quarta-feira, junho 20, 2018

Os Tempos de "São Ronaldo"...


Até agora, ver a nossa Selecção jogar no Mundial, afecta o sistema nervoso de qualquer português.

Há vários jogadores abaixo do que valem (Raphael Guerreiro, José Fonte, William Carvalho, João Moutinho, Bernardo Silva, Gonçalo Guedes... ou seja, mais de meia-equipa), o que acaba por comprometer a resposta ao jogo, que continua a ser, sobretudo, colectivo.

E depois isto acaba por ser contagiante... Quase toda a equipa perdeu demasiadas vezes a bola, com muitos passes falhados, alguns dos quais na direcção dos adversários, e em zonas proibidas.

A nossa sorte tem sido Rui Patrício, Cédric, Pepe (que mesmo sem estar no seu melhor, é imprescindível...)  e Cristiano Ronaldo, mais uma vez o "Salvador da Pátria".

Se se mantiver a teimosia do nosso treinador, sempre muito conservador (incapaz de alterar o onze base, mesmo quando tem um Mário Rui, um Adrien, um Manuel Fernandes, um Ruben Dias, um Quaresma ou um André Silva no banco...), desta vez ficaremos pelos oitavos de final...

(Fotografia retirada do "site A Bola")

segunda-feira, junho 18, 2018

O Uso e Abuso dos Pobres Desgraçados...


Enquanto subia a avenida, depois de assistir a um momento degradante, pelo menos para mim, pensei no  Luiz Pacheco, um escritor e editor, que em nome do "neo-abjeccionismo" (o que quer que isso seja...), fez coisas impensáveis para um ser humano, privando todos os que com ele viviam, de uma vida próxima do normal...

Pensei nele sem conseguir explicar muito bem porquê. Ele não seria o "espelho" do vagabundo alcoolizado que dançava e dizia ordinarices, junto a um bando de comerciantes, que ria a bom rir, - assim como todos os que estavam sentados na esplanada, a assistir ao "espectáculo de borla" - por terem contratado um "palhacito" apenas a  troco de uma imperial e de uns tremoços...

Continuei a minha caminhada, sem conseguir achar piada ao uso que faziam daquele pobre diabo... Mas talvez o problema fosse meu...

(Desenho de François G. Menageot)

domingo, junho 17, 2018

Café, Imperiais e Roupa Leve...


Diz-se que falamos do tempo quando temos pouco ou nada para dizer...

É um pouco assim, desde pequenote que me lembro de ouvir dizer, em jeito de laracha, que se amanhã não chover, vai estar um rico dia.

E hoje já esteve um dia daqueles, com perfume marroquino, acompanhado de calções, blusas decotadas, sandálias e chinelos.

E enquanto bebia café (um pouco tardio, já almocei a "horas de artista"...) reparei na quantidade de mulheres, dos trinta aos setenta, que bebiam imperiais na esplanada.

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, junho 15, 2018

O Jogo e o Espectáculo...


O futebol tem dentro de si muitas coisas curiosas. Uma delas é a forma como cada um de nós o olha e vive. 

Ainda há quem consiga olhar para o jogo como uma modalidade desportiva, quem goste do jogo pelo jogo, ao mesmo tempo que se se espanta com a criatividade e o talento dos jogadores, que por alguns momentos se aproxima do que chamamos "arte"... Claro que começam a ser uma raridade.

A maior parte das pessoas olha para o futebol como um espectáculo, cuja beleza plástica não se resume ao que se passa dentro do relvado, mas sim a tudo o que o rodeia, quase sempre influenciados pelas "máquinas publicitárias" e por essa doença moderna que se chama "clubite aguda". É por isso que uma boa parte dos espectadores não vão ao futebol à procura de um jogo bem disputado, vão sim ver os seus clubes preferidos ganhar, sem se preocuparem muito se foram os melhores. Só a vitória conta. É como se o espectáculo de futebol fosse, aparentemente, um espaço só para "vencedores"...

