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quinta-feira, maio 02, 2019

Conversas, Queixas e Coisas Loucas...


Nos últimos tempos ouço muitas queixas sobre os outros, essa imensidão de gente.

Reparo que fico mais vezes calado, também com pouca vontade de ouvir. Sei que me falta aprender a levantar das cadeiras ou bancos, atrás de qualquer coisa imaginária, deixando os outros de boca ou de olhos abertos à espantalho...

Falando mais a sério, acho que não mudámos assim tanto. O que mudou foi o "mundo à nossa volta".

Sim, faz-me confusão escutar algumas pessoas que têm o facebook, a dizerem mal desta rede social. É quase como as pessoas que gostam tanto de espreitar pelo buraco da fechadura, como de criticar o que vêem...

Sabia que podia ser possível chamar "puta" a uma mulher dentro de oitenta comentários, utilizando oitenta palavras diferentes. Mas não acreditei. A imaginação é outra coisa... Mais parecida com querer ter asas e voar.

Mas não deixa de ser triste, que a cobardia comece a ser mais celebrada que a coragem, da mesma forma que a mentira tente deixar de ter pernas curtas...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

sexta-feira, abril 05, 2019

Não Necessariamente...


Há pequenas coisas que me fazem perceber que não pertenço ao reino dos "fundamentalistas", do que quer que seja.

Acho que isso tem a ver sobretudo com aquela parte, de se gostar de liberdade, da nossa e da dos outros.

Não falo quase nada sobre blogues e ainda menos sobre as "verdadeiras" redes sociais. Não que tenha alguma coisa contra, mas como não as frequento (sim, continuo sem facebook, twiter ou instagram, e sem lhes sentir falta), não emito opiniões sobre elas.

Mas de vez em quanto lá sou quase obrigado a falar... 

Falava-se de notícias falsas, mas um sujeito resolveu dar uma de "intelectual" e dizer que quem não sabe escrever não se devia meter nestas coisas dos blogues, para não cair no ridículo. Ao perguntar-me a opinião (por saber que tinha blogues...), disse-lhe que o que era ridículo, era ele achar que os blogues deviam ser só para "escritores". 

Torceu ligeiramente o nariz mas continuou a zurzir contra os "analfabetos" da blogosfera e também do facebook.

Expliquei-lhe que nem sequer era preciso saber escrever para se ter um blogue. Há quem só publique fotografias, há também quem só transcreva textos e poemas dos outros. Tudo com gosto e qualidade.

Já em relação ao facebook, não contou com o meu contraditório.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

sábado, março 30, 2019

Contradições Femininas do Nosso Tempo...


A "auto-exploração" do corpo, com poses provocatórias e a ausência de roupas nas "redes sociais", em busca de "likes" e de "seguidores" (e de dinheiro, claro...), por parte de múltiplas mulheres modelares, é uma das coisas que me faz mais confusão nestes tempos, que são mesmo de mudança. 

Se olhar para as muitas jornadas de luta femininas, contra o machismo e o assédio sexual, esta postura, soa-me no mínimo a um contra senso. 

Embora saiba que a mulher é dona do seu próprio corpo, faz-me impressão toda esta exposição, quase sempre com "conotação sexual", nestes tempos em que quase nos querem proibir de olhar com olhos de ver as "musas que enchem as ruas de cor" assim que se aproxima a Primavera...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)

quarta-feira, fevereiro 13, 2019

A Importância do "Eu" na Imagem...


Já tinha pensado falar por aqui sobre a forma como se entende a fotografia hoje (já o devo ter feito a espaços, os blogues, tal como os diários, acabam por ser "máquinas de repetição"...), muito graças à facilidade, e até banalidade, com que se usa e abusa da  imagem, especialmente da nossa...

Penso mesmo que se fez um "desvio" no entendimento que se fazia da fotografia, no nosso quotidiano.

Durante muitos anos a fotografia para o cidadão comum, servia sobretudo para fixar na memória as pessoas, especialmente os familiares. Antes ou depois da festa, fazia-se sempre a fotografia de grupo.

Quem queria ir mais longe, quem gostava de fixar a paisagem, de preferência sem gente, não era olhado com normalidade. Entrava no grupo da "malandragem" que se dedicava a essa coisa estranha, que chamavam arte...

