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terça-feira, maio 21, 2019

«Dá uns chutos na bola e acha que pode comprar o mundo»


Um rapazola que não devia ter muito mais de vinte anos descia a avenida montado num descapotável vermelho, de matrícula inglesa, com o volante ao contrário.

Como todos os "deslumbrados", olhava para todos os lados, a dizer que estava por cá.

Um homem parado no passeio disse para quem o quis ouvir: «Dá uns chutos na bola e acha que pode comprar o mundo». Se era assim, devia conhecer um pouco mais da vida do rapaz que o comum dos mortais, que estava por ali, naquele momento.

Sabia que basta jogar na terceira ou quarta divisão inglesa, para ganhar mais dinheiro, que muitos jogadores da nossa Primeira Liga...

Mesmo assim desejei que o rapaz soubesse que a vida de jogador dura apenas um instante. E por isso mesmo, que não passasse demasiado tempo a passear-se de descapotável...

Quando estava a chegar a casa, agradeci à rua, por continuar a ser um bom "alimentador" do Largo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, maio 10, 2019

Escreve-se Porque Sim e Também Porque Não...


Herberto Helder cruzou-se hoje comigo, em dois textos e uma conversa. A única ligação entre estes três acontecimentos foi a sua vocação de recusa, a sua caminhada livre e solitária, para bem longe das capelinhas e dos "capelistas"...

Ou seja, ele foi o que mais ninguém consegue (e quer) ser...

Pelo meio ainda assisti, em silêncio, a uma discussão quase parva, entre dois meninos que dizem ser poetas, dos bons. O com menos cabelo disse que logo que publicassem 10 linhas sobre um livro do outro, no "Jornal de Letras" ou na revista "Ler", ele em vez de destilar ódio e inveja pela "dúzia" de escritores que eram cortejados, mesmo quando os seus livros eram péssimos (a palavra dita cheirava pior...), passava a lamber os "cus" (já tinha reparado que as "botas" tinham sido substituídas nesta velha expressão...) dos críticos.

Quando vinha para casa, voltei a pensar em Herberto e questionei-me por que razão escrevo. Até que me lembrei, que era por que gostava (e também por que precisava, poupando-me dinheiro em qualquer médico de "maluquinhos"...). ponto final.

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, março 20, 2019

Nem os Alertas da Natureza Param a Selvajaria Ambiental...


Eu sei que devíamos andar por aqui um pouco mais assustados, até por já termos percebido, que nem mesmo as catástrofes naturais, cada vez mais banais, retraem a vontade cega e selvagem, de subjugar, tudo e todos, ao poder do dinheiro.

Moçambique agora fica logo ali ao virar da esquina, mas não sei se muda alguma coisa...

Até porque as lágrimas de crocodilo, como de costume, não resolvem nada...

Continuo a pensar que os "donos do mundo" acham que  estão imunes a todas as tragédias, e que vão ficar por cá, uns para "semente", outros "para contar".

Pobres diabos, ainda não perceberam que a ilusão é uma coisa terrível, até mesmo para os mágicos...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quinta-feira, março 14, 2019

O Poder e a Autocrítica (aliás, a falta dela)...


Quando falo com pessoas que já foram "poder", de um modo geral, noto a ausência de qualquer palavra, por mais simples que seja, de autocrítica.

Parece que fizeram tudo bem feito. E fazem questão de manter sempre uma barreira (por vezes gigantesca...) entre o "nós" e o "eles".

Talvez seja por isso que existe a tendência para alterar quase tudo, mesmo o que está bem (e é a coisa que mais me desagrada em qualquer governo, local ou nacional...), quando regressam ao poder.

Só que isto, pelo menos no meu entender, é uma prova da "perfeita estupidez" (normalmente disfarçada de "esperteza"...) de quem ocupa o poder. 

Só uma pessoa estúpida é que vai alterar o que está bem, por outra coisa, pior, sem sequer pensar nos danos que irá provocar a terceiros, apenas por que sim...

(Fotografia de Luís Eme - Olivais)

sábado, novembro 10, 2018

Um Hábito cada Vez mais Normal...


Esta mania dos políticos nos quererem passar "atestados de estupidez",  fiados na sua "chica-espertice", começa a ultrapassar todos os limites.

