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domingo, junho 09, 2019

Criticar a Justiça é das Coisas mais Fáceis do Mundo


Já depois de escrever o texto de ontem, publicado aqui no "Largo", li a crónica publicada no "Expresso", de Maria José Morgado, em que ela nos apresenta alguns dados estatísticos, que no mínimo, devem-nos deixar a pensar.

Ela aborda a luta contra a corrupção, sem deixar de focar as "montanhas que parem ratos" (de 604 comunicações de crimes só resultaram 19 condenações...), analisando os dados fornecidos pelo Conselho de Prevenção da Corrupção.

Quando ela refere: «O CPC recebeu no ano de 2018, descontadas as cifras negras e a fragilidade dos números alcançados, um total de 604 comunicações de crimes económicos, dos quais os principais diziam respeito a 248 crimes de corrupção, 153 de peculato e 17 de prevaricação. Deste universo, destacam-se as comunicações de crimes com indícios probatórios, das quais resultaram 73 acusações, 19 condenações, três Suspensões Provisórias do Processo e duas absolvições. As conclusões são más.»

É importante referir ainda que 48% destes crimes comunicados aconteceram em Autarquias...

Escolhi o título "Criticar a Justiça é das Coisas mais Fáceis do Mundo", porque é a verdade. 

Raramente perguntamos, por que razão os processos que chegam aos tribunais revelam "tantas" deficiências e fragilidades nas investigações. Enquanto o Ministério Público e a Polícia Judiciária se debatem diariamente com problemas, como a falta de pessoal ou a utilização de meios técnicos ultrapassados, os "criminosos de colarinho branco" podem contratar os melhores escritórios de advogados (peritos na leitura das leis, que muitas vezes foram eles próprios que redigiram...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, junho 08, 2019

«Somos o País das escolhas erradas. E tudo começa nas pessoas...»


Não sei se é coisa com mais de quarenta anos, mas acho que sim. Até por que já ouvi histórias sobre as escolhas e nomeações de ministros e secretários de estado dos governos provisórios  - nem vale a pena falar de outros cargos menores -, que cabem que nem uma luva no anedotário nacional. Do género de telefonaram para a casa de alguém às duas da manhã a perguntarem se queriam ser isto e aquilo, e que tinham de dar uma resposta às nove da manhã (muitas vezes eram cargos com pastas sobre as quais não tinham perdido mais de cinco minutos da vida...). A maioria refugiava-se na tese de que "era a oportunidade de uma vida" e não queriam saber de mais nada...

Sei sim, que foram raros os homens e mulheres que tiveram a coragem de dizer, não, por saberem que não "cabiam naqueles fatos"...

Infelizmente esta história não se ficou pelo "país provisório" do Verão Quente, continuou a repetir-se até actualidade. 

A coisa mais fácil de fazer na política é uma lista de ministros, secretários de estado, presidentes de câmaras, e vereadores, medíocres e incompetentes (alguns ainda acrescentaram ao currículo adjectivos ainda menos abonatórios, e só não estão na prisão porque a nossa justiça é o que é...).

Do que não faço ideia, é se essas pessoas alguma vez se questionam, sobre o mal que fazem ao país, quando deixam que os seus interesses pessoais, do partido e dos amigos,  se sobreponham aos interesses de todos nós...

Comecei a escrever e como de costume fui andando... quando na conversa que tive com dois amigos, apenas falámos dos ministros da administração interna, da educação e da saúde.

E o Pedro numa frase disse tudo: «Somos o País das escolhas erradas. E tudo começa nas pessoas...»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, maio 16, 2019

Cambalhotas & Negócios da China


Estou a escrever ao mesmo tempo que a televisão transmite uma reportagem sobre os prédios da seguradora Fidelidade - comprada pelos chineses -, e os seus inquilinos, convidados a sair das suas casas de décadas...

