domingo, fevereiro 25, 2018

De Telheiras ao Cais da Ribeira...

Há sempre dois ou três pormenores à beira-rio, aos quais raramente damos atenção.

Uns mais banais que outros, como acontece por exemplo com os nomes dos cais de atracação das embarcações fluviais de transporte. 


Não foi por acaso que escolhi dois dos cais de Cacilheiros. Sinto que eles continuam a ser as barcas mais apelativas, pela cor, pela história e pela agradável travessia do Tejo (curta mas deliciosa).

(Fotografias de Luís Eme)

sábado, fevereiro 24, 2018

Ilusões, Cambalhotas e Mentiras...

Se há classe de quem se pode esperar quase tudo, é a dos políticos.

É por isso que nem estranho as palavras ditas hoje por Assunção Cristas, líder do CDS:

«Queremos um CDS que já não é visto como partido 'dos ricos', 'dos patrões' ou 'dos quadros', mas é o partido de todos, de todas as idades, homens e mulheres, rapazes e raparigas, que valorizam mais o trabalho, o mérito, as ideias, o afinco, a credibilidade, e, sobretudo, a imaginação, a força criativa e o entusiamo.»

Mas não deixa de ser curioso, todo este "esvaziamento" ideológico coincidir com mais uma "crise existencial" do PSD...

Percebe-se, que se der votos, o CDS até volta a ser um partido democrata, a caminho do socialismo, como aconteceu em 1974 e 1975...

A luta pelo poder faz com que os políticos utilizem todas as armas, assim com todos os números de circo, mesmo aqueles que agora são proibidos, que metem tigres e leões (que agora são mais PSD)...

(Fotografia de Luís Eme) 

sexta-feira, fevereiro 23, 2018

Um Novo Animal Doméstico...


As gaivotas estão cada vez mais próximas de nós.

Parecem querer ter o mesmo estatuto dos pombos e transformarem-se em aves urbanas e não marítimas.


Talvez seja uma questão de sobrevivência. Um bom exemplo é esta imagem que registei hoje em Almada...

(Fotografias de Luís Eme)

quarta-feira, fevereiro 21, 2018

Estás a Fugir para Onde, Democracia?

O que se está a passar no Sporting e no PSD são apenas dois bons exemplos de que a democracia já deixou de ser o que era, e há já algum tempo.

Não vale a pena estar a culpar os EUA e o Trump, porque os nossos problemas ainda não são os deles. Por muito que gostemos de andar em rebanho e de ficar à espera que os outros decidam por nós, ainda não chegámos à América.

Mas é triste quando um dirigente desportivo acha que deve decidir quais os jornais que devemos ler, ou a televisão e rádio que devemos ver e ouvir. E ainda é mais triste, se há uma ou duas pessoas que fazem o que ele quer...

No PSD, embora as coisas se passem de uma forma diferente, todos sabemos que a democracia não é aquilo. Percebe-se à légua que a minoria não aceitou e não consegue respeitar a escolha da maioria dos militantes. E ainda antes do seu presidente começar a trabalhar, os jogos de bastidores já se iniciaram, com o objectivo de "minar" o caminho do novo líder. Mas não deixa de ser triste, que os social-democratas em vez de fazerem oposição à verdadeira oposição política, combatam o próprio partido. 

Quem deve esfregar as mãos de contente com este cenário é uma tal Cristas... (da mesma forma que o Benfica e o seu presidente também devem estar muito agradecidos ao líder dos rivais).

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, fevereiro 20, 2018

Quando Ser ou não Ser, Deixa de ser a Questão...


Uma das melhores respostas à entrevista de Adolfo Mesquita Nunes, no "Expresso", em que ele tenta dizer, com a maior naturalidade, e quase sem palavras, que é gay. foi a crónica de António Guerreiro publicada no "Ipsilon" de sexta-feira.

E António começa o seu texto da melhor maneira: «Se eu fosse paneleiro - na verdade, ninguém pode garantir que eu não seja, não tenha sido ou não venha a ser - e ocupasse um cargo político nunca aceitaria o protocolo da confissão, dizer o que é se é àqueles que não o são. Não para manter o "segredo", mas para não me submeter à regra da autenticação pelo discurso da verdade, tão aplaudido pelos que acham que a sua verdade é diariamente autenticada pelas evidências.»

No nosso país (e no mundo...) há três formas de se viver a sexualidade das minorias: esconder e fingir que gostamos das mesmas coisas que os outros (a norma, pelo menos das figuras públicas...); publicitar, algo de novo e "moderno", ideal para quem gosta de ser notícia de jornal; e por último aquela que eu acho que deveria ser a mais normal, aceitar e viver com naturalidade, sem ter de dar explicações ou justificar o que quer que seja, neste campo.

