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segunda-feira, janeiro 21, 2019

Quando a História e a Dignidade Valem Muito Pouco...


Alguns amigos chegaram-me a falar da possibilidade de a Incrível Almadense vir a ter problemas no futuro, com o edifício onde está instalada a sua sede social, após a morte do seu principal proprietário. Porque os herdeiros poderiam pensar apenas no prédio e não em toda a história que este encerra. Uma história que já terá mais de 118 anos, como edifício-sede, da Colectividade mais antiga de Almada, que comemorou em Outubro de 2018, 170 anos de vida associativa, ininterrupta.

Infelizmente foi isso acabou por acontecer. E a Incrível Almadense foi notificada que a sua renda ia ser actualizada (para valores obscenos...), porque há muitos anos que não sofria qualquer aumento...

Claro que todos sabemos que a lei não contempla questões morais ou éticas. Mas devia. Pois no caso particular do prédio onde está instalada a sede social da Incrível, sabemos que seu senhorio não realizou qualquer obra de beneficiação, pelo menos nos últimos cinquenta anos (provavelmente o número real está mais próximo dos 100 que dos 50...).

Poderia enumerar dezenas de obras, algumas avultadas, como foi a substituição do telhado, da canalização, da instalação eléctrica, das janelas e portas, das múltiplas reparações de paredes, das pinturas, interiores e exteriores, etc. Ou seja, a Incrível gastou milhares de euros em benefício de umas instalações, que sempre considerou suas (é importante referir que a Colectividade tentou comprar o prédio várias vezes, mas o  principal dono, disse para não nos preocuparmos com isso, por que era um processo complicado, havia muitos herdeiros, etc), com o apoio dos associados e também do Município e da Junta de Freguesia.

Nada que incomode os novos senhorios. Eles querem lá saber dos 170 anos de Incrível, de todo o seu passado histórico, que tanto dignifica a Cidade de Almada. Querem sim, dinheiro, quanto mais melhor. 

Claro que não alugarão o prédio a ninguém, pelo valor que que estão a pedir à Incrível. Mas vão conseguir ficar "famosos" em Almada, por retirarem a Incrível no espaço que funciona como sua sede social, há mais de 100 anos (118, segundo os relatos dos antigos...).

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, novembro 07, 2018

A "Tralha" que se Guarda...


Nós que vivemos em pequenos apartamentos, guardamos muitas vezes coisas que, além de "sobrarem", ocupam demasiado espaço e... inevitavelmente, passados tempos, acabamos por "esquecer" a sua existência. E não falo apenas de livros...

O que seria de nós se tivéssemos uma grande herdade, com dois ou três armazéns enormes, capazes de guardar coisa como um "carrossel mágico" ou até uma "montanha russa"...

Não pensem que exagero. Um homem recentemente falecido, tinha um armazém que era o seu espaço de sonhos e de alguma magia, onde ia acumulando coisas de que gostava e comprava em feiras de velharias, quase sempre para recuperar, mas o maldito tempo, o seu "principal inimigo", nunca lhe deu tréguas.

Dos seus quatro filhos apenas a Margarida sabia deste passatempo do pai, porque o acompanhara mais que uma vez a estas feiras, que misturam memórias com objectos. Mas estava longe de imaginar o que iria encontrar dentro de um dos armazém da quinta... 

Sabiam apenas que o outro armazém tinha umas duas dúzias de carros (o pai nunca se desfizera de nenhum carro da família, havia um mercedes dos anos cinquenta que fora do avô, mas também uma charrete de luxo que vinha do século dezanove, que ninguém sabia ao certo a origem...), porque os irmãos desde pequenos que gostavam de passar por lá e brincar às escondidas do pai. Agora o outro, só ganhou forma depois de 1974. O pai começou por guardar peças de trabalho da lavoura, entretanto substituídas por máquinas... mas quando deu por ela, tinha um verdadeiro "museu" de relíquias...

