sexta-feira, outubro 30, 2020

A Importância da Verdade Já não é o que Era...


O candidato democrata escolhido para as presidenciais dos EUA é péssimo (passa-se qualquer coisa estranha com este partido, que não consegue arranjar um homem ou uma mulher, com carisma suficiente para ser o presidente de todos os norte-americanos...), mas, apesar de tudo, oferece uma imagem de maior credibilidade que o actual presidente, que é, provavelmente, o político mais mentiroso da história.

Claro que esta é apenas a minha opinião. Digo isto porque durante o jantar a conversa foi até aos EUA e vi o meu filho a achar que um "aldrabão" é melhor presidente que um "velho caquético", com o apoio da irmã... E por mais argumentos que nós, pais, usássemos para os demover, percebemos que não íamos lá. 

Cheguei à conclusão, que neste mundo virado do avesso, a verdade deixou de ter a importância de outros tempos, pelo menos para as novas gerações...

E há ainda outra questão, ligada à escolha do candidato da oposição: será que os democratas estão mesmo interessados em governar os Estados Unidos da América?

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, outubro 29, 2020

Nós e os Outros...


Não há qualquer dúvida, de que somos um povo especial. Onde quer que chegamos, tentamos nos inserir nas sociedades locais, criando o mínimo de problemas aos que já lá estão. É por isso que também somos vistos muitas vezes como "subservientes", o que nem sempre corresponde à verdade, pois respeito não sinónimo de subserviência.

É mais uma postura onde se mistura a inteligência e a esperteza como emigrantes, porque não é difícil de perceber que quanto menos problemas criarmos aos outros, menos problemas irão sobrar para nós. Claro que pode ser entendido de outras formas, mas para mim é uma maneira inteligente de se sobreviver num país que nos é estranho.

Todas estas palavras porque noto que os estrangeiros, tão "civilizados" nos seus países, quando chegam a Portugal, acham que podem fazer tudo e mais alguma coisa, por serem de uma forma geral bem recebidos. 

O exemplo televisivo de hoje da Nazaré, é um bom exemplo, uma boa parte das pessoas que circulavam pela encosta próxima da Praia do Norte, sem máscara, eram turistas de outros países. 

E se sairmos das nossas fronteiras, basta vermos o que continua a acontecer em França, com os ataques de cariz religioso, por parte de quem não só não se insere na sociedade local, como ainda destrói e mata, quem está. Para mim é algo inclassificável. Prefiro que sejamos olhados como o "país das porteiras e dos pedreiros" (que felizmente está distante da realidade actual), que de assassinos.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, outubro 27, 2020

«Que gente é esta, que se alimenta diariamente da miséria alheia?»


O Manel perguntou-me: «Que gente é esta, que se alimenta diariamente da miséria alheia?» E depois mudou de canal.

Respondi com um muito curto, «não sei.»

E não sei mesmo. Faz-me muita confusão a vidinha destas apresentadoras de programas televisivos, que selecionem todos os dias um drama, daqueles que fazem chorar as pedras da calçada. 

O Manel pensa, que talvez as Cristinas, as Júlias e as Fátimas, estejam de tal forma "viciadas" com as suas "séries dramáticas", que não passem sem o choradinho diário, sem a descoberta de alguém que nasceu sem um braço ou uma perna, e que mesmo assim, consegue sobreviver. Ou alguém que já colecciona o quinto cancro e é um "campeão", porque os vence todos, como um "hércules".

Estivemos ambos de acordo, de que estes espectáculos diários, desumanizam, ainda mais, as pessoas (apresentadoras incluídas). 

Já escrevi sobre isso aqui no "Largo", e continuo a não perceber as gentes que ficam presas diariamente ao pequeno écran (que é cada vez maior, cada vez mais parecido com o cinema...), quase a "festejar" a dor dos outros e à espera da "sorte grande", com os seus telefonemas mágicos, que alimentam o "circo".

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, outubro 26, 2020

Contradições & Discriminações


Eu sei que o futebol é o desporto mais problemático (graças às famosas "claques" e à violência que lhes está associada...), mas acho que se está a ir longe demais, com o afastamento do público das bancadas dos estádios.

Desde que se abriram as portas de outros espectáculos ao público, que existem demasiadas contradições, e claro, discriminação, por parte das autoridades de saúde e dos nossos governantes, em relação ao futebol (até por ser um desporto praticado ao ar livre).

Nem mesmo o facto de movimentar milhões, fez com que tivesse merecido a condescendência que se teve, por exemplo, com a Fórmula 1 no Algarve (como pudemos verificar através das imagens divulgadas...). 

Sem querer entrar em polémicas, sei que inicialmente foram colocados à venda 46 mil bilhetes (também se venderam bilhetes para o peão...) que depois, perante a impossibilidade de ter tanta gente dentro autódromo - a DGS só autorizou a presença de  27 mil e quinhentos espectadores -, a organização falou não só em devolver o dinheiro dos bilhetes, mas também em se arranjar uma alternativa para eles (qual foi, alguns também entraram no autódromo?).

