domingo, setembro 23, 2018

Sexo Coloca Serralves em Alta


O Museu de Serralves está em alta graças à exposição de  Robert Mapplethorpe,  um fotógrafo inglês, excêntrico, que podemos considerar produto do movimento "hippie" e das tendências artísticas que se lhe seguiram, em que a diferença, o choque e a polémica, passaram a ser mais importantes que a chamada "beleza artística".

Muitas das suas fotografias são autobiográficas e exploram a sua vivência homossexual (fotografou amantes, focando os seus órgãos sexuais e também publicitou cenas de sadomasoquismo e bondage). Se hoje continua a não ser um autor consensual, imaginem na época... Sim, ainda  quem fale de pornografia, quando olha para os seus retratos, embora isso seja nitidamente outra coisa.

Mas vamos lá regressar ao Museu de Serralves e às 159 fotografias de Mapplethorpe...

Quando se soube que tinha sido colocada uma área restrita (com acesso apenas a maiores de 18 anos, com as tais as imagens com órgãos sexuais e de sadomasoquismo), houve logo um coro de indignados a falar de uma "decisão censória" da instituição, inclusive o anterior director artístico de Serralves (eu diria que não havia necessidade)...


Talvez tenha sido por isso que o primeiro a "abandonar o barco" foi o actual director artístico, João Ribas (demissão ainda cheia de "nuvens", embora ele tenha sido o principal alvo de todas as críticas...). 

O Conselho de Administração da Fundação de Serralves (onde também "mora" Pacheco Pereira, um dos nossos "paladinos da liberdade") divulgou um comunicado, em que diz praticamente nada, embora tente "lavar as mãos" e dizer que tudo o que aconteceu estava previsto, não proibiu, nem mandou retirar nada, as 159 fotografias foram todas escolhidas por João Ribas, que também é o curador da exposição.

Claro que nos próximos dias deverão surgir mais explicações, de parte a parte. A não ser que Ribas opte pelo silêncio e acabe por ser "réu e vítima" de todo este processo.

O título que coloquei nesta posta, além de ser provocatório, não deixa de ser verdade. A polémica e o objecto desta exposição - especialmente as duas salas onde o acesso é restrito a maiores de 18 anos -, vão levar muita gente curiosa a Serralves, e ainda bem. Vão ficar agradadas com o Museu, com os jardins e por que não, com a exposição, com e sem sexo?

(Fotografia de Robert Mapplethotpe - Patti Smith, sua companheira e musa inspiradora)

sábado, setembro 22, 2018

A Má Política e o Mau Jornalismo de Mão Dada...


Os partidos de direita e algum jornalismo pouco livre e tendencioso ("Expresso", "Correio da Manhã", "Observador", "Sábado"...), acharam por bem fazer da substituição de Joana Marques Vidal, como Procuradora Geral da República, um caso político. Até foram capazes de utilizar palavras como "saneamento" e "perseguição", em algo que até aqui tem sido consensual: a autonomia do Ministério Público e a separação de poderes com que se rege a nossa Constituição, só terão a ganhar com um mandato único de seis anos do procurador ou procuradora geral da República.

A pressão exercida sobre o Governo, o Presidente da República e a própria Joana Marques Vidal, só iria fazer com que a desejada renovação do cargo deixasse a Procuradora refém de uma direita - cada vez menos séria e mais trauliteira  - e de um jornalismo, cada vez menos pluralista.

Mas o mais grave é a forma como acabam por tentar comprometer a própria justiça portuguesa, pois com esta tentativa de transformarem Joana Marques Vidal numa "heroína insubstituível", tentam oferecer a imagem de que não existe  no nosso país "mais ninguém" capaz de exercer este cargo com independência e isenção.

E nem vale a pena falar da "pressão" que tem sido exercida há meses sobre o futuro Procurador Geral da República, antes de ele, ou ela, serem escolhidos...

sexta-feira, setembro 21, 2018

O Excelente "Big Mal & Companhia" do Gonçalo


Acabei de ler o ensaio, "Big Mal & Companhia", da autoria de Gonçalo Pereira Rosa, que recomendo a todos os leitores, especialmente aos largos milhares que gostam de livros e de futebol.

Os mais entendidos sobre o "Desporto-Rei", facilmente percebem que este título se inspira na época de 1981-82, em que o Sporting beneficiou da acção verdadeiramente revolucionária que Malcolm Allison  imprimiu no clube.  Acção relatada pelo Gonçalo com grande rigor e entusiasmo (ficamos colados às suas palavras da primeira à última página...).