Toda esta conversa, porque de todos estes objectos, há um que acaba por ser especial e do qual já falei: o carrossel mágico, que quase lhe foi oferecido, por estar a ocupar demasiado espaço na família de um antigo feirante. Ele sempre pensou em recuperá-lo. É quase todo feito em madeira e ainda sobressaem algumas cores decorativas, especialmente as dos animais (zebras, girafas, cavalos, tigres, etc,) da selva.

E agora esta recuperação passou a ser o sonho do Miguel (filho da Margarida...). Está apostado em tornar real a vontade do avô...

(Fotografia de Luís Eme - foi o que encontrei mais parecido com um "carrossel mágico", embora este seja quase moderno)

segunda-feira, abril 02, 2018

Três Bilhetes Postais da Beira


Por ser segunda-feira, por ter estado uns dias sem aparecer no Largo, não me apetece muito escrever.

E quando isso acontece, podemos sempre socorrer-nos das imagens.

Sim, da vista, mesmo a alguns quilómetros, desse "milagre humano" que se chama Monsanto, que em tempos chamaram a aldeia mais portuguesa do nosso país...


Ou da Idanha-a-Velha, outro caso surpreendente, de uma vila romana, plantada quase no meio do nada, que continua a ser um lugar agradável para se percorrer.


Esta ponte também se diz (ou dizem...) romana. Não sei se será assim tão antiga. Talvez existam vestígios, e tenha sido objecto de várias melhorias ao longo dos tempos, para continuar a ser uma passagem para a outra margem...

(Fotografias de Luís Eme)

sábado, fevereiro 10, 2018

A Tal Curiosidade que Dizem que "Matou o Gato"...

Talvez algumas pessoas experimentem palavras como "tristeza",  "nojo" ou até "horror", quando descobrem casas, armazéns ou até monumentos, abandonados, destruídos e vandalizados.

Eu nem por isso. Desde a infância que gosto de me aventurar pelo interior de quintas ou casas abandonadas, atrás do mistério e das histórias que estas encerram...

E há sempre peripécias que ficam...

Devia ter menos de dez anos quando entrei pela primeira vez na "Quinta da Boneca", mesmo ao lado da Mata da Rainha, nas Caldas da Rainha, juntamente com o grupo de amigos do meu irmão (todos mais velhos que eu...). Fizemos (com toda a certeza...) demasiado barulho dentro da casa e fomos descobertos por um guarda diligente (com a marca do Estado Novo...), que além de nos ameaçar com a polícia, correu atrás de nós com uma forquilha nas mãos. Só parámos de correr mais de um quilómetro depois...

Já adultos, eu e o meu irmão, aventurámos-nos pelo interior do Convento de Frades abandonado das Gaeiras (felizmente recuperado pelo Município de Óbidos...). Foi uma aventura e pêras para entrarmos no seu interior, que na época ainda conservava vários vestígios do seu período religioso (mobiliário, estátuas - demasiado grandes para serem transportadas - e até pinturas semi-destruídas...). Ficámos deliciados a percorrer todo aquele interior. 

A surpresa estava guardada para o final.

Quando chegámos ao local onde tínhamos deixado as nossas bicicletas, meio escondidas, elas tinham desaparecido, como se tivéssemos sido vítimas de um "castigo divino".

Procurámos nos arredores, em vão. Já nas Caldas, o meu irmão lembrou-se de passar pela PSP. E lembrou-se em boa hora. Lá estavam elas à nossa espera. Parece que alguém passou de camioneta de caixa aberta e ao pensar que estavam abandonadas, pegou nelas e entregou-as no posto da polícia...

É também por este fascínio que tenho deixado por aqui estas últimas fotografias...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, fevereiro 08, 2018

Gostamos Tão Pouco do que é Nosso...


Quase todos os dias nos são oferecidos exemplos de gente egoísta que tenta colocar sempre os seus interesses particulares à frente dos colectivos. Se o património e a natureza colidirem com a fábrica ou a mansão que pretendem construir, arranjam sempre maneira de contornar a questão, com a complacência dos nossos vários poderes, locais e nacionais, que também sofrem da mesma "doença"...

