Ao olhar para as sondagens que vão circulando por aí, é fácil de perceber que não há "escândalo" que resista à capacidade do nosso primeiro ministro em se "auto-vitimizar", escudando-se nas habituais "campanhas negras", "perseguições pessoais", "xicanas políticas", "mentiras", etc.
O que me irrita é que Sócrates não está a ser avaliado pelo seu papel como governador e pelo estado actual do país, praticamente pior em todos os sectores que há quatro anos, porque as reformas anunciadas (algumas das quais iniciadas) foram sendo metidas na gaveta, à medida que a data das próximas eleições se foi aproximando.
A única que permanece por aí, estupidamente, é a reforma da educação feita contra os professores (como se tal fosse possível, pelo menos com êxito e a melhoria do sector...).
Incomoda-me bastante este jornalismo rasteiro que anda por aí, à procura das "fragilidades" pessoais de Sócrates, sem focar a política desastrosa do seu governo na saúde, na justiça, na educação, na economia e nas finanças.
Só se as ditas "campanhas negras", afinal são "brancas", e apostam nas qualidades de "actor dramático" do secretário geral do PS, para vencer as próximas eleições...
O óleo, "Espanta Pardais" de José Malhoa, assenta que nem uma luva em alguns espantalhos que andam por aí, disfarçados de políticos e de jornalistas...