Já todos tínhamos percebido que uma boa parte deles gosta de "dourar" os currículos com cursos que nunca frequentaram, e cargos que nunca ocuparam, 

Depois há as dezenas de histórias com dinheiros de casas, viagens e fatiotas, do domínio da ficção... mas aceites, porque "os políticos têm ordenados baixos" (pobres coitados, devem receber pouco mais que o ordenado mínimo, tal como a maioria dos portugueses...). 

Só faltava mesmo a "denúncia" (feita pelos seus próprios pares...), de um registo duplo indevido na "folha de presenças" (algo que deve ser mais comum do que parece)...

Como se começou a falar de investigações, com a polícia judiciária e o ministério público ao "barulho", a senhora deputada que registou a presença do senhor Silvano, resolveu "dar a cara" e falar da "normalidade" da partilha de "senhas" dos computadores pessoais do grupo parlamentar... e pior ainda, de distracção. Sim, registou o nome do colega de bancada, sem perceber que o estava a fazer, e logo por duas vezes...

Não menos grave é o presidente do seu partido, achar que tudo isto não passam de "fair-divers"... Pelo menos o líder parlamentar teve a decência de dizer que nunca partilhou a sua "senha" com ninguém...

Tenho de acabar este texto com uma pergunta óbvia: como é que "gente deste calibre" chegou ao parlamento, onde nos está a representar?

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, outubro 03, 2018

Medalhas & Tiros nos Pés...


O assalto a um dos paióis de armamento de Tancos, é de tal forma caricato e inverosímil - em todos os seus episódios - que a realidade ultrapassa mais uma vez a ficção.

Mesmo assim é importante perceber que nada disto aconteceu por acaso, que foi um dos "preços a pagar" pelos muitos anos de desinvestimento nas Forças Armadas e na degradação da condição militar (provavelmente chegou-se a um ponto em que já existem mais oficiais e sargentos que praças na Marinha, Força Aérea e Exército...). Os principais responsáveis por se ter chegado a este ponto, são os três partidos do "arco governativo", quase sempre com a complacência das chefias militares, mais preocupadas com as suas estrelas e louvores, que com os homens e mulheres que comandavam.

Mas o que ainda me deixa mais apreensivo em todo este "filme", é a falta de cooperação que existiu entre as polícias (neste caso particular entre a PJ e a PJM...), desde o começo de todo o processo. 

Parece que a "coroa de louros" é sempre mais importante que o trabalho em equipa, para a resolução rápida e séria dos vários casos de polícia, que envolvem mais que uma força de segurança ou polícia de investigação...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, outubro 01, 2018

A Patetice (ou não) do "Auto-Elogio"...


Claro que sei que sempre houve livros e filmes a caírem para o lado do "auto-elogio", mas também sei que todos eles acabavam por ser uma "nódoa" artística para os seus autores. Num tempo em que existiam críticos...

Embora não tenha conhecido o país antes de Abril (pelo menos não o olhava com olhos de ver...), penso que tanto o salazarismo como o marcelismo fomentavam - de uma forma exagerada - a sobriedade  na sociedade (até nas cores das roupas que se vestiam...).

Mesmo o jornalismo televisivo era obrigado a alguma contenção (o que devia irritar uma série de gente vaidosa. esses mesmo, que se achavam os melhores da rua deles e apareciam nas páginas da "Plateia"...). 

Até que tudo mudou na nossa "caixa mágica"...

Apesar das mil e uma coisa positivas que nos trouxeram as televisões privadas (olá liberdade...), o foco das minhas palavras é o "auto-elogio", que só começou a ser fomentado de uma forma patética, com o aparecimento da SIC e da TVI. Foi nestas estações que as pessoas começaram a aparecer no ecrã a disser de uma forma despudorada (e muitas vezes mentirosa...) que a "galinha delas era melhor que a da vizinha", ou ainda pior: "eu sou bom, tão bom, tão bom...", (quase a olharem-se ao espelho da madrasta da "Gata Borralheira"). E a "feira de vaidades" nunca mais parou...

Infelizmente foi influenciando toda a sociedade, que de uma forma geral, se acha melhor do que realmente é...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, agosto 17, 2018

Em Exposição Pública...


Hoje atravessei o Rio e depois de uma reunião de trabalho, decidi regressar  a pé, quase de Alcântara ao Cais do Sodré.