Hoje, a paisagem continua a ser o caminho da diferença. As pessoas continuam a ser os principais actores da imagem fotográfica, mas com uma novidade: querem estar sempre dentro das fotografias, ser os seus actores principais. As redes sociais influenciaram muito este novo "olhar", com as famosas "selfies", que têm a importância de transmitir coisas como: «eu estou aqui», «eu fui ali», ou ainda, «olha quem está aqui comigo».

Eu tenho alguma curiosidade em saber o que é que a Cindy Sherman ou o Jorge Molder (a Helena Almeida já não é possível...), por exemplo, pensam desta nova fase da fotografia, em que o "eu" é o "actor principal", tal como acontece nas suas imagens artísticas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, janeiro 23, 2019

O Perigo da Nossa Passividade...


Já escrevi por aqui várias vezes sobre o "populismo" (utilizando outros nomes...), que é mesmo um dos maiores problemas do nosso tempo, e que não se resume à política e à ideologia, está a entranhar-se por todos os sectores da sociedade.

Quase todos os seus adeptos e defensores dão nas vistas por duas razões, uma mais visível (o discurso fácil e a falta de pudor - misturam mentiras com verdades, com a maior das facilidades, seguindo os exemplos que todos conhecemos, com realce para as duas "américas"...), a outra, mais escondida, pois só se descobre, quando  contactamos de uma forma mais directa com essas pessoas (o vazio de ideias, de conhecimento, e até de inteligência. Valem-se quase sempre da esperteza, que há muito tempo deixou de ser "saloia" e abrem caminhos para a mediocridade e para o "vale tudo").

Quase todos os dias tenho conhecimento de casos, em que um ou outro defensor desta forma de estar, ocupa um cargo importante numa instituição, perante a passividade dos seus companheiros e associados (quando se trata de associações...).

A grande questão, é como iremos conseguir travar estes "avanços", quase sempre dissimulados...

(Fotografia de Luís Eme  - Lisboa)

sexta-feira, dezembro 21, 2018

Populismo? Não, Obrigado!


A resposta dos portugueses aos muitos convites para vestirem coletes amarelos hoje (que falta de imaginação...), foi a que se esperava (ou a que eu esperava).

Se por um lado, os revolucionários das "redes sociais" continuam a ter alguma dificuldade (e medo) em entrar no mundo real, por outro, as pessoas não gostam muito de protestar apenas porque sim.

Já se sabia que a "anarquia" da organização deste movimento, poderia ser aproveitada pelos nacionalistas do "cabelo rapado, botas da tropa e vivas ao salazar", para tentarem tomar conta dos acontecimentos e dar nas vistas, especialmente na Capital, onde se sabia que as televisões iam estar atentas (coitadas não tiveram grande espectáculo, apesar das várias tentativas de dar voz aos "revolucionários" para as câmaras...). E parece que sim (até tentaram ficar "cativos" dos guardiões do poder), que foi, pelos testemunhos de alguns participantes, que se queixaram de ser "ameaçados de morte"...

Quem deve ter tido pena de não participar, foi a nossa (salvo seja) Assunção. E o amarelo até lhe fica bem...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, novembro 15, 2018

O Tempo das Frases (curtas de preferência)...


Acho que já quase toda a gente percebeu que não se lê menos que no século passado, lê-se sim de uma outra forma.

É o tempo do efémero, do curto, do pequeno, do banal, do suave e de outras tantas ligeirezas.

A forma de comunicar é diferente. A China ou a Austrália estão logo ali ao virar da esquina (deste que a "net" que usamos não seja da "idade da pedra"...). A velocidade com que giramos pelo mundo é tal que vamos encurtando palavras, frases e textos.


Isso explica em parte que as pequenas frases estejam a "ganhar" às crónicas, aos contos, aos romances e ensaios...

Mas não se lê menos. Lê-se de uma forma diferente. Lê-se mais dentro das "máquinas" e menos dentro dos jornais e livros...

(Fotografias de Luís Eme)

sexta-feira, setembro 28, 2018

A Ingenuidade não é Coisa dos Nossos Dias...


Raramente falo do facebook (bem ou mal). Quando me perguntam porque "não estou", desculpo-me com a falta de tempo e também com os blogues. E é verdade.

