Sábado, Novembro 21, 2009

Música Sempre nos Deram (felizmente)

«Lá isso é verdade, música sempre nos deram à farta, não é de hoje nem de ontem», exclamava divertido o Necas, que com três mulheres lá em casa, sabia bem do que falava.
«E eu que sempre gostei de dançar ao som das suas músicas», respondia, divertido, o Silvino. «Ainda hoje danço tudo, tango, xá-xá-xá, valsa (rápida ou lenta), salsa, samba ou marcha.
«Só quero que me expliquem, como é que dois machistas como vocês, conseguem morar numa cidade que é governada há mais de vinte anos por uma mulher?» Questionava a dona Joana, exímia a chutar para canto e a defender as mulheres da malandragem.
Eles olharam uns para os outros e trataram de içar a bandeira branca...
Não sabia o que escrever para acompanhar este bonito óleo de André Derrain e saíram estes improvisos de café, naquele que é o café da Joana...

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

A Essência do Nada

Na minha experiência de "conversador" noto que existem pessoas que adoram aprofundar a "essência do nada", ou seja conseguem questionar tudo, sem chegar a qualquer parte, certa ou incerta...

Em qualquer conversa por mais simples que seja, arranjam sempre maneira de ir ao encontro das discussões intermináveis, que tanto podem andar em busca do sexo dos anjos, como a tentar descobrir quem chegou primeiro ao mundo, o ovo ou a galinha.
São sempre pessoas a evitar, especialmente se a conversa for séria. Digo isto porque eles tem quase sempre o poder da "desconstrução", ao ponto de conseguirem fazer desaparecer em pouco tempo o "fio da conversa"...
Mestres desta essência? Alguns filósofos, com e sem escola, e claro, os nossos cronistas Pacheco Pereira e Vasco Pulido Valente...
o óleo é de Édouard Manet...

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Uma Estranha Duplicidade

Ao ver de uma forma transversal o programa televisivo "Ídolos", transmitido pela SIC, percebi com clareza que muitos dos nossos jovens são desprovidos de qualquer sentido autocrítico. Quando são confrontados com o júri, ficam muito espantados, especialmente quando lhe dizem que não sabem cantar. O mais grave é que eles além de fazerem figuras tristes, estão mesmo convencidos que são bons a valer...

Infelizmente a sociedade que emergiu do pós 25 de Abril tem-se alimentado muito deste "auto-convencimento", inclusive ao mais alto nível. Anda por aí um grande "carrocel" cheio de pessoas medíocres, que até têm conseguido chegar a ministros e deputados da nação, com os custos que todos nós sabemos...
Depois descobrimos pessoas inteligentes e cheias de talento que preferem a sombra e a calmia "às luzes da ribalta". São sempre extremamente competentes nas suas profissões mas raramente ambicionam a cargos de poder, para mal dos nossos pecados. Provavelmente precisavam de um pouco da vaidade que está entranhada nos genes deste jovens "candidatos a ídolos" de qualquer coisa...

Nada melhor que um Magritte para ilustrar esta "posta"...

Sábado, Novembro 14, 2009

À Procura do Codex 632

Agora que voltei às leituras sem obrigações, tive mesmo de abrir e ler as 550 páginas de "O Codex 632", de José Rodrigues dos Santos.
Nunca gostei de falar sem saber, pelo que sentia imperioso ler o autor, para perceber se estávamos diante de um "talento literário" ou de um simples "operário das letras". À medida que ia lendo, percebi que o Rodrigues era mesmo um operário, havia nas páginas do livro muito mais transpiração que inspiração.
Este livro também reforçou a minha opinião de que é uma estupidez escrever um livro quase com seiscentas páginas, quando metade é "palha", coisas perfeitamente acessórias e desnecessárias, mesmo num romance que quer ser histórico (pelo menos para mim enquanto leitor).
E nem vou falar de algumas frases de mau gosto que vão surgindo, de vez em quando, completamente fora do contexto...
Sei que a minha leitura não foi completamente isenta (antes de ler o livro já pensava que ia ser assim...), talvez exista algum preconceito contra alguns destes "jornalistas-escritores-estrelas de televisão" (a excepção é o Rodrigo Guedes de Carvalho), ninguém é perfeito...
Ainda na última conversa que tive com o meu irmão sobre literatura e religião (graças ao Saramago, claro... vende e farta-se de nos fazer dar à língua), percebi o facto de não conseguir desligar a personagem do escritor.
O João diz para não me preocupar por que isso nem sequer é grave e costuma acontecer com a maior parte dos críticos literários.

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

No Fio da Navalha

Gosto desta expressão, literária e cinéfila, tão utilizada quando as pessoas fazem do risco o seu dia a dia.

Confesso que não gosto muito de andar "no fio da navalha", embora precise de alguma pressão para produzir (até porque quando escrevemos, as boas ideias aparecem quase sempre fora de horas...).
Mas fui buscar esta frase devido ao risco que o novo treinador da Académica corre se deixar a "briosa" para ir para o Sporting. Mas como a nossa sociedade vive de imitações e André Vilas Boas agora é essencialmente tido como um "novo mourinho" (de quem foi adjunto) e não o André "Boas", que se estreou a meia dúzia de dias como treinador principal...
Não tenho dúvidas que se não se defender muito bem, poderá ser triturado por uma máquina especializada em "queimar" treinadores...
Por outro lado, nem sei se será a melhor solução para lidar com a pressão e os assobios de Alvalade. Penso que nesta altura se exigia experiência e maturidade para proteger o grupo de trabalho, demasiado jovem e debilitado.
Mas pode ser que o André seja dos que gostam de andar "no fio da navalha" e seja bom a lidar com "panelas de pressões"...
Escolhi esta imagem porque se há um lugar onde as pessoas parecem cartas de um baralho, é no futebol, onde são descartadas com a maior das facilidades, mesmo que se tratem de um dos "ases" em jogo...