No miradouro rente ao Museu de Arte Antiga descobri uma imagem gigante, entre o curioso e o medonho, de Jorge Molder, o homem que faz arte consigo próprio, ou seja faz, auto-retratos, e segundo os críticos, é um grande artista.

Apesar de vivermos num tempo em que "tudo é arte", continuo a pensar que há coisas bem mais interessantes que utilizar o espelho e a nossa "carantona" para fazermos arte e nos tornarmos artistas...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, junho 11, 2018

«Sei que escreve coisas...»


«Sei que escreve coisas...» 

Ela com esta frase curta sintetizou da melhor maneira a minha carreira literária.

Foi fazendo perguntas que eu respondia economizando as palavras, porque era um daqueles dias mais para pensar que para falar...

E se me fez pensar. Talvez  estivesse tudo errado... 

E claro que era vaidoso, por muito que me fingisse um simplório. 

Se fosse mesmo esse gajo simples que gosto de fingir que sou, limitava-se a escrever coisas em cadernos pretos ou sebentas, sem pensar nos outros. 

Cadernos que poderiam dar jeito para acender a lareira no Inverno, quando nos escasseiam os jornais na casa da Beira...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, maio 22, 2018

Expo 98, um Acontecimento Memorável


Se há algo que nos deve deixar orgulhosos foi a realização da Expo 98, que para muitos era uma iniciativa megalómana. Mais uma daquelas que não éramos capazes de fazer, pelo menos com o brilho de outras feiras memoráveis...

(Claro que não vou fazer publicidade aos "corruptos" do regime, que sempre que cheira a dinheiro, guardam o que podem, e não podem, nas suas calças dos bolsos fundos...).

Não sei se o mais importante foi a recuperação de uma das zonas mais poluídas e feias de Lisboa, ou o nosso amor próprio, percebermos que a palavra impossível (tão do gosto dos muitos "velhos do restelo", que continuam sem arredar pé, rente ao Tejo...), nem sempre tem utilidade.

Como comprámos o passe de três dias, fomos lá três vezes, duas delas com o meu filho, que tinha meses (nascera em Abril desse ano esperançoso...) e aparece na fotografia ao colo da mãe e ao lado do Gil. 

Fomos ainda uma quarta vez, mas só à noite, a bordo de um cacilheiro, para assistirmos ao bonito espectáculo pirótécnico e musical de encerramento da Festa (penso que diário...).

E entretanto passaram 20 anos...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, abril 04, 2018

O "Esquecimento" da Notícia e os Argumentos do Realizador...


Quando venho de um período de férias, ainda que curto, não me apetece começar logo a escrever sobre assunto demasiado sérios.

Foi por isso que ainda não disse uma única palavra sobre a apropriação das palavras da escritora Deana Barroqueiro, por parte do realizador João Botelho, no argumento de "A Peregrinação", o último filme que realizou.

Mas esta apropriação nem é o mais grave grave de todo este caso. O seu pedido de desculpas, "esfarrapado", na qual ele diz que não conseguiu contactar a editora e a escritora, é uma coisa sem pés nem cabeça. Se pensarmos que estamos a falar de uma das duas principais editoras do nosso pais... não vale a pena acrescentar mais nenhuma palavra.

Outro aspecto não menos importante é a quase ausência de notícias ou críticas negativas sobre este acontecimento. O que é bastante revelador da nossa "vida cultural", cheia de capelinhas, onde se junta a gente "bem" da cultura e do jornalismo, para beber copos e desdenhar dos nossos "tonis carreiras" ou "diogos piçarras", que até podem ter menos talento que eles, mas não lhes ficam a dever nada em dignidade.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, abril 03, 2018

A Escrita "Embirrante" (Escrita com o Umbigo)


Quando começaram a falar da escrita de algumas pessoas,  com adjectivos lamentáveis, fiquei em silêncio. Não sabia onde queriam chegar, mesmo que soubesse que em muitas conversas se diz mal sem se querer chegar a lado nenhum...

Mas desta vez a malta queria mesmo chegar a vários lugares, ir ao encontro de algumas pessoas, que escrevem sobretudo para o umbigo, mesmo quando utilizam nomes de terceiros nos títulos dos seus textos.

São sempre o centro das suas histórias, os outros são quase sempre actores secundários.

Continuei em silêncio, mas fizeram com que pensasse em duas ou três pessoas, que nunca se conseguem distanciar das suas palavras, metem-se no centro das histórias, porque a vaidade também tem o efeito de cegar...

