quinta-feira, setembro 19, 2019

A Importância das Tertúlias e dos Cafés...


Hoje tudo mudou. Fala-se menos cara a cara, há mesmo quem deteste estar próximo das mesas animadas dos cafés, onde ainda se fala alto e se gesticula (adoro este "parlar à italiana"...).

Das três "tertúlias" que frequentava, só uma continua activa. Isso acontece por que os anos levam alguns bons animadores, outros são forçados a mudar de cidade (outras até de país, como foi o Gui...), devido às contingências da vida...

Falo sobre as minhas "tertúlias" de Almada no meu caderno "25" e na respectiva exposição.

Até aproveito duas frases que esboçam muito bem a importância e o porquê das "tertúlias" nos cafés:

«A ideia do café é latina, ligada às discussões intelectuais e a uma certa classe média pobre que, em vez de convidar pessoas para as suas casas modestas, ia para os cafés. Onde havia tertúlias, algumas revolucionárias.» (Maria Filomena Mónica, socióloga)

«Passávamos todos a vida no café, que é uma espécie de Universidade ambulante, um espaço muito importante no desenvolvimento cultural de um país.» (Eugénio Granell, pintor)

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, setembro 18, 2019

"25 - uma experiência associativa em Almada (1994-2019)"


Já há algum tempo que não preparava nenhuma exposição.

Esta ainda por cima é diferente, e acaba por ser mais tocante, por que aborda uma viagem de duas décadas e meia, rodeado "DA GENTE QUE CONTA..."

Olho fotografias, recordo sorrisos, gestos, palavras, olhares...


terça-feira, setembro 17, 2019

(directamente do Brasil via e-mail...)


«Não te iludas, vai estar sempre um censor à espreita, atrás da porta, da janela ou à esquina.»

(Frase extraída do e-mail que recebi hoje de manhã, do Gui, que me vai lendo do Brasil...)

Não me iludo, nem deixo de iludir. Mas nesse campo, ainda estamos bem, a liberdade de expressão continua a ser um direito de todos nós...

Embora eu compreenda o que o Gui quer dizer.  O que não falta por aí, é gente com vocação para agente de qualquer coisa "pidesca"...

(Fotografia de Luís Eme - Caramujo)

segunda-feira, setembro 16, 2019

A Importância das Palavras...


Apesar de estarmos em ambiente de "tertúlia", houve alguém, que se mostrou incomodado com as minhas palavras (sem que tivesse dito alguma coisa extraordinária...), como se eu não tivesse direito a ter opinião, e muito menos a discuti-la em público...

Os dois amigos que estavam à minha frente, ficaram tão surpreendidos como eu. Foi por isso que tentámos ultrapassar o desconforto, com outras conversas, desta vez apenas a três...

Eu sei que os extremos tocam-se... mas não estava à espera de encontrar na nossa mesa, alguém com  tanto medo das palavras, e ainda mais grave, medo da liberdade...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, setembro 15, 2019

Educação, Filhos, Cadilhos, etc.


Há pequenos problemas que nos acontecem no dia-a-dia, que nos fazem perceber (se quisermos, claro...) a importância da educação. E as diferenças que existem, entre o sermos preparados para só ter direitos e o sermos preparados, para ter direitos e deveres...

E quando os pais não estão de acordo, por coisas que nem sequer são das mais discutíveis nas nossas vidas, só irão tornar a vida dos filhos "mais  difícil e fantasiosa", porque os problemas nunca se resolveram sozinhos, nem mesmo para as pessoas que dão preferência às orações à Senhora de Fátima...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sábado, setembro 14, 2019

A "Geometria" (curvilínea) e a Nudez da Mulher


Acho curioso, e ao mesmo tempo estranho, que o crescimento do "#metoo", esteja associado à época em que a mulher mais se despe e mostra as curvas do seu corpo, publicamente, em especial nas redes sociais. 

Sei que isso pode indiciar uma maior liberdade da mulher, que se sente bem com o seu corpo e que o gosta de o exibir.  

Também acredito que deve ser difícil às defensoras de "novos puritanismos", assistirem a tudo isto em silêncio. Mas têm-no conseguido, em nome de causas que falam mais alto (assédios, violações e abusos de poder...).

Embora sinta que existe um abuso de nudez e de exibição de curvas (muitas vezes fabricadas por cirurgiões plásticos...), também estou longe de defender o corpo da mulher como o "local sagrado e secreto" de outros tempos...

(Fotografia de Luís Eme - Proença-a-Nova)

sexta-feira, setembro 13, 2019

A Hora de Ponta no Tejo...


