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terça-feira, julho 16, 2019

A Gente "Bipolar" dos Hospitais...


Sempre que vou a consultas ao hospital público (quase sempre como acompanhante...), espero no mínimo uma hora, em relação à hora previamente marcada.

Como sei que muitos dos médicos (e enfermeiros) do serviço público trabalham também no privado, faz-me confusão esta sua "bipolaridade", ou seja a habitual falta de respeito pelos utentes do Serviço Nacional de Saúde, no não cumprimento de horários. Algo que curiosamente não se passa nas clínicas da CUF ou da Luz, onde muitas vezes nem cinco minutos tenho de esperar. 

Parece que esta gente quando está no serviço público, só têm direitos, os deveres são só para os outros...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

terça-feira, julho 02, 2019

A Natureza Humana, entre Surpresas e Mistérios...


A natureza humana, continua a ser uma caixa de surpresas, povoada de mistérios que não são para se perceber, mas sim para se irem percebendo, mesmo que muitas vezes não se vá muito longe... 

Mistérios que se adensam, quando olhamos, por exemplo, para dois irmãos que são completamente diferentes, apesar de terem sido educados da mesma maneira...

Só não estava à espera que me oferecessem um exemplo tão extremo sobre as diferenças entre irmãos.

Embora crescessem no mesmo ambiente de violência doméstica, seguiram caminhos diferentes, pela vida fora. Um deles, nunca tocou com um dedo sequer na mulher, tomou as dores da mãe para si e soube sempre o que não queria fazer. O outro parece que preferiu a força do pai e transformou-se num monstro como o progenitor, além de bater na mulher, "sempre que ela estava a pedi-las" (a expressão é dele...) ameaçou-a uma vez, durante um jantar em família, que a matava, se alguma vez sonhasse que ela o traía...

O mais curioso, é que quem me contou isto foi o filho do "manso que saiu à mãe" (é assim que alguns tios falam dele, nas suas costas...). falou-me do orgulho que sente por ter um pai que aprendeu com as lágrimas e as marcas do corpo da mãe, que só os cobardes é que batem nas mulheres.

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, maio 06, 2019

Os Livros Mudam, Tal como Nós...


Resolvi reler o "1984" de George Orwell, devido a um trabalho colectivo em que estou a participar. 

Já o tinha lido há quase trinta anos, mas nós quando temos 20 anos não temos o mesmo olhar, nem a mesma linha de pensamento, de quando temos 50... Isso explica que não me lembre da sua leitura me ter despertado tantas questões (especialmente sobre o autor e a época em que foi escrito...), como agora. 

Nessa época devo-o ter lido como uma obra de ficção científica e não me preocupei muito com as questões ideológicas que lança (apesar do mundo não ter evoluído tanto - e ainda bem - para o tal tempo quase de sombras e fotocópias humanas...).

Nem sabia que tinha sido escrito pouco tempo depois da Segunda Guerra Mundial e publicado em 1949 (algo que nem me deve ter preocupado nos anos 1990...). Sabia apenas que Orwell era um escritor estranho, ou que, pelo menos tinha escrito dois livros distantes da normalidade (o nosso "Triunfo dos Porcos" também tem muito que se lhe diga...).

Não é difícil concluir que o autor conheceu de perto algumas das práticas dos partidos totalitários (além do nazismo que fora derrotado pouco antes de começar a escrever "1984", Orwell também  foi militante comunista, tendo abandonado a ideologia socialista, assim que teve conhecimento das atrocidades e da falta de liberdade dos países comunistas...).

Aliás, percebe-se que esta obra crítica sobretudo o ideário comunista, inspirando-se num centralismo de estado levado ao exagero, com a presença de uma grande opressão física e mental (não nos permitir pensar pela nossa cabeça nem ter qualquer relacionamento amoroso, tem muito que se lhe diga, mesmo muito...).

Sei que a popularidade do "big brother" televisivo fez com que algumas pessoas lessem este livro. Mas devem ter-se sentido enganados, pois além da proliferação das "teletelas" por todo o lado, não existe mais nada em comum...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, abril 29, 2019

Quando as Nuvens Querem ser Outra Coisa...


Agora que estamos com o Verão a piscar o olho a Maio, mas ainda não esquecemos, de todo, as nuvens, reparo muitas vezes (é, sou daqueles que ando muitas vezes pelas nuvens...), que elas tentam ser outra coisa, através das formas que conseguem transportar para dentro da nossa imaginação...

