quinta-feira, agosto 17, 2017

A Medalha tem Sempre Dois Lados...


Uma boa parte das pessoas que aparecem nas revistas de mexericos, olham para elas quase como o prolongamento dos espelhos que têm em casa. Estão sempre prontas a aparecer e a serem fotografadas (e se houver uns euros pelo meio, ainda melhor). Dizem que as festas fazem parte das  suas "vidinhas", normalmente com um sorriso e sem dramas...

Mas não são estas pessoas as que mais interessam às ditas revistas. Estas preferem as "figuras públicas" que se fingem discretas e que gostam de aparecer apenas quando lhes dá jeito. Os políticos e empresários estão no topo desta lista. Claro que, mais tarde ou mais cedo acabam por sofrer alguns dissabores, porque nunca ninguém gostou que depois de lhes abrirem as portas de casa, de par e par, as fechassem nas suas caras...

Este exemplo pode não ser o melhor para ilustrar a "polémica do momento" nas redes sociais, que tem como foco uma frase de João Quadros sobre a "careca" da mulher do ex-primeiro-ministro (um novo "cabeça rapada"...). Mas não anda muito longe. Como eu não tenho a memória curta, não esqueço que foi Passos Coelho e o seu partido que utilizaram a doença da esposa para retirarem dividendos políticos, exibindo a sua falta de cabelo em várias jornadas da campanha eleitoral de 2015. 

As palavras do guionista podem ser de mau gosto, mas quem anda à chuva, se se esquecer do chapéu de chuva, ou não o abrir, molha-se com toda a certeza...

(Fotografia de Cecil Beaton)

quarta-feira, agosto 16, 2017

Talvez Seja um Sintoma de "Velhice"...

Cada vez gosto mais de Mar e menos de praia.

Talvez seja um sintoma de "velhice"...

Sei que o mar pode e deve oferecer-nos paz, mesmo quando anda arisco, e com vontade de comunicar, ao contrário da praia, que é cada vez mais, sinónimo de confusão.

A única certeza que tenho é que há já alguns anos que a minha praia de férias no Sul é calma (agora já nem sequer tem  concessão e "nadador salvador"...). Basta-nos andar alguns minutos a pé para usufruirmos dessa "paz" tão saborosa, para se "recarregarem" as energias necessárias para os meses que se seguirão...

E é também por isso, que apesar da proximidade, evito a Costa de Caparica em Agosto, por muito que me apetece mar...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, agosto 15, 2017

Um Deus (sei que dizem que são muitos mais) Distraído...

Não sou muito entendido nas coisas de Deus, talvez por ter medo de acreditar em coisas para as quais a única explicação terrena que existe, é essa coisa a que se chama fé.

Claro que quando ouço dizer que ele está em todo o lado, fico com a sensação de que ainda é mais distraído que eu. Sei que quem tem fé, defende-o com unhas e dentes e diz que temos de "sofrer", e que é esse sofrimento que nos dá a vida eterna. 

Nas capelas com abóbadas esféricas, há outro Deus que ainda vai mais longe, em vez de vida eterna, oferece quase duas dúzias de virgens a quem dá tudo por ele.

Mas quando olho para o mundo, para os exemplos dos sacerdotes e dos fieis mais exarcebados, fico com a sensação que fomos abandonados por praticamente todos os Deuses...

Acho mesmo que o único que permanece de braços abertos, dia e noite, impávido e sereno, é o Cristo Rei, que até parece feito de pedra e cimento. É preciso esclarecer que não foi ele que virou as costas à fotografia, foi o fotógrafo que escolheu este ângulo...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, agosto 14, 2017

Tanta Gente Diabólica Por Aí à Solta...


Eu sei que somos difíceis de caracterizar enquanto povo, quase que parecemos "bipolares". Talvez isso explique o inexplicável, as mil e uma tentativas de utilizar a desgraça alheia para tirar dividendos políticos, assim como toda a gente que é capaz de se vender por um "prato de lentilhas", para servir interesses cada vez mais obscuros.

Até pode parecer que o líder da oposição sempre conseguiu ler nas estrelas, estava era deslocado no tempo. Porque o diabo chegou mesmo, mas bastantes meses depois. E está a destruir o país de Norte a Sul. Apesar de fazer uso quase diário da demagogia, do populismo e da mentira (tal como muitas dezenas de candidatos a autarcas...), consegue ficar "chamuscado" aqui e ali, porque nem toda a gente deste país tem alma de incendiário.