É por estas "diferenças de olhar", que há quem prefira ver o jogo no sossego do lar e quem se equipe a rigor para visitar os estádios ou os espaços públicos, com ecrãs gigantes, transformados em "cine-estádios" (como agora com o Mundial...), onde entre outras coisas, se partilham emoções...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, junho 14, 2018

Esta Vida de Cão...


Ontem fui perseguido de uma forma ligeira por um cão, aparentemente vadio. Andou atrás, ao meu lado, à minha frente, uns bons mil metros.

Olhava-me como não quer a coisa, mas ia mantendo a distância, sem abrir a boca e sem me perder de vista.

Reparei nas cicatrizes no focinho e no lombo, feitas por gente como nós. Pensei que, nem mesmo assim, ele deixava de acreditar nos "humanos"...

Talvez fosse o cão que morou durante algum tempo no quintal paralelo ao da minha sogra, que várias vezes recebeu das minhas mãos alguns ossos, para "enganar" a aparente falta de alimentação. Mas se era, estava muito mais velho, marcado e feio...

Desta vez, como precisava de comprar pão, acabei por lhe trazer uma lata de um "paté" especial para caninos. Mas quando saí da loja já ele já se tinha feito à estrada. Tive de o perseguir. Quando me viu ficou na defensiva. Como todos nós, sente-se mais confortável a seguir que a ser perseguido...

Dei-lhe quase um grito, ele lá parou e ficou a olhar-me, na dúvida, a alguma distância. Abri a lata, mostrei-lha e coloquei-a rente aos contentores e virei costas...

Assim que me viu a ir à minha vida, quase que correu, para ver a surpresa que o esperava...

A caminho de casa, lá fui pensando nos muitos "amigos" de animais que andam por aí, que além de os abandonarem à sua sorte, gostam de os tratar como "sacos de pancada"...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, junho 13, 2018

A Capacidade de Dizer Muito com Poucas Palavras...


Sempre gostei da capacidade de síntese dos poetas, de como são capazes de dizer tanto, utilizando poucas palavras.

Uma das nossas poetizas mais brilhantes, Sophia de Melo Breyner Andresen, tem poemas curtos, únicos, mesmo que  ela não pensasse na "poupança" que fazia das palavras, enquanto desenhava os poemas na sua cabeça...

Eu sei que há quem não concorde com este meu gosto. Ainda há pouco tempo tive de esgrimir argumentos com um quase "erudito das palavras bonitas", sem que chegássemos a qualquer conclusão. 

O que mais retive foi a importância que ele dava à "repetição", como se os poemas se resumissem a canções e precisassem de "reforços" para ficar a cirandar junto dos ouvidos das pessoas...

Felizmente os gostos podem-se discutir (ao contrário do que se diz por aí), mas não é por isso que mudam...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, junho 12, 2018

«Não estejas à espera de ética no amor»


Há homens que fingem perceber mais de amor que o resto da "matilha", por terem aberto e fechado muitas portas a mulheres.

Era por isso que aquele "belo exemplar" insistia para com o Pedro: «Não estejas à espera de ética no amor, já tens idade suficiente para não ser passarinho». Com o seu ar experimentado acrescentou: «resume-se tudo ao desejo e à paixão, e quanto mais acesa melhor.»

Eu sabia que o amor era como tudo na vida. A falta de ética, ou não, resumia-se apenas ao carácter de cada um de nós, mas preferi ficar em silêncio...

Mas a Cristina, cansada das entradas do "galã sem ética", trouxe para a mesa uma sua investida frustrada, com mais de vinte anos, quando ainda namorava o companheiro e ele tentou pôr-se no meio, pintando a manta do "amigo" da pior maneira possível.

E a sorrir continuou, dizendo que o amor era demasiado cego para pensar em coisas como a ética. E contou que à medida que ele escurecia o esboço do agora marido, ela descobria-lhe novos encantos, borrifando-se para a sua "música de serrote"...

