sexta-feira, janeiro 28, 2022

A Transformação de Rio em quase "Marionete"...


Não estava a pensar escrever tanto sobre as eleições e os candidatos, mas esta campanha é aquela em que notei mais "transfigurações" pessoais, ao ponto de quase fingirem, serem "outro candidato", da noite para o dia.

A maior de todas estas mudanças é a de Rui Rio. O social democrata, a espaços radical, que sempre se manteve fiel às suas convicções e teimosias, é um "candidato novo" (o que as agências de comunicação conseguem fazer...), até passa o tempo a sorrir e dizer piadas, ao mesmo tempo que evita falar de tudo aquilo que gosta, sempre de dedo em riste (gosta muito de apontar o dedinho aos outros...). Nem sequer se queixa dos jornalistas - eram um dos seus alvos predilectos mas agora até fingem gostar mais dele que do Costa -, muito menos das sondagens (das últimas, claro).

Por saber que esta é a sua derradeira oportunidade de ser primeiro-ministro (talvez  seja mesmo um sonho de menino, o sonho de uma vida...), tem feito um esforço inimaginável para "ser outra pessoa", escondendo o homem "que tem sempre razão e está sempre certo", e onde o bom senso sempre foi uma coisa escassa (basta recordar a "perseguição" que fez aos agentes culturais da sua Cidade, assim como ao seu maior emblema, o FC Porto).

Esta quase transformação de Rio em "marionete", sem dizer uma palavra sobre as reformas que o país antes precisa que ele soltava a "sete ventos", disparando em todas as direcções, especialmente na justiça (e com razão... mas a razão não ganha eleições), é obra. Ele deve "torcer-se" todo por dentro mas consegue sorrir e dizer umas graçolas, tendo quase sempre como alvo o Costa, em vez de dizer ao que vem.

É apenas mais um exemplo, do já tão gasto "vale tudo", para se chegar ao poder. Ponto final.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, janeiro 27, 2022

A Tentativa de "Aproximar" os Extremos...


Um dia destes, ao andar a cirandar de canal para canal, parei por alguns segundos na CNN, onde descobri um painel de comentadores curioso (Helena Matos, José Manuel Fernandes e Carlos Magno), que bem podiam fazer parte de um coro, tal era a "afinação" no discurso da criação de uma extrema-esquerda (BE e PCP) ao nível do Chega.

Sei que não devia, mas incomoda-me toda esta desonestidade intelectual, ainda por cima vinda de ex-militantes da tal extrema esquerda (dos muitos que, a exemplo de Durão Barroso, viraram em sentido contrário e se tornaram defensores do "capitalismo" que antes abominavam e desejavam a "morte"...) que só foi abafada pelo 25 de Novembro de 1975.

Durante alguns anos, através do MRPP e da UDP, ainda se notaram alguns discursos extremistas, mas nada que se assemelhasse com o que defende o Chega. 

Sempre olhei para o PCP e para o BE como a verdadeira esquerda (mas sem extremismos), até porque o PS sempre foi mais social democrata que socialista.

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


quarta-feira, janeiro 26, 2022

Quando "Quem tudo Quer... tudo pode Perder"...


Não me lembro de uma campanha eleitoral tão anedótica como esta, para as legislativas.

O primeiro-ministro andou semanas a pedir a maioria absoluta, aproveitando todas as oportunidades para criticar a esquerda (fiado no voto útil...). Até que esta semana surgiu a primeira sondagem, com o PSD à frente do PS... E António Costa lá teve de fazer o "pino", voltando a piscar o olho à esquerda, ao mesmo tempo que tentava esquecer a palavra "maioria"...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


terça-feira, janeiro 25, 2022

Ironia das Ironias, o Humor dá Vantagem ao "Rei dos Sizudos"...


Ao observarmos esta parte final da campanha eleitoral, até parece que somos um país sem problemas. Corre tudo sobre rodas na saúde, na justiça, na segurança, no ambiente ou na coesão territorial.  

De repente passaram-se a usar os animais domésticos como "bonecos de humor" e também como "armas de arremesso" político. Curiosamente, sem que o PAN, seu defensor mor, obtenha quaisquer dividendos.

Mas é importante recordar que a relevância que se tem dado aos animais domésticos, deve-se muito aquele que muitos consideram o melhor humorista português, que conseguiu colocar o "Zé Albino", quase como candidato a primeiro-ministro (e não o seu dono...).

