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quarta-feira, junho 05, 2019

A Feira com Livros...


A meio da tarde lá me resolvi a ir dar uma volta pela Feira do Livro.

Desta vez até fiz uma lista com nove livros... Lista que não saiu do bolso.

A bem do comércio livreiro fabricaram mais "praças" (continuo a não achar muita piada a esta moda...). 

Mesmo assim acabei por comprar quase uma dúzia de livros, graças a algumas "pechinchas" da "Cotovia" e a dois livros ou três livros da "Quetzal", que também estavam com um bom preço.

O mais curioso, é que com esta invenção das "praças" e de ter de olhar para todo o lado, acabei por nem sequer ver os livros da "Don Quixote" (e havia dois na tal lista)...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, maio 01, 2019

O Atropelo ao Dia dos Trabalhadores


Embora comece a caminhar para a normalidade este apelo ao consumismo, com descontos incríveis no Dia do Trabalhador ("atropelo" que começou com o "rei dos merceeiros", embora depois acabassem por ir todos atrás...), continua a ser extremamente ofensivo, especialmente para todos aqueles que são forçados a trabalhar neste dia Primeiro de Maio.

Claro que isto só é possível num país onde a maior parte das pessoas continuam a viver com dificuldades (cada vez maiores, porque tudo aumenta à nossa volta, menos os ordenados...) e que acabam por ser quase "empurradas" a aproveitar todas as oportunidades que têm, para poupar uns cêntimos.

Ainda ontem estive à conversa com três amigos que viveram intensamente a Revolução de Abril, que não tiveram qualquer pejo em dizer-me que a liberdade de expressão, é quase a única coisa que resta do 25 de Abril. E se olharmos para a nossa realidade, é mesmo assim, e é muito pouco, 45 anos depois... 

Além de sermos um dos países mais desiguais da Europa e da a justiça continua a ter dois pesos e duas medidas, a maior parte dos "patrões" que gostam de falar dos trabalhadores com desprezo (desses que até são capazes de dizer que há trabalhadores que nem merecem o ordenado mínimo...), continuam a viver à sombra do Estado.

O seu tão publicitado empreendedorismo, na maior parte dos casos, não passa de mais uma falácia (os grandes negócios que fazem são através do Estado).

(Fotografia de Luís Eme - Alcafozes)

domingo, abril 28, 2019

Os Domingos Também se Libertaram...


Há quem queira trazer novamente para a discussão pública, a abertura, ou não, das grandes superfícies comerciais aos domingos.

Embora eu pertença ao grupo de pessoas que fogem a sete pés dos centros comerciais aos fins de semana (o que me provoca alguns dissabores cá por casa...), sei que há quem os continue a olhar como "templos modernos" e não perca um almoço domingueiro de comida rápida, seguido de um passeio pelas montras, com entradas e saídas pelas lojas mais movimentadas (sim, a agitação, continua a ser o "segredo da coisa"...).

Por isso digo, que são gostos, que podem ser discutidos, mas não proibidos.

E vou mais longe, que cada um de nós faça do domingo, o que mais lhe apetece (sim, também podem ficar fechados em casa, sem tirarem o pijama...). Até podem ir à missa e ao futebol - essas coisas do século passado -, e matar saudades dos "templos antigos"...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quarta-feira, abril 03, 2019

O Amor aos Livros é Outra Coisa...


Li há poucos minutos que a "Bertand" vai fazer algo que já foi feito há uns anitos pela cooperativa  "Bairro dos Livros", do Porto. Pelo conteúdo da notícia acredito que já tenha alimentado um programa de "raios e coriscos" (também já existiu na televisão, isto de se ser original está pelas "horas da morte"...) nas redes sociais. 

Claro que o "Bairro dos Livros" tem todo o direito de tornar pública a sua indignação, até por já ter proposto esta iniciativa à editora, que foi rejeitada...

Trata-se de uma coisa que eles chamam Speed Dating, que são nada mais nada menos que encontros rápidos dos leitores com os escritores.

O curioso é que até falam do "amor aos livros". Mas eu vou mais pelo "amor ao negócio dos livros".  Sim, os escritores funcionam sobretudo como "chamariz" para se venderem mais livros, até por existir a possibilidade de estes serem autografados. Só não acredito é que os cinco minutos cheguem...

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)

domingo, fevereiro 24, 2019

Cores e Hábitos que Eram do Verão...


Embora ainda não sejamos como o Brasil, há hábitos que vieram para ficar.