Mas gostava de perceber o que vai na cabeça e no coração da gente que destrói aquilo que lhe devia ser mais querido, a natureza, em vez de a proteger, através da tão desejada prevenção... Porque se existiam pessoas com dúvidas sobre a existência de tanto bandido cobarde, devem-nas ter perdido de vez neste Verão...

(Óleo de Josef Stoitzner)

domingo, agosto 13, 2017

Eles não Sabem...


As gerações mais novas não fazem ideia do que se passava no mundo da imagem fotográfica, antes da era digital. 

Num tempo em que até os telemóveis já desvalorizam o papel da máquina (será que elas se vão transformar em produto de luxo ou um objecto apenas para "malucos"?), não sei se haverá futuro para elas...

Sinceramente não me parece que tenham a resistência do livro, só para dar um exemplo, de algo que continua sem se deixar derrotar por estes tempos demasiado modernos...

sexta-feira, agosto 11, 2017

Olhar a Arte com Olhos de Ver...

Se por um lado gosto de visitar exposições sozinho, ter a liberdade de olhar para as obras expostas como me apetece, por outro, gosto também de partilhar estes momentos com quem sabe mais do que eu e é capaz de me oferecer perspectivas novas sobre o que olhamos.

Foi o que aconteceu ontem, quando tive a companhia de um amigo, artista plástico na visita a um exposição colectiva em que ambos participamos. 

Gosto sobretudo da forma honesta como ele analisa cada quadro, explicando o que está a mais, o que está a menos, e também o que está no ponto. Como de costume, encho-o de perguntas, até por ele ter a capacidade de ver o que eu não alcanço.

Saio sempre mais rico nestas visitas partilhadas com quem sabe olhar e explicar... 

(Fotografia de René Burri)

quinta-feira, agosto 10, 2017

Comparações Masculinas...

Se gostares muito de cavalos não vem mal nenhum ao mundo teres o hábito de comparares as mulheres com as raças destas belas espécies animais.

Claro que estou a pensar apenas pelo lado masculino. Sei que pode ser intolerável para uma mulher, ser comparada com um animal. Ou saber que pertence à classe dos "mustangues", mesmo que isso seja definidor de algo extremamente belo e selvagem...

(Fotografia de autor desconhecido)

quarta-feira, agosto 09, 2017

«Não andas mesmo cá. Vives mesmo noutro mundo.»


Ouço mais vezes do que queria a frase: «Não andas mesmo cá. Vives mesmo noutro mundo.»

Para  caracterizar quem escreve nem é uma frase descabida de todo... Mas normalmente quer ir mais longe, colocar o dedo também irresponsabilidade, falta de interesse, distracção...

Acho que isso se deve sobretudo à minha capacidade de abstracção (que eu gostava de conseguir manter para todo o sempre...), o não ficar a matutar o mesmo problema, horas e horas, dias e dias, ou seja, conseguir descobrir um foco qualquer e mudar de rua...

O que me custa compreender é que as pessoas, mesmo as maduras, finjam não perceber que nunca fomos, nem seremos, fotocópias. Cada um de nós, não só reage de uma forma diferente ao mesmo problema, como também faz uma leitura particular de cada acontecimento. E são estas pequenas particularidades que acabam por provocar tantos desentendimentos conjugais...

Mesmo assim há quem não desista e ande a vida inteira a tentar moldar o outro, como se fossemos feitos de barro...

(Ilustração de José Morell) 

terça-feira, agosto 08, 2017

O "Coro das Velhas" está Cheio de Novas...


Sei que não é apenas portuguesa a mania de dizer mal dos outros nas suas costas - estou cada vez mais convencido que é universal... -, da mesma forma que penso que faz parte da imperfeição humana e também da  forma cobarde e hipócrita como as sociedades urbanas são "educadas" e condicionadas, desde a escola ao mundo do trabalho.

Nem é preciso colocarem avisos nos locais de trabalho, todos nós sabem que os empregos são oferecidos prioritariamente a "carneiros" e "cordeirinhos", que além de saberem falar inglês, francês, também têm de fingir saber "tocar piano" ou "violino"...

(Onde é que eu já vou...)

Sim, começo a escrever e a afastar-me do eco do "coro das velhas" (que agora recebe gente de todas as idades e sexos...), que cortava na casaca de um casal, por este ter a dignidade de sair de casa bem vestido, com o desplante de olharem o mundo, olhos nos olhos.