Ricardo Araújo Pereira é assim, gosta de dar "tiros em todas as direcções", mesmo que finja não perceber que dá importância a quem não a tem. A sua "perseguição" ao Chega, acabou por dar a este partido o destaque - mesmo que fosse pela negativa - que ele não tinha (e que agora já tem...). 

O humorista é também um dos grandes responsáveis por toda esta "cavalgada" de Rui Rio em cima do lombo do seu gato de estimação, que até conseguiu que ele passasse o seu programa a rir (em falsete, mas o teatro é isso...) e a tentar deitar fora a imagem de "rei dos sizudos". 

E com todos estes floreados à sua volta, Rui Rio até já é capaz de "acreditar" em sondagens (mas pode sair-lhe o tiro pela culatra e ser o "Medina" do país...).

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


segunda-feira, janeiro 24, 2022

Marcas que Ficam Destes Tempos...


Hoje ao almoço, falámos de muitas coisas, como de costume. 

Além das eleições de domingo, é difícil passar ao lado da "guerra fria" entre a Rússia e a Ucrânia ou do número crescente de infectados. 

Mas o mais marcante para mim, foi o desabafo do Chico, por o neto há mais de um ano que não ter ninguém da sua idade, com quem brincar fora da escola.

Ninguém sabe quais serão as marcas que ficarão para o futuro destes tempos de pandemia, para as crianças e adolescentes.

A única coisa que sabemos é que com a redução das actividades ao ar livre, aumentaram, de uma forma assustadora as horas diárias passadas à frente do ecrã do telemóvel, dos nossos netos e dos nossos filhos (mas também de quase todos os adultos...).

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, janeiro 22, 2022

Justiça sem Segredos para o Correio da Manhã


Eu sei que as violações ao segredo de justiça e a troca de informações privilegiadas, não começaram com a detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates - transmitida em directo na  CMTV -, nem com a transformação de processos como a "Operação Marquês", numa "mina de ouro", para os donos da televisão e do jornal.

As "condenações públicas" através da comunicação social começaram alguns anos antes, com o nosso primeiro grande caso mediático: a investigação sobre pedofilia na Casa Pia. Nessa altura o CM ainda não tinha o seu canal de televisão, mas a prisão de um deputado socialista na Assembleia da República, não deixou de ser transmitida em directo no nosso país...

Era o começo da era dos "juízes-justiceiros", que teria alguns anos depois em Carlos Alexandre o seu expoente máximo. 

A partir daí passou a ser normal a divulgação de documentos em segredo de justiça, por parte do CM (quase em exclusividade vá-se lá saber porquê...). Graças a este "jornalismo justiceiro", vários arguidos foram "condenados" pela opinião pública antes dos seus casos transitarem em julgado e de serem absolvidos... 

Mas nunca tinha acontecido uma coisa como a que está a acontecer através da operação "cartão vermelho", com a divulgação diária de conversas privadas (quase sempre sem qualquer relevância criminal) entre pessoas ligadas ao futebol e ao Benfica, com a respectiva chamada de primeira página do CM (e anúncio dado nos programas desportivos da CMTV).

O mais estranho disto tudo, é a aparente "normalidade" de toda a situação, com nenhuma tomada de posição, de quem de direito. 

No mundo do futebol, o normal é assobiar para o ar, mas para bem da justiça portuguesa, era importante que alguém se manifestasse e tomasse uma posição firme, sobre mais esta violação diária, da vida privada de dezenas de pessoas.

A não ser que já tenhamos chegado a um ponto, em que "vale tudo, mesmo tudo, para vender jornais e ter audiências televisivas".

 (Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sexta-feira, janeiro 21, 2022

Como Anda o Mundo...


O mundo é demasiado estranho e violento, graças aos seres que, apesar de serem dotados de inteligência, parece que não gostam de a usar muito. Ou pelo menos tanto como deviam.

Se fosse ucraniano como a Nadia, também era capaz de não gostar de nenhum "filho da putin".

Fiquei a pensar da divisão que ela fez das pessoas. De um lado estão as pessoas que têm de estar contentes com tudo (a maioria...). Do outro as pessoas que nunca estão contentes com nada (uma minoria que normalmente tem poder).

Apesar de ser uma divisão bastante simplista, explica bastante como anda o mundo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, janeiro 20, 2022

«Não. Não estamos mais burros. Estamos sim, mais confusos.»


O Pedro hoje estava num dia não e "disparou" em todas as direcções. Os muitos anos de jornalismo fazem com que não entenda a televisão que se faz actualmente. E até tem receio de ler as notícias que estão sempre a aparecer dentro do seu telemóvel...

