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sexta-feira, julho 06, 2018

Um Amigo, uma Carta & uma Fotografia...


Um dos meus melhores amigos de Almada (que já não está por cá...), depois de uma das nossas memoráveis conversas de café, em que lhe fiz várias perguntas, presenteou-me com uma carta, escrita à máquina (incluindo o subscrito...).

Ou seja, respondeu-me a uma das perguntas com a letra de máquina, sem se esquecer de assinar no final, com um abraço amigo.

Ontem descobri a carta, junto a um monte papeis "especiais"...

E hoje voltei a lembrar-me do meu amigo e da carta, ao ver está máquina, ao sol, num "ferro velho". 

Ela, se pudesse, com toda a certeza, teria milhentas de histórias para nos contar...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, janeiro 23, 2018

«O gás falta sempre na pior altura.»


Não pude deixar de ouvir a recomendação de uma mãe para uma filha (penso eu...), na rua, quando me cruzei com elas no passeio.

«O gás falta sempre na pior altura», disse ela, para que a mulher jovem não se esquecesse da importância de ter uma segunda botija em casa.

Parece quase uma verdade daquele senhor francês...

Claro que com o uso e abuso do gás natural, esquecemos esta questão, ou seja, temos menos um problema nas nossas vidas...

(Fotografia de Arthur Rothstein)

sábado, novembro 18, 2017

«Qual casa, quais livros, quais quadros?»

As pessoas mais próximas ainda não perceberam até que ponto o António ficou afectado com a fogueira grande que deixou a casa de campo apenas com as paredes.

A Ana anda preocupada e diz a todos os amigos que o companheiro não anda bem. Tudo porque quando alguém lhe "quer medir o pulso", para saber coisas que ele desistiu de quer saber e lhe faz perguntas sobre tudo o que aconteceu, ele com um sorriso nos lábios diz: «Qual casa, quais livros, quais quadros?»

Com os amigos mais próximos vai mais longe nas explicações: «Há muito que a casa precisava de uma remodelação. Nos últimos anos foi tratada como "depósito de lixo", levávamos para lá o que não nos fazia falta. Os móveis que não queríamos, as roupas que não usávamos, os livros que não líamos e os quadros que não cabiam nas paredes. Agora voltou tudo ao início. Vai voltar a ser a casa dos primeiros tempos, quando acabarem as obras.»

E vai ainda mais longe no seu sorriso: «Talvez volte a ter tempo de pegar na viola no quintal e tocar para os pássaros.»

Mesmo assim desconfiam da sinceridade das suas palavras. Não compreendem que ele seja capaz de dizer, «Voltar atrás para quê?», um lugar comum que é título de livros e de filmes, mas que é a melhor solução para se conseguir continuar a andar em frente, sem andar com os bolsos cheios de "fatalidades". 

Não sei se é o facto de ser homem (com um bom poder de abstracção - que há quem chame capacidade de "fugir dos problemas"...), que me leva a compreender o António. Sei que o que ele quer dizer é que há coisas mais importantes que os objectos que vamos guardando pela vida fora, por muito que façam parte das nossas memórias...

(Fotografia de Tarlé Dominique)

sexta-feira, março 31, 2017

As Vozes Amigas da Televisão

Embora não conseguisse olhar para a televisão como aquela senhora que vivia sozinha, compreendia-a muito bem. A "caixa mágica" era o único espaço que ela conhecia capaz de lhe oferecer vozes e rostos amigos, sempre prontos para oferecer sorrisos e palavras simpáticas a milhões de pessoas solitárias como ela.

Foi por isso que guardei as palavras "alienação" e "manipulação" no bolso.

Sei que é sempre mais fácil criticar que dizer bem, faz parte da nossa natureza...

Claro que me incomodava que ela pensasse que tudo aquilo que saía da "caixa" era verdadeiro e genuíno, mas não seria eu que lhe iria dar cabo dos seus sonhos tardios.

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Coisas Importantes (quase) sem Importância Alguma...


Se pensar bem no assunto, ando constantemente em arrumações.