Mesmo que saiba que o uso de "havaianas" no Inverno se faz sobretudo por questões económicas, não deixa de ser curioso, que as lojas das cidades e vilas costeiras, tenham sempre à vista um expositor com chinelos de dedo...

E se o calor se aproximar dos vinte graus (ou ultrapassar...), ainda se colocam mais à vista...

(Fotografia de Luís Eme - Nazaré)

quinta-feira, janeiro 24, 2019

Temos Passado, mas não Temos Futuro...


Apesar de todas as mudanças económicas e sociais que têm transformado a nossa sociedade, ainda  se sente que a história das localidades têm uma influência directa no comportamento das pessoas. Ou seja, uma cidade que tem como principal actividade económica o comércio, será sempre diferente de uma localidade com profundas raízes industriais, seja em Portugal ou na China. E, obviamente, a mentalidade das pessoas também será diferente.

Mas não sei até quando é que será possível compor estes "retratos"...

Digo isto por que nos tempos que correm, as localidades começam ser mais difíceis de caracterizar. O comércio mudou completamente (está quase tudo centralizado nas grandes superfícies comerciais, esvaziando o coração das cidades...) . E a industria também vive num outro paradigma (quase toda ela é mecanizada e não emprega milhares e milhares de pessoas como noutros tempos...).

Poderei mesmo dar o exemplo das minhas cidades (Caldas da Rainha e Almada). A primeira  tinha no comércio o seu grande alicerce socioeconómico, a segunda tinha profundas raízes industriais (no sector naval e corticeiro). Ambas vivem hoje tempos de grande indefinição, que poderão provocar inclusive "crises de identidade", num futuro próximo.

Só não sei é se se há espaço para vivermos quase exclusivamente de serviços e de turismo, de Norte a Sul do País...

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)

domingo, dezembro 30, 2018

Viver à Sombra da História da Gastronomia de Cacilhas...


As minhas últimas visitas a restaurantes cacilhenses, ofereceram-me sempre histórias para contar, mas daquelas que não são muito boas para recordar.

A última passou-se na noite de 26 de Dezembro, e acabou por ser a mais caricata de todas (por se terem passado coisas que ainda nunca me tinham acontecido, em qualquer "casa de pasto"...).

Fizemos os nossos pedidos e só meia-hora depois, quando o prato do meu filho já estava na mesa, é que informaram a minha companheira, de que afinal não tinham o peixe que ela pedira... Acabou por pedir outra coisa, depois de perguntar se não lhe poderiam ter dito logo que já não tinham aquele prato. 

Mas o pior ainda estava para vir...

Quando eu e o meu filho já estávamos quase a acabar a refeição, perguntámos pelo prato da minha filha... o empregado atrapalhado correu para a cozinha e percebemos pela conversa que alguém se esquecera de o registar... e confeccionar. Mas não tiveram coragem de o dizer, só quando foram confrontados, é que o assumiram e se encheram de desculpas.

Como devem calcular mostrámos o nosso descontentamento, falando inclusive da forma displicente como fomos servidos. Pois nem sequer se preocuparam em trazer os pratos pedidos sensivelmente ao mesmo tempo, como se fossemos uns estranhos...

Lá estiveram a fazer o prato à pressa, mal confeccionado, para variar...

É importante deixar registada esta estatística; nas últimas seis vezes que fomos a restaurantes cacilhenses, quatro fomos mal servidos (e não menos importante, os preços na ementa nunca pararam de subir...). 

Moral da história: nos próximos tempos, temos uma certeza, não iremos almoçar ou jantar a Cacilhas.

Mas lamentamos este quase "ultraje", que prejudica a gastronomia e o turismo local, por alguns comerciantes não saberem lidar muito bem com a "galinha de ovos de ouro" que têm nas mãos. Era bom que as suas preocupações não se limitassem à subida dos preços das refeições, porque a qualidade da alimentação e do serviço, são determinantes para que os clientes voltem às suas casas.

Se pensam que os "turistas são para enganar, por que só passam por cá uma vez" (embora depois todos os clientes acabem por ser vitimas da mesma "filosofia"...), o tempo acabará por lhes dar a melhor das lições...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, outubro 10, 2018

As Vozes do Vento...


Normalmente chamo "vozes do vento" aos barbeiros, merceeiros, cabeleireiras, taxistas (embora estes tenham uma postura mais revolucionária - matam e esfolam dezenas de "gatos" enquanto o diabo esfrega o olho) e afins.

