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sábado, agosto 31, 2019

A "Grande Evasão" no Porto...


Não são apenas os prémios e as notícias embrulhadas em papel publicitário, que nos dizem que Portugal "está na moda". 

Todos nós, que andamos por aí pela rua, sentimos pelo movimento, quase excessivo, e também pelas vozes com que nos cruzamos, que somos mesmo um dos destinos mais procurados do Sul da Europa...

Claro que nem todas as cidades são iguais, umas estão mais preparadas que outras, para receberem toda esta gente que vem de fora.

Digo isto porque finalmente descobri este novo Porto, fortemente empenhado no turismo (e felizmente com muita coisa bonita para oferecer...). 

Embora tenha ficado com a sensação de que há muito mais gente pelas ruas da Capital do Norte, que em Lisboa, sei que esta comparação é ilusória, porque o Porto é uma cidade mais curta e estreita, que a "terra dos mouros".

Mas gostei de ver as ruas limpas e sem buracos, assim como uma boa parte dos edifícios recuperados, alguns deles cheios de histórias.

(Fotografia de Luís Eme - Vila Nova de Gaia)

sexta-feira, agosto 23, 2019

«A vida dos certinhos não interessa a ninguém»


Realmente, não lembrava a ninguém andar neste quase fim de Agosto quente, tão composto, com gravata e casaco, pelas ruas.

Menos me passava pela cabeça que um quase "hippie" soltasse esta frase, com desprezo: «A vida dos certinhos não interessa a ninguém.»

Pois é, o mundo do trabalho, distante da "vagabundagem", tem destas coisas...

A coisa boa da quase provocação, foi ter obrigado as pessoas que estavam próximas, a sorrir. O resto, depende das vidas, tanto dos certinhos como dos outros...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, agosto 22, 2019

Mutações Quase Diárias...


As paredes do Ginjal são quase "terra sem lei", quem chega, munido de uma ou duas latas de spray, começa a fazer a sua "pintura de guerra", sem se preocupar (ou respeitar) com o trabalho e o "artista" anterior.

Às vezes até fica algo mais bonito, com mais cor ou sentido (como neste caso...). Outras nem por isso.

O mais curioso, é que alguns "artistas" que vêm de fora, podem nem sequer voltar uma segunda vez ao "local do crime"... 

Talvez essa seja a parte gira da coisa. Filma-se o "boneco", posta-se no instagram e já está.

A única coisa que me apetece dizer, é esta gente que "pinta paredes", está longe de ser recomendável, pelo menos no mundo das artes e dos artistas...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

domingo, agosto 18, 2019

"Todos os Dias Pensamos em Si"


O que não faltam por aí, são mensagens enganadoras...

Só espero que a "Transtejo" não tenha esta mensagem colada nos vidros da Estação Fluvial do Barreiro...

(Fotografia - Lisboa)

quarta-feira, agosto 14, 2019

coligação de avulsos...


Estou a acabar de ler "Coligação de Avulsos - ensaios de crítica literária", de Abel Barros Baptista.

Nem todos os ensaios me despertaram o interesse, mas há um ou outro, cuja pertinência acabou por me fazer pensar, muitas vezes até fora das palavras do autor.

É por isso que vou apenas realçar um ensaio, O Surto da Ficção e a Capitulação da Crítica, com aquele que o autor considera "melhor representante" da tal capitulação. Mas vamos lá às palavras de Abel Barros Baptista:

«O atrás referido Grande Prémio do Romance e Novela (APE) constitui-se o melhor representante da capitulação da crítica. José Saramago, por exemplo, o mesmo que viria a ganhar o Nobel em 1998, foi quatro vezes preterido nesse prémio: viria a ganhá-lo apenas em 1991, com o Evangelho Segundo Jesus Cristo, numa altura em que o seu êxito internacional era irreversível, sobre esmagador. É irrelevante debater se os romances que venceram Memorial do Convento, O Ano da Morte de Ricardo Reis, A Jangada de Pedra ou História do Cerco de Lisboa eram melhores ou piores romances que estes: interessa sim, sublinhar que, durante toda a década de 80, a crítica, com pouquíssimas excepções, paralisada perante o sucesso de um escritor relançado inusitadamente, não encontrou meios de lhe entender os livros, como se precisasse de mais tempo para assimilar uma radical novidade, o que até nem era o caso.»

Eu não falaria em falta de "entendimento", preferia a palavra "preconceito". Neste caso particular o preconceito que existe em termos ideológicos, sobre o homem - que neste caso particular foi José Saramago -, ao ponto de se ser capaz de colocar o escritor num plano secundário...

quinta-feira, agosto 08, 2019

O Cidadão Comum, os Políticos e os Sindicatos...