Tudo isto acontece graças à "tralha" que guardo, a pensar que um dia qualquer me poderá ser útil, naquela coisa que não existe, a que chamamos futuro...

Claro que acabo por esquecer a sua existência (a não ser que me seja absolutamente indispensável, o que raramente acontece, pelo tal esquecimento...).

Mas o maior drama é quando resolvemos "revirar" as coisas, continuarmos com dificuldade em as deitar fora. Muitas delas acabam por ficar no mesmo caixote e voltar ao mesmo sítio da garagem (mesmo que saiba, que apesar de estarem catalogadas, acabarão novamente esquecidas...).

Claro que há sempre alguma coisa que fica em casa (para avolumar a "papelada" que me rodeia...), por lhe descobrir importância para este ou aquele trabalho...

Bem dizia o bom do Pina: ««Descobri que as coisas importantes, se as pusermos num monte, passados uns meses, deixam de ser importantes. É tudo inútil, são urgências que entretanto deixaram de ser urgentes.»

(Óleo de Joan Miró)

segunda-feira, dezembro 05, 2016

Relógios de Corda com o Tempo a Fugir

Hoje foi um daqueles dias com menos horas que as dos relógios de corda...

Pelo menos é a sensação que experimento, quase no virar do dia. Comecei mais cedo e acabei mais tarde, sem conseguir fazer tudo o que era preciso.

Até o almoço foi rápido. Não fizemos sala nem conversámos tanto. Todos tínhamos coisas para entreter o tempo. Também sentimos a falta do Carlos.

E mesmo assim sei que fiz muitas coisas. Mas não todas...

Espero que amanhã não acabe o dia com esta estúpida sensação, de não ter feito tudo o que era preciso fazer.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, maio 17, 2016

A Sempre Bela Feira da Ladra


O campo de Santa Clara continua a encher-se de gente às terças e aos sábados na já histórica Feira da Ladra. Muitos aparecem para fazer negócio, outros apenas para assistirem a todo aquele movimento humano, onde é possível regatear como em Marrocos.

Nos períodos de crise este tipo de mercado costuma florescer, e foi o que aconteceu nos últimos anos, para gáudio dos turistas, que descobrem uma feira especial, com um colorido único de ofertas.

Embora possa parecer estranho, há cada vez mais jovens que se vestem nas várias "boutiques ambulantes", que espalham pelo chão da feira. Isto acontece porque conseguem encontrar peças com alguma originalidade e sempre a bons preços.

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, março 23, 2015

A Beleza das Janelas (dentro e fora)


Sei que não sou só eu que gosto de fotografar janelas, há muito boa gente que se sente fascinada por estas "aberturas" das casas, para a luz, para o vento e também para os sons e cheiros da rua.

Mas não só os fotógrafos que prendem o olhar nas janelas, há muitos pintores (mesmo aqueles muito bons...) que se deixam levar pela sua beleza e imaginam espaços e cores, que podem ser muito mais interessantes que uma fotografia.

Esta janela é de Carlos Botelho, um pintor de Lisboa, das ruas, dos telhados, do Tejo... e também desta janela com um interior de casa azulado, que tanto pode estar perto do céu, como perto do mar...

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Eu Conservador me Confesso


Apesar de ser de esquerda, sou conservador em muitas coisas (talvez teimoso e avesso a algumas modernidades seja o termo mais exacto...).

Embora não goste de remar ou nadar ostensivamente contra a maré (tipo Pulido Valente...), há coisas que tento não fazer, mesmo sem conseguir explicar muito bem a razão de não me "converter" a algumas modernices.

Toda esta prosa para dizer que não tiro fotografias com o telemóvel. Porque para mim este serve para falar com pessoas, é uma versão moderna do telefone sem fios.

Claro que isso se calhar acontece por ter máquina fotográfica desde os quinze anos. E também por achar que elas são o mecanismo mais apropriado para tirara retratos a pessoas, objectos ou ao "nada" (são quase sempre as que resultam mais...).

Talvez seja um "antigo" (ou outro nome qualquer pior), mas não me incomodo nada com esse rótulo. 