Quem gosta muito deste tipo de notícias é a comunicação social (e a gente que as lê avidamente, que têm menos de "metro e meio de altura"...), especialmente as revistas e jornais que gostam de dar informação ao jeito de folhetins de novelas. Não foi por acaso que na última semana tanto se escreveu sobre o casamento de uma directora de programas televisivos, quase balzaquiana, com uma actriz de telenovelas, quase menina... Claro que se falou porque elas quiseram ser notícia, quiseram publicitar a diferença (há pelo menos duas razões para isso acontecer; quererem acabar com os cochichos e com os olhares de lado dos outros, por onde quer que elas passam; ou querer ter um casamento badalado nos jornais e revistas...).

Sei o que é isso, porque embora não frequente os lugares da moda, tive conversas mais que suficientes com pessoas que sempre quer podiam apontavam o dedo e diziam: «fulano tal é paneleiro, vive com o Manuel daquela loja de roupa esquisita, mas é um gajo porreiro.»

Vou continuar com António Guerreiro para chegar ao ponto que quero discutir: «Se eu fosse paneleiro e político - malditos pês, que afluem como em hora de ponta, salvo seja - ficaria sempre calado para não ser transformado num estereótipo do homossexual de Estado, a não ser que aspirasse precisamente a esta condição.»

Como não acho que a classe política seja de confiança, esta modernice (especialmente por vir do nosso partido mais conservador...), pode também ser estratégica. O CDS pode querer dizer ao eleitorado do centro-direita, que já não é um partido conservador e tem as portas abertas a todos os liberais do PSD, que não gostam da social-democracia, que parece estar de regresso a este partido.

Claro que - excepto a meia-dúzia de amigos mais próximos do dirigente centrista - nunca iremos saber, até que ponto Adolfo foi genuíno, ou não. Foi também por isso que me apeteceu escrever este texto...

(Óleo de Laurits Tuxen)

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Este Podia ser o Meu Moinho Azul...

Na minha fase pré-adulta cheguei a ter o sonho de alugar um dos moinhos que um dos meus tios tinha recuperado. Como nessa altura era, entre outras coisas, aprendiz de ofsett, até me fizeram uns cartões de visita, com a morada do meu "moinho azul" (não sei onde estão, nunca mais os vi)...

Claro que a vida deu uma data de voltas e nunca cheguei sequer a passar férias no moinho...

Este moinho da fotografia, fica aqui na Margem Sul, num terreno aparentemente agrícola, que nem faço ideia de quem é o dono, com uma vista fabulosa, para o melhor rio do mundo, e claro a Lisboa já mais ocidental, a caminho de Belém e Algés.

E podia muito bem ser o tal "moinho azul" dos meus sonhos de quase menino...

(Fotografia de Luis Eme)

domingo, fevereiro 18, 2018

"O Senhor Camões" (e "Camões")...

Porque hoje é domingo, publico por aqui a fotografia "Camões" (do Largo dos Poetas - dividi a minha exposição "Arte com História e com Gente" em "cinco largos"...) e o poema "Senhor Camões" do caderno "Praça Miguel Bombarda".

o senhor camões

olham-no em desafio
perguntam-lhe pela pala
e também pela leonor
como se este fosse
o seu único amor

sem dizer uma palavra
volta ao quarto irritado

e quando regressa
além de trazer a pala
parece um autêntico “trinca fortes”
vestido de calções
com collans por baixo
e um casaco cheio de botões

e agora sim,
já podem começar o recital
que tanta alegria
transmite aos doentes
à praça e ao hospital

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, fevereiro 17, 2018

"O Senhor Amadeo" (e um "Convite" Especial...)

Hoje é dia da poesia e da fotografia nos meus blogues e na sede da SCALA, em Almada (a partir das 16 horas).

É também por isso que publico, com todo o gosto, um poema do meu caderno, "Praça Miguel Bombarda", e uma fotografia da minha exposição, "Arte com História e com Gente", no "Largo", no "Casario, "Nas Viagens" e na "Carroça" (aqui a fotografia foi substituída pela capa).

Por este ser o meu blogue mais mediático, escolhi uma fotografia, que pode entrar com facilidade na lista da "arte proibida" feita por pessoas que usam saias abaixo do joelho e cuecas de gola alta (homens e mulheres...) e que felizmente embeleza os museus de quase toda a parte (esta está no exterior do Museu do Chiado).