E há ainda outra coisa, a realidade nem sempre se deixar transportar para dentro das fotografias. 

Antes de "roubar" esta imagem ao céu, fiquei com a sensação de que estava na presença de alguém... Afinal, era mentira. São mesmo, apenas nuvens...

(Fotografia de Luís Eme - Beira Baixa)

terça-feira, agosto 21, 2018

O Surrealismo que Faz Bem à Vida...


Sei que os filmes são capazes de nos contar histórias mirabolantes sobre alguns homens normais, que quase passam por "super-homens", por meros acasos que lhes passam à sua frente e os obrigam a reagir, a fazer alguma coisa quase louca, por que não são muito de fugir dos problemas. Quanto muito, são mais de os ficar a ver passar...

Eduardo foi e é um desses homens.

Conheci-o hoje, juntamente com as suas histórias de vida, capazes de encher qualquer "jornal do incrível", apenas porque não é homem para fugir de uma aventura, mesmo que esta cheire a sarilhos.

Poderia muito bem ser um Fernão Mendes Pinto do século vinte, se  conseguisse e quisesse escrever os acasos que o levaram do Brasil ao Japão, com paragens, em mais uma dúzia de países, com tradições e hábitos estranhos, que só se conseguem aceitar, quando se tem uma filosofia de vida especial... 

E sim, sempre gostou do surrealismo, porque a vida dos "certinhos" era demasiado estúpida... e sem precisar de coçar o rabo nas cadeiras do mítico "Café Gelo", porque havia meia dúzia de tabernas, bem mais instrutivas que os cafés, que também serviam leitinho. Ou seja,  havia muito mais surrealistas em Lisboa, que os do costume. Gente que fazia questão de estar fora do "circuito artístico".

Não se lembra de se ter cruzado com o Cesariny, o O'Neill ou o Lisboa, mas bebeu tintos com o Gancho, o Forte, o Sampaio ou o Verne.

Quando lhe tentam chamar "herói" ele defende-se com o seu metro e sessenta e os seus cinquenta quilos. Acrescentando que o segredo da sua sobrevivência, deve-se à sua aparente fragilidade física. Sorri, quando conta que ninguém queria perder tempo com uma amostra de gente...

Depois caminhamos como se acabássemos de sair de uma sala de cinema, daquelas com mais "piolho" que pipoca... com muita vontade de pensar e de escrever coisas...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, agosto 04, 2018

Olhares Diferentes, à Esquerda e à Direita...


Estava de férias quando rebentou o "escândalo Robles", que foi muito bem encenado, ao ponto de levar o vereador do BE da Câmara de Lisboa a pedir a demissão.

Não vou colocar-me no meio da questão, mesmo sabendo que Ricardo Robles não cometeu nenhum crime, nem se apropriou de nenhum bem público, como fazem tantos políticos de Norte a Sul, segundo as notícias. Teve sim, um comportamento eticamente reprovável. Mas não é sobre isso que me interessa escrever.

Quero escrever sim sobre o preconceito que existe, especialmente na comunicação social, que tem o prazer,  cada vez menos secreto, de tratar os políticos de direita e de esquerda, de maneira diferente. Se aos primeiros quase tudo é permitido, como se já nascessem "aldrabões" e "corruptos", aos segundos, assim que se sabe que têm qualquer bem que os afasta da "classe operária" (às vezes basta um carro ou uma casa mais vistosa...), cria-e logo um "caso"...

Isto é de tal forma ridículo, que há mesmo quem pense que todos aqueles que defendem a igualdade e a justiça social, deviam ser obrigados a repartir os seus bens para com os "pobrezinhos". Ou seja, o facto de se defender uma sociedade mais igualitária e mais justa, faz com que não se possa ser livre de utilizar o dinheiro que se ganha, honestamente, como muito bem se entende.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, junho 05, 2018

A Meritocracia é uma "Treta"


Há muito boa gente que gosta de falar da meritocracia, como se esta fosse uma realidade do nosso país. Mas todos sabemos que nem precisamos de fazer muitas contas de cabeça, para recordarmos exemplos de que não passa de uma "treta", ou de um "tapa-olhos", para quem anda distraído.

Tanto no sector público como no sector privado da nossa sociedade, não faltam exemplos de gente que ascende a altos cargos, sem terem a qualidade que lhes deveria ser exigida. E muitas vezes utilizando os outros como "tranpolim"...

