Mostrar mensagens com a etiqueta Foz do Arelho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Foz do Arelho. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, junho 06, 2019

O Meu Amigo, Filho do "Belarmino"...


Estive com um amigo que não via há mais de uma dúzia de anos.

Acabámos por falar sobretudo da nossa juventude. Do nosso bairro, das nossas "patifarias" de adolescentes, dos nossos amigos e também da nossa família, dos nossos irmãos e pais. A Foz do Arelho também não faltou, não fosse ela a praia da nossa vida...

Ou seja, falámos sobretudo do passado. Não dissemos uma palavra sobre os nossos filhos e companheiras. Só quando vinha de cacilheiro para a Outra Banda é que pensei no assunto. 

Pois, o presente é outra coisa, onde só nos encontramos por acaso...

Os nossos pais já partiram, sobram as mães, que são amigas, apesar da distância geográfica que as separa (penso que continuam a falar ao telefone...). Quando lhe falei no pai e das confusões que gostava de armar quando bebia mais que a conta (o seu lado texano de gostar de virar homens e bares de pernas para o ar...), ele continuava a não se sentir nada orgulhoso, desse lado quase negro paterno. Recordei que na época nós delirávamos quando sabíamos o que acontecera na noite anterior na tasca do Alfredo, ele nem por isso... O pai só se "curou" destas aventuras (que chegavam a meter polícia e tudo...) quando conseguiu deixar de beber.

Mas a sua lenda continua viva. Não deve haver ninguém do nosso antigo bairro que não conheça o poder dos punhos do "Belarmino" (não fazemos ideia de quem lhe ofereceu esta alcunha, que deve ter tudo a ver com o filme de Fernando Lopes...). 

A componente mítica é de tal forma forte, que hoje até há quem associe todas estas aventuras ao "herói" do filme do bom do Lopes, e não ao pai do meu amigo, mesmo que Belarmino Fragoso nunca tenha passado pelas Caldas...

(Fotografia de Luís Eme - Foz do Arelho)

sexta-feira, setembro 07, 2018

Memórias de Setembro...


Por este Setembro estar a querer "murchar", como acaba por ser normal, ano após ano, lembrei-me, que nos primeiros anos de vida activa gozava férias no começo de Setembro. 

Embora isso acontecesse por ser "demasiado novo" para puder marcar férias em Agosto... 

E quando já podia escolher, Agosto continuou de fora, foi a segunda quinzena de Julho que passou a ser a preferida cá de casa.

Mas voltando aos Setembros de há mais de trinta anos atrás, recordo que não me preocupava muito com o encolher dos dias ou com o vento dos finais de dia na minha Foz do Arelho... 

E como era agradável a sensação de ter a praia quase "só para mim".

A nostalgia normalmente só chegava em Outubro, até porque a barreira de 100 quilómetros era mais que suficiente para "libertar" os namoros de Verão...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, janeiro 08, 2018

O Bailado das Gaivotas...

Uma das coisas que gosto do mar é a sua "voz". Essa mesmo, de quem parece estar chateado com o mundo...

Desde a minha infância que me habituei à voz do mar na "praia da minha vida", a quase selvagem Foz do Arelho.

Ontem passeei pela Costa de Caparica a meio da tarde.  Encontrei um Oceano um tanto ou quanto revoltado, mas nada que se parecesse como o mar da minha praia (a voz é diferente)...

Mas gostei do "bailado das gaivotas"...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, agosto 18, 2017

Um "Refresco quase Gelado" a Oeste...

Hoje passei pelo Oeste e acabei por dar uma "saltada" à minha praia. Embora estivesse farto do calor rente à Capital, não esperava sentir a "passagem" do Inverno e do Outono pela Lagoa de Óbidos e pela Foz do Arelho (entre outras tantas praias "protegidas" pelo Cabo Carvoeiro...), em pleno Agosto.

Talvez estivesse bom para a pesca no "coração da Lagoa", pois pescadores não faltavam...

E sim, esta fotografia foi tirada na tarde de hoje. O Sol só espreitava mesmo na parte mais "selvagem" da Lagoa... próximo da Foz do Arelho, servia-se "refresco gelado" com salpicos salgados, ao mesmo tempo que o nevoeiro escondia a praia e o mar dos olhares curiosos...