Sei que não vale a pena ouvir a líder do CDS, Assunção Cristas, sobre estes problemas sociais, que têm afectado milhares de pessoas em Lisboa e no Porto. Apesar de ter sido graças a ela que se alterou a "lei das rendas", sei que não tinha qualquer problema em dar mais uma "cambalhota" e dizer que "a culpa é do Costa"...

A Cristas é um dos nossos melhores exemplos de políticos sem memória e sem carácter. É por isso que é capaz de discursar na Assembleia da República e nas Ruas como se fosse uma representante de um partido de esquerda e defendesse o povo...

Infelizmente é graças a estes "defensores do povo", que somos um dos países mais desiguais e injustos da Europa.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, maio 12, 2019

«A colecção de arte não volta para as suas mãos»


Um amigo, mais entendido que eu em leis, assegurava-me há alguns meses, que a Colecção Berardo, que está no Museu com o mesmo nome, no CCB, já não saía das mãos do Estado. Falou-me inclusive da tentativa frustrada dos representantes do "dono" de levarem para fora algumas das sua obras mais valiosas, para serem leiloadas.

Depois do espectáculo protagonizado pelo "comendador" na Assembleia da República (onde até tem por lá uma sobrinha...), não sei se será assim...

Joe Berardo, bem acompanhado por um "advogado-ponto", disse  apenas o que quis, sem perder a oportunidade de se rir na cara dos deputados da comissão que o recebeu, sempre que lhe foi possível.

Claro que nada disto é novidade, já passaram pelo Parlamento, vários "berardos", que se limitaram a brincar com coisas sérias, sem que os deputados corem de vergonha ou façam alguma coisa, para alterar este estado de coisas.

(Fotografia de Luís Eme - Alcântara - 45 anos depois de Abril, ainda não conseguimos resolver este problema, continuamos a ser nós, os pobres, a pagar a "crise"...)

terça-feira, abril 09, 2019

As Leis e a nossa Justiça pouco Justa...


Não tenho qualquer dúvida que  a má aplicação da justiça é o problema mais grave do nosso país.

É ele que nos torna cada vez mais desiguais e afecta todos os sectores da nossa sociedade. Pois além das diferenças de vencimentos obscenas entre gestores e trabalhadores (o "D. Notícias" fala disso hoje...), há também o sentimento, cada vez mais generalizado, da existência de uma justiça para pobres e outra para ricos.

Embora não falte por aí gente, que nos tenta iludir que o problema não está nas leis, mas sim na sua interpretação, facilmente se percebe que não passa de mais uma das muitas "patranhas" que enchem o nosso dia-a-dia. 

Claro que o problema é das leis (quase sempre pouco objectivas...) e do nosso parlamento (cheio de advogados "avençados", cuja única pátria que conhecem é o dinheiro...). 

As "fugas" e os "desvios" diários à letra de lei não se podem resumir apenas à falta de bom senso dos juízes ou à habilidade dos "senhores de toga" pagos a peso de ouro...

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)

quinta-feira, março 07, 2019

Tentar Fugir do Óbvio...


Nos meus blogues tento fugir do óbvio, escrever sobre o que quase toda a a gente escreve.

Isso explica que não tenha dedicado uma linha ao juiz mais famoso de Portugal; que não faça muita publicidade aos políticos e banqueiros corruptos que são capazes de dizer com o ar mais sério do mundo, que nunca cometeram qualquer crime... E não faça "posts" a imitarem telenovelas, que infelizmente passou a ser a prática de quase todo o jornalismo português.

É por isso que em relação ao dia de hoje, não há muito a dizer. Claro que é um dia que deve envergonhar todos os homens, mesmo que não tenham qualquer responsabilidade na existência de tantos cobardes, de Norte a Sul. E não falo apenas dos que matam mulheres, falo também dos que agridem crianças e que assaltam velhinhas.

O que me incomoda mesmo, é perceber que as coisas não mudam apenas por lhes dedicarmos dias, ou até mudarmos leis.