Claro que há mais qualquer coisa. Não me sinto confortável com toda a "familiaridade" e "amiguismo" que é inventada por conhecidos e desconhecidos.

O mais curioso é não sentir a sua falta. Apesar de todas as "suas qualidades", não vou lá. Nem mesmo espreitar, como quem não quer a coisa.

Na quarta-feira estive um pouco à conversa com duas amigas e acabámos por falar do comportamento humano e das provocações cada vez mais normais, difundidas diariamente nas "redes sociais", até mesmo de gente com rosto (a vergonha vai-se perdendo, com mais ou menos velocidade...).

Uma delas contou que por falar de mais (justificar-se com factos familiares pela sua ausência num lançamento de livro), foi quase apelidada de mentirosa, como se não se trabalhasse ao sábado neste país.

Claro que eu só lhe disse, que ela tinha falado de mais. Não tinha nada de contar o que os filhos faziam, muito menos se trabalhavam ao fim de semana. Ela disse que sim, fora demasiado ingénua.

Mas o mais certo é continuar a "falar de mais", porque o facebook também é isso...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, maio 12, 2018

Provavelmente o Problema é Meu...


Comecei a ler um livro de poemas, de um autor falecido recentemente, que está longe de ser um desconhecido (foi premiado e a obra era divulgada no "Jornal de Letras" e na imprensa generalista, o que já nem sei se é o melhor cartão de visita...) e experimentei a mesma estranheza que sinto com outros autores.

Provavelmente o problema é meu, não tenho sensibilidade suficiente para perceber o que ele quer transmitir. Mas na primeira dúzia de poemas que li tudo me pareceu vazio de sentido, palavras coladas sem alma, beleza e ainda menos, musicalidade...

Lembrei-me logo do teatro que não me faz pensar nem diverte e que me vai afastando das salas... das peças que sinto não chegarem à plateia, ficam paradas no umbigo do encenador (a minha dúvida é se também chegam aos actores...).

Felizmente estou a contar este desabafo no meu blogue, que continuo a pensar que é muito diferente de uma rede social, onde podia correr o risco de dizerem que só gosto de poesia e de teatro "pimba", entre outras coisas, se é que isso existe...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, abril 03, 2018

A Escrita "Embirrante" (Escrita com o Umbigo)


Quando começaram a falar da escrita de algumas pessoas,  com adjectivos lamentáveis, fiquei em silêncio. Não sabia onde queriam chegar, mesmo que soubesse que em muitas conversas se diz mal sem se querer chegar a lado nenhum...

Mas desta vez a malta queria mesmo chegar a vários lugares, ir ao encontro de algumas pessoas, que escrevem sobretudo para o umbigo, mesmo quando utilizam nomes de terceiros nos títulos dos seus textos.

São sempre o centro das suas histórias, os outros são quase sempre actores secundários.

Continuei em silêncio, mas fizeram com que pensasse em duas ou três pessoas, que nunca se conseguem distanciar das suas palavras, metem-se no centro das histórias, porque a vaidade também tem o efeito de cegar...

(e no final elogiaram-me de uma forma que não posso escrever aqui... porque não quero estragar tudo com este parágrafo, pois estou com a sensação de  que me estou a virar um bocado para o "umbigo"...).

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, fevereiro 28, 2018

Um Exemplo, entre os Aleijões e Estorvos da Vida...

Penso que são poucos aqueles que gostam de fazer contas com a vida, usando a soma, a subtracção, a divisão e a multiplicação. Quase todos nos limitamos a aceitar o que ela nos dá e tira, sem andarmos por aí a baloiçar muito o "destino"...

E também não gostamos muito de conversar sobre isso. Preferimos os pequenos "fair-divers", dar atenção às coisas pequenas da vida (que nunca tiveram tanto relevo do nosso dia a dia, muito por culpa das redes sociais, inclusive a blogosfera - sei que escrevo muitas vezes sobre "inutilidades"...).

Mas há acontecimentos que não nos deixam fugir da chamada "vida malvada"...