É provável que tenham existido pressões internacionais para que houvesse mais público que o normal. O que até se percebe, se pensarmos que o passe para o fim de semana para as bancadas, tinha um preço médio 350 euros... Pois é, não estamos a falar de tostões. Um espectador de Formula 1, vale pelo menos dez de futebol.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, outubro 25, 2020

«Achas que ainda se sonha?»


Às vezes dizemos coisas, que parecem quase infantis. Mas muitas vezes são mais que isso. Como a pergunta que me fizeram, dentro de um contexto passadista e misturada com a conversa: «Achas que ainda se sonha?»

A ideia de que todos os sonhos são possíveis, nunca foi tão alimentada como nos nossos dias (ao ponto de desvalorizar essa coisa boa que é o sonhar...). Foi por isso que a pergunta acabou por fazer algum sentido.

Claro que sim. E vai sonhar-se sempre... mas talvez hoje se sonhe de forma diferente, porque o tempo que se vive também é diferente (não tem nada a ver com a pandemia, mas sim com a voracidade dos dias...), eu pelo menos tenho a sensação de que as horas nunca tiveram tão poucos minutos.

Talvez ontem os sonhos fossem mais povoados, existissem mais coisas "impossíveis".

(Fotografia de Luís Eme - Setúbal)


sábado, outubro 24, 2020

Bordalo II na Terra do Bordalo I


A fotografia não ficou grande coisa, mas dá uma ideia da obra artística realizada por Bordalo II (devia ser III...), na terra que inspirou o Bordalo I  na arte de trabalhar o barro artisticamente (esse mesmo, o genial Rafael...), nas Caldas da Rainha.

Obra cujos efeitos luminosos recomendam que seja apreciada à noite...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)


sexta-feira, outubro 23, 2020

O Cinema não é Para Todos (e menos ainda para todas...)


Hoje ao ler o "Ípsilon" (Público), fui surpreendido pela história do filme, "O Movimento das Coisas", realizado por Manuela Serra, entre 1979 e 1985, que nunca foi exibido em salas de cinema. 

Trinta e cinco anos depois, a longa metragem que procura fazer o retrato da aldeia de Lanheses, no Norte do País, vai ser, finalmente, exibida no "Festival Lumière", que se realiza em Lyon. É um certame muito peculiar, pois gosta de recuperar filmes esquecidos, com cópias novas ou exibir filmes que nunca espreitaram para dentro de nenhuma sala de cinema.

Curioso, quis conhecer a realizadora, que se afastou da sétima arte completamente desiludida com as pessoas do meio, como explicou na entrevista que deu ao suplemento cultural do diário. Retive algumas frases bastante incisivas, que a marcaram para sempre: 

«O mundo do cinema é dos homens. Agora talvez um bocadinho menos, mas na época eram só homens. As mulheres que entravam na porta do cinema eram ”as mulheres de...”, “as sobrinhas de...”,  “as filhas de...”. E as mulheres entre si não são solidárias. Ainda hoje sinto isso: é um mundo marcadamente masculino.»

«Esse mundo masculino trouxe-me a impossibilidade de me manter no meio: assediada, ignorada, insultada, agredida fisicamente. Portanto, tinha é que me retirar.»

Embora conheça algumas pessoas ligadas ao cinema, nunca entrei verdadeiramente nos bastidores desta arte, mas sei que é um "mundo" muito fechado, em que a distribuição de apoios é provavelmente mais "viciada", que em qualquer outra área da cultura. Trocando isto por miúdos: há quem passe a vida toda de cineasta a filmar "à nossa conta" e há outros realizadores que não conseguem realizar um único filme com apoios públicos... E isto está longe de acontecer apenas por questões de qualidade. 

E não vale a pena pintar a realidade, de azul ou amarelo. Se é muito triste ser-se criador no nosso país, criadora parece que ainda continua a ser mais difícil...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, outubro 22, 2020

A Beleza "Boneca Insuflável"


Nestes tempos em que há muitas mulheres que continuam a lutar com as "armas" que têm ao seu dispor, contra todo o tipo de abusos, discriminação e exploração, não percebo as jovens que seguem em "sentido contrário", que querem ser apenas "um corpo", especialmente nas redes sociais, para conseguirem muitos seguidores nas redes sociais (e o respectivo rendimento, claro...). 

Há aqui no mínimo um contrassenso que foge à minha compreensão. Apesar de lhes reconhecer a liberdade de fazerem o que muito bem entenderem, acho que a forma como expõem o corpo  (usam cada vez menos roupa...), e até como o alteram (fazem operações plásticas aos lábios, seios, coxas e glúteos), tornando-se em meros objectos sexuais, contrariam a "luta"  de longos anos das suas mães e avós, pela igualdade de oportunidades e de género, sem qualquer tipo de discriminação.