Mas o que me faz mais confusão, é que pessoas habituadas a ligar diariamente com bandidos, sejam tão benevolentes com gente que tem muito pouco de gente.

É também por isso que acredito que esta mudança de paradigma, depende fundamentalmente da prática dos juízes, dos advogados e dos agentes da autoridade. 

Quantas mortes não se teriam evitado nos últimos anos, se estes cumprissem a lei e agissem como pessoas responsáveis, em vez de escreverem coisas incompreensíveis, ou de  assobiar para o lado, colocar as mãos nos bolsos e virar costas...

(Fotografia de Luís Eme - Charneca de Caparica)

sexta-feira, março 01, 2019

Vozes, Poderes, Partidos e Irritações...


Quando as pessoas começam a falar do estado do país, a indignação ganha sempre forma. E quando a conversa chega a pessoas como Salgado, Berardo, Sócrates, Rendeiro, Lima, que não só continuam por aí à solta, como mantém uma qualidade de vida invejável, as coisas só podem piorar...

Mas se estes exemplos acontecem, a culpa só pode ser dos poderes político (legislativo e executivo...) e judicial. É quando percebemos com nitidez que a única voz activa que temos, é quando há eleições. 

O que não torna as coisas mais simples...

Sabemos que não votar, não resolve coisíssima nenhuma. E votar em gente como o Santana Lopes, ainda menos, por muito bom vendedor de banha da cobra que seja (e é...). Mas e votar nos partidos que têm governado o país nos últimos 40 anos? Não melhora também nada a coisa! Sobram o BE e o PCP, que quando toca reivindicar, também se perdem nas ilusões (e prometem deitar tudo a perder...).

Ou seja, é tal a confusão, que o melhor mesmo, é tentarmos não pensar muito no assunto.

Sei que esta irritação que nos invade, até pode ser populista. Mas isso nem sequer é importante, quando percebemos que os governantes, que dizem não há "folga" orçamental para aumentos, continuam a utilizar o dinheiro de todos nós, para tapar o "buraco", que parece não ter fundo, do Novo Banco, que pouco ou nada tem de jovem. Pelo menos os vícios e as desculpas dos administradores, parecem ser as mesmas de sempre, bem antigas...

(Fotografia de Luís Eme - Setúbal)

domingo, fevereiro 10, 2019

«Vocês têm liberdade a mais!»


Quem chega de fora e acaba por ficar uns tempos por cá, fica muitas vezes com a ideia de que somos um país com demasiada liberdade.

Os emigrantes quando vêm de férias também pensam o mesmo. A frase «Vocês têm liberdade a mais!», já foi dita pelo meu tio, que vive no Canadá,  mais que uma vez.

Não concordo, e acho mesmo que se faz um bocado de confusão com a própria definição da palavra liberdade. Por exemplo, a desorganização e a desresponsabilização, não vêm em nenhum dicionário, como seus sinónimos.

Se a noção que temos dos nossos direitos e deveres fosse mais equilibrada (sei que há por aí muita boa gente que finge que só tem direitos...) e balizada por um sistema de justiça que funcionasse de uma forma mais rápida e igualitária, tudo seria diferente...

Continuo a pensar que não há excesso de liberdade. Há sim demasiada falta de civismo e de sentido comunitário, o que acaba por se reflectir no nosso dia-a-dia, sobretudo na cada vez mais notória falta de respeito pela liberdade dos outros.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, fevereiro 05, 2019

Sentimento de Impunidade ao Rubro


Não tenho qualquer dúvida, de que a forma como a justiça funciona no nosso país, é a principal responsável pelo sentimento de impunidade que alastra, de Norte a Sul.

Sentimento esse que faz com os mesmos crimes se repitam, de uma forma cada vez mais assustadora, por gente que não podia, nem devia, estar em liberdade.