Claro que não estou a falar dos gestores, peritos em destruir empresas públicas, até porque podem ter sido escolhidos exactamente para esse fim...

Não deixa de ser curioso que o futebol (dá para tudo...)  também funcione como uma boa metáfora da "meritocracia". Digo isto porque uma das coisas mais curiosas que verifiquei neste defeso, foi o facto dos dois técnicos que desceram de divisão (Ivo Vieira no Estoril e João Henriques no Paços de Ferreira) já terem sido contratados por duas equipas da Primeira Liga (Moreirense e Santa Clara)...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, março 15, 2018

Este Mistério que é Viver...


Não escrevi nada ontem, mas pensei no exemplo de um homem especial, como foi Stephen Hawking, que viveu praticamente os últimos cinquenta anos de vida, confinado a uma cadeira de rodas, e cada vez mais limitado de movimentos (a doença degenerativa de que padecia afecta sobretudo os músculos...), inclusive da expressão vocal.

Foi isso que fez com que usasse mais o cérebro que todos nós, tal como a "sentença de morte" ditada pela medicina (no começo da sua idade adulta davam-lhe no máximo mais cinco anos de vida...). O facto de ser uma pessoa optimista e com sentido de humor (todos os que o conheceram revelam esta sua faceta...) também deve ter ajudado, e muito...

Quando ele disse, «tentei fazer bom uso do meu tempo», ofereceu-nos um dos melhores conselhos, que alguém poderia dar. Porque cada vez temos mais dificuldades em seguir este bom princípio...

Escolhi este título, porque tenho vários amigos que já passaram - ou estão a passar a "barreira" dos oitenta -, e sinto que à medida que o tempo vai passando, mais eles se agarram à vida. Tentam deitar as múltiplas mazelas para trás das costas e aproveitar as coisas boas que a vida ainda lhes consegue oferecer...

Foi por eles e pelo Stephen, que escolhi o título, "Este Mistério que é Viver"...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, janeiro 30, 2018

Os "Excelentíssimos" Fiscais...


Os fiscais dos transportes de Almada (especialmente os do "metro"...), têm qualquer coisa de "passadista" (também pode ser de "salazarista"), na forma como olham e como falam com os utentes.

Por vezes fazem mesmo uma autêntica "espera" às pessoas que saem do transporte nas estações, barrando-lhes o caminho, para lhes pedir o passe ou um título válido da viagem, provocando a indignação da maior parte das pessoas, que acham que as estações já são campos de liberdade...

Já fiz mais que uma vez  orelhas moucas conseguindo pôr os fiscais a correr atrás de mim, com a tal "cara" passadista. Faço-me desentendido e "surdo", mostrando-lhes o passe, sem dizer qualquer palavra. Ficam desconfiados, sem perceber que faço aquilo graças à sua "actuação pública", que faz com que me apeteça "transgredir"...

Aquilo que recordo mais parecido com a acção destes "excelentíssimos" fiscais, é o impagável guarda do Parque das Caldas, coxo, que, munido do seu apito, parecia um árbitro num campo de futebol, mal pisávamos a relva...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, outubro 27, 2017

Curiosamente, as Uniões não Vivem só de Amor (e ainda bem)...

São um homem e uma mulher, tanto um como o outro com quase meio século de vida.

Ainda não sabem muito bem se foram salvos... sabem apenas que a filha de nove anos foi, e continua ser, a sua aparente salvação.

Toxicodependentes, uniram-se pela droga, sem pensar em histórias de amor, ou de outra coisa qualquer. Sentiam-se mais seguros juntos. Mas numa noite mais fria que as outras, embrulharam-se um no outro. E distraídos, fizeram a Catarina.

Quando a mulher soube que estava grávida, ficou surpreendida e também contente, embora o escondesse. O companheiro de aventuras, quando soube da novidade, não quis acreditar, eles conseguiam lá fazer um filho... Mas conseguiram. Também gostou da ideia. As famílias com medo que eles trouxessem ao mundo mais uma criança deformada, a primeira coisa em que falaram foi de abortos. 

Ela desolada preferiu desaparecer de circulação. Entretanto foi ao centro de saúde e contou com a solidariedade e a amizade de uma enfermeira, que lhe pediu que aparecesse por lá todas as semanas. A muito custo deixou de consumir, porque, sabe-se lá porquê (claro que se sabe, por amor...), quis muito ter um filho, que seria uma filha quase nove meses depois.