Até porque como homem, acho horrível o modelo de beleza popularizado pelas "Kardashians", com lábios grossos, seios volumosos e coxas e nádegas excessivas, que lembram, sobretudo,  "bonecas insufláveis".

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quarta-feira, outubro 21, 2020

Uma Escrita Feminina tão Social


Estou a acabar de ler o livro, "Contos Completos", de Graça Pina de Morais, uma autora pela qual senti sempre uma grande curiosidade e que nunca tinha conseguido ler (as suas obras publicadas já estavam esgotadas e nunca as encontrei disponíveis em bibliotecas...).

Encontro alguma familiaridade com a escrita de Maria Judite de Carvalho, porque a sua ficção nunca foge dos nossos dias, sentimos as personagens à nossa volta (sim, conhecemos pessoas assim...), assim como os dramas, domésticos ou familiares.

Embora não sinta que a sua escrita seja marcadamente feminina, quase todos os seus contos falam sobre mulheres fortes e sofridas, o que é natural. Ainda por cima tanto a Graça como a Maria Judite, viveram num tempo em que reinava o masculino em todas as áreas da sociedade, inclusive nas artes e letras. 

Gostei muito da escrita da Graça Pina de Morais, tal como já tinha gostado da escrita de Maria Judite de Carvalho, quando a li pela primeira vez, porque estão ali as nossas vidas.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, outubro 19, 2020

Quando a Mentira nas Redes Sociais Mata


Não sei se a morte do professor de história, Samuel Paty, na sexta-feira em Paris (decapitado por um fundamentalista de 18 anos...), mudará alguma coisa em relação às mentiras e ao ódio, que são destilados diariamente nas redes sociais.

O jovem assassino foi morto pouco tempo depois nas ruas de Paris, pela polícia, mas continuo sem saber o que irá acontecer ao pai da aluna (que nem sequer estava na aula mas disse lá por casa que o professor tinha mostrado um homem nu e dito aos alunos que era Maomé...) que espalhou a "mentira" e o ódio nas redes sociais, através dos vídeos que publicou. Não tenho grandes dúvidas de que ele é o autor moral de mais esta tragédia parisiense.

Sinto que se as pessoas não colocarem os pés no chão e abrirem os olhos, o nosso dia a dia tornar-se-á cada vez mais estranho e perigoso.

Esta coisa de se viver em "mundos paralelos" e de se acreditar apenas naquilo que nos apetece ou convém, destrói qualquer sociedade, por mais democrática que queira ser.

(Fotografia de Luís Eme - Paris)


domingo, outubro 18, 2020

O (Nosso) Velho Hábito de Proteger os Mais Fortes


Muitas vezes, quando falo de "nós", portugueses (sobre vários temas...), tenho a consciência de que os problemas que abordo são  capazes de ser "universais", ou de pelo menos não se limitarem a este nosso rectângulo acidentado, tão apetecível para reformados da Europa ou empresários do Oriente.

Neste caso particular, do velho hábito de se protegerem os mais fortes (acontece em quase todos os sectores da sociedade...), talvez seja uma coisa mesmo nossa (e de países com democracias recentes...). Continuo a sentir que instituições como a igreja católica, ou os nossos tribunais, ainda não se conseguiram libertar das marcas que ficaram do regime anterior. O normal é vermos um bispo ou um padre, a ladear quem tem mais poder e riqueza, e não os mais desprotegidos da sociedade. E nem vale a pena falar do sentimento de impunidade dos "poderosos" em relação à justiça, que também não nos deixa grandes dúvidas...

Abrindo outra "porta", acaba por ser natural ouvir o presidente do Sporting, queixar-se de que não merece o mesmo tratamento por parte dos árbitros, que por exemplo o Porto ou o Benfica. Claro que, embora tenha razões de queixa, está longe de ser uma "vítima". Como se costuma dizer, "está a queixar-se de barriga cheia". Vítimas são o Tondela, o Farense, o Moreirense e os outros pequenotes...

(Fotografia de Luís Eme - Sesimbra)


sábado, outubro 17, 2020

Fácil é... mas não é a mesma coisa...


Na verdade, nem sempre se escreve para alguém, além de nós... Mas se pudermos contar com mais alguém, tanto melhor. Isso passa-se com os livros, mas também na blogosfera, ou noutro lugar qualquer.

Toda esta prosápia porque não concordo com o João, quando ele diz: «É fácil escrever para ninguém, é tão fácil como escrever para alguém.» Ou então, talvez este "ninguém" estivesse dentro da peça Frei Luís de Sousa, e fosse mesmo alguém.

Fácil até pode ser... mas não é a mesma coisa. Todos os que escrevemos, fazemo-lo, entre outras coisas, para ser lidos. Ponto final.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)