No topo destes crimes surgem a violência doméstica e as "burlas" no sector bancário, que causam cada vez mais indignação, por todos percebermos que não são levadas a sério, por quem de direito.

Desde 2004 foram mortas 512 mulheres. Quantas destas mortes não se poderiam ter evitado, se a lei fosse cumprida e respeitada, na maioria dos casos de violência doméstica, pelos tribunais, pelo ministério público e pelas forças de segurança?

Em relação aos casos de "burlas" da banca (BPN, BPP, BANIF, BES, Montepio, CGD, etc), ainda está por fazer a conta dos muitos milhões que "desapareceram", a maior parte deles de forma criminosa. Mais grave, é termos conhecimento dos nomes da maior parte destes "vigaristas de colarinho branco" e sabermos que continuam em liberdade, e a viver melhor que a maior parte dos portugueses, sem que os seus bens sejam arrestados pelo Estado...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, janeiro 21, 2019

Quando a História e a Dignidade Valem Muito Pouco...


Alguns amigos chegaram-me a falar da possibilidade de a Incrível Almadense vir a ter problemas no futuro, com o edifício onde está instalada a sua sede social, após a morte do seu principal proprietário. Porque os herdeiros poderiam pensar apenas no prédio e não em toda a história que este encerra. Uma história que já terá mais de 118 anos, como edifício-sede, da Colectividade mais antiga de Almada, que comemorou em Outubro de 2018, 170 anos de vida associativa, ininterrupta.

Infelizmente foi isso acabou por acontecer. E a Incrível Almadense foi notificada que a sua renda ia ser actualizada (para valores obscenos...), porque há muitos anos que não sofria qualquer aumento...

Claro que todos sabemos que a lei não contempla questões morais ou éticas. Mas devia. Pois no caso particular do prédio onde está instalada a sede social da Incrível, sabemos que seu senhorio não realizou qualquer obra de beneficiação, pelo menos nos últimos cinquenta anos (provavelmente o número real está mais próximo dos 100 que dos 50...).

Poderia enumerar dezenas de obras, algumas avultadas, como foi a substituição do telhado, da canalização, da instalação eléctrica, das janelas e portas, das múltiplas reparações de paredes, das pinturas, interiores e exteriores, etc. Ou seja, a Incrível gastou milhares de euros em benefício de umas instalações, que sempre considerou suas (é importante referir que a Colectividade tentou comprar o prédio várias vezes, mas o  principal dono, disse para não nos preocuparmos com isso, por que era um processo complicado, havia muitos herdeiros, etc), com o apoio dos associados e também do Município e da Junta de Freguesia.

Nada que incomode os novos senhorios. Eles querem lá saber dos 170 anos de Incrível, de todo o seu passado histórico, que tanto dignifica a Cidade de Almada. Querem sim, dinheiro, quanto mais melhor. 

Claro que não alugarão o prédio a ninguém, pelo valor que que estão a pedir à Incrível. Mas vão conseguir ficar "famosos" em Almada, por retirarem a Incrível no espaço que funciona como sua sede social, há mais de 100 anos (118, segundo os relatos dos antigos...).

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sábado, dezembro 22, 2018

A Publicidade Diária de que "O Crime Compensa"...


Achei piada o desabafo do senhor de idade, quando a companheira lhe disse, provavelmente por se sentirem enganados por alguém, que andava meio mundo a enganar o outro meio: «Oh mulher, olha que eles já são muito mais de metade.»

Fiquei a pensar naquelas palavras, entre a rudeza e a experiência de vida, e tanto eu como os meus botões concordámos com o homem, cansado como uma boa parte de nós, de escutar diariamente na televisão, casos e mais casos de corrupção protagonizados por gente que se apropriou de milhões (a lista não tem apenas banqueiros, há também  antigos ministros e secretários de estado, autarcas, gestores, dirigentes associativos, etc). Gente que continua em liberdade e a viver de uma forma faustosa.