É a explicação para o que se está a passar com o Tejo, ao ponto de começar a estar em causa a sua própria sobrevivência como fonte de vida.

E nem vale a pena falar das centenas de monumentos, de Norte a Sul, que ano após ano, vão ficando mais degradados e abandonados, apenas porque sim...

Muitos autarcas parecem ainda não ter percebido o quanto o turismo pode ser importante nas economias, local e nacional...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, novembro 07, 2017

O Desabafo do Artista...

Hoje cruzei-me com o Louro Artur, um artista plástico almadense que é o autor  do bonito painel em azulejos que retrata a vida literária de Romeu Correia, mas que foi colocado num lugar quase escondido (rente às piscinas da Academia Almadense que estão fechadas há já mais de meia-dúzia de anos e são cada vez mais poiso de gente que gosta de destruir por destruir...).

Com todo este abandono, o painel acaba por sofrer nos azulejos algumas "pinturas de guerra" de quem é incapaz de respeitar a Arte.

Ouvi os seus lamentos, porque ele detesta (e com toda a razão...) ver a sua obra vandalizada, e apesar de ter feito chegar a quem de direito, o que aconteceu, sente que ninguém se preocupa....

Como eu o compreendo, quando ele diz que aquela obra devia estar num lugar mais visível... E até diz onde o gostava de ver (no muro junto à Casa da Cerca, rente à Boca do Vento...), num lugar de passagem, e a espreitar o Tejo...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, outubro 16, 2017

Um Domingo para Esquecer (ou para Lembrar...)

Dizem que a partir de hoje as temperaturas vão baixar, de uma forma significativa. Espero que sim.

Ontem assistimos à pior despedida possível deste "Verão", que conseguiu chegar até meio de Outubro, com o domingo a ser classificado como o pior dia do ano em matéria de incêndios.

Já todos descobrimos que o tamanho do nosso país não é proporcional à maldade, à inveja e à estupidez dos imensos portugueses que se "maravilham" a pegar fogo ao país...

A minha filha, do alto da sua sapiência de 13 anos, perguntava-nos ontem, como era possível existirem num só dia mais de 440 fogos (que provocaram dez mortos e mais de três dezenas de feridos), num país tão pequeno como o nosso. Portugal devia estar todo a arder, concluiu ela.

Expliquei-lhe que muitas vezes existiam dois e três incêndios na mesma mata, que se iniciavam em lugares diferentes, provocados por bandidos, que adoravam tornar a vida dos bombeiros e das pessoas, ainda mais difícil e complicada...

Doa a quem doer, a partir de 2018, tem de haver uma solução para a nossa floresta, e também para esta gente difícil de classificar, que no mínimo são demasiados "pobres e tristes"...

(Fotografia de Arménio Belo - Lusa)

sexta-feira, outubro 07, 2016

A Mistura de Azulejos do Seminário

Hoje fiz uma volta diferente e acabei por entrar no Seminário de Almada (os portões estavam abertos...) e fiquei por ali, a espreitar o Tejo e Lisboa, em mais um dos excelentes miradouros da Outra Banda.


Apesar de gostar da forma desordenada como foram colocados os azulejos nas paredes dos muros do miradouro, fico sempre sem saber ao certo, porque razão foram colocados desta forma...

Talvez tenham sido sobras de qualquer "batalha", que até poderá ter sido o terramoto de 1755... 

Um dia destes tenho de perguntar a alguém que possa saber deste "mistério"...