Acabámos todos a sorrir, por descobrirmos que a "crista de galo" estava a desaparecer e também por percebermos que um bocadinho de "falta de ética" (as mulheres são melhores que nós a descobrir "carecas"...) nas conversas pode dar cabo de "muitas certezas"...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, junho 11, 2018

«Sei que escreve coisas...»


«Sei que escreve coisas...» 

Ela com esta frase curta sintetizou da melhor maneira a minha carreira literária.

Foi fazendo perguntas que eu respondia economizando as palavras, porque era um daqueles dias mais para pensar que para falar...

E se me fez pensar. Talvez  estivesse tudo errado... 

E claro que era vaidoso, por muito que me fingisse um simplório. 

Se fosse mesmo esse gajo simples que gosto de fingir que sou, limitava-se a escrever coisas em cadernos pretos ou sebentas, sem pensar nos outros. 

Cadernos que poderiam dar jeito para acender a lareira no Inverno, quando nos escasseiam os jornais na casa da Beira...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, junho 10, 2018

Portugal, Futebol e Telenovelas...


Hoje Dia de Portugal, com as Comunidades, o Camões e até a "Raça", a um pequeno passo, apetece-me escrever sobre o absurdo de toda esta "futebolização" televisiva, que consegue dar cabo da paciência a qualquer pessoa, por muito que goste de futebol.

Eu pergunto: será que os principais clubes (Benfica, Sporting e Porto) são assim tão importantes para a maioria dos portugueses, ao ponto de serem notícia em todos os canais televisivos noticiosos? Acredito que não. E vou mais longe, passávamos todos bem melhor sem termos de assistir, de "camarote", a todas estas misérias alheias.

É por isso que não percebo todo este "tempo de antena", muito menos a atenção que se dá ao "ditador de Alvalade", que ofende diariamente a inteligência de qualquer pessoa com as suas intervenções, até por normalmente não responder às questões que lhe são colocadas. Só por este pequeno grande pormenor, os jornalistas deveriam virar-lhes costas e deixarem-no a falar sozinho. Se gosta de discursar horas e horas para as câmaras (à boa maneira "fedeliana"), tem a televisão do seu clube, aliás, a única que recomendou aos sportinguistas...

Quem esteja de fora, deve pensar que anda tudo maluco. E deve questionar-se: como é possível perderem-se tantas horas, com insignificâncias, que não contribuem com nada de positivo, para o nosso país? Até porque há muito que  estes acontecimentos deixaram de ser tratados como notícias. São sim, meros "folhetins de telenovelas"...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, junho 09, 2018

As Minhas Visitas à Feira do Livro...


Este ano fui duas vezes à Feira do Livro, e como de costume, trouxe mais livros do que tinha planeado, inicialmente.

Da primeira vez fui lá quase de propósito à procura do livro de fotografias de Paulo Nozolino o segundo número da colecção Ph (publicado pela Imprensa Nacional).

Na segunda vez fui em busca da poesia de Rosa Alice Branco e da Cláudia R. Sampaio. E lá vieram outras coisas, por acréscimo (aquelas coisas que chamamos "pechinchas" e acreditamos ler um dia destes...).

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, junho 08, 2018

Coisas Perigosas (Quase Escondidas)...


Esta fotografia é apenas um exemplo das coisas dramáticas e perigosas, que quase não se vêem, porque estão ligeiramente distantes do "mundo", mas que existem "aos pontapés" neste nosso Portugal, de Norte a Sul.

Normalmente não são lugares de passagem. E por isso mesmo, não são assunto de conversa ou de crítica, não se fazem abaixo-assinados nem se faz "tremer o mundo" através do facebook...

Este cais completamente arruinado fica exactamente no Olho de Boi,  um quase "bairro" de antigos operários de Almada, à beira Tejo, rente às antigas instalações da Companhia Portuguesa de Pesca.

(Fotografia de Luís Eme)