O companheiro também fez um esforço para deixar de consumir e começou a trabalhar. Entre meia dúzia de recaídas, lá se conseguiu recompor, talvez também a querer ser um bom pai.

A Catarina nasceu um pouco antes do tempo, perfeitinha. Os únicos problemas que teve foram a nível respiratório (a asma permanece, mas já se habituou à tosse e aos espirros...), de resto tem dois pais que a amam, que se tornaram um casal por um desses acasos que às vezes aparecem nos livros e nos filmes, mas que não fazem mais que retratar a vida...

(Fotografia de Ferdinando Scianna)

segunda-feira, junho 05, 2017

Setenta e Nove...

Porque é que alguém começa a fumar aos setenta e nove anos?

Por uma razão demasiado óbvia: acredita na publicidade impressa nos maços.

Todos eles dizem que os cigarros matam. E é normal que alguma gente com uma idade já quase avançada,  um pouco farta de viver, faça também um manguito à vida quase saudável. 

Quando se está farto de andar para trás e para a frente e não se tem coragem de acabar tudo em segundos, com um tiro na carola ou com a suspensão do corpo, preso pelo pescoço a uma corda, fumar pode ser uma boa alternativa...

E com um pouco de sorte aprende-se a gostar de fabricar nuvens de fumo e a ter um hálito apropriado para quem já não faz linguados... 

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, maio 19, 2017

A Mulher que é Sempre Notícia no Bairro...

A tua janela nunca se abre.

É como o teu rosto, que já se deve ter esquecido do que é sorrir.

Quem pensa que te conhece, conta uma história. Fala de várias coisas que acabam sempre com um amor não correspondido.

Outras mulheres, do grupo raro que ainda conversa na mercearia, vão ainda mais longe, acrescentam à tua mágoa, um filho perdido.

Comentam também a tua magreza. Umas falam de fome, outras de ausência de apetite, e as que lêem revistas com ficções, de anorexia.

A única coisa que não consegues é ser invisível.

Seja pela janela que nunca se abre, pelo teu rosto fechado, por um amor não correspondido, pela mágoa de um filho perdido ou pela magreza, és sempre notícia no bairro...

(Fotografia de Judy Linn - Patti Smith)

segunda-feira, dezembro 12, 2016

Quando o Talvez fica "Tatuado" nas Frases...


Não sei, não estou muito preocupado em entender, menos ainda em explicar.

Talvez sejam tempos, modas, vaidades, insistiu ela.

Talvez é aquela palavra que dá para todas as respostas, consegue ficar entre o sim e o não, mas ao contrário de outras, deixa sempre uma réstia de esperança...

Ela assumiu que gosta de algumas, do género flores perto do pé ou outras coisas assim pequeninas em sítios inesperados. Já esteve tentada em fazer uma, num local quase secreto.

Sorri por o corpo dela ainda ter lugares secretos, depois dos quarenta. Quis descodificar o meu sorriso e eu falei do 007 e de outras coisas de livros e filmes. 

Insistiu e disse que como tinha sido marinheiro devia ter algo num dos braços. Voltei a sorrir, sem vontade de lhe mostrar os braços, para que ela conferisse que não tinha nenhum coração com "amor de mãe" ou uma "âncora" como alguém aparentado do Popeye.

(Fotografia de Robert Doisneau)

quarta-feira, novembro 09, 2016

Ora Aqui Está uma Quarta-Feira, Farta em Conversas e Emoções...


Ao cair da noite de ontem fomos surpreendidos pela notícia inesperada da rendição às autoridades de Pedro Dias, conhecido como o "Piloto", o suspeito de dois homicídios que andava a monte há quatro semanas.

E para colocar os especialistas do crime da TVI e CM a "roerem meias de sem abrigo", teve ainda a  lata de oferecer o exclusivo da sua entrega à RTP.

Apesar de se ter tornado quase num "herói" cinéfilo de filmes de acção (provavelmente sem ter saído muitas vezes do "quentinho" de algum lar amigo...), e ser suspeito de todas as peripécias que aconteceram por aqueles lados e descoberto por essa Europa fora, não consigo sentir qualquer simpatia pela personagem.

Compreendo o seu medo de ser apanhado pela GNR e fico à espera das "versões" que se seguem (ele para já diz-se inocente...), em mais uma daquelas "séries" que prometem durar várias temporadas...