(Fotografia de Luís Eme) 

sábado, julho 22, 2017

Estou e Não Estou...

(Claro que não estou... mas para o "Largo" não estar completamente ao abandono, finjo que estou...)

E até me apetecia estar na Foz do Arelho, a levar "tareia" daquele mar que fala... mas estou mais a Sul...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, junho 15, 2017

Ai que Saudades da Frescura do Oeste...

Não há muitos sítios que nos permitam escapar a esta "febre marroquina", que quer transformar a Península Ibérica quase numa espécie de "áfrica europeia", por muito que isso possa agradar a alguns turistas que adoram torrar a pele, sem precisar de visitar as praias de mar.

Tenho saudades do meu Oeste, do microclima que faz das Caldas da Rainha um lugar um pouco mais ameno e de a Foz do Arelho uma praia fresca, mesmo no Verão...

E sem precisar de ir tão longe, nas redondezas de Sintra também é possível escapar das temperaturas altas...

É caso para dizer: benditas Serras de Sintra e de Montejunto.

(Fotografia de Luís Eme - se o tempo continuar assim, vai haver mais moçoilas de biquini pela cidade...)

terça-feira, fevereiro 14, 2017

Um Poema Resgatado de "Outra Vida"...

Não é apenas por ser o dia dos namorados, que publico aqui este poema. É também por estar incluído numa pequena antologia com poemas de amor dos poetas da SCALA ("Corações Cheios de Poesia - poemas de amor dos poetas da scala"), inserida na "Semana do Amor em Almada"  e por ter sido "resgatado" de um caderno com escritos dos anos 1980.

Aquele Amanhecer Único

Olhei-te e recordei
aquele amanhecer único...

Não pregámos olho nessa noite,
andámos de festa em festa,
até os bares fecharem.
Os amigos também foram voando,
quando olhámos um para o outro,
restávamos apenas os dois...

Não sei se bebemos mais que a conta...
muito menos qual era a nossa conta.
Sei apenas que deixámos o carro em qualquer lugar
e fomos esperar a madrugada
à beira da Lagoa...

As coisas que fizemos,
enquanto o dia não clareou...

Depois olhámos abraçados,
aquele amanhecer único...


A fotografia que escolhi não é de nenhum amanhecer, mas é da Lagoa de Óbidos...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, outubro 21, 2016

Cores e Amores do Meu Oeste...

Este é o meu Mar.

Ontem estava belíssimo, pintado de um azul pouco habitual em Outubro...

Gostei de passear na minha praia, quase sem gente. Foi mais fácil e agradável escutar a música do Oceano...


Este é o meu Parque, um dos lugares mais paradisíacos da minha Cidade.

É sempre um lugar de passagem quando vou às Caldas, para distribuir olás, aos patos e também ao Rafael e ao Malhoa...

(Fotografias de Luís Eme)

terça-feira, agosto 16, 2016

Passagem pelo Oeste

Aproveitei o fim de semana prolongado para regressar às origens.

Houve alguns momentos altos. Um deles terá sido o passeio que dei de bicicleta pela Lagoa de Óbidos menos conhecida, com o meu irmão e o meu filho.

Na noite de sábado fomos beber café à Foz do Arelho e vimos a temperatura descer para uns impensáveis 18 graus, depois de tantos dias acima dos 40...

Embora esta continue a ser a "Minha Praia", lamento a sujidade da areia da praia da Lagoa, ano após ano. 

Não sei se são as águas do Sul se é o facto de estar a caminhar para "velho", mas já não me consigo adaptar à temperatura de água da Foz...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, agosto 07, 2015

Olhar para Trás e Sorrir ao Som do Jazz


Ainda não vai ser este ano que vou voltar ao auditório ao ar livre da Gulbenkian, para assistir aos concertos do  "Jazz em Agosto".

Lembro-me das primeiras visitas, de gostar de ficar por ali, preso a uma namorada engraçada que tocava piano e gostava de fazer coisas um tudo nada "estrambólicas".

Entretanto passaram quase trinta anos.

