Mostrar mensagens com a etiqueta Itália. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Itália. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, dezembro 27, 2017

A Importância do Neo-Realismo ou Outra Coisa Qualquer (parecida)...


Não sou muito de discutir coisas  da família do "sexo dos anjos", é por isso que não me importa se o neo-realismo existiu mesmo, ou se é apenas um nome que se deu a algo que teve um papel político e ideológico marcante, com mais ou menos qualidade, na nossa literatura dos anos 40 e 50 do século passado. No cinema quase não se deu por ele, porque o dinheiro que existia era sobretudo para a continuidade de comédias de riso fácil e pouca substância, tão úteis para o entretenimento popular...

Estou a dizer isto por que nos almoços abertos e amigos da Olivença (fala-se quase aos gritos e com muitos gestos, à boa maneira italiana...), onde se fala de tudo e mais alguma coisa, a cultura nunca fica esquecida. 

Começámos com os livros, com Redol, Soeiro Pereira Gomes, e até o nosso Romeu Correia, que embora não gostasse muito do rótulo, tem obras que são mesmo deste "território", como é o caso do "Trapo Azul", "Calamento" ou "Gandaia".

Não demorou muito tempo a mudarmos para outra arte, pois alguns nostálgicos trouxeram para a mesa o cinema italiano dos "bons velhos tempos" (este lugar comum também têm muito que se lhe diga...).

Os nomes dos realizadores Federico Fellini, Roberto Rossellini, Vittorio De Sica e Luchino Visconti foram os mais repetidos. "Ladrões de Bicicletas", "Stromboli", "Roma Cidade Aberta", "Caminho da Esperança", e tantas outras fitas, foram recordadas. Dos actores e actrizes a Anna Magnani superou tudo e todos...

(Fotografia de autor desconhecido)

domingo, setembro 27, 2015

Viagem em Itália


O segundo canal da RTP está a exibir um ciclo de filmes de Roberto Rossellini nas noites de sábado.

Graças à tecnologia tenho-os visto depois. Ontem foi exibido a  "Viagem a Itália"  (que nunca tinha visto, ao contrário de "Roma, Cidade Aberta", "Paisá, Libertação" e "Stromboli"), Curioso, acabei por o ver hoje de manhã (até fiz um intervalo a meio para ir à rua...).

A ideia de que "somos quase italianos e muito pouco espanhóis", torna-se ainda mais evidente ao olhar estes filmes. 

A primeira vez que fiquei com essa sensação foi quando fiz o "inter-rail" em 1985 e percorri uma boa parte de Itália de comboio, mas com paragens e visitas a Roma, Milão, Florença, entre outros lugares de culto (não apreciei a beleza de Veneza por estar a chover a sério nesta bela cidade em pleno Agosto...).

Faço esta afirmação com o olhar preso na fisionomia de Itália e dos italianos. Se esquecermos a língua, sentimos-nos em casa.

Voltando à "Viagem em Itália", é um filme quase vulgar, que consegue retratar muito bem a vida de um casal (quando os desencontros quase se revelam fatais...), graças a dois extraordinários actores, George Sanders e Ingrid Bergman.

No cinema o divórcio foi salvo por um "milagre". Não o da Santa que ia a passar na procissão, mas o de um homem e de uma mulher, que num momento de maior tensão, conseguiram perceber tudo o que estava em causa, tudo o que tinham a perder.

Embora não tenha lido qualquer crítica ao filme (nem escutado com atenção a apresentação de Lauro António), esta foi a mensagem que recebi de Rossellini: muitas vezes podemos ser nós a fazer "milagres" na vida, basta perdermos o orgulho e dar voz ao coração. Ao dizer isto até pode parecer que o filme é "lamechas". Mas é tudo menos isso...

segunda-feira, outubro 20, 2014

A Bela Itália Cinematográfica


A Itália é mesmo um país de cinema. Sempre foi.

Embora muitos filmes nos tenham passado ao lado (desde os anos quarenta que os EUA dominam o mercado mundial, além disso havia a censura, pouco simpática para os bons tempos do neorealismo italiano...), é inquestionável o seu valor, assim como o dos seus realizadores e dos seus grandes actores. 

Não é por acaso que a Itália é o país que mais vezes conquistou o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, ao longo da história do prémio mais importante da indústria do cinema (sem falar da Palma de Ouro de Cannes).

Não tenho dificuldade em escolher os dez filmes que mais gosto: "Roma, Cidade Aberta" (Roberto Rosselini); Ladrões de Bicicletas" (Vittório De Sica); "A Estrada" (Federico Fellini); "8 1/2" (Federico Fellini); "Amarcord" (Federico Fellini); "O Leopardo" (Luchino Visconti); "Era Uma Vez na América" (Sergio Leone); "Cinema Paraíso" (Giuseppi Tornatore); "A Vida é Bela" (Roberto Benigni);  "A Grande Beleza" (Paolo Sorrentino).

Nem tão pouco os dez melhores realizadores italianos: Vittório De Sica; Federico Fellini; Roberto Rosselini; Luchino Visconti; Michelangelo Antonioni; Sergio Leone; Bernardo Bertolucci; Ettore Scola; Roberto Benigni; Giuseppi Tornatore.

O problema maior é escolher actores. Fico com a sensação que Marcello Mastroianni secou tudo à sua volta... além de Vittorio Gassman, Roberto Benigni ou os inesquecíveis Totò e Eduado De Filippo, tenho dificuldade em encontrar outros grandes actores. Já o mesmo não se passa com actrizes, muitas delas com passagem por Hollywood (embora isso tenha acontecido mais pela beleza que pelo talento...): Anna Magnani, Giulietta Masina, Sophia Loren, Silvana Mangano, Cláudia Cardinale, Gina Lollogrigida, Alida Valli, Monica Vitti e mais do nosso tempo, as esplendorosas Isabella Rosselini e Monica Bellucci. Estas excelentes protagonistas são bons exemplos em que o talento se complementou com a beleza.

Na fotografia Federico Felllini, Marcello Mastroianni e Sophia Loren, num momento de descontração, durante as filmagens.