(Fotografias de Luís Eme)

domingo, maio 22, 2016

A Noite Europeia dos Museus

Ontem festejou-se a Noite Europeia dos Museus e foi possível visitar uma boa parte dos espaços museológicos lisboetas, gratuitamente, entre as 18 e as 23 horas.
Em boa hora fomos de carro para a Capital, porque se estivéssemos à espera da boleia da iniciativa "Museus em Movimento" (no papel bastante interessante com duas rotas prometedoras...), perderíamos mais tempo na fila à espera de transporte que nas filas de entrada dos museus.
Fomos directos para o Palácio da Ajuda, a pensar nos meus filhos que ainda não o tinham visitado. Foi uma visita agradável com bastante gente, mas bem organizada, com espaço para todos "olharem".
Já no exterior esperámos alguns minutos pela chegada da tal carrinha,  até decidirmos ir para Belém (em boa hora) em transporte próprio.


Fomos conhecer o novo Museu dos Coches (e também espreitámos o antigo, para ver o contraste...) Apesar de ser gigantesco, é um espaço "frio", demasiado "barracão". Embora não possa ficar com os tectos e as paredes do "Picadeiro Real", estou convencido que poderia ser mais "museu"...
Acabámos por jantar em Belém (com bom preço bom serviço e boa comida). Foi bom verificar que a passagem de tantos estrangeiros por esta zona turística não inflacionou as ementas.
Ainda tínhamos pensado visitar o Museu de Arte Antiga (sem qualquer dúvida um dos melhores museus lisboetas), mas já passava das 22 horas e a percepção de que era capaz de ser complicado estacionar o carro nas imediações, acabaram por fazer com que esta visita ficasse guardada para outra oportunidade...

(Fotografias de Luís Eme)

sábado, setembro 05, 2015

Dois Lugares Especiais


No mini circuito que fizemos pelo Centro do país, houve dois lugares que gostei muito de revisitar.
Em qualquer deles não fiquei minimamente desiludido, apenas me questionei porque demorei tanto tempo a regressar...

Estou a falar de Conimbriga, que valeu mesmo a visita (mesmo sabendo que é um espaço sobretudo para quem gosta de história e património, claro...), pela beleza milenar que fez da civilização romana, uma das mais marcantes do nosso país. Que bom existir tanta gente apaixonada por arqueologia, capazes de fazerem daquele lugar, um lugar único.
Não visitava Conimbriga desde os meus tempos de escola (ainda no começo da secundária...), Há uns bons quarenta anos. Sei porque razão é que isso nunca aconteceu. É um daqueles lugares que temos de lá ir de propósito e das várias visitas que fiz a Coimbra, nunca calhou (o comodismo é terrível...). E não está muito bem sinalizado. A meio do caminho desaparecem as placas e andamos um pouco entregues a nós próprios...


O outro lugar cheio de história que foi bom revisitar foi o Mosteiro da Batalha, que não visitava há mais de vinte anos (terei passado algumas vezes ao lado...). 
Toda aquela beleza arquitectónica, entre o gótico e o manuelino, desde os claustros às capelas e aos túmulos, sem esquecer o engenho de Afonso Domingues e de todos aqueles que estiveram envolvidos nesta obra grandiosa,  que tanto nos deve orgulhar, pelo beleza e pelo simbolismo.

Não menos importante foi os meus filhos terem gostado muito destes dois lugares, que lhes eram desconhecidos (para lá dos manuais escolares)...

segunda-feira, maio 18, 2015

Na Véspera do Dia dos Museus


Quando se festeja qualquer dia, há sempre aquela mania de dizer que se devia festejar todos os dias, etc.

Infelizmente com os Museus, tal não é possível. Há sempre uma dia que é melhor que os outros (aliás uma manhã...), o domingo, pelo menos nos museus que ainda nos oferecem uma "borla"...

Digo isso porque ontem fui barrado no Museu do Chiado, com o pedido de quatro euros e meio pela entrada.

Fiquei a saber que desde o Verão passado também se paga aos domingos neste museu (a excepção é o primeiro domingo de cada mês).

Por uma questão de bom senso (meu, claro) decidi esperar pelo primeiro domingo de Junho...

Mas o senhor da bilheteira disse-me que se lá fosse hoje deixava-me entrar de graça.

Não, não foi pelos meus "lindos olhos", mas apenas por hoje se comemorar o Dia Internacional dos Museus.