Eu sei que nessa altura nem havia muito que fazer em Lisboa no mês de Agosto. Nem tão pouco havia o hábito de se passear à beira do Rio (ligeiramente mais feio que nos nossos dias...). Era cinema, esplanadas e jazz...

Nesses anos oitenta costumava ir de férias em Setembro, quando os dias começavam a minguar e a Foz do Arelho ficava com poucos donos...

O óleo é de Denis Fremond.

domingo, fevereiro 16, 2014

O Meu Mar Nunca foi Chão


Quando olho para o Mar que mora dentro de mim, nunca o encontro parado,  quase a querer imitar a lassidão de um rio. 

Sei que a culpa é da minha praia da infância (e de sempre...) a Foz do Arelho, com um mar selvagem diário, povoado de sons e ondas fortes, distantes de qualquer "canto de sereia".

Foi naquela praia atlântica que percebi que o Mar é quase como nós, precisa de espaço para se expandir e para libertar toda a sua raiva.

Nas praias com menos agitação foi muito mais fácil ignorar a sua verdadeira natureza, selvagem, não o levando a sério, nem mesmo nos dias em que se mostrava irritado. Convencimentos de quem se julga "senhor do mundo"...

Alguns "iluminados", mais atrevidos e endinheirados, até foram capazes de construir casas nas praias (com a manha de um dia poderem transformar o areal mais próximo em praia privada...). com a complacência das autoridades, que raramente se  esquecessem de mostrar o seu "preço" num lugar visível.

Até que chegou, não um, mas vários dias  para o "ajuste de contas"...

O óleo é de Daniel Pollera.

sexta-feira, agosto 24, 2012

O Vento Aparece Sempre no Final de Agosto


À medida que vamos caminhando para o final de Agosto, sentimos os dias a ficarem mais curtos. Além de escurecer mais cedo, são raros os dias em que o vento não sopra ao fim da tarde.

É esse mesmo vento que trás e leva as nuvens, também elas presenças quase permanentes, a adivinhar Setembro...

Quando vi este quadro da Carol Saxe, lembrei-me de uma casa de praia sempre cheia de gatos, usados como alvo, por uma série de "putos safados", capazes de fazer coisas impensáveis quando se juntavam em grupo...

terça-feira, outubro 11, 2011

O Teu (Nosso) Mar


Quando gostamos mesmo do Mar, há um lugar que nos diz mais que todos os outros, que sentimos ser o nosso Mar.


O meu é e será o da Foz do Arelho, um Mar barulhento, nervoso, bravo, inquietante, ao qual penso que ninguém fica indiferente. É tão bom para amar como para odiar.

O teu Mar é muito parecido com o meu, mesmo que esteja mais para Sul, e que seja separado por outro cabo (Sardão, vá-se lá saber porquê...).

Ele também gosta de se fazer ouvir, de dançar com a areia e com as rochas, bem mais abundantes que na minha praia.

Quem diria que os nossos mares, a meio de Outubro, ainda tinham as águas quase azuladas e eram capazes de lançar convites lascivos para um tango, a dança dos bons ares, às gaivotas...

segunda-feira, agosto 22, 2011

Não me Lembrava do Teu Nome...


Não me lembrava do teu nome, apenas do teu rosto, do teu olhar feliz, capaz de acalmar a minha rebeldia de adolescente tardio.


Embora já nos conhecêssemos, só começámos a reparar mais um no outro nas viagens nocturnas de comboio, que fazíamos entre as Caldas e Lisboa, nesses anos oitenta do século passado. Na Primavera assumimos o nosso namoro que durou até ao Outono.

Passei um Verão diferente, mais calmo e mais apaixonado, com um pé quase de fora da trupe "Os Ibéricos", que animava a lagoa e o mar da Foz do Arelho, com as sessões infindáveis de mergulhos, para todos os gostos.

Nunca passeei tanto pelos recantos da Lagoa de Óbidos como nessa época, de bicicleta com a tua companhia. Descobri lugares únicos onde não voltei.

Não me lembrava do teu nome mas lembrava-me do teu corte de cabelo à rapaz e do teu corpo esguio, que fui desbravando com a inocência de quem ainda andava a apalpar o amor.