A hora de ponta no Tejo acontece quase sempre ao fim da tarde.

Além das carreiras normais dos cacilheiros, juntam-se as barcas dos "cruzeiros fluviais" - há modelos para todos os gostos, desde os iates, passando pelos antigos barcos de carreira, continuando nos semi-rígidos rápidos e aventurosos, terminando nos calmos antigos barcos  de rio, fragatas e varinos e outros de menor dimensão... -, alguns cargueiros e também os verdadeiros cruzeiros, as "cidades ambulantes" que depois de passaram o dia em Lisboa, levantam ferro e vão passar a noite ao Atlântico...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

quinta-feira, setembro 12, 2019

A Gente que Transformam em Pedra...


Um dos meus amigos detesta bustos e estátuas.

Já me disse mais que uma vez, que uma das coisas boas da sua aparente "vulgaridade", é não correr o risco de ficar "preso" para a posterioridade, num pedaço de pedra...

E eu que acho as estátuas e os bustos tão fotogénicos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
  

quarta-feira, setembro 11, 2019

A Falta (de assunto) das Ruas...


Como passei alguns dias fora, tenho ficado mais tempo do que devia em casa, a trabalhar.

Quando penso que devia escrever sobre qualquer coisa diferente, reparo que há um vazio de palavras e de assuntos dentro de mim. 

O mais curioso, é que sei o que me falta.

Falta-me andar por aí, no meio da multidão, a olhar rostos e a apanhar desabafos ou outras palavras, mesmo das simples, com um "camaroeiro invisível"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, setembro 09, 2019

Uma Viagem no Tempo com João Bénard da Costa...


No meu trabalho de pesquisa, descobri uma crónica diferente, de João Bénard da Costa (até do seu próprio registo, normalmente muito mais artístico), datada de 3 de Outubro de 2003, no "Público".

Foi a referência a Cacilhas que me chamou a atenção das suas palavras, para esta viagem no tempo...

«Os quilómetros não encolheram com o tempo, mas sem pontes sobre o Tejo (travessia em “ferry-boat”), camioneta de Cacilhas para Azeitão e mais camioneta de Azeitão para a Arrábida, o percurso era coisa para quatro, cinco horas a que se somavam as horas de espera pelas mencionadas carripanas, exclusivo de João Cândido Bello. Cedo erguer em Lisboa e pôr do sol na Arrábida, onde, felizmente, havíamos sido precedidos pelas criadas, que já tinham posto a casa mais ou menos em condições.
Tudo era diferente, nos rituais do quotidiano. Não havia luz eléctrica, a água provinha de uma cisterna e era levada em jarros para os quartos e respectivos lavatórios. Não havia cinemas nem lojas. Havia a praia e os banhos, os passeios na serra. Um silêncio total.»

Era outro tempo, outro país...

                                                         
(Fotografia de Luís Eme - Arrábida)

domingo, setembro 08, 2019

Os Domingos das Cores Feias


Sei que os domingos são dias para fazer muitas coisas... 

De entre essas imensas práticas, há pelo menos uma que detesto, e sempre que me é possível, evito-a... Falo da visita aos "santuários do consumismo", sempre muito frequentados por gente que deve adorar as quase cotoveladas nas lojas e a falsa mansidão das filas de espera para se pagarem as compras.

Mas hoje não consegui escapar.

Talvez isso tenha acontecido, para voltar a sentir na pele, o quando detesto estar quase parado numa fila de supermercado, enorme, ao domingo, quando podia estar num lugar mais agradável (há tantos...), sem filas e sem pessoas a discutirem e a insultar-se, por causa de um pacote de batatas fritas...

(Fotografia de Luís Eme -Caldas da Rainha)

sábado, setembro 07, 2019

Quase ao Lado do Museu (do outro senhor...)


Utilizar os "uber's" como táxis oferece várias vantagens.

A mais saliente é percebermos que quase todos tiveram umas aulas de correspondência em qualquer escola francesa ou suiça, onde lhes ensinaram, que o cliente tem sempre razão.

A outra, não menos importante, é serem incapazes de falar connosco de uma forma mais calorosa e sonora, utilizando o discurso populista, que também dá alma aos donos de algumas barbearias, mercearias e drogarias, que continuam com os pincéis, as tesouras, as batatas, o papel higiénico, a potassa e a criolina, nos mesmos lugares de há cinquenta anos. 

É um alívio não nos tentarem vender a balela, de que no "tempo do outro senhor" é que era bom (sim esse, que lhe querem fazer um museu lá na terrinha, quase em jeito de homenagem...). 

(Fotografia de Luís Eme - Caramulo)