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domingo, agosto 23, 2015

A Chuva de Verão


Gosto da chuva de Verão, provavelmente por ela nunca ser duradoura.

Aparece e desaparece num ápice, ao mesmo tempo que nos deixa o cheiro agradável a terra molhada, para quem  mora em lugares onde ainda existem pequenas amostras de campos e jardins... E amanhã de certeza que as ruas da cidade também vão cheirar menos mal, depois destes últimos meses fartos em calor...

Os únicos que não devem achar muita graça à coisa são os agricultores, que já estavam a fazer contas de cabeça e à espera que fosse declarada "seca", de Norte a Sul... mas a natureza (e o São Pedro...) gostam de ser desmancha-prazeres e ainda bem.

Claro que não fui dançar para a rua como o Gene Kelly, mas que foi bom sentir os fios de água a salpicarem-me a roupa e o rosto, foi.

sábado, março 22, 2014

As Árvores e a Poesia


Ontem não escrevi nada por aqui sobre as árvores e sobre a poesia, de propósito.

Não me apeteceu deixar um poema, muito menos meter-me com a natureza, com as plantas, tão maltratadas por muitos de nós, apesar de serem essenciais à vida...

Tinha pensado em escrever sobre a minha relação com elas, por terem entrado em tempos diferentes na minha vida, por razões absolutamente naturais. 

Por ser descendente de agricultores, desde muito cedo me habituei a conviver com a natureza. Excluindo os quinze dias passados na praia, eu e o meu irmão passávamos os mais de dois meses das férias grandes em Salir de Matos, na casa dos meus avós.

À distância de mais de quarenta anos, sinto que o tempo não era barreira para nada, ou seja, tínhamos tempo para tudo...

Além das mil e uma brincadeiras com amigos, visitávamos as fazendas do avó (a Ambrósia, o Arneiro, a Várzea, o Vale da Moira...), onde eu e o meu irmão éramos mais "pisadores" que ajudantes...

O avô era um mestre das coisas da natureza, estava sempre pronto a ensinar-nos e a explicar-nos o ciclo da vida das plantas. E também gostava de nos contar histórias (uma boa parte eram lendas populares que vinham de gerações). Ainda o consigo ver, ele sentado na cadeira da cozinha e nós sentados nas escadas de pedra que davam para a "casa de fora", muito atentos e em silêncio.

Da poesia não encontro um rasto... Camões deve ter sido o primeiro poeta que me foi oferecido, já na escola primária (o Bocage era espalhado de boca em boca, nas anedotas em que era sempre mais esperto que os espanhóis, franceses ou ingleses, mas nesses tempos não fazia ideia que fosse poeta...).

Na secundária conheci mais poetas. Gostava sobretudo da Sophia...

Pessoa descubro-o já no fim da adolescência. Era impossível não ficar deslumbrado com tanto talento "circense". Sim, ele era palhaço, domava leões, fazia malabarismo e também muito ilusionismo. E fazia tudo bem...

Os seja, a natureza foi-me imposta pelas raízes familiares. A poesia não, foi (e continua a ser) descoberta por mim.

Nesta imagem apareço eu e o meu irmão, disfarçados de agricultores, nos finais dos anos 1960, na Ambrósia...

terça-feira, janeiro 22, 2013

Quando as Árvores Decidem Morrer Deitadas


Um dos aspectos mais tenebrosos destes dias de vendaval, foram as muitas árvores que se deixaram derrotar e decidiram morrer deitadas, contrariando o velho hábito de se despedirem da vida de pé.

E tanto posso falar das árvores centenárias da Serra de Sintra, do Parque das Caldas da Rainha e de tantos outros lugares quase paradiziacos, como de árvores produtivas como as oliveiras, laranjeiras ou pereiros, que também não aguentaram as tropelias do tempo.

O óleo é de Z. Z. Wei.

quinta-feira, abril 19, 2012

O País do Salazar já Anda por aí, à Espreita, numa Esquina Perto de Nós


Os "prodígios" económicos e financeiros deste governo, não param de me espantar. Cada vez há menos emprego e as perspectivas de sairmos do buraco" onde nos encontramos, estão a ficar mais longe. 
Mesmo assim os senhores insistem em ser mais duros que a própria "troika", em qualquer medida ou reforma. Mas como não querem que ninguém morra à fome, fazem publicidade aos refeitórios que vão abrindo, onde distribuem sopinha para os pobres. E agora também distribuem terras, para quem as quiser cultivar.

O tentativa de recriar o país rural que existia antes de 1974 está de volta,  em que mais de metade da população se limitava a trabalhar para comer.


Compreendo cada vez mais os capitães de Abril que se manifestam e dizem que não foi para isto que fizeram a Revolução dos Cravos.

O óleo é de Gene Brown.

sexta-feira, julho 08, 2011

A Margem Sul e o Tejo da Maluda


Gosto muito da geometria e das cores da Maluda.


Embora esta Margem Sul dos combustíveis não seja a mais recomendável, não deixa de ser um belo quadro, ainda com muito campo aberto, preparado para aceitar os desafios do Presidente da República, da aposta na agricultura. O azar do senhor é o passado não se apagar com uma simples borracha, e, mesmo aqueles que têm a memória curta não se esquecerem do sujeito que era primeiro-ministro quando se "desmantelou" praticamente a agricultura e as pescas...

sábado, novembro 29, 2008

A Apanha da Azeitona

A nossa agricultura tem sido bastante condicionada pela União Europeia. Uma das actividades que vão resistindo é a apanha da azeitona. Não é por acaso que continuamos a ter um dos melhores azeites do mundo...

Os nossos maiores olivais existem nas Beiras e nos Alentejos. Muitos deles hoje são propriedade espanhola...
Apesar de ser uma tarefa árdua, vai resistindo ao tempo.
Esta prosa deve-se ao facto de ter sido convidado para participar na "apanha da azeitona" na Beira-Baixa, neste Outono, onde ainda tenho raízes paternas. Claro que com este frio, nem pensar. Mas senti alguma curiosidade em assistir e ajudar neste trabalho agricola, ainda bastante artesanal, por esse interior fora...
Esta fotografia antiga mostra-nos o traje feminino usado na apanha da azeitona, e é, de 1912. O autor é desconhecido.