Esta minha "adjectivação" deve-se à sua grande prática em falar a "favor do vento".

Se percebem que o cliente é do Sporting, têm o cuidado de mostrar que são benfiquistas moderados (o poster do tetra não engana...), e que sim, o Peseiro tem de ser corrido, que o Bruno é um bandido e vai acabar engavetado.

Se o assunto for mais actual e tiver a ver com o Ronaldo, medem o pulso ao homem ou mulher, se forem "patriotas" estão à vontade, podem desancar à vontade na americana. Se forem "invejosos", a conversa versará mais sobre os milhões, a colecção de carros, a vaidade de querer ser o "melhor do mundo". E claro, a facilidade em "comprar" mulheres e filhos...

Embora já esteja a passar de moda, ainda podem falar da Cristina Ferreira (mais no cabeleireiro, por causa das revistas atrasadas...). Tanto lhe podem chamar "esganiçada" como um "espectáculo" de mulher... 

Tudo isto por causa do vento.

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, junho 27, 2018

Gente do Nosso Dia a Dia...


O vai e vem do cacilheiro é sempre prometedor para as vendedeiras que se colocam por ali, bem na frente, da gente apressada que sai da barca e quer chegar a casa...

Elas têm sempre fruta da época, do Outono ao Verão. 

Há também uma senhora que vende roupa (talvez tenha sorte, pelo menos nos dias ventosos, com turistas mais distraídos...).

De vez enquanto também aparece por ali um vendedor de queijos e enchidos.

A vida é isto.  Fazer um ou outro malabarismo, para ver se se soltam umas moedas dos bolsos dos viageiros, de pequeno ou médio curso...

Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, abril 23, 2018

Os Jornais, os Leitores, os Vendedores e os Distribuidores...


Incomoda-me ir comprar o jornal e ficar por ali à espera, a ver os empregados do balcão a despacharem raspadinhas, cigarros ou a registarem apostas do placard e do euromilhões.

Mas percebo esta nova realidade, se se vendem poucos jornais (e com pequenas margens de lucro...), é normal, que me dêem cada vez menos atenção.

Mas segundo li ontem no "Diário de Notícias", na crónica assinada por Joel Neto , jornalista e escritor açoriano, há coisas bem mais graves a acontecerem por este país fora no que toca à compra de jornais. Por exemplo nas ilhas:

«[…] Os jornais perderam massa crítica, os leitores de jornais também e, no geral, a indústria contraiu-se. Mesmo assim, as lojas do Carlos e dos colegas vendiam bastantes jornais - quase todos os que se vendiam nesta ilha. E agora, de repente, já não vendem quase nenhum. 
Não porque não reste ninguém para os ler: ainda há quem os queira, mesmo se não tanta gente como no passado. Não porque não sobre às lojas força para os vender: ainda é nos jornais que sentem mais em jogo todo o seu sentido de missão. Simplesmente porque os aviões da SATA e da TAP já não os trazem. Ou porque os trazem apenas no voo da madrugada seguinte, quando já ninguém os lerá.[…]»

Não há muito a dizer. Uma coisa é venderem-se poucos jornais, outra coisa é não aparecerem sequer nas bancas...

(Fotografia de Luís Eme - não é esta a tabacaria onde habitualmente compro o jornal, por que fica "fora de mão"...)

segunda-feira, fevereiro 26, 2018

A Simplicidade Humana...


Sei que o aumento de "guardadores de carteiras alheias", assim como de vendedores de relógios, óculos e ervas aromáticas,  fazem parte da "febre turística" que enche a capital de cores, cheiros e sons diferentes.

Febre que também inspira cada vez mais pessoas a "venderem" o seu talento pelas ruas mais movimentadas da Baixa lisboeta e arredores. 

Os homens e mulheres-estátua estão cada vez mais inovadores, fabricando vários géneros de personagens, com e sem história, assim como os músicos, solitários ou com banda.

Mas o que chamou a atenção na sexta-feira foi uma senhora invisual...

Provavelmente já tinha passado mais que uma vez por ela, que tentava dar música a quem passava, com o seu instrumento de sopro e de teclas, mas o que nunca reparara foi no seu cartaz, bilingue, com uma linguagem extremamente simples e objectiva, que espero que dê frutos...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, fevereiro 04, 2018

Cacilhas Aproxima-se do Pior Algarve...


Nas três últimas vezes  que fomos jantar a Cacilhas (três restaurantes diferentes...) notámos duas coisas: pagámos mais e fomos pior servidos que o que era habitual.

