também uma pequena exposição com imagens da sua passagem pelas Bibliotecas do Concelho, tal como uma mostra de livros da biblioteca da Incrível, de autores neo-realistas.

Esta bela foto de Alves Redol é da autoria de Sam Payo.