Um dos principais atractivos deste livro é contar com o testemunho dos então pupilos do "Big Mal", que muitos anos depois reviveram e contaram, com emoção, muitas das histórias deliciosas que partilharam em Alvalade. É notório o seu orgulho por terem tido o prazer de serem treinados por um técnico diferente, que gostava de dar liberdade aos seus jogadores, para também lhes exigir responsabilidade, dentro e fora do campo. Esta nova filosofia acabará por colher bons frutos, tanto no campo desportivo como social. Além de terem conquistado o Campeonato Nacional, a Taça de Portugal e a Supertaça, nessa época inesquecível, todos recordam com alegria, a amizade, a camaradagem e o convívio que existia no plantel, dentro e fora do balneário.

Também é feita justiça a João Rocha, presidente do Clube na época, que além de ter sido o principal "arquitecto" desta equipa, é um dos grandes dirigentes da história do Sporting.

Um dos melhores elogios que posso fazer a esta obra, é que li ,as suas mais de trezentas páginas, em apenas três dias. 

Embora goste bastante de ler ficção, não posso deixar de salientar que este ano tive o grato prazer de ler dois excelentes ensaios escritos por dois jornalistas portugueses. Refiro-me a este excelente Big Mal & Companhia do Gonçalo Pereira Rosa e também ao melhor retrato  que li do inesquecível "Verão Quente", Quando Portugal Ardeu de Miguel Carvalho.

quinta-feira, setembro 20, 2018

Uma Mulher Só...


Hoje nas notícias televisivas da hora de almoço vi a reportagem sobre a Empresa Corticeira de Santa Maria da Feira, que foi obrigada a reintegrar uma operária que despedira.

Já conhecia o caso através dos jornais e sabia que a senhora tinha como nova função carregar paletes de madeira, de um lugar para o outro, provavelmente com o objectivo de a reduzir a "um farrapo humano" e conseguirem que ela acabe por ir embora, pelos seus próprios pés. 

Mas esta "mulher-coragem" não é de desistir às primeiras, parece ser um "osso duro de roer" (e ainda bem)...

Infelizmente esta prática é mais comum do que parece no nosso mundo laboral.

Mas o melhor da reportagem estava guardado para o fim, com o "espectáculo" dado pelos seus colegas de trabalho, 30,  através do testemunho de uma operária e de um operário: além de a culparem por tudo o que estava a acontecer, afirmaram que os trabalhadores da fábrica estão todos do lado do patrão...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, setembro 19, 2018

No Negócio do Futebol Tudo é Possível...


Daqui a alguns minutos vai acontecer algo inédito, o jogo entre o Benfica e o Bayern de Munique no Estádio da Luz, não será transmitido em nenhum canal (generalista ou por cabo), porque é possível a qualquer um de nós (desde que tenha uns milhões no bolso...) comprar o pacote de jogos da Liga dos Campeões...

Nem sei o que diga... 

Aliás, até sei. Sou obrigado a falar deste "capitalismo" que destrói tudo à sua volta, e claro, da "ganância humana", deste hábito de querer muito dinheiro, a qualquer preço, e o mais rapidamente possível.

Sei que por este caminho, um ano destes, vamos acabar até por ter de "pagar" o Sol, pelo menos aquele que surge de mãos dadas com o Oceano Atlântico.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, setembro 18, 2018

A Perda de Identidade...


Quando mudamos de país, é natural que com o passar do tempo, acabemos por ficar "aculturados". Só se vivermos num "guetto" é que conseguiremos resistir ao "novo mundo" que nos rodeia.

Esta evidência transporta aspectos positivos e negativos, como quase tudo na vida.

Falámos disto enquanto bebíamos café, porque um rapaz de cor escura, na mesa ao lado, vestido de fato completo e gravata, era completamente ocidental.

Quase ao jeito de anedota, o Carlos disse que já não havia pretos como antigamente, vestidos com roupas garridas e sem nunca prescindirem da companhia de uma máquina fotográfica ao peito, rádio numa mão e bicicleta noutra.

Sorrimos todos.

Foi então que a Rita disse que uma boa parte dos africanos deveria continuar a gostar destas coisas, mas como o olhar dos outros é muitas vezes castrante e olham-se ao espelho antes de sair de casa...

Eu abanei a cabeça e disse que sim. Acredito que muitos dos que nasceram em África, tal como aqueles que se orgulham das suas origens, continuam a gostar das cores vivas, da música, que quase lhes corre no sangue, e até da magia da fotografia...

O rapaz  da mesa ao lado provavelmente nasceu por cá e foi educado como se fosse um de nós. Ou seja, apesar da tonalidade da pele, é um europeu... nem sei se neste caso possa falar de perda de identidade.

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, setembro 17, 2018

O País Real e o "País do Costa"...


Já todos percebemos que o "país do Costa" é quase uma pequena maravilha, onde tudo funciona bem e se vive muito melhor que nos tempos do "pesadelo da troyka".