E foi a pensar na onde de puritanismo que nos rodeia que lhe dei o nome, "Convite"... E tem a companhia do poema "O Senhor Amadeo", que é uma homenagem a todos os artistas plásticos, de todos os tempos.


o senhor amadeo

escreve versos com cores
diz que é poeta de mão cheia
e de uns tantos amores

alguns dos companheiros
olham para os seus quadros
quase sempre espantados
não conseguem perceber
muito bem a sua linguagem
o que ele lhes quer dizer

amadeo não fica incomodado
diz apenas que é modernista
prefere a cor as formas
às fotografias pintadas
e se quiserem até lhe podem
chamar fantasista
ou até ilusionista

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, fevereiro 16, 2018

Ser Poeta é...

Eu sabia que esta coisa de se ser poeta, pode ser muitas coisas.

Há dias fiquei a saber que não era só o meu professor de português, desengonçado e balofo, que gostava de espalhar na sala de aulas a frase de que todas as mulheres são bonitas, armado em poeta. Pobre homem, que não sabia diferenciar um poeta de um mentiroso.

Assisti ao mesmo "filme", há alguns dias. Sorri pela lata do "poeta" que espalhava a mesma frase, talvez desta vez com um segundo interesse. Sim, podia andar em busca de alguma feia, que fosse dona de uma beleza interior estonteante...

Pensei que uma das coisas mais difíceis de definir, é de facto, o que é ser poeta. Acho que isso acontece por que há mais que uma forma de ser poeta e de escrever poesia.

E claro que não estou a pensar nos fulanos que insistem em não tomar banho e não mudar de roupa durante longas temporadas. Isso transforma-os mais em "porcos" que em poetas.

A poesia é quase sempre um jogo de palavras, e somos melhor ou piores poetas, pela nossa capacidade de de lhe oferecermos novos significados e significandos (sim, também há algo de matemático no jogo...), "amarrotando-as" ou "embelezando-as", fazendo com que sejam, pelo menos, uma coisa diferente, capaz de furar a banalidade dos nossos dias.

E sim, o poeta é capaz de ver, o que mais ninguém vê, e depois fazer a sua descrição...

(Fotografia de Paolo Bossi)

quinta-feira, fevereiro 15, 2018

«Anda a ver se engana mais alguém só com o embrulho.»


Não me lembro de quando ouvi pela primeira vez uma frase explicativa de que as mulheres são as piores inimigas delas próprias. Devia ser ainda pequenote...

À medida que fui crescendo percebi que era mesmo assim. As relações entre mulheres têm quase sempre mais hipocrisia e cinismo que as entre os homens, parece que estão sempre em competição umas com as outras, por qualquer coisa... 

Ontem fiquei quase a sorrir com a expressão usada por uma mulher, na mesa ao lado da minha do café, sobre outra mulher, quase deslumbrante, que se preparava para ir à sua vida. Usei logo um guardanapo de papel-bíblia, para não a esquecer.

Quando ela disse, «anda a ver se engana mais alguém só com embrulho», ainda fui a tempo de reparar na pernas da mulher, realçadas com o belo sapato de salto alto, assim como dos seus cabelos lustrosos, escuros, num silhueta prometedora. Só não lhe vi o rosto... 

Ainda pensei, a sorrir para os meus botões, que devia ser sempre com mulheres daquelas, que os homens deviam ser enganados...

(fotografia de Brassai)

quarta-feira, fevereiro 14, 2018

Quando a Literatura era Masculina...


O desaparecimento de Natália Nunes, fez com que pensasse na sua generosidade, pois foi mais uma escritora que se deixou secundar pelo talento do marido, o poeta António Gedeão. Poderia falar também de Maria Judite de Carvalho, que ofereceu quase todo o palco literário a Urbano Tavares Rodrigues. Haverá mais alguns casos, praticamente todos com o mesmo final... num tempo em não era apenas a rua que pertencia aos homens.

Sim, embora a literatura fosse do género feminino, as mulheres quase que serviam apenas de "decoração", numa sociedade masculina e machista.

Felizmente hoje as coisas  são diferentes, o talento é muito mais importante que o género, em quase todas as áreas da sociedade (talvez a política continue a ser a área menos receptiva à mudança...). 

(Óleo de Louis Buisseret)

terça-feira, fevereiro 13, 2018

Parque da Paz

Se há um lugar em Almada, que me enche de orgulho, é o Parque da Paz, o pulmão verde da Cidade, que vi nascer, crescer e tornar-se um lugar aprazível, para todos os que gostam do contacto com a natureza. Podemos andar, correr ou ficar por ali, parados, na relva ou nos bancos, a ver o tempo passar...


E sim, é uma das boas Conquistas de Abril e do Poder Local. Sem sombra de dúvida.

(Fotografias de Luís Eme - frescas, de hoje de manhã)