O óleo é de Chris Chapman (mas acho que não podem levar o cão...).

sexta-feira, setembro 19, 2014

Os Candeeiros e as Muletas do Seixal


O meu fascínio pelos candeeiros, fez com que não deixasse escapar uma das imagens de marca do Seixal, na minha passagem por esta Terra tão especial.

Para quem não consegue identificar as antigas embarcações de pesca (de arrasto), informo que se trata de Muletas, que surgem na parte superior dos candeeiros do chamado centro histórico - tal como os Corvos da Capital - e os tornam ainda mais especiais...

domingo, agosto 31, 2014

Amanhã já Não há Brinquedos...


O Museu do Brinquedo de Sintra abre hoje pela última vez ao público, depois do Município local deixar de subsidiar esta instituição.

Só espero que os proprietários deste espólio, com mais de 60 mil peças, chegue a acordo com a Câmara Municipal de Lisboa - ou com outra instituição Lisboeta -, para a sua instalação na Capital (num curto espaço de tempo) seja uma realidade, onde terá, sem qualquer dúvida, mais visibilidade e visitantes que em Sintra.

domingo, abril 06, 2014

A Lisboa Bairrista


A modernidade das cidades, pequenas e grandes, quase que roubou a identidade bairrista (e até alguma rivalidade, que alimentava o associativismo...).

Lisboa, apesar do seu ar moderno e cosmopolita, conseguiu manter de uma forma natural o seu outro lado - não menos atractivo -, antigo e castiço, que acaba por ser um dos seus cartões de visita mais apreciados para quem vem de fora.

Alfama continua a ser um dos lugares mais inspiradores para quem se perde pelas suas ruelas, até chegar ao Castelo, um dos muitos miradouros da Cidade Branca.

Uma viagem de eléctrico pelas suas colinas, é obrigatória (assim como de cacilheiro...), até por terem um preço módico...

Mas esta Lisboa  não é só Alfama ou o  Bairro Alto, é também a Mouraria, a Madragoa, a Bica, São Bento, a Graça, lugares que nos prendem muito mais que o olhar.

E como eu gosto de me "perder" por esta Lisboa sinuosa, cheia de curvas, de altos e baixos...

O óleo é de Alan Albegov.

sábado, agosto 10, 2013

Passar por Paris não é Conhecer Paris


A primeira vez que estive em Paris, tinha dezoito anos. Claro que esta viagem não  foi bem uma visita, pois estava em trânsito para a Alemanha, onde ia passar um mês de férias.

Nesses tempos  não tinha consciência de que de automóvel se atravessa, mas não se conhece a Terra, como muito bem disse Cesare Pavese.

Quando voltei a Paris, quatro anos depois (no inter-rail), não fiquei completamente satisfeito com os cinco dias que por lá passei, e no regresso a casa, voltei a parar por lá mais alguns dias. 

Posso dizer que nestas duas passagens, tive todo o tempo do mundo para olhar os lugares e as pessoas com olhos de ver...

Voltei mais duas vezes, em 1992, com a minha namorada, e em 2009, com a minha mulher (que curiosamente é a cara da minha namorada...) e os meus filhos.

Ainda não sei quando, mas prometo voltar um dia destes...

Como Hemingway escreveu: Paris é uma Festa.

domingo, junho 30, 2013

A Crise e a Cultura


Olhando para trás, desde que ouso pensar mais a sério nas coisas da Cultura (há pelo menos trinta e cinco anos...), sinto que nunca foi tão desvalorizado o trabalho dos criadores, seja nas Artes ou nas Letras.

Na minha opinião o facto de não termos um Ministro da Cultura, não é o problema maior. Podia haver uma secretaria de Estado e não existir o problema do desinvestimento em todos os sectores culturais. 

Há uma "cegueira" (e até em alguns casos perseguição, por a Cultura continuar a ser olhada como algo da esquerda...) que só prejudica o país. Qualquer pessoa com alguma inteligência percebe que o melhor "casamento" que poderá ser feito com o Turismo, será  através da Cultura. 