Ao começo da manhã outra surpresa (pelo menos para mim...), a vitória de Donald Trump nas presidenciais americanas. A primeira coisa que me apetece dizer é que os americanos só têm o que merecem, que foi nada mais nada menos que aquilo que a maioria dos votantes escolheram.

Claro que gostava de ser surpreendido pela positiva, perceber que afinal ele não é tão "maluquinho" como gosta de mostrar na televisão e descobrir alguém mais inteligente e sensato que o último presidente eleito pelos republicanos...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, outubro 16, 2016

Esfregar Escadas e Escrever Poesia...


Fiquei mais alegre que surpreso, quando me disseram que a Cristina escrevia poesia e até já tinha um livro publicado.

Sei que se pode escrever poesia alimentada por estes tempos cruéis, em que qualquer emprego, por mais insignificante que seja, tem filas de pessoas à espera. A senhora "cunha" voltou a ser importante. Há até quem sonhe trabalhar como varredor de rua (é a forma que encontram de entrar para a função pública, esquecidos que já não é trabalho para toda a vida...) e há quem se ofereça para esfregar escadas, passar a ferro, entre outras actividades domésticas...

Ainda não sei qual a melhor forma de lhe dizer que quero um livro. Por saber que isso implica uma conversa com perguntas. Sim, quero saber coisas. Que tenha escondido tudo isto das pessoas, é compreensível (os poetas continuam a ser os mal amados da literatura...), mas quero saber de onde vem a sua poesia, se consegue fugir dos seus dramas pessoais ou não...

Sim dramas, há uma dor que ela não consegue esconder e aparece aqui e ali no seu olhar. Mas como eu tenho a mania de esperar que me contem as suas histórias, continuo aqui sentado. 

Mudando de "poesia", noto que sempre senti mais curiosidade pelas coisas colectivas e públicas, que pelas privadas. Nos meus tempos de jornalista sabia que havia uma linha que não era para passar (essa mesma que se tornou banal e que agora quase todos passam...).

Há também um mistério que gosto que se mantenha nas pessoas. Talvez isso tenha a ver com o meu gosto de "imaginar", de criar histórias...

(Óleo de Naliwajko Marzena)

segunda-feira, outubro 03, 2016

O Poder e as Mulheres Pouco "Kristalinas"...


Penso que poucas pessoas têm dúvidas que um dos espaços que acolhe mais oportunistas por metro quadrado são as instituições partidárias. Isso acontece porque a sua especialidade principal é distribuir cargos bem remunerados pela gente da sua "confiança" (por mais incompetentes ou medíocres que sejam...).

É por isso que é possível encontrar nestas estruturas, entre outras coisas, "porcos ciclistas" ou "elefantes equilibristas".

Normalmente nada se estranha neste mundo, entranha-se.  O que acaba por explicar a "aparição misteriosa", quase no último minuto, da búlgara Kristalina, na luta pelo cargo de Secretário Geral da ONU.

Não sei quantas mulheres estarão felizes com esta oportunidade de existir pela primeira vez uma "Secretária Geral da ONU", calculo que muitas.

Eu também ficaria feliz se a senhora Kristalina (tal como a sua madrinha Merkl...) fosse de facto uma mulher, com a beleza, a sensibilidade e a personalidade feminina bem vincadas, e não mais um daqueles exemplares saídos dos primórdios do feminismo, que não passam de mais uma "cópia de homens". Eu pelo menos quando olho para elas, sinto que para além de algumas diferenças físicas evidentes, a sua maneira de vestir e de estar, se identifica sobretudo com o "mundo dos homens" e não com o "mundo feminino".

(Fotografia de Terry O'Neil)

quarta-feira, julho 06, 2016

Sem um País, Sem uma Cidade...

Podes vir de um outro continente e nunca te habituares a ser europeu. Ou pior ainda, nunca quereres ser isso, mesmo que te deixes enganar pelas vantagens que o passaporte trás.  Até porque Paris Londres ou Berlim, ficam quase ali, depois do virar da esquina...

Quando lhe falei destas portas abertas, desculpou-se com a nossa humanidade, de todos nascermos interesseiros, mesmo que seja por uma mera questão de sobrevivência. As contradições ficam num outro departamento, explicou-me ela. Distantes do leite materno do biberão ou de uma simples sopa (sim dessa para pobres...).