Embora reconheça que os aparelhos com multifunções dão jeito (as impressoras são o grande exemplo...), acho que se abusa na vontade de concentrar tudo num único objecto.

O óleo é de Pierre de Monjins.

quarta-feira, dezembro 31, 2014

O Meu Companheiro Está de Volta


Ontem, ao fim do dia, o meu "Acer" voltou para casa, com um disco novo.

Ainda estou a instalar algumas coisas, mas é delicioso perceber que no essencial não se perdeu nada.

Depois de um ano com vários percalços, é bom entrar o ano de uma forma animadora.

Aproveito para vos desejar um melhor 2015 (em relação aos últimos anos...), com mais motivos para sorrirem e para se sentirem felizes neste pedaço de mundo, que desejo que passe a ser melhor frequentado. E claro, com muita inspiração.

O óleo é de Cristopher Stott. 


sábado, dezembro 20, 2014

As Avarias das Máquinas que Já Fazem Parte da Nossa Vida


O meu computador resolveu meter "baixa", pelo que nos próximos tempos vou estar mais afastado do que tinha pensado, da blogosfera. Ou seja, estou com umas férias natalícias antecipadas destes jogos de palavras e de algum convívio, mesmo virtual.
 
Como costuma acontecer nestas coisas, estão por lá muitas coisas importantes, que não guardei no disco externo, porque pensamos que o nosso computador é "eterno". Espero que consigam resistir a esta "imtempéride" e que voltem a respirar, com alegria (principalmente para minha alegria, estão lá três livros inacabados...).
 
 É mais um "balde de água fria" para me despedir serm grandes saudades de 2014.
 
O óleo é de Javad Azarmehr.
 

terça-feira, fevereiro 04, 2014

Dia Molhado


Hoje esteve um dia típico de Inverno, com chuva e vento, óptimo para destruir os chapéus mais frágeis e menos preparados para entrar em qualquer "batalha" com o sopro desnorteado da natureza.

Quase tomei banho à tarde. Quase...

À noite também vou ter de sair. Talvez já seja tempo de tréguas...

A ilustração volta a ser de Loui  Jover, claro.

quarta-feira, novembro 13, 2013

Fazer Jornalismo num Museu


Sabia que não era um emprego a sério, mas empregos desses tinham deixado de existir desde que o capitalismo se tornara indomável e a ganância, tal como o cinismo e a hipocrisia, governavam o "mundo".

Assim que subiu ao primeiro andar e descobriu uma sala com três secretárias, que em vez de computadores tinha máquinas de escrever, sorriu entre a admiração e o espanto.

Foi então que uma porta se abriu e percebeu que aquela sala era o "museu" do jornal, os computadores, as impressoras e os colegas estavam ao lado... 

O óleo é de  Jesus Navarro.

quinta-feira, outubro 03, 2013

Já Sentia Saudades dos Sons Vivos das Janelas


O conforto e a modernidade tinham decretado a substituição das janelas altas, a madeira ia dar lugar ao aluminio, que embora se mantivesse branco e com um desenho parecido, era outra coisa.

Sentou-se no velho cadeirão que já conhecia pelo menos quatro gerações da família e ficou ali a ouvir o ranger das portadas, o vento, sempre ele, a querer entrar...

Estupidamente a magia da madeira, do antigo e do rústico,  ia ser substituída pelo conforto das janelas com vidro duplo, que se iriam esforçar para "apagar" toda aquela vida que chegava da rua...

O óleo é de Amadeo Souza-Cardoso.

sexta-feira, maio 17, 2013

A Televisão é Apenas um Objecto de Decoração


Não estou a pensar seguir a "filosofia" do Nuno e da Anabela, de viverem o dia a dia sem a companhia viciante da caixa que dizem ter mudado o mundo (e mudou mesmo...).

Mas não deixei de pensar no assunto.

O único televisor que têm é dos anos sessenta, ainda da era a preto e branco, utilizada apenas como objecto decorativo da sala (achei curioso ser da mesma marca da primeira televisão dos meus pais, "Ferguson", que provavelmente já não existe...).