Nunca percebi porque razão não chegámos ao Inverno.

O óleo é de LIz Ridgway.

segunda-feira, julho 04, 2011

A Beleza da Lagoa de Óbidos


Uma pessoas curiosa perguntou-me se havia alguma paisagem que me tivesse marcado a infância.


Disse que deveria haver mais que uma, mas que não era coisa para falar assim de repente, merecia alguma introspecção.

Quando comecei a pensar no assunto descobri várias, mas algumas eram tão habituais que não as poderia considerar marcantes. O mar por exemplo, fazia parte de todas as férias, assim como Salir de Matos. Pensei no Vale da Quinta... naquela vista campestre deslumbrante até que dei por mim a subir a estrada que me levava para o coração da Lagoa de Óbidos, devia ter uns oito, nove anos.

Era o mais novo daquelas aventura do género das dos "pequenos vagabundos", em que no "segredo dos deuses" nos afastávamos do perímetro do nosso bairro.

Sei que fiquei encantado quando chegámos ao ponto mais alto e descobri a beleza natural das águas da Lagoa, que entravam pelo meio dos campos verdes, povoados de árvores. Era uma novidade para mim, apesar de estar ali tão perto.

Esta fotografia da Lagoa não faz justiça à imagem que ainda tenho gravada na memória, mas foi a que descobri, tirada por mim, que mostra um pouco da beleza das águas que se misturam com os campos...

segunda-feira, outubro 18, 2010

Mar e Sol

O último fim de semana teve muito Sol, nem parecia que já tinhamos atravessado metade de Outubro.
Foi por isso que me soube bem voltar ao meu Mar, ver a Ilha misteriosa da infância (a tal que devia ter tesouros de piratas e tudo...), tantas vezes escondida pelo manto de neblina, ao mesmo tempo que assistia ao mergulho do Sol no Oceano.
Deu para aproveitar bem o momento e tirar várias fotos...

quinta-feira, julho 16, 2009

O Mar ao Largo

Viver no Litoral, a poucos quilómetros do mar, tem as suas vantagens.

A maior delas é aproveitar o Mar muito mais que uma quinzena ou um mês. Na adolescência fazia mais de três meses de praia. Começava em Junho, quando se armavam as primeiras barracas de pano branco na Foz do Arelho e ficava até Setembro, quando desapareciam as últimas barracas...
Nem mesmo nos dias de nevoeiro descansávamos, havia sempre uma bola a rolar na areia e duas equipas preparadas para uma futebolada de praia, no areal que era quase só nosso...
Nesses tempos era como se o Algarve não existisse. E como eu gostava dos banhos de água fria no meu Mar, de ondas a sério e voz "grossa"...

O "Largo do Chafariz de Dentro" é de António Silva Lino.

domingo, abril 15, 2007

Férias Forçadas em Abril


Quando voltava a casa Eduardo descobriu um movimento estranho à volta do prédio onde moravam, na Ajuda. Sem dar nas vistas continuou a caminhar e virou na próxima esquina. Andou perto de uma hora com a discrição possível. Já em Alcântara entrou num café, onde bebeu uma água e descansou um pouco, ainda sem saber muito bem o que fazer. Sabia que não podia voltar a casa. O aviso que lhe fizeram, da última vez que tinha sido interrogado, que da próxima vez que o vissem por ali não regressava a casa, soava na sua cabeça como se fosse quase um disco riscado.
Telefonou a um amigo de confiança, para que descansasse a companheira, de que continuava em liberdade. Depois apanhou o comboio para as Caldas. Apesar de estar a um passo da aldeia onde nasceu, não disse nada a ninguém da família, para não os colocar em risco. Refugiou-se na casa de um casal amigo, na Foz do Arelho.
Foi nesta localidade que soube da Revolução, dez dias depois, pela rádio, que esteve ligada dia e noite... com o evoluir da situação, acreditou que era desta, que se acabava, de vez, com a ditadura.
No dia 26 de Abril regressou a casa, felicíssimo, logo no primeiro comboio da manhã...

Só soube desta história, seis anos depois, quando fui convidado para jantar na casa do Eduardo e da Isabel, no dia 15 de Abril de 1981.