segunda-feira, janeiro 21, 2019

Quando a História e a Dignidade Valem Muito Pouco...


Alguns amigos chegaram-me a falar da possibilidade de a Incrível Almadense vir a ter problemas no futuro, com o edifício onde está instalada a sua sede social, após a morte do seu principal proprietário. Porque os herdeiros poderiam pensar apenas no prédio e não em toda a história que este encerra. Uma história que já terá mais de 118 anos, como edifício-sede, da Colectividade mais antiga de Almada, que comemorou em Outubro de 2018, 170 anos de vida associativa, ininterrupta.

Infelizmente foi isso acabou por acontecer. E a Incrível Almadense foi notificada que a sua renda ia ser actualizada (para valores obscenos...), porque há muitos anos que não sofria qualquer aumento...

Claro que todos sabemos que a lei não contempla questões morais ou éticas. Mas devia. Pois no caso particular do prédio onde está instalada a sede social da Incrível, sabemos que seu senhorio não realizou qualquer obra de beneficiação, pelo menos nos últimos cinquenta anos (provavelmente o número real está mais próximo dos 100 que dos 50...).

Poderia enumerar dezenas de obras, algumas avultadas, como foi a substituição do telhado, da canalização, da instalação eléctrica, das janelas e portas, das múltiplas reparações de paredes, das pinturas, interiores e exteriores, etc. Ou seja, a Incrível gastou milhares de euros em benefício de umas instalações, que sempre considerou suas (é importante referir que a Colectividade tentou comprar o prédio várias vezes, mas o  principal dono, disse para não nos preocuparmos com isso, por que era um processo complicado, havia muitos herdeiros, etc), com o apoio dos associados e também do Município e da Junta de Freguesia.

Nada que incomode os novos senhorios. Eles querem lá saber dos 170 anos de Incrível, de todo o seu passado histórico, que tanto dignifica a Cidade de Almada. Querem sim, dinheiro, quanto mais melhor. 

Claro que não alugarão o prédio a ninguém, pelo valor que que estão a pedir à Incrível. Mas vão conseguir ficar "famosos" em Almada, por retirarem a Incrível no espaço que funciona como sua sede social, há mais de 100 anos (118, segundo os relatos dos antigos...).

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, janeiro 20, 2019

O Mar do Néon" é só para Disfarçar...


Chove um dia e complica quase tudo da nossa vidinha.

E não é só por nos molharmos, dos pés à cabeça, por não gostarmos de sair à rua de guarda-chuvas, é toda a confusão que se gera, na cabeça das pessoas, que depois se transfere para os carros que formam filas nas estradas, com buzinadelas e exaltações, de quem nunca se habitua ao pior do Inverno.

Até acabamos por nos sentir aliviados com o vento gelado, como este domingueiro, que tem soprado desde madrugada, porque sempre há Sol... pelo menos fora das sombras...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, janeiro 18, 2019

Este Rio de Mil Encantos...


A minha ligação ao Tejo, cada vez mais profunda, fez com que  hoje pensasse seriamente em o homenagear com um blogue (mais um...).

Sem aprofundar muito o assunto, pensei que  seria ilustrado com fotografias minhas (só minhas...) e com palavras dos outros, sempre sobre este Rio, que abraça o Mar, ainda em Almada e em Lisboa...

Tudo isto porque hoje olhei-o (e fotografei-o...) em lugares onde ainda nunca tinha estado.

O mais curioso, é que o nome do blogue que sou capaz de escolher, provavelmente será o mesmo de uma exposição de fotografia, que também tenho em preparação...

(Fotografia de Luís Eme - interior de cacilheiro)

quinta-feira, janeiro 17, 2019

A Minha Margem ("tão feinha")...


Hoje, enquanto olhava a para a minha margem, do alto do cacilheiro, pensei nas palavras de meu pai, quando se referia a Cacilhas, Ginjal, Fonte da Pipa e restantes lugares, desta Outra Banda: «sabes, o Tejo deve-se sentir um bocado envergonhado por ter uma margem tão feinha, incapaz de reflectir a sua luz.»

Por muito que goste deste lado do Rio, sei que ele tinha toda a razão. O "exotismo" da ruína e do abandono, só é sentido por quem passa por aqui com alma de turista...

(Fotografia de Luís Eme - exterior de cacilheiro)

quarta-feira, janeiro 16, 2019

Viagens Só com Bilhete de Ida e Histórias de Amor Trocadas...


Há pessoas que partem, para não voltar.

Sei que são mais do que parecem... Porque só algumas cabem na nossa memória.

Se um amigo não começasse a falar da nossa rua de infância e das pessoas que cirandavam à nossa volta, não me recordaria da Dulce. 

Falámos dela por nunca mais termos tido qualquer notícia. Um amor tonto e uma gravidez inoportuna levaram-na para o Canadá e depois para a Austrália.  

Ele gostou dela... talvez por ela não gostar dele. O que não faltam por aí são histórias de amor trocadas.

Entretanto passaram trinta e alguns anos e um sem número de histórias com casamentos, divórcios, filhos, netos, amantes...  

Ele confidenciou-me que gostava de a voltar a ver. Disse-lhe que talvez fosse boa ideia comprar um bilhete para a Austrália, até porque  se ela alguma voltou ao nosso país, foi quase de forma clandestina, apenas para ver os pais e os irmãos.