Naturalmente falámos disso. Eles disseram-nos que a televisão faz mal porque nos oferece um mundo distorcido, a realidade é sempre ligeiramente diferente (quando não é muito...). Achei piada quando o Nuno disse que tudo aquilo era falso, que todas aquelas pessoas (mesmo os figurantes) se tinham vendido ao espectáculo e entravam com os dois pés em toda aquela "manipulação" humana. 

Imaginação por imaginação prefere a dos filmes e dos livros, é mais lúcida e transparente.
Mas não pensem que se trata de uma família "de outro planeta qualquer", ouvem muita música, rádio, e claro, estão ligados ao mundo pela "net"...

O óleo é de Erik Mattijssen.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Mataram o Tempo das Utopias


Acho a foice e do martelo um dos achados mais felizes do mundo da política no século XX, pelo seu simbolismo, pelo que representam, ou pelo menos deviam representar.

A "criação" que a Tina Modotti montou com objectos reais, graças ao chapéu, ficou com um ar muito "latina-américa". Mas mais importante que o aspecto, é transportar-nos para o  tempo bom das utopias, que uma boa parte dos políticos têm andado entretidos a destruir nas últimas décadas.

Tenho pena que todas estas ideias que andavam em volta de um mundo mais justo e igual, tenham sido desvalorizadas por outro sonho humano (este ainda mais utópico...) de um dia sermos todos ricos...

segunda-feira, dezembro 17, 2012

A Laranja Mecânica


Na China inventa-se quase tudo.

Deve ter sido por isso que não estranhei a laranja que se deslocava, graças a uns pés metálicos.

Lembrei-me que aquele brinquedo tanto faria sorrir Anthony Burguess como Stanley Kubrick. O primeiro escreveu o romance, em 1962, o segundo realizou o filme dez anos depois.

Nem fazia ideia que "A Laranja Mecânica" (livro...) tinha a minha idade.

Se não fosse a laranja que andava, não fazia estas associações, nem escrevia esta "posta"...

O óleo é de Emanuel Javelid.

quinta-feira, abril 12, 2012

A Louça Chinesa


Não sabíamos muito bem o que fazer aquele conjunto de chá e café da China, que já devia ter mais de sessenta anos.

Com a proliferação das lojas dos trezentos, estas peças foram completamente desvalorizadas, assim como quase todos os produtos "made in china". Começámos a olhar para este país gigantesco essencialmente como um produtor de "lixo".

Lá deixámos as chávenas, os pratos e o bule numa caixa de papelão, à espera de uma decisão definitiva...

O óleo é de Wang Weidong.

terça-feira, março 20, 2012

Dar Vida Nova ao Velho


Há pessoas que têm a capacidade de dar vida a objectos que já ninguém lhes encontra presente, quanto mais futuro.

Uma delas era o professor Lagoa Henriques, que conseguia pegar num pedaço de lata ferrugenta e transformá-la num artefacto artístico, conseguindo-o inserir num outro contexto, obrigando-nos a olhá-lo de uma nova forma.


O curioso é as pessoas comuns que também têm esta capacidade, de dar uma nova vida a qualquer objecto, como a máquina de costura que aparece na imagem. Conheci em Almada um excelente recuperador de máquinas de costura, o Jacinto, depois de deixarem de ter utilidade nos arranjos das peças de roupa. Pintava-as e oferecia-lhes uma nova oportunidade de "sobreviverem", como mesas de apoio ou simples peças de decoração, em salas que queriam ter uma alma diferente, com a simplicidade de mãos dadas com a originalidade.

O óleo é de Michael Klein.

quarta-feira, junho 16, 2010

O Anexo Amarelo

No meio daquele casario velho, havia uma entrada de casa que sobressaía, pela sua cor viva, um amarelo canário.
Pouco depois pude ver que no canto oposto tinham construído uns sanitários e um lavatório, debaixo da escada que dava para o piso superior.

Ainda tinha um contador de água, provavelmente com uso, para regar as hortas que se escondiam nas traseiras das casas abandonadas.