E nós sempre tivemos uma Cultura tão rica...

Penso que há sobretudo medo. Os agentes culturais têm ideias, têm opiniões, tresmalham do rebanho de "carneiros" que habita neste país. 

E isso assusta qualquer governo manipulador, repressivo e mentiroso.

O óleo é de Boiko Asparuhov.

sexta-feira, novembro 16, 2012

Memorial de Saramago


A Vitória de Saramago (e da Lingua Portuguesa)


«Foi com grande alegria que vimos José Saramago deixar o hall de entrada da sala, destinada aos eternos perdedores do Prémio Nobel da Literatura, com a serenidade que o caracteriza, depois de ser “Levantado do Chão” pela Real Academia Sueca da Língua.
O país voltou a sorrir de satisfação – e com a Expo 98 ainda tão perto na nossa memória... --, ao ponto de transformar a vitória de Saramago, num êxito de todos os portugueses. Foram erguidas bandeiras de Norte a Sul, levando bem alto “Todos os Nomes” deste escritor, digno herdeiro de Camões, Eça, Camilo, Pessoa, Aquilino e Torga. A Escandinávia dobrou pela primeira vez a coluna à língua portuguesa.
Depois de um longo “Ensaio Sobre a Cegueira”, acabou por reparar uma injustiça quase do tamanho deste século!... Embora Saramago seja um caso à parte, se fizermos uma “Viagem a Portugal”, encontramos uma mão cheia de poetas e ficcionistas que também poderiam ter sido inscritos nos “Apontamentos” da Academia Sueca. Quando dizemos que ele é um caso à parte, estamos a basear-nos num estranho casamento das Letras com Números que nos prova que Saramago é o escritor português vivo, mais conhecido e lido no mundo inteiro.
A sua obra literária é um manancial de estórias sobre a nossa História, “Deste Mundo e do Outro”, não sendo por isso de estranhar que alimente algumas polémicas. E quando se fala de coerência – uma palavra usada para dignificar Saramago e todos os seus camaradas que se mantém fiéis ao comunismo --, devemos fazer uma vénia ao Município de Mafra que continua a defender que “O Memorial do Convento” ofende o bom nome dos seus habitantes; e ao Papa, que  ao folhear “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, continua a perguntar a Deus com um olhar triste e angélico, “Que farei Com este Livro?”, por manterem vivas as suas opiniões divergentes em relação ao escritor.
Mesmo sabendo que este não é o melhor momento para falarmos da nossa taxa de analfabetismo, não devemos esconder a nossa triste realidade usando o Nobel da Literatura como peneira. Saramago sentiria, “Provavelmente Alegria”, se usássemos o seu Prémio para sensibilizar os portugueses a visitarem o campo aberto das letras, mostrando-lhes o poder da luz “Poética dos Cinco Sentidos” que nos ilumina nas nossas viagens deliciosas pelo interior dos livros.
E se nos fosse permitido sonhar, gostaríamos que o Nobel produzisse o mesmo êxito na Literatura que as medalhas milagrosas de Carlos Lopes e Rosa Mota obtiveram no Atletismo, fomentando de uma forma avassaladora a leitura nas escolas e nos lares portugueses, arrebatando toda “A Bagagem do Viajante” de Lanzarote e de outros grandes escritores.»

Texto escrito por mim após a atribuição do prémio Nobel a José Saramago e publicado no "O Scala", nº 8, Verão de 1998. É a minha homenagem ao grande escritor e até agora único nobel da Língua Portuguesa. O boneco é do Vasco.


segunda-feira, agosto 27, 2012

Absurdos ou Talvez Não...