Não me agrada nada esta "aproximação" aos piores exemplos do Algarve, nos tempos em que esta região quase se "transvestia" numa colónia inglesa. 

Tenho alguma pena que os donos dos restaurantes não percebam que vão ser eles que irão ficar a perder, a médio prazo, porque os turistas podem só vir a Cacilhas uma vez, mas os portugueses (que continuam a estar em maioria...) nunca gostaram de "comer gato por lebre"...

Era bom que pensassem no assunto, porque ainda vão a tempo de inverter esta má prática, de pensarem apenas no lucro. A sua experiência devia dizer-lhes que os clientes satisfeitos voltam sempre, ao contrário dos outros... 

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, dezembro 25, 2017

O Natal é uma Lupa






O Natal é uma Lupa

De onde é que chegou tanta gente?

Pergunta o poeta cínico e curioso
habituado a uma cidade diferente,
mas ninguém responde ao seu tom jocoso

Todos querem agarrar a felicidade

inventada dentro de sacos de presentes
e nas luzes das casas e ruas da cidade
até prometem ser ligeiramente diferentes

Eles querem lá saber de quem nasceu

em Belém embrulhado em palhinhas
se ele era Jesus ou apenas um Judeu
querem sim é o Pai Natal das prendinhas

Até disseram que os pobres da rua

tinham sido contratados, eram actores
que tinham grande intimidade com a lua
cheiravam bem e não mostravam as dores

Parece que todos dão amor de graça

debaixo do rótulo de uma data especial
até ignoram os poetas da desgraça 
que não sorriem nem dizem Feliz Natal


Luís [Alves] Milheiro


(Fotografia de autor desconhecido)


sexta-feira, dezembro 22, 2017

O Natal é Sobretudo para as Crianças...


Embora todos gostemos de trocar presentes, as prendas encantam sobretudo os mais novos.

É por isso que à medida que os nossos filhos vão crescendo, esta quadra vai perdendo alguma da sua magia.

Claro que a "febre" do consumismo e a hipocrisia  destes tempos (ainda mais visível...), também contribuem para isso...

(Ilustração de autor desconhecido)

quarta-feira, dezembro 20, 2017

Os Presentes para as Pessoas Especiais...

Hoje não conseguimos escapar das conversas sobre as festividades que se aproximam (até trocámos presentes, discretamente...), mesmo sem nos metermos com toda esta "lufa-lufa", que quase esgota a lotação dos centros comerciais.

A Rita falou-me da dificuldade que tem em encontrar presentes para as pessoas de quem mais gosta. Não precisei de pensar muito para concordar com ela. Andamos distraídos demasiado tempo e depois não sabemos o que faz alguma falta (porque há pessoas que gostam de dizer sempre que já têm tudo... e que não precisam de nada...), ou aquilo que viram numa loja e lhes agradou...

(Fotografia de Ruth Orkin)

domingo, agosto 06, 2017

É Bom para o Negócio, Mas...

Foi uma manhã de domingo de Agosto que se disfarçou de segunda-feira. com os jornais desportivos a desaparecerem ainda antes do diário que mais vende, graças a mais uma vitória do "glorioso". Já não consegui apanhar "A Bola", fiquei-me pelo "Record".

Na conversa  que tive com o vendedor de jornais, ele não me conseguiu explicar muito bem esta loucura em torno do Benfica, embora ela venha desde os tempos que abriu a tabacaria, ainda nos anos 1960... Uns culpavam o Eusébio, mas ele sabe que é mais que isso. Foram as primeiras Taças dos Clubes Campeões Europeus, e foi também o Águas, o Costa Pereira, o Coluna, o Cávem, o Simões, e tantos outros. 

Foi um tempo de grandes vitórias pelo mundo fora, de um país habituado a perder em quase tudo...

Coça a cabeça e diz que se o Benfica não tivesse voltado a ganhar nos últimos anos, talvez já não existissem os três desportivos diários.

Mesmo sem morrer de amor pelos "lampiões" diz: «Não sei quantos são, mas pode ter a certeza que os que compram jornais, são mais que os sportinguistas e portistas juntos.»

(Fotografia retirada do site do "D. Notícias")

domingo, julho 09, 2017

Lojas e Bares com Mais Cor e Vida...

O mais que batido empreendedorismo - usado como bandeira política sempre que dá jeito - acabou por ser uma consequência natural da crise e da "invasão" da troika e do fmi, que tão maltrataram o país e os portugueses. 