Cada vez tenho menos dúvidas que a forma como a nossa justiça funciona (lenta, tendenciosa e injusta), é determinante para o aumento de vigaristas, um pouco por todo o lado, "desequilibrando a balança".

E tudo graças à publicidade diária, de que "o crime compensa"... 

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, outubro 19, 2018

Coisas que Parecem Parvas, mas Não são Ditas por Acaso...


Quando ouvi o homem de mais de meia-idade, dizer aos dois homens bem vestidos, «sempre que vejo um advogado, tenho a tendência de agarrar a carteira e de mudar de passeio. E o pior, é que me apetece sempre chamar-lhe aldrabão.»

Os dois homens olharam-no de lado e continuaram a conversar, como se não fosse nada com eles.

Foi então que o João me contou o porquê daquele diálogo provocatório. O homem há mais de vinte anos, ficou sem a casa dos sogros, que lhe calhara em herança, porque foi vigarizado por um advogado, que em vez de o defender, resolveu entregar a casa, quase de mão beijada, a um cunhado, que morava lá por caridade.

A partir daí nunca mais pôde ver advogados à frente. E sempre que pode, vinga-se com palavras...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, setembro 26, 2018

A Tentativa de Despromover os Melhores do Mundo por "Decreto"...


Parece que o mundo tem girado mais depressa nos últimos dias. Mas não, só sou eu que tenho tido menos tempo para passar por aqui, embora não me faltem motivos para escrever.

Um dos temas do sobre os quais me apeteceu escrever foi esta coisa dos prémios dos melhores da Europa e do Mundo do futebol.

O primeiro a ser excluído dos melhores foi Messi (este ano nem sequer fez parte dos três melhores do mundo...). Cristiano Ronaldo não foi excluído, mas ficou em segundo em ambos os prémios (o primeiro dos derrotadoa...), atrás de Modric.

Não vou sequer falar de justiça ou injustiça, mas parece-me ser claro, pelo menos para todos aqueles que acompanham o futebol, que Ronaldo e Messi ainda continuam a estar num patamar superior em relação a outros potenciais "melhores do mundo" (que penso que nunca atingirão o nível destes dois...).

E não serão a UEFA ou a FIFA (embora pensem que sim), a "decretar" o fim do seu reinado como "melhores do mundo". Poderão sim, continuar a exclui-los dos prémios de melhores da Europa e do Mundo, talvez por acharem que eles já têm muitas "bolas" lá por casa...

(Fotografia de Autor Desconhecido)

sábado, setembro 22, 2018

A Má Política e o Mau Jornalismo de Mão Dada...


Os partidos de direita e algum jornalismo pouco livre e tendencioso ("Expresso", "Correio da Manhã", "Observador", "Sábado"...), acharam por bem fazer da substituição de Joana Marques Vidal, como Procuradora Geral da República, um caso político. Até foram capazes de utilizar palavras como "saneamento" e "perseguição", em algo que até aqui tem sido consensual: a autonomia do Ministério Público e a separação de poderes com que se rege a nossa Constituição, só terão a ganhar com um mandato único de seis anos do procurador ou procuradora geral da República.

A pressão exercida sobre o Governo, o Presidente da República e a própria Joana Marques Vidal, só iria fazer com que a desejada renovação do cargo deixasse a Procuradora refém de uma direita - cada vez menos séria e mais trauliteira  - e de um jornalismo, cada vez menos pluralista.

Mas o mais grave é a forma como acabam por tentar comprometer a própria justiça portuguesa, pois com esta tentativa de transformarem Joana Marques Vidal numa "heroína insubstituível", tentam oferecer a imagem de que não existe  no nosso país "mais ninguém" capaz de exercer este cargo com independência e isenção.

E nem vale a pena falar da "pressão" que tem sido exercida há meses sobre o futuro Procurador Geral da República, antes de ele, ou ela, serem escolhidos...

sábado, setembro 01, 2018

Ser (ou não ser) o Melhor do Mundo...