Ontem recebi um telefonema da amiga que de longe a longe inspira um texto meu, que me informou do desaparecimento de um amigo comum, que tinha falecido na véspera. Há anos que ele sofria de uma daquelas doenças que têm nomes esquisitos e que nos vão roubando a vitalidade, os movimentos e a tão importante, autonomia, e que depois de nos deixarem em cadeiras de rodas, ainda conseguem fazer com que acabemos os dias, acamados. E se tivermos um "coração de ferro", este drama pode durar anos...

Aparentemente este amigo nunca deixou de oferecer um sorriso à vida, que lhe fora tão madrasta. Escrevo, aparentemente, por que sei que nos poupou dos seus momentos mais dramáticos, que foram vividos apenas pelos seus familiares mais próximos.

Ao contrário de mim, ela chorava, quase sempre que o via. Disse-lhe uma ou outra vez, que isso lhe fazia mal, dramatizava ainda mais a sua situação. Ela disse-me que era mais forte que ela... Não conseguia esquecer a pessoa cheia de vida, que ele fora.

Quase no fim da nossa conversa, ambos concluímos que ele gostou de estar vivo, até ao último segundo. Nunca disse a nenhum de nós que era um estorvo, que estava cá a mais, mesmo que o sentisse, especialmente nas horas mais dolorosas. Talvez a culpa disso acontecer fosse da companheira - que nunca o deixou só - dos dois filhos e do neto... Mas acho que tinha também que ver com o facto de ele pertencer ao clube dos "optimistas". Ele era uma daquelas pessoas que conseguiam encontrar sempre uma coisa positiva em qualquer drama que nos perseguisse...

(Fotografia de Luís Eme - Ele sempre gostou de Lisboa e do Tejo. Passou os seus últimos meses preso a uma cama, quase encostada a uma janela virada para o "melhor rio do mundo"...)

domingo, janeiro 21, 2018

O "Tempo Dourado" para quem Gosta de Falar e Escrever sem Pensar...


Somos cada vez mais um mundo de extremos no campo das palavras, com demasiada gente a escrever e a falar sem pensar. Não vou culpar o facebook ou o twiter, porque sei que são apenas instrumentos ao nosso serviço, tal como as armas, que só muito raramente disparam sozinhas (sempre devido ao nosso descuido...).

Qualquer tema pertinente dá uma ou duas voltas ao mundo, antes das pessoas pararem para pensar ou reflectir, sobre o que é realmente importante (quando param, pensam ou reflectem...).

Vou só focar dois casos, um interno e outro externo, em que os excessos cometidos pela comunicação social e pelas redes sociais conseguem fazer com que pessoas normais sintam vontade de apoiar "vilões", pela forma como são perseguidos e tratados. 

Sócrates se não tivesse sido preso da forma humilhante que foi (para um ex primeiro-ministro) e acusado de todos os "males do mundo", despertando ódios inimagináveis de Norte a Sul, não teria gerado tantas dúvidas, e até simpatias, à sua volta...

Com Woddy Allen está a passar-se uma história similar nos Estados Unidos da América, embora com contornos diferentes. Há uma lista de actores e actrizes cada vez maior, que dizem que nunca mais trabalham com o realizador, devido às notícias tóxicas que destacam o seu passado de "violador" (na própria casa...). Algo que se fala há mais de duas décadas - pelo menos desde a sua separação com Mia Farrow - e que nunca foi provado.

Se com Sócrates sempre mantive uma posição equidistante, embora pensasse que era humanamente impossível ele ser culpado de todos os crimes que lhe são imputados (só se fosse bandido a tempo inteiro, mas como nos intervalos governava o país...), com Woddy Allen, tenho uma posição diferente. Se fosse actor famoso, era capaz de dizer que estava disponível para trabalhar com o realizador no seu próximo filme...

quinta-feira, novembro 02, 2017

Uma Comparação Leve e Eficaz...

Pode não ter sido feliz a comparação que a Rita fez, entre o tabaco e o facebook, mas pelo menos foi eficaz.

A primeira pessoa que se manifestou foi o "Carlinhos Batata", que entre sorrisos, disse que o facebook era a melhor coisa do mundo, e sem qualquer ironia.

Quase que nos roubou as palavras, mas mesmo assim lá fomos tentando desmontar aquele "mar de maravilhas"...