(e no final elogiaram-me de uma forma que não posso escrever aqui... porque não quero estragar tudo com este parágrafo, pois estou com a sensação de  que me estou a virar um bocado para o "umbigo"...).

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, março 23, 2018

Olhar (perguntar) e Ouvir...


Quando se fala das artes eu sou sobretudo um "ouvidor". Gosto de ser "esponja", de perguntar quando fico com dúvidas, mas sobretudo de ouvir, ouvir, ouvir... para depois concluir, com os meus amigos botões.

O meu convívio com fotógrafos e pintores diz-me que estes últimos são sempre mais opiniosos e convencidos.  Não é raro sentir que estou a conversar com um "picasso", tal a forma como falam de si próprios. 

E também conseguem ser mais mauzinhos uns para os outros...

Dizem que quem pinta quadros grandes, só o faz porque não sabe desenhar pormenores; outros "desdizem" e contam que só pinta quadros pequenos quem não quer ter grande trabalho... e poderia continuar a falar das cores, das formas... Como estou com um pé de fora, lembro-me muitas vezes da velha história do rapaz, do velho e do burro...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, janeiro 28, 2018

Um Desafio Complicado para 2018...


Este ano estou decidido a voltar a ler um livro de António Lobo Antunes (provavelmente por teimosia...). Até já escolhi dois títulos, que estão há muito em lista de espera, especialmente o "Fado Alexandrino". O outro romance é "Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo". Vamos ver se não me arrependo logo nos primeiros capítulos...

Continuo a pensar que qualquer escritor que publique livros, não pode escrever apenas para o seu umbigo, tem de pensar também nos leitores. Algo que Lobo Antunes desistiu há já algum tempo, assim como de contar uma história. Mesmo assim continua a ser "endeusado" pelo nosso jornalismo cultural

Hoje no meu trabalho de "arquivista" descobri um  artigo crítico de António Guerreiro sobre, "Ontem Não te Vi em Babilónia", publicado no antigo suplemento do "Expresso", "Actual",  de 28 de Outubro de 2006, que diz quase tudo o que penso, nesta sua última fase como romancista (em que ele se transformou quase num "deus" da literatura - basta ler as entrevistas...).

Transcrevo a parte que achei mais interessante:

«Posso dizer que “Ontem Não te Vi em Babilónia” é um romance difícil de ler porque subverte os códigos do género mais facilmente reconhecíveis, porque a ordem narrativa não se baseia num agenciamento causal e cronológico de factos (dito de outro modo: não há uma história fabricada como um contínuo), porque recorre aos processos do monólogo interior, o que significa que o modo da narração é caracterizado pela focalização interna. Em vez de um narrador que procede a uma organização lógica, temos as vozes das personagens, em longos monólogos que se desenvolvem ao sabor de associações, de evocações, de memórias. Em suma: segundo regras de descontinuidade que são o contrário da linearidade narrativa.
Mas também posso dizer (e digo-o com convicção) que  este romance de Lobo Antunes é difícil de ler porque cria imensos ruídos, muita confusão, no modo como elabora a sua matéria narrativa e, principalmente, os processos de polifonia. Aquilo que poderia ser apenas complexo torna-se inutilmente complicado, até ao ponto em que é impossível discernir quem conta o quê e reconstituir os fios de uma intriga, da qual o romance no entanto não prescinde. A regra da profusão (nos seus monólogos, as personagens entregam-se a um discurso que está próximo da associação livre) resulta em algo que funciona no vazio e que se torna exasperante.»

(Fotografia de autor desconhecido)

segunda-feira, janeiro 15, 2018

Olhar e Pensar, quase Duas Vezes...


A batalha mediática das actrizes contra o "assédio", mesmo sem quase darmos por isso, já começa a influenciar o nosso olhar de "faunos".

Eu por exemplo, já dei por mim a olhar para uma mulher bonita na rua e pensar em ser o mais discreto possível. 

Tudo isto porque se escreve e fala diariamente de uma forma excessiva sobre a questão. E cada vez se mistura mais a sedução com o assédio, e um dia destes só pode ter como resultado a criação de mais um problema, quase de "identidade sexual", masculina ou feminina...