Incomoda muito os jornalistas (sim, especialmente estes...), quando alguém se acha dos melhores do mundo, e afirma-o, sem qualquer problema.

Isso tem acontecido com Cristiano Ronaldo e José Mourinho, no estranho mundo do futebol.

Mourinho sempre gostou de criar uma relação de "amor-ódio" com a comunicação social, algo que teve os efeitos desejados nos seus primeiros tempos na alta roda do futebol mundial, mas que hoje não se aproxima dos  seus objectivos: proteger a sua equipa e os seus jogadores.

Ele sabe que os tempos são diferentes (pelo menos desde que treinou o Real Madrid, pois em clubes desta dimensão, tudo é notícia, e ele é apenas mais um...). Mas mesmo assim não deixa uma resposta para dar, especialmente aos jornalistas de fraca memória (são quase todos, por causa do "negócio" e não só...), que o questionam como se fosse um "principiante" ou um "derrotado". 

É por isso que acho muito bem que puxe dos "galões" e diga que sozinho têm mais títulos de campeão inglês que os restantes 19 treinadores da liga inglesa. Porque a memória é tramada... Mourinho também poderia responder, com toda a legitimidade, a todos aqueles que dizem que só sabe ganhar com jogadores que custam milhões, que as duas vezes que foi Campeão Europeu, conseguiu-o com equipas quase "modestas" (FC Porto e Inter de Milão), pelo menos quando comparadas com as do Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique, Arsenal ou Manchester United...

Já em relação à polémica do troféu de melhor jogador europeu, em que Modric venceu Cristiano Ronaldo, penso que nem seja motivo para grandes ondas, pois o médio croata fez uma excelente época. Estranho sim, que ninguém tenha falado sobre a justeza da entrega do prémio de melhor guarda-redes europeu a Keilor Navas (que na minha opinião, pouco modesta, nem sequer entra na lista dos dez melhores guardiões que actuam na Europa...), quando estava a competir com Buffon...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, abril 22, 2018

A "Canalhice" Feita a um "Canalha"...


Quando assisti à transmissão televisiva de parte dos interrogatórios a José Sócrates, perguntei a mim mesmo, como é que era possível, tornarem aqueles filmes públicos. Porquê esta necessidade de humilhar o arguido e de colocar a justiça ainda mais nas "bocas do povo"?

Mas hoje ao ler a crónica de António Barreto no "Diário de Notícias", em que ele escreveu muito do que pensei, achei que devia dizer alguma coisa. E nada melhor que transcrever algumas das suas palavras:

[...] «A divulgação em canais de televisão do interrogatório de José Sócrates, brada aos céus. Outros, incluindo os banqueiros arguidos, já por ali tinham passado. E também aqui não se viu, até agora, uma reacção institucional que traga decência e civilidade à justiça.
Mesmo em democracia, um interrogatório feito pela polícia é sempre um momento de debilidade pessoal. Seja ou não bandido ou aldrabão, tenha ou não um currículo violento, possua ou não músculos ou capital, partilhe ou não ferocidade com animais selvagens, um arguido ou um suspeito está sempre, durante o interrogatório, em situação de inferioridade, facilmente amedrontado, quase sempre em fragilidade psicológica. Mesmo quando reage com fúria destemperada, como foi o caso, o arguido está assustado e luta pela vida. Em pleno interrogatório, sobretudo se tem algo a esconder, se há culpa, se procura defender-se, qualquer pessoa, mesmo valente ou violenta, merece, porque é uma pessoa humana, um pouco de respeito. Uma justiça decente tem em consideração a humanidade das pessoas e dos processos. O que estão a fazer com José Sócrates é imperdoável. Como foi com os banqueiros e outros. A falta de respeito pelo arguido não é apenas isso: é sobretudo falta de respeito pelos cidadãos, por nós todos.» [...]