O problema é quando enfrentamos o país real, depois da esquina, que é bem diferente da "terra do Costa". Por aqui tudo aumenta, menos os ordenados...

E se tivermos a "sorte" de viver próximo de um "centro de atracções para turistas", descobrimos ainda mais novidades: um país com restaurantes de ementas em inglês e com preços quase proibidos para os nativos (deve ser por isso que o português está a fugir dos preçários...); um país com mercearias orientais prontas para vender garrafas de água grandes a euro e meio, a quem não peça água em português; um país com esplanadas que vendem em pleno dia imperiais ao preço de bares e discotecas...

E não vou falar da saúde, da educação, dos combustíveis e das rendas de casa. Fazem parte do tal pacote "onde tudo aumenta"...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, setembro 16, 2018

Domingo, Dia de Pintar Paredes...


Um domingo grande, que começou cedo e acabou tarde...

Eu sei que talvez tivesse sido mais fácil contratar um pintor, mas de certeza que seria menos cansativo e também menos divertido (e menos barato, claro...).

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, setembro 15, 2018

Um Dia de (aparente) Mudança ...


Há momentos únicos, umas vezes por razões que a razão desconhece, outras por que a espontaneidade e o sentimento colectivo podem surpreender o mais incrédulo. Foi assim no dia 15 de Setembro de 2012, que obrigou Passos Coelho a mudar ligeiramente de rumo...

Hoje as coisas estão mais complicadas, porque temos um primeiro-ministro desarmante, que até consegue deixar quase sem palavras de protesto o "rei dos sindicalistas"...

Mas o meu propósito é deixar aqui o poema que escrevi sobre este dia exaltante, com tanta gente na rua a dar vivas à Liberdade, à Democracia e à Unidade... (poema que faz parte da "3.ª Exposição de Poesia Ilustrada da SCALA, patente na sede /galeria desta associação almadense).


15 de Setembro de 2012 

Não sei quantos éramos
Não perdi tempo a contar
Sei apenas que éramos muitos
Os que estávamos ali a caminhar.
Queríamos um outro país
Ainda com espaço para sonhar.

Mas sabíamos que não íamos lá
Apenas pelo sonho.

Era preciso lutar!

E de punho erguido
O povo voltou a gritar
Que se estivesse unido
Jamais seria vencido
Mas mais importante
que aquele grito
Era acreditar.

Sabíamos que não íamos lá
Apenas pelo sonho.

Era preciso lutar!


Luís [Alves] Milheiro

quinta-feira, setembro 13, 2018

Não Olhamos da Mesma Forma para as Mesmas Coisas...


Hoje estive à conversa com um amigo e entre outras coisas falámos sobre um lugar-comum, que fingimos ser quase incomum...

Mas a realidade passa o tempo a dizer-nos que raramente olhamos da mesma forma para a mesma coisa... não é muito difícil de perceber que a "alma gémea" existe pouco fora dos filmes e dos livros.

Isso nota-se de uma forma mais nítida na vida a dois. Mas o treino começa cedo, quando temos irmãos...

Felizmente existem coisas que são de tal forma boas, que é difícil não gostar delas (não estou a falar da Marylin Monroe...), como uma canção, um livro ou um filme dos melhores... São a excepção que confirma a regra.

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, setembro 12, 2018

«Não me digam que estavam à espera que as coisas mudassem por cá, no nosso cantinho!»


Mesmo que não seja hábito dizermos que andamos a "virar frangos" há muito tempo, ou utilizar outro lugar comum ainda menos eloquente, «desta gente espera-se tudo», é notório que começamos a ser cada vez menos crédulos. Parece-me que o único que escapa da nossa mesa é o Manel, o mesmo bom rapaz de sempre.

Ou seja, não conseguimos passar ao lado das últimas notícias sobre os "chico-espertos" de Pedrogão Grande, que se aproveitaram da existência das habituais "vírgulas", que existem nos contratos, com a cumplicidade de alguém  ligado à autarquia, para conseguirem uma casinha nova, nas suas segundas e terceiras habitações, à conta de donativos, que só foram possíveis graças à boa vontade de milhares de portugueses.

Houve quem falasse como se este acontecimento fosse uma coisa "anormal"  no nosso país. Foi preciso a Rita colocar ordem na mesa e dizer: «Não me digam que estavam à espera que as coisas mudassem por cá, no nosso cantinho!»

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, setembro 11, 2018

A Resistência e a Liberdade Novaiorquina...


A bonita  "Livraria" da nossa Maria Vieira da Silva pode ser tanta coisa...

Sim, os livros da Maria também podiam ser "arranha-céus", daqueles que transformaram Nova Iorque numa cidade única, e que hoje continuam a ser um símbolo maior, de Resistência e de Liberdade...