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Berlim Continua na Lista

A primeira vez que sai de Portugal foi quando fiz dezoito anos.

Estive quase um mês na Alemanha.
Foi um bom tempo, também andei pela Holanda dos lagos e diques, mas não cheguei a visitar Berlim, por ficar demasiado para Norte (fiquei em Monchengladbach, perto de Colónia...).
Nessa altura, em 1981, o Muro ainda era uma parede de cânticos escritos, desenhos, assinaturas e muitas provocações. Se lá tivesse ido também teria escrito qualquer coisa, aos dezoito anos somos assim...
Oito anos depois a Alemanha deixou de ter Oriente e Ocidente, para ser apenas um país, tal como fora até ao final da Segunda Guerra Mundial. Foi um final feliz e pacifico para uma Cidade que não merecia ter sido um "despojo" de guerra, durante tantos anos.
Ao contrário de outras cidades, Berlim nunca perdeu o brilho e continua a fazer parte da minha lista de lugares visitáveis. Acho que existe algo de único na sua fisionomia urbana. Acho.
Um dia destes passo por lá, nem que seja apenas uma ou duas noites...
A fotografia desta automotora, em vez de um muro, deve-se apenas às "pinturas" que lhe fizeram, um pouco à muro de Berlim, um dos primeiros objectos da arte "grafiteira"...

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Bom Dia, Todos os Dias, Com as Tuas Palavras, Sophia

«Na minha infância, antes de saber ler, ouvi recitar e aprendi de cor um antigo poema tradicional português, chamado Nau Catrineta. Tive assim a sorte de começar pela tradição oral, a sorte de conhecer o poema antes de conhecer a literatura. Eu era de facto tão nova que nem sabia que os poemas eram escritos por pessoas, mas julgava que eram consubstanciais, ao universo, que eram a respiração das coisas, o nome deste mundo dito por ele próprio.»



Sophia de Melo Breyner Andresen, Arte Poética V

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

As Palavras de Agustina

Ao descobrir esta fotografia, apeteceu-me falar de Agustina Bessa-Luís, não apenas da escritora mas da mulher, livre e senhora do seu nariz.
Acho que é essa qualidade, de a Agustina não ter medo de dizer o que pensa, sem precisar de levantar a voz e a poeira, que irrita algumas pessoas do "rebanho". Por outro lado, é de tal forma honesta consigo própria, que seria incapaz de inventar polémicas, paras coisas pequenas como vender mais um uns livritos, por exemplo...

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Há Qualquer Coisa Aqui...

Para muitos portugueses a única forma de serem valorizados profissionalmente e de ganhar algum dinheiro, é saírem do país. Onde se nota mais este aspecto é na investigação científica, praticamente inexistente entre nós.

Há ainda outros casos de "desamor", como o de José Saramago ou de Maria João Pires, capazes de inventar desculpas nem sempre convincentes para a sua mudança de morada...
Não sei se sou eu que sou diferente (tal como muitos amigos com quem já falei do assunto), porque embora saiba que o nosso país é farto em incompetência e corrupção, que ganhamos mal, temos uma saúde, uma educação e uma justiça, que por muitas estatísticas que se inventem, estão bem na cauda da Europa, se estiver quinze dias fora, começo logo a sentir saudades...
Há qualquer coisa aqui, que os outros países não têm, e não é apenas o Sol, o Mar e a luminosidade...

Domingo, Novembro 01, 2009

Um Grande Treinador

Os últimos dois anos fizeram com que percebesse que Paulo Bento é um dos melhores treinadores portugueses de futebol na actualidade.

Embora tenha beneficiado da má situação financeira do clube (é a explicação óbvia para a sua passagem da equipa de juniores para a principal, sem qualquer tirocinio...), conseguiu ultrapassar com sucesso todas as "marés negras" que lhe apareceram pelo caminho, sendo o segundo treinador com mais tempo de permanência no clube de Alvalade. E se pensarmos que a grande aposta do Sporting tem sido a formação, e nunca o reforço da equipa, para que lutasse pelo título com o FCPorto, os resultados só se podem considerar excelentes.
A sua personalidade e capacidade de liderança têm banalizado as duvidosas limitações técnicas e tácticas apontadas na imprensa - com a história gasta do losângulo e de um único sistema de jogo (como se tal fosse possível, numa equipa de alto rendimento...).
Sei que não vai resistir muito mais tempo, porque alguns jogadores há muito tempo que o querem ver pelas costas (e são eles é que mandam, pelo menos dentro dos relvados...), mas isso não belisca o seu valor como treinador.
De todas as criticas que tenho lido a Paulo Bento, as mais "ranhosas" foram as do Jorge Gabriel. Provavelmente sonha um dia deixar a RTP para treinar o Sporting. Mas o melhor é ele descer à terra, porque ser treinador de futebol é muito diferente de apresentar concursos e programas da manhã...