Quem será que tem a coragem de dizer aos juízes, delegados, procuradores e jornalistas, que eles não são "justiceiros populares"?

E nem me apetece falar das estações televisivas e da comunicação social em geral... a não ser para dizer que a SIC afinal não é assim tão diferente da TVI e do CMTV, nem o "Expresso" do "Correio da Manhã"...

(Óleo de Armando Morales)

quarta-feira, abril 18, 2018

«Um Corrupto de esquerda é diferente de um da direita. Ponto final.»


De repente a comunicação social voltou a "acordar" o monstro adormecido e a inquietar alguma esquerda, que ainda quer acreditar que o antigo presidente do Brasil é diferente dos seus companheiros de partido e governo, já que sobre o antigo primeiro-ministro pouco haverá a acrescentar. 

Em conversa de café, ficou mais uma vez registado que há uma exigência moral maior para a esquerda que para a direita, no mundo da política. Isso pode explicar em parte a forma como o jornalismo e a justiça têm "perseguido" o nosso "Animal Feroz" por cá, e o "Molusco Metalúrgico " por lá.

Essa exigência prende-se sobretudo pelos valores que defendem.

Quando o Jorge disse que «um corrupto de esquerda é diferente de um da direita. Ponto final», explicou quase tudo.

Falou-se muito do "cavaquistão", dos muitos escudeiros do "homem que nunca se engana" que se safaram à grande com os fundos comunitários, e que nunca foram alvo de uma investigação séria como esta (nem mesmo os envolvidos no "roubo" do BPN...). 

Mesmo que precisássemos de exorcizar os nossos fantasmas, todas as comparações são odiosas... 

E na verdade, pelo que se diz e mostra, nunca houve um "pobre provinciano" que usasse tanto a chamada "esperteza saloia" e pensasse que éramos todos tolinhos... 

Mas o erro maior disto tudo é dizer-se que o rapaz que "veio das berças" é de esquerda, ele até andou pela JSD, como salientou a Rita...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, abril 08, 2018

Os Homens, a Justiça e a História...


Como era previsível, a prisão de Lula da Silva, antigo presidente do Brasil e líder histórico do Partido dos Trabalhadores (PT), foi transformada em "telenovela", com a exploração habitual das emoções dos apoiantes e dos quase inimigos (percebe-se pelas entrevistas a populares, que ele consegue despertar o melhor e pior que nos caracteriza como humanos...).

Como a maior parte das pessoas de esquerda, tenho simpatia pelo antigo sindicalista e presidente, por ter transformado o Brasil num país mais justo, ao mesmo tempo que o transformava numa potência económica emergente, nas américas.

Além de ter fechado os olhos a muitas "negociatas", protagonizadas pelos seus companheiros do governo e do partido, é provável que também tenha sucumbido à habitual troca de favores - geralmente são sempre bastante tentadores -, pelo poder económico. Ou seja, as acusações podem fazer sentido. 

Mas não esqueço que o Brasil é um país especial, basta ver a forma como Dilma Rousseff foi afastada da presidência, num processo mais político que judicial, pouco provável num país com uma democracia plena. Segundo os especialistas, as acusações que o condenaram a uma pena de 12 anos e que o levaram agora à prisão, no nosso país não teriam consistência suficiente para o colocarem atrás das grades...

Mas o que me choca mais é a perseguição e o ódio de que é vitima. Isso só prova que deve ter retirado privilégios e poder a muita gente das classes mais favorecidas.

Há quem compare Lula a Sócrates, mas eu acho que não existe qualquer comparação possível, quer pelos seus passados quer pelos seus presentes. A única personagem da nossa história recente de que encontro alguns traços de proximidade, é Otelo. Sobretudo pela sua aparente ingenuidade e generosidade.