Nós humanos sempre fomos demasiado controversos e perdulários em relação a tudo o que nos rodeia. Isso poderá explicar um pouco a preferência de tanta gente, em navegar no erro, muitas vezes apenas porque sim.
Este comportamento também explica, em parte, as razões pela qual nunca conseguimos perceber o verdadeiro sentido da palavra Liberdade. Talvez seja por isso que a utilizamos tantas vezes como "bóia de salvação" e também como "tampão" dos nossos erros...
Houve três acontecimentos esta semana (embora um deles, o mais grave em consequências trágicas, já venha de trás...), que marcaram a discussão pública, em todos os lugares, fazendo quase esquecer a "derrapagem do défice" do governo, quase...

A privatização da RTP  é, aparentemente, o caso mais absurdo, com a figurinha mais marciana do PSD, o Borges, a ser encarregado de lançar mais uma  "nuvem" de nada, ao colocar a possibilidade de se "oferecer" a televisão e a rádio pública, a quem quisesse, juntamente com os milhões da taxa que todos pagamos, metida na factura da electricidade. Esta é a forma mais usual de se conseguir obter algo, entendido até aí como inaceitável: lançar para a opinião público algo ainda mais absurdo e improvável.

Embora se tenha passado em Espanha, não consigo perceber como é que é possível receber a destruição de uma obra de arte do século XIX, por uma senhora idosa, que resolveu armar-se em "restauradora de arte" (perante o silêncio e a aceitação da comunidade religiosa local...) com sorrisos e participar na romaria que se criou à sua volta, como se fosse a coisa mais natural do mundo. 

O terceiro caso é o mais grave, porque fez várias vitimas nas últimas semanas, inclusive mortais. Refiro-me à manutenção de cães de raças perigosas e mortais, no espaço público.
É provável que a solução que preconizo para este problema seja radical, mas não encontro outra. Se eu não posso ter um leão ou um tigre em casa, os senhores que prolongam a sua virilidade, através destes animais, também não os podiam ter, muito menos na varanda do apartamento.
Estranho é o silêncio das associações de defesa de animais, que fazem manifestações junto às praças de touros, pelo comportamento bárbaro dos seus semelhantes, que se revém na chamada  "festa brava". Gostava de saber o que pensam do assunto e que soluções têm para nos oferecer.

De certeza que Liberdade não é delapidar o património do Estado - mesmo que seja realizada por um governo aparentemente democrático -, destruir Arte pública ou utilizar animais perigosos para satisfação do ego.

O óleo é de Nathan Durfee.

quarta-feira, maio 09, 2012

A Puberdade


O Parque das Caldas da Rainha tem uma bela colecção de esculturas da autoria de Simões de Almeida.

No domingo ainda dei lá uma saltada e parei na "Puberdade". Fiquei por ali, a olhar, para perceber até que ponto aquela imagem estaria bem representada.



Pensei que a Puberdade, embora seja uma palavra feminina, está longe de ser coisa apenas de meninas (eu que o diga que tenho um catraio com catorze anos em casa...).

Tirei alguns retratos, que reproduzo, apenas com uma certeza, o modelo feminino  reproduz de uma forma mais fiel, a "Puberdade"... 

segunda-feira, março 05, 2012

Ser ou não Descartável


Há muito tempo que não me sentia tão incomodado como hoje. 

Mas há sempre uma altura em que temos de dizer basta. Em que achamos que os outros ultrapassaram o limite do que achamos tolerável.

Acho que estamos como estamos como país, porque continuamos a ter demasiadas pessoas incompetentes em lugares importantes (começa logo no presidente da república...), e que por ignorância e vaidade, são capazes de fazer os maiores disparates e, infelizmente, raramente pagam pela sua ousadia.

Isso faz com que os maus exemplos proliferem um pouco por todo o lado e que existam por aí tantas pessoas capazes de delapidar o que é de todos, quase sempre por ignorância. Mais grave é quando o fazem nas costas de quem sabe e se preocupa pela preservação desse mesmo património, não sei se por despeito, medo ou por outra coisa qualquer.

Sei que deve ser difícil perceberem onde quero chegar, mas não acho importante ser mais concreto. Apenas queria dizer que há muito tempo que não questionava tanto tudo o que rodeia...

O óleo é de Mark Horst.