Foi por isso que disse que estamos a ficar com as orelhas maiores e com o cérebro mais pequenino. 

Não, não era uma questão de tamanho. Nunca foi.

Foi quando a Alice disse: «Não. Não estamos mais burros. Estamos sim, mais confusos.»

Ela estava certa. E só faltava mesmo aparecer também uma pandemia, para ainda confundir mais as coisas...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, janeiro 19, 2022

«Vou chamar a polícia e tu vais preso» (há brincadeiras e brincadeiras...)


Um pequenote, de cinco, seis anos, estava entretido a brincar no parque infantil próximo da minha casa, correndo de estação para estação, ora escorregava ora andava nos cavalos de molas, enquanto a mãe conversava com uma mulher mais velha, que estava à janela do primeiro andar.

Embora a criança não estivesse a fazer nada de mal (os parques já não têm fitas a proibir a sua utilização...), a companheira de conversa da mãe - com idade para ser sua avó -, talvez cansada, só de ver toda aquela energia infantil, saiu-se com uma frase que eu pensava que já não se usava nestes tempos: «Vou chamar a polícia e tu vais preso.»

Felizmente o pequeno continuou a brincar, sem medo de qualquer polícia, fingindo não ouvir a senhora do primeiro andar. Até por ter o parque infantil só para ele.

E eu continuei a marcha até a casa, a pensar nos "papões" que existiam quando eu tinha a idade daquela criança, que estava demasiado entretida a brincar, para se assustar com "polícias" ou com os tais "papões" do meu tempo de menino...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, janeiro 18, 2022

«Há pessoas que não são capazes de nos dar nada, a não ser trabalho e chatices»


Quando ela me disse que «há pessoas que não são capazes de nos dar nada, a não ser trabalho e chatices», notei que havia mais compreensão que mágoa, nas suas palavras.

Mas o pior ainda estava para vir: «Deves saber tão bem como eu, que quando ultrapassamos os cinquenta, tornamo-nos mais compreensivos com os outros. Percebemos que eles não conseguem ser diferentes, mesmo que sejam quase sempre cínicos e hipócritas.»

Limitei-me a sorrir, por saber que não tinha a sua compreensão nem o dom de "perdoar" a quem passa o tempo a brincar com a nossa dignidade.

A única coisa que concordei com ela, foi quando disse que estas pessoas eram mais infelizes que nós, porque a "consciência" não lhes devia dar muito descanso.

Vinha para casa e fiquei a pensar que cada vez sorrio mais e falo menos, quando as conversas têm um travo a bisbilhotice.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


segunda-feira, janeiro 17, 2022

Passar o Tempo a "Desconfiar" da Memória...


Trocamos informações, partilhamos documentos, mas raramente falamos dos métodos que usamos em qualquer investigação. Além do mistério que gostamos de alimentar e manter vivo, também fingimos que existem vários caminhos para se apanhar o "fio" de qualquer história.

Quando "sabíamos tudo" ainda era mais complicado. Gostávamos de complicar o que era simples, apenas porque sim. Como não somos muito burros, acabamos por aprender com os erros.

Mas a vida é toda ela, um pouco isso: navegar no erro.

No começo da conversa não estávamos a levar o Rui a sério, quando ele disse que o mais importante é lutarmos contra a "memória". Mesmo que todos o fizéssemos. Mas como nem sempre "ouvimos" bem o que nos dizem...

Quando comparamos documentos, discursos ou entrevistas, "desconfiamos" das memórias, das partidas que elas nos pregam, porque somos demasiado falíveis. Sim, nem sempre nos lembramos do que almoçámos ontem...

(Fotografia de Luís Eme - Penha Garcia)


domingo, janeiro 16, 2022

O "Espírito do Tempo"...

Durante este fim de semana li um artigo de opinião de José Gil (já com alguns anitos), que me deixou a pensar, e a concordar, com o seu ponto de vista.

Numa linguagem mais simplista e menos filosófica, Gil entendia que o presente estava a ocupar demasiado espaço na vida das pessoas, afastando-as do passado (que se tornava cada vez era menos importante na vida das pessoas...), ao mesmo tempo que desvalorizava o futuro, por ele, simplesmente, não "existir".

Penso que com o passar dos anos, esta sua ideia ainda se agravou mais. Até mesmo o presente, apesar da sua "largura", ficou cada vez mais "balofo", sem substância. 

E se o passado é uma fotografia ou um filme a preto e branco, o futuro é algo que pode ser tão "tenebroso", que o melhor mesmo, é esquecê-lo...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)