(Fotografia de Autor Desconhecido)

domingo, março 11, 2018

O Benfica, a Clubite, a Justiça e o Jornalismo de Sarjeta


Tenho evitado falar sobre o que se tem passado com o Benfica nos últimos tempos, com o clube a ser vitima de uma campanha de "desinformação" e "intoxicação", sem paralelo no nosso país, por parte dos dois clubes rivais (querem evitar o "penta" a todo o custo...). Campanha que se tem estendido a algum jornalismo que se alimenta sobretudo das "meias-verdades" e meias-mentiras", com manchetes e capas fabricadas diariamente (mesmo que os títulos muitas vezes tenham pouco a ver com o conteúdo das notícias...), com um único objectivo: vender gato por lebre.

A campanha começou com os "vouchers", depois foram os "e-mails"  e agora são "toupeiras"...

Embora não procure desvalorizar as investigações em curso - nem inocentar ninguém -, faz-me um bocado confusão a leitura que se está a fazer deste último processo. Por mais voltas que dê, não consigo perceber  a posição de algum jornalismo, tão "escandalizado com as toupeiras", quando eles são useiros e vezeiros na utilização dos mesmos métodos, conseguindo ter acesso a partes de processos em segredo de justiça, que só podem ser divulgados pelos vários agentes envolvidos na respectiva investigação (ministério público, polícia judiciária e tribunais...).

Do ponto de vista criminal, não consigo perceber a diferença que existe entre um dirigente desportivo e um jornalista, quando ambos utilizam os mesmos métodos para se apropriarem de informação privilegiada fornecida por terceiros, para benefício próprio. 

(Ilustração de Otto Lange)

sexta-feira, janeiro 26, 2018

Um Grande Livro de Miguel Carvalho


Acabei de ler "Quando Portugal Ardeu", da autoria do jornalista Miguel Carvalho da "Visão".

É um grande livro (curiosamente também pelo número de páginas, mais de quinhentas...), que, como o sub-título indica, fala-nos das histórias e segredos da violência no pós-25 de Abril, dos incêndios a sedes de partidos de esquerda (quase sempre do PCP...), dos atentados bombistas, que ceifaram mais vidas do que eu imaginara...

Além de estar muito bem escrito (tem também a acção e dinâmica capaz de nos prender às suas páginas do inicio ao fim), oferece-nos inúmeros documentos e testemunhos inéditos, com várias entrevistas a alguns protagonistas desse Verão que aqueceu muito mais a Norte que a Sul.

O jornalista Miguel Carvalho, ao jeito de reportagem, fala de tudo e de todos, relatando o que de mais importante (e grave) se passou, sem ocultar os nomes das pessoas que estiveram envolvidas, em ambos os lados da barricada.

Eu tinha onze, doze anos, quando aconteceram todos estes acontecimentos. Morava nas Caldas da Rainha, uma cidade pacata e conservadora, onde nunca se sentiram os "calores" da Revolução (eu pelo menos nunca dei por eles...). Desses tempos recordo as histórias das "mocas" de Rio Maior - provavelmente devido à relativa proximidade - e pouco mais.

Sabia que a ignorância das pessoas era explorada pela igreja e pelas grandes famílias, através de mentiras quase infantis sobre o comunismo (a famosa injecção atrás da orelha dos velhos, assim como os infanticídios...), mas sem ter a noção da gravidade da perseguição que foi feita, com a morte de vários inocentes, que estavam no local errado, à hora errada...

Sabia do envolvimento da Igreja (o famoso cónego Melo ficou quase tão conhecido como a Sé de Braga...), com a extrema direita  (quase tudo gente ligada ao antigo regime, muitos estavam em Espanha...) do ELP e do MDLP, mas não imaginava por exemplo, que nestes núcleos havia mesmo quem sonhasse com uma espécie de  "restauração" a Norte de Rio Maior, apesar de saber que o general Pires Veloso tinha sido alcunhado como o "vice-rei do Norte"...

Recomendo este livro a todos aqueles que se interessam pela nossa história recente.