O Ruca foi o primeiro a manifestar-se e acha perfeitamente normal que num país em que Toni Carreira e José Rodrigues dos Santos são o músico e escritor de maior sucesso (e este último até já colocou na contracapa do seu último livro a pérola: "É considerado pelos portugueses o melhor escritor nacional"), em que as pessoas prefiram ver os programas do Goucha e do Baião ao "Governo Sombra" (ambos de divertimento), que o facebook seja o máximo.

Eu não quis falar muito, até por não conhecer muito bem o "funcionamento da coisa". Disse apenas que me desagradava a interacção quase instantânea entre as pessoas, algo que nos leva tantas vezes a dizer coisas sem pensar (e o Carlinhos disse logo que isso era uma das coisas que mais gostava...).

A Rita continuou a brincar com a malta e disse que aquilo ainda era mais viciante que o tabaco, e que infelizmente ainda não vendiam pastilhas para "matar o vício".

O Jorge explicou este  sucesso por outro ângulo, pelo interesse especial que dedicamos à vida dos outros, ali podemos espreitar a "janela da vizinha", sem sermos apanhados a mexer nos cortinados. Mesmo que de vez enquanto os apanhemos numa mentirinha (afinal não foram a Londres no outro fim de semana, ele cruzou-se com eles meia-dúzia de vezes na rua...).

Não queríamos chegar a conclusão nenhuma. Queríamos apenas "atirar umas bocas para o ar". Ficámos surpreendidos pela sinceridade do Carlinhos e pelo silêncio da Sara (outra fã...). Até por sabermos, que como quase tudo na vida, o gostar e o não gostar depende muito do que somos, um  pouco do que gostávamos de ser, e outro pouco do que andamos à procura e queremos da vidinha...

(Fotografia de Irving Penn)

domingo, outubro 08, 2017

(Ainda) Todo este "Teatro" Imposto pela Vida...


A vida está cada vez mais teatral. Cada vez somos mais personagens e menos aquele sujeito, que reconhecemos de longe a longe, quando nos pedem o Cartão de Cidadão e fazem algumas perguntas de cariz mais pessoal.

Talvez seja por isso que quase todos correm na direcção da fama (cada vez mais cedo), da televisão ou até dos computadores, onde se pode ser importante e ter muitos seguidores, com a aposta nas redes sociais.

Trabalhos passageiros (e até precários...) fazem com que possamos ser muito mais pessoas ao longo da vida, tornando a vida menos monótona, mas também muito mais stressante e desequilibrada.

Não se tem "tempo" para coisas tão básicas (pelo menos até meados do século passado), como pensar em casar e ter filhos. 

Muita gente crítica a juventude, por não ter objectivos. Então, e todo este "teatro" imposto pela vida?

Como é que se pode querer que toda esta gente a quem roubaram o futuro, pense no futuro?

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, setembro 01, 2017

Somos Piores do que Parecemos...


Não me vou deter nas doses (nem medir...) de hipocrisia que nos cercam, da gente com cinquenta caras, capazes de dizer uma coisa agora, e passado um minuto o seu contrário.

Porque onde revelamos realmente o que somos, é nas estradas... por pequenas e grandes coisas. Vou só dar dois exemplos.

Apesar de tudo o que aconteceu no nosso país nos últimos meses, durante os meses de Julho e Agosto vi, in loco, vários condutores, de ambos os sexos, a deitarem beatas acesas pela janela fora. Isso passou-se em autoestradas mas também em estradas nacionais ladeadas de árvores.

Por isso é que nem devia estranhar que o fulano que há minutos se atravessou à minha frente, de carro, numa das ruas da cidade, em vez de fazer um gesto amigável de desculpa, ainda tenha levantado os braços e dito coisas feias, por eu ter buzinado. Talvez ele precisasse de um ringue de boxe para acalmar as fúrias destes dias malditos, mas eu nem por isso... Isso acontece porque o blogue também acaba por ser um "ringue", onde podemos extravasar as "raivas", e nem vou falar do "facebook" e do "twitter", onde já existem "mac gregores" com fartura...

No fundo cada um de nós tem o "ringue" que quer e que merece.

Mas é lixado viver num mundo em que somos piores do que parecemos...

(Óleo de Marcello Dudovich)