Foi a resposta "forçada" de muito boa gente, que precisava de arranjar uns euros para a sopa e para as batatas com atum e o arroz com salsichas. 

Quem tinha e tem bom gosto conseguiu transformar muitos espaços vulgares, fechados e abandonados, em lugares que permanecem especiais...

Não sei qual é a história do bar lisboeta, "House of Corto Maltese", sei apenas que é um lugar bonito.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, junho 06, 2017

«Ainda bem que já não há "banha da cobra" para todos»

Apesar de se terem escondido debaixo do tapete valores que a minha geração e anteriores, consideravam essenciais (eu bem sei que para muitos era apenas teoria, não foi por um mero acaso que os políticos dos últimos quarenta anos, pertencem todos à minha e às gerações anteriores...), a mentira (e a "pós-verdade") continua a ter a perna curta.

Ou seja, percebe-se à légua que hoje já não há "banha da cobra" para todos...

Cada vez tenho menos dúvidas de que a qualidade - e hoje somos um país, onde cada vez mais se aposta na qualidade - dá cabo de todos os negócios dos espertalhaços que ainda continuam a querer "vender gato por lebre", em várias esquinas. 

E é aqui que entra o turismo, que tanta "porrada" tem levado nos últimos tempos. Tem sido ele que tem empurrado muitos jovens a fazerem pela vida e a serem inovadores,  ao perceberem que só terão hipótese de crescer, e de ter sucesso, com a aposta na diferença e na qualidade.

É por isso que eu digo: «Ainda bem que já não há banha da cobra para todos.»

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, junho 03, 2017

A Feira do Livro (Rainha dos Campeonatos Literários...)


A Feira do Livro está de novo aí, e segundo a publicidade, com novo recorde de editoras, livrarias e alfarrábios.

Dizem também que está mais bonita e agradável, para todos.

E claro, continua a ser a melhor altura para se falar com os livros e olhar de alto a baixo para os escritores e pedir-lhes autógrafos.

Embora nem todos participem nesta festança, pois ainda há gente do século passado que se recusa a ser "promoção" de super-mercado.

Alguns dias antes da feira, telefonema para aqui telefonema para ali, deixaram o velho António cansado de tanta intromissão. Foi por isso que disse à menina que lhe arrastava a asa e prometia ir buscá-lo e trazê-lo da festa dos livros, sempre que ele fosse "livro do dia": «Há um engano qualquer, minha jovem, o escritor não é o que vende, é o que escreve. Esse tipo que anda à procura para vender livros é o livreiro.» E desligou-lhe o telefone.

(Óleo de Lesser Ury)

domingo, março 26, 2017

Domingo de Manhã...


Chovia mas era preciso ir à rua, pois faltava o bacon para o peixe no forno para o almoço.

E lá fui eu, passear à chuva. Desde que bem vestido, bem calçado e com chapéu de chuva, gosto de andar por ai a deambular pelas ruas, com menos gente que o habitual para um domingo de manhã, com a companhia da água que vai lavando as ruas.

Sei que enquanto caminho surge sempre alguma coisa que me faz pensar, mesmo que seja só um pouco, como aconteceu quando passei rente ao restaurante mexicano, que descubro quase sempre vazio. Desta vez olhei lá para dentro e os meus olhos esbateram nos das menina solitária que estava ao balcão. Pela forma fixa como olhava percebi que não estava ali...

Pensei que nunca ali tinha entrado para comer ou beber o que quer que fosse. Nunca fui grande adepto dos molhos picantes, mas eles deviam ter pensado nisso quando abriram a casa e a ementa também devia ter pratos mais suaves, com toda a certeza.

Muitas vezes nem sequer damos uma oportunidade aos donos... de pelo menos experimentarmos o seu serviço uma vez, para termos uma opinião formada. E é assim que muitas casas de comércio acabam por fechar...

Não vale a pena falarmos ou pensarmos nas famosas "penas", depois de terem fechado as portas... Mas não há nada a fazer, nós somos assim,  umas vezes ligeiramente, outras muito distraídos. Tantas vezes que acordamos tarde demais...

Um pouco mais à frente comprei o jornal, apenas porque sim. Sei que é um vício que ainda permanece, talvez por ter medo de um dia chegar ali e ver que só existem raspadinhas, lotarias, cigarros e outras bugigangas que as pessoas compram... e nada de jornais.

(Óleo de Suzanne Lalique)