O meu amigo Gui, que já andou a "pregar pregos" em Hollywood, diz que isto é tudo postiço, acrescentando que as grandes vitimas de assédio na "meca do cinema" são os homens jovens e não as actrizes, explicando que uma boa parte dos poderosos do mundo do cinema, em relação ao sexo, prefere outros homens. As actrizes bonitas e badaladas são usadas preferencialmente para ficar na fotografia...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, dezembro 15, 2017

O Associativismo e o Poder...


Não vale a pena bater mais na "ceguinha", ou colocar em causa uma instituição de utilidade pública (mesmo que não tenha o estatuto...), que cresceu demasiado e começou a ser gerida como uma "empresa", até por prestar serviços que a obrigam a ter um número significativo de funcionários.

O que é mais relevante neste caso é o exemplo (mais um...) do que as pessoas fazem com o poder, especialmente no movimento associativo, com demasiados casos de associações vitimas de gestões danosas, por parte de dirigentes incompetentes e com poucos escrúpulos. Não deixa de ser curioso, que acabe por parecer mais fácil, dirigir uma colectividade que vive o seu dia a dia com dificuldades, que uma que viva desafogadamente...

Isto acontece porque uma boa parte das pessoas não sabem (acho que não querem saber...) gerir instituições que tenham dinheiro. Dinheiro esse que continua a ser o alvo de todas as tentações, e que faz com que se dêem tantas vezes, passos mais largos que as pernas, que acabam por ter consequências desastrosas.

Mas o problema maior é o alheamento das pessoas, mesmo que sejam associados desta ou daquela colectividade. De uma forma geral não se preocupam com as questões colectivas, só perdem tempo quando estas se "individualizam" e lhes batem à porta e os obrigam a agir (muitas vezes tarde demais). Mas se isso não acontecer, continuam à espera que sejam os outros a resolver os problemas que deviam ser de todos...

Claro que esta problemática tem muito a ver com a sociedade onde estamos inseridos, do facto de não sermos educados a intervir e a participar, ter uma voz activa e estarmos atentos ao mundo que nos cerca. E não será com os políticos que temos (uma boa parte deles medíocres e pouco honestos...), que as coisas mudarão. Até por que não querem perder o "poder" que têm (basta ver a forma como são sempre selectivos a escolher os seus pares, ou seja, nunca se rodeiam dos "melhores", para não perderem os seus lugares...).

Enquanto não resolvermos esta questão cívica e de cidadania, não iremos a lado nenhum. Só quando as pessoas sentirem que é sua obrigação intervir nas instituições que regem o seu dia a dia (Câmaras, Juntas de Freguesia, Bombeiros Voluntários, Associações de Solidariedade, Sociedades Culturais, Clubes Desportivos, etc), conseguirão afastar os "oportunistas" que tomam conta do "poder", e em vez de servir os interesses colectivos, servem os individuais...

(Ilustração de Robert Armstrong)

sexta-feira, outubro 20, 2017

O Poder pelo Poder (apenas isso)...


Hoje percebi - mais uma vez -, ainda que num universo menor, o que o poder faz às pessoas. A forma como as pessoas se agarram a qualquer pedacinho de notoriedade, mesmo que seja a presidir o clube da rua, é uma coisa quase surrealista.

Não vi nenhum interesse em querer melhorar, ou mudar as coisas, vi sim uma vontade férrea em continuar, até à "derrota final"...

Infelizmente os pequenos exemplos podem facilmente serem transpostos para as governações mais importantes, seja no governo central, local, ou até na própria junta... cuja governação é mais complexa do que o que parece, especialmente para quem não percebe a importância da proximidade para as gentes.

Claro que a culpa é de todos nós, que aceitamos que quem tem mais lata e lábia, "trepe muros e paredes", a seu belo prazer, para chegar ao lugar ambicionado. Mas apenas por isso, pelo cargo e pelas possíveis benesses, nunca para servir os outros, ou fazer algo que contribua para a melhoria da sua qualidade de vida...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, setembro 09, 2017

Aproveitar o Vento no Tejo...

Bebi café, comprei o jornal e fui andar.

O vento "empurrou-me" até ao miradouro da Boca do Vento.

Olhei o Ginjal e descobri mais que um motivo de interesse. Percebi que tinha de descer... Não as escadas ("trancadas" por uma grade metálica há uma eternidade...), mas a estrada quase íngreme para o Olho de Boi.

Já na Fonte da Pipa, aproveitei a maré baixa para tirar fotografias repetidas.

