A habitual convivência do nosso país com crises e dificuldades, sempre um foi campo aberto a muitas especulações.
Os defensores das "batalhas campais", gostam de repisar a nossa "paz podre". Culpam quase sempre a não participação portuguesa na Segunda Guerra Mundial, e até, o quase nulo derramamento de sangue na Revolução de Abril, como os culpados desta quase passividade, com que encaramos o futuro, neste quase "mar sem ondas", apesar da proximidade do Atlântico.
Não penso assim. Acho que se tivéssemos participado nessa Guerra e se têm havido confrontos mortais na nossa caminhada para a Liberdade, existia sim mais ódio entranhado nos nossos corações, menos palavras e provavelmente ainda mais passividade, e da depressiva.
Não acredito que as guerras mudem o carácter dos povos. Deixam sim mais sombras em redor dos olhos e do coração...
Eu sou daqueles que não louvo o Salazar por nada, nem mesmo por não termos entrado na Segunda Guerra, muito menos os bispos das orações, do Cristo Rei e da Senhora de Fátima.
O nosso fado só mudará quando se esbater a chamada "pobreza de espírito", que tanto serve para os Dias Loureiros, capazes de enriquecer de um dia para o outro, de forma completamente abusiva e desonesta, como para os trabalhadores capazes de aceitar humilhações atrás de humilhações, sem se unirem e revoltar, sempre à espera de uma qualquer ajuda divina. Era bom que de vez enquanto questionassem: «E se Deus não existe? E se nós estamos entregues a nós próprios?»
Mais uma conversa de café a fazer-me estender o lençol...
A fotografia é do inesquecível Robert Doisneau...