Há já algum tempo que os sindicatos têm vindo a perder a sua relevância na sociedade. Isso acontece fundamentalmente por duas razões: o aumento da precariedade no trabalho (quem trabalha como prestador de serviços, quase que não tem patrão, muito menos direitos ou sindicatos para os defender...); e a dificuldade dos sindicatos em se adequarem aos novos tempos (alterarem as suas formas de luta e a comunicação com os trabalhadores).

Uma das formas de reagir a todas as mudanças foi a transformação das manifestações e das greves em algo mais incisivo, chamando a atenção das pessoas quase sempre de uma forma negativa, já que é sobretudo o cidadão comum que é prejudicado, nas formas de luta escolhidas.

E é por isso que se percebe, cada vez mais, que o "feitiço se está a virar contra o feiticeiro". Os grevistas conseguem com que a maior parte da população se coloque contra eles, porque são sempre elas a serem afectadas nos transportes, nos hospitais ou em quaisquer outros serviços públicos que necessitem. Ao mesmo tempo permitem a "resistência" dos patrões e do Estado, que sentem ter a maior parte dos cidadãos no seu lado e não lhes dão o que querem...

E se os políticos forem "habilidosos" como é o caso de António Costa, ainda conseguem obter dividendos eleitorais (como se notou nas eleições europeias...) ao mesmo tempo que deixam a oposição "com os pés e as mãos atados".

(Fotografia de Luís Eme - Vidais)

terça-feira, agosto 06, 2019

As Passadeiras Estão Quase Sempre no Sítio Errado...


Claro que este título não é para ser levado à letra, embora se fique com a sensação de que uma boa parte de nós olha para as "zebras" das nossas ruas desta forma, preferindo atravessá-las um pouco antes ou um pouco depois.

Há uma ou outra passadeira mal colocada (como as que surgem logo depois de curvas e com pouca visibilidade, para os peões e para os condutores), mas todos sabemos que o problema não começa nem acaba aí.

Há sim o gosto de "infringir", de atravessar as ruas onde nos dá mais jeito, esquecendo que também existem "multas" para peões...

O problema não seria tão grave, se não fossem as pessoas de mais idade (com menos reflexos, menos visão e menos audição...), a escolherem quase sempre o caminho mais curto para chegar ao "lado de lá"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sábado, agosto 03, 2019

O Velho Hábito de Encolher o Mundo...


Folheio o último número do "Jornal de Letras" e penso nas pessoas que me dizem, «Ainda lês isso? São sempre os mesmos a escrever sobre os mesmos. A literatura é muito mais que isso.»

Lembrei-me  também de uma frase da Rita, que disse que o mundo era outra coisa, maior que os jornais e as televisões. 

Embora em saiba que ela tem razão, não é essa a lógica de quem exerce qualquer poder, por mais insignificante que seja. O exemplo mais visível é a prática do mundo partidário, que escolhe os seus dirigentes e governantes tendo como base o cartão de militante, o grau de amizade e até o parentesco (não deve haver nenhum governo local de Norte a Sul que não tenha a sua dose de primos, tios, cunhados - por ter mais vergonha que eles, "excluo" neste texto esposas, irmãos e pais...). A competência e o conhecimento técnico, estão quase sempre distantes das três ou quatro primeiras premissas, para qualquer escolha. 

É por isso que todos temos a sensação de que é tão difícil deixarmos de "plantar cepas tortas", do Algarve ao Minho (e estava eu a pensar escrever sobre livros e escritores...).

É uma pena não nos conseguirmos libertar deste velho hábito de "encolher o mundo"...

(Fotografia de Luís Eme - Vila Real de Santo António)

sexta-feira, agosto 02, 2019

Vinte Metros Quadrados (com livros)...


A minha praia não é exemplo, muito menos aqueles vinte metros quadrados, com oito pessoas.

Talvez seja mesmo, uma ilusão...

Pois, vamos lá então a este meu resumo do olhar:  três liam livros, duas jogavam às cartas, duas fingiam dormir enquanto o Sol lhes pintava a pele e só uma andava a navegar pelo mundo fora com o seu "smartphone"...

(Fotografia de Luís Eme - Praia do Cabeço)

quinta-feira, julho 25, 2019

As Boas Histórias...


Há pessoas que sempre que falam contam histórias, das boas. 

Chamo boas às que gosto de ouvir, que soam a filmes ou que parecem ter saído dentro dos livros...

(Fotografia de Luís Eme - Ayamonte)

terça-feira, julho 16, 2019

A Gente "Bipolar" dos Hospitais...


Sempre que vou a consultas ao hospital público (quase sempre como acompanhante...), espero no mínimo uma hora, em relação à hora previamente marcada.

Como sei que muitos dos médicos (e enfermeiros) do serviço público trabalham também no privado, faz-me confusão esta sua "bipolaridade", ou seja a habitual falta de respeito pelos utentes do Serviço Nacional de Saúde, no não cumprimento de horários. Algo que curiosamente não se passa nas clínicas da CUF ou da Luz, onde muitas vezes nem cinco minutos tenho de esperar. 