Fomos andando e ela confessou ser alheia às bandeiras e os cachecóis que as pessoas usam, muito menos percebe toda a exaltação provocada pelo futebol. Talvez por nunca ter conseguido compreender a graça de ficar a ver vinte e dois homens a correrem atrás de uma bola, capazes de empurrarem e de se pontapearem para a conseguirem meter dentro das redes. Talvez porque há coisas que não se explicam, sentem-se, pensei eu, sem tentar sequer fazer desenhos...

Mesmo dentro da Cidade que escolheu para viver é sempre estrangeira,  não consegue sentir nada como seu, nem mesmo o pequeno apartamento onde vive há mais de meia-dúzia de anos. Não culpa ninguém, sabe que é um problema apenas dela. 

O mais curioso é afirmar conhecer a única solução para os seus problemas: voltar de onde teve de fugir e para onde continuam a ir todos os sonhos...

(Óleo de Per Krohg)

sexta-feira, julho 01, 2016

A Noite e o Dia em Julho...

A noite para mim é quase como o mar. Por muito que goste das suas ondas e seja capaz de nadar até deixar de me apetecer ser "barco",  como se fizesse a travessia da Trafaria a Belém, acabo por me lembrar sempre que não tenho guelras nem pés de pato...

Não gosto de vestir roupa que brilha com as luzes, muito menos de me transformar numa personagem pedida de empréstimo a qualquer filme negro. Muito menos ofereço ilusões com o olhar e meia dúzia de palavras. 

O mais curioso é que às vezes apetece-me fumar e fazer um daqueles exercícios em que se finge conseguir levar o fumo até perto das estrelas. Outras fico indeciso, sem saber se devo beber, ou não, uma das muitas bebidas que nos convidam à loucura...

Mas como isso também me acontece em plena luz do dia, quando os fumadores fazem mais uma pausa no pátio ou mesmo na rua e me apetece "ser do clube". Sei que a rua é sempre mais divertida que o local de trabalho. 

Só não consigo me afogar num bagaço antes de entrar ao serviço, chamando-lhe "mata-bicho"... Muito menos, beber por beber, só para baralhar o fígado.

Talvez a noite seja grande, seja quase um mar, mas não se compara em beleza com o dia...

(Fotografia de Yale Joel)

quinta-feira, junho 30, 2016

O Futebol é Outra Coisa...


Não sei se Portugal vai ganhar à Polónia. E não estou muito preocupado com isso.

Começou o prolongamento e tanto uma equipa como outra, coitadinhas. Mas só uma é que pode perder...

O que me irrita é como jogadores que até sabem tratar a bola por tu, de repente parece que perderam o talento andam ali no relvado a fazer outra coisa, a jogar ao jogo do seleccionador.

O senhor além de não gostar de colocar os melhores jogadores em campo, aposta num futebol sem ligação, entre a defesa, o meio-campo e o ataque, e depois fica à espera da sorte, que por acaso não lhe tem sido madrasta. Talvez que a sua maior virtude seja rezar aos "santinhos".

É por isso que pergunto: como é que é possível, nós que hoje somos reconhecidos como uma potência na formação de treinadores, termos um técnico de selecção tão fraquinho?

Fernando Santos até pode ser Campeão da Europa, mas será sempre um treinador vulgar. E é uma pena que consiga transformar bons jogadores em futebolistas vulgares.

Adenda: Portugal ganhou no desempate por grandes penalidades. Claro que não retiro uma virgula do que escrevi.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, março 15, 2016

Proibido Andar Sobre a Relva


Hoje comprei por dois euros o livro, "Proibido Andar Sobre a Relva", de Ferro Rodrigues. Embora não esteja datado (há muitos livros mais antigos que não têm qualquer data da sua edição...), pesquisei e descobri que era de 1966.

Comprei-o sobretudo pelo título. Já em casa acabei por ter uma segunda surpresa, o livro nunca tinha sido lido, continuava "virgem", à espera que alguém lhe abrisse as suas páginas...

Não deixa de ser curioso, que um livro com praticamente cinquenta anos de vida, com as suas páginas amarelecidas, tenha passado  todo este tempo a "dormir" em qualquer estante, sem que ninguém sentisse curiosidade pelo título ou pela própria capa.

Prometo lê-lo com alguma brevidade (vai ultrapassar uma montanha de livros que esperam e desesperam por quem os folheei com entusiasmo...). Talvez já em Abril.