Ouvia aquela má língua e arrepiava-me. Mas também não fui capaz de dizer nada. A minha única forma de protesto foi o arrastar da cadeira, enquanto virava costas ao "coro das velhas". 

Quando se tem dois filhos, um a sair e outro a entrar na adolescência, e se percebe que a entrada dos jovens na toxicodependência, é completamente aleatória, (basta estar no lado errado à hora errada...), é mais fácil ser solidário com quem sobrevive todos os dias, enfrentando este problema com a discrição possível, que atirar facas nas suas costas...

(Óleo de Norman Rockwell)

domingo, agosto 06, 2017

É Bom para o Negócio, Mas...

Foi uma manhã de domingo de Agosto que se disfarçou de segunda-feira. com os jornais desportivos a desaparecerem ainda antes do diário que mais vende, graças a mais uma vitória do "glorioso". Já não consegui apanhar "A Bola", fiquei-me pelo "Record".

Na conversa  que tive com o vendedor de jornais, ele não me conseguiu explicar muito bem esta loucura em torno do Benfica, embora ela venha desde os tempos que abriu a tabacaria, ainda nos anos 1960... Uns culpavam o Eusébio, mas ele sabe que é mais que isso. Foram as primeiras Taças dos Clubes Campeões Europeus, e foi também o Águas, o Costa Pereira, o Coluna, o Cávem, o Simões, e tantos outros. 

Foi um tempo de grandes vitórias pelo mundo fora, de um país habituado a perder em quase tudo...

Coça a cabeça e diz que se o Benfica não tivesse voltado a ganhar nos últimos anos, talvez já não existissem os três desportivos diários.

Mesmo sem morrer de amor pelos "lampiões" diz: «Não sei quantos são, mas pode ter a certeza que os que compram jornais, são mais que os sportinguistas e portistas juntos.»

(Fotografia retirada do site do "D. Notícias")

sábado, agosto 05, 2017

As Campanhas Alegres não São Para Todos...


Todos os políticos e simpatizantes tentam fazer de cada campanha eleitoral uma coisa alegre, vistosa e simpática.

Mesmo aqueles que não são muito de sorrir e de prometer coisas no seu dia a dia, estragam as pessoas com quem se cruzam com mimos. E no meio da conversa até são capazes de dizer: «Tem toda razão, temos de melhorar. Tem de nos ajudar a fazer melhor no próximo mandato.» Ao mesmo tempo que as enchem de papeis com fotografias e palavras quase bonitas.

Mas nem toda a gente acha graça a estas mudanças estratégicas e temporais. Foi o que aconteceu com o homem que olhou para o ainda vereador com cara de caso e falou num tom alto para todos ouvirem: «Não se ria para mim. Tenho mais vergonha na cara que você e a sua família toda.» E não é que o governante obediente, deu um toque na orelha e "desligou" imediatamente o sorriso?

(O uso deste desenho pode parecer sexista, mas não, é utilizado apenas como exemplo do esforço que as pessoas fazem para parecerem bonitas e simpáticas, neste período de demagogias, antes de sairem à rua. O que nem sempre resulta, como na anedota da senhora alentejana que pintou os beiços...)


sexta-feira, agosto 04, 2017

As Leituras de Férias...


Como de costume li bastante na quinzena de férias. 

Acabei por ler cinco livros. Dois, com letra maior viajavam no saco da praia (não dá muito jeito levar os óculos de ler para a praia...). Foram "Sexo 20" de Santos Fernando e "Talismã" de Mário Zambujal. O primeiro foi uma descoberta, de um autor com graça e de boa prosa. O segundo é um velho conhecido que já não me surpreende, achei mesmo este romance demasiado banal.

Lá por casa fui lendo coisas diferentes: "Fotografias de Lisboa" de Alberto Pimentel (um olhar de um portista sobre a Lisboa da segunda metade do século XIX, cheio de preconceitos e lugares comuns...); "Vale a Pena? - Conversa com Escritores", de Inês Fonseca Santos (gostei de ler... é um livrinho muito didáctico para quem quer perceber um pouco melhor as pessoas que escrevem...); e o último livro que li, foi aquele que mais me fez pensar, "A Terceira Condição", de Amos Oz. Ainda não tinha lido nada deste autor israelita e gostei, apesar de o achar ligeiramente repetitivo, mas a vida é assim mesmo, um dia atrás do outro...