Mas o cenário na Praia das Lavadeiras era novo. Além da praia com ondas e bastante areia havia também duas barcas fundeadas, bem aproveitadas em ângulos e lugares diferentes.

E já no regresso a Cacilhas, descubro quase uma regata de navegadores, capazes de dançar com a música e o sopro do vento.

(Fotografia de Luís Eme) 

quinta-feira, agosto 17, 2017

A Medalha tem Sempre Dois Lados...


Uma boa parte das pessoas que aparecem nas revistas de mexericos, olham para elas quase como o prolongamento dos espelhos que têm em casa. Estão sempre prontas a aparecer e a serem fotografadas (e se houver uns euros pelo meio, ainda melhor). Dizem que as festas fazem parte das  suas "vidinhas", normalmente com um sorriso e sem dramas...

Mas não são estas pessoas as que mais interessam às ditas revistas. Estas preferem as "figuras públicas" que se fingem discretas e que gostam de aparecer apenas quando lhes dá jeito. Os políticos e empresários estão no topo desta lista. Claro que, mais tarde ou mais cedo acabam por sofrer alguns dissabores, porque nunca ninguém gostou que depois de lhes abrirem as portas de casa, de par e par, as fechassem nas suas caras...

Este exemplo pode não ser o melhor para ilustrar a "polémica do momento" nas redes sociais, que tem como foco uma frase de João Quadros sobre a "careca" da mulher do ex-primeiro-ministro (um novo "cabeça rapada"...). Mas não anda muito longe. Como eu não tenho a memória curta, não esqueço que foi Passos Coelho e o seu partido que utilizaram a doença da esposa para retirarem dividendos políticos, exibindo a sua falta de cabelo em várias jornadas da campanha eleitoral de 2015. 

As palavras do guionista podem ser de mau gosto, mas quem anda à chuva, se se esquecer do chapéu de chuva, ou não o abrir, molha-se com toda a certeza...

(Fotografia de Cecil Beaton)

terça-feira, junho 27, 2017

A "Farsa" da Transmissão do Espectáculo de Solidariedade...


Não achei nenhuma piada que um concerto musical de solidariedade tenha sido transformado num programa televisivo, de entretenimento, em que as grandes "vedetas" foram os apresentadores de cada canal, cabendo aos músicos e cantores quase o papel de "marionetas".

Nem se pode falar em novidade. Dias antes as "vedetas televisivas" já tinham utilizado a tragédia dos três concelhos do distrito de Leiria, para brilharem e para somarem horas e horas à frente das câmaras, em directos, como se fossem os "ronaldos" das notícias da "têvê".

Estes exemplos fazem com que me identifique cada vez mais  com a crónica de António Guerreiro, publicada no jornal "Público" a 20 de Junho, um dos melhores retratos desta gente que perde a alma, com um microfone na mão e uma câmara de televisão à sua frente, utilizada sobretudo como espelho.

Quando ele escreveu: «A violência é inominável e a televisão torna-se patética: porque quer mostrar o pathos, dê por onde der; porque exibe a estupidez na mais elevada expressão. Devemos novamente perguntar: a que coerção estão submetidos os jornalistas para que aceitem o papel de idiotas? Ou fazem-no voluntariamente? Os jornalistas tornam-se então indivíduos ávidos, paranóicos, como os amantes que não se satisfazem com um simples “amo-te”. Desconfiados com a declaração tão lacónica, achando que o amor é uma imensidão que precisa de se dizer com mais palavras, perguntam: “Amas-me como?” E o outro responde: “Amo-te como se fosses o mais doce dos frutos.” E aí começa um encadeamento de estereótipos. Assim são os jornalistas munidos de microfones e de câmaras: não desistem de querer extorquir as palavras e a alma aos seus interlocutores; não deixam de querer arrancar testemunhos a gente moribunda ou a viver a experiência dos limites.» Diz quase tudo... até deste espectáculo que foi apresentado como um só, para depois ser "montado" por cada uma das estações de televisões, como uma peça sua, de preferência "melhor que a da vizinha".

Só faltou a todas estas "vedetas" dizerem que o dinheiro que os portugueses foram doando ao longo da noite, tinha sido angariado graças a eles (mas como ainda não acabou o "espectáculo", ainda pode acontecer...), os "heróis da noite mágica".

(Fotografia de Luís Eme)