A Dulce é apenas um exemplo de que os sítios onde vivemos e as pessoas com quem nos cruzamos todos os dias, nem sempre nos deixam felizes...

(Fotografia de Luís Eme - Cabo Espichel)

terça-feira, janeiro 15, 2019

Foi Também por Isso....


Já não tenho muita paciência para algumas conversas gastas, sobre as mudanças sociais, que todos conhecemos.

Se a sociedade é mais individualista (e egoísta...), é natural que isso se note também na forma como as pessoas interagem umas com as outras. Reparar que falam e olham menos umas com as outras (ainda por cima têm a distracção do telemóvel, que as mantém acima dos últimos acontecimentos na China e na América...), é quase uma "lapalissada". 

Quem ainda finta esta realidade são as pessoas de mais idade, ainda sem "smart fone", que mantêm alguns hábitos antigos. Talvez seja por isso que ainda enchem alguns cafés e pastelarias, na hora do lanche.

Foi também por isso que escolhi esta jovem da fotografia que, quase parece uma "formiga sozinha no carreiro"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, janeiro 14, 2019

Ensaio para o Banho...


É verdade, tirando a "maluquice" do dia primeiro de Janeiro, com a emoção do banho número um do ano, só as aves se atrevem à experimentar o gelo do Tejo.

Reparo que um ou outro pato, mergulha, depois aparece, voa ... e desaparece.

Mas do que eu falar é da gaivota, que quase se confunde com as cores da areia e da água, enquanto finge preparar-se para o banho...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

domingo, janeiro 13, 2019

O Sol de Janeiro na Caparica


Hoje à tarde na Costa de Caparica, rente ao Oceano, na companhia do Sol, facilmente se esquecia o frio...

Foi por isso que tanta gente resolveu aproveitar a tarde de domingo para ir passear e ficar a apanhar um solinho à beira-mar.


Foi assim, pelo menos até ao Sol resolver ir-se embora...

(Fotografias de Luís Eme - Costa de Caparica)

sábado, janeiro 12, 2019

Os Óculos Escuros são Óptimos para Dizer Bom Dia ao Sol...


De certeza que já falei disso por aqui (quando fico sentado alguns minutos no banco de madeira do "Largo", falo mais do que a conta...). Sempre fui ligeiramente distraído, com o bom e o mau da coisa. 

Além desta característica, tenho também uma grande capacidade de abstracção, o que faz que me digam muitas vezes, que não "vivo cá".

E na verdade eu prefiro mesmo não "viver lá". É por isso que às vezes fujo das ruas onde há demasiadas pessoas a andarem, para baixo e para cima. E até sou capaz de acelerar o passo, se sentir um cheiro a fritos, quase exóticos.

Às vezes penso que duas ou três pessoas têm inveja de não conseguirem aproveitar as oportunidades, mesmo pequenas, de esvaziar os bolsos de problemas, algo que também sempre fiz, sem grande dificuldade. Digo isso porque este meu "positivismo natural", acaba por irritar algumas gentes, especialmente as que vivem abraçadas à "desgraça" e tentam transformar a vida em algo parecido com um "álbum duplo de fado escuro"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sexta-feira, janeiro 11, 2019

Os Artistas que se Alimentam de Sorrisos...


Ainda em relação ao que escrevi ontem, faz-me alguma confusão, que se convoquem tantas vezes os palhaços, em discussões ou mal entendidos, como se estes fossem personagens do piorio, e não os artistas generosos, que passam o tempo a labutar por um mão cheia de sorrisos...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, janeiro 10, 2019

Os "Amigos" do Tejo...


Sei que lá para os lados de Vila Velha de Rodão o Tejo está cheio de amigos, que o gostam de pintar de cores escuras.

Sei que em Cacilhas as coisas são muito diferentes, mas mesmo assim encontrei um empregado de restaurante a deitar a porcaria que tinha numa caixa de plástico para o Rio. 

Disse-lhe que o Tejo já deixara de ser caixote do lixo, há algum tempo. Embaraçado, respondeu que não estava a deitar fora lixo. Talvez achasse que estava a dar de comer aos peixes com os restos de comida...

Quando eu já em encontrava afastado, chamou-me palhaço, entre outras coisas. Contei até cinco e continuei a minha marcha, sem voltar a olhar para trás...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quarta-feira, janeiro 09, 2019

O Triunfo (cada vez mais evidente) da Mediocridade


Este começo do ano tem sido pródigo em factos, que julgávamos difíceis de acontecer. No entanto aconteceram. E sempre com a televisão a querer fazer o pino (talvez estejam a fazer tudo para sobreviver a este tempo, em que podemos escolher o que queremos ver, e onde já se vê a internet na esquina, a querer tomar conta do "pequeno ecrã", que é cada vez maior e mais versátil...).

Desde a escolha para conversa, num programa matinal de entretenimento, do pior exemplo de um nacionalista (um nazi e bandido confesso...), ao telefonema do Presidente da República, para a apresentadora de um outro programa da manhã que se estreava - concorrente do referido anteriormente -, misturando os gostos do cidadão com os do representante máximo do Estado português. Ou seja, vale tudo na "conquista das audiências" e da "popularidade"...

E como tem acontecido nos últimos anos, a tendência é sempre de descer, de nivelar por baixo, com a desculpa mais que esfarrapada, de que "é disto que o povo gosta"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)