Parece que esta gente quando está no serviço público, só têm direitos, os deveres são só para os outros...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, julho 14, 2019

«Sabes lá o que é ver a vida a fugir!»


Aquela frase podia ser para mim, mas não era. Nem sabia muito bem o seu contexto, pois apanhei-a em andamento, no meio da rua.

Mas a mulher que a soltou, não estava nada animada, eu diria, pela forma como se expressou, que estaria entre a revolta e o desespero. Provavelmente teria razões para isso. Sem precisar de lhe pedir o bilhete de identidade (talvez daqueles que já não existem, vitalícios...), percebi que tinha ultrapassado os oitenta anos, há já algum tempo.

Continuei a andar, sem olhar para trás, mesmo assim a frase não me saiu da cabeça durante algum tempo. Imagino que quem tenha entre os oitenta e os noventa anos, tenha uma percepção do tempo, bastante diferente da minha, que sinta que a qualquer momento pode ser agarrada pela "morte".

Embora digam que a "inoportuna" não escolhe idades, a estatística é "menina" para nos dizer o contrário...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, julho 01, 2019

Lugares-Comuns e Relações Profissionais e Humanas (dentro dos nossos "Largos"...)


Já há tempos que pensei em escrever por aqui algumas linhas sobre as relações duradouras que se estabelecem com algumas pessoas, que nos prestam serviços. Lembrei-me por exemplo do meu barbeiro e do meu dentista, que visito há largos anos. Eu sei que eles não são os "melhores técnicos do mundo", da mesma forma que sei que são boas pessoas, com quem foi possível estabelecer uma relação humana e falarmos de nós e do mundo que nos cerca, para além da "conversa gasta" sobre futebol ou política.

Sei que há quem dê primazia à parte técnica, pague para ter os "melhores", sem querer ter qualquer tipo de ligação pessoal. E se souber que há alguém no "mercado" melhor, muda de "barbeiro" ou "dentista", sem qualquer hesitação. 

Penso que são estas pequenas diferenças que nos definem como seres humanos...

Estas questões também me fizeram pensar que quando partilhamos coisas neste "mundo virtual", mostramos sempre mais de nós, do que o que julgamos. E acabamos, inevitavelmente, por encher os blogues de "lugares-comuns" (aliás, eu encho... principalmente aqui o "Largo"), porque quando escrevemos coisas, quase todos os dias, o blogue  também acaba por ter uma função "diaristíca".

Mas os "Largos" das nossas vidas não pretendem ser mais que simples "lugares-comuns", por onde passamos todos os dias...

(Fotografia de Luís Eme - Alcochete)

sábado, junho 29, 2019

O Poder e a Oposição entre o Humanismo e o Nacionalismo


O humanismo não defende, nem quer, o mesmo que o nacionalismo, é por isso que estão quase sempre em oposição, tanto na Europa, em África, na América ou na Ásia.

Se os humanistas ficam demasiadas vezes preso às ideias, os nacionalistas não descansam enquanto não são poder, para conseguirem criar todo o género de obstáculos a quem chega de fora - preferencialmente se vierem apenas com uma mão à frente e outra atrás.

Nestes tempos cheios de "anestésicos", as suas palavras chegam mais depressa aos ouvidos do "povo", que, por exemplo, a sucessão de imagens televisivas (talvez pela sua banalização...), que relatam mortes de crianças e adultos, no Mediterrâneo ou no Rio Grande.

É por isso que não estranho que no nosso país - onde não "existem" racistas nem nacionalistas - se critique a nova "invasão" de brasileiros, mesmo que a sua maioria venha fazer o trabalho que nós não queremos fazer (precário e mal pago...), tal como acontece nos países para onde emigramos.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, junho 14, 2019

O Mundo Azul e o Mundo Cor de Rosa


Apesar da existência de alguma pressão televisiva (nos programas de entretenimento e nas novelas), para que se olhe para tudo o que nos rodeia com "normalidade", a vida  (tal como ela é...) nem sempre nos deixa acompanhar o "progresso"...  

Eu sei que às vezes só o descobrimos quando "a boca resolve fugir para a verdade"...

Se os dois homens estrangeiros de meia idade (talvez ingleses, pela forma cuidada como se exprimiam em inglês...), que vestiam roupas de cores vivas, não tivessem caído nas boas graças de um grupo de três mulheres maduras, sempre atentas ao quotidiano, eu não estaria aqui a escrever este fait-diver.  

Elas, meio  brincar meio a sério, foram dizendo que não deixavam os seus homens saírem à rua naqueles "preparos" (achei graça a esta palavra, fez-me lembrar a minha avó, mesmo que tenha sido dita de forma jocosa...), com calças vermelhas, verde alface ou camisas amarelas ou cor de laranja. Acrescentaram mais alguns pormenores pitorescos, ligados aos cabelos e ao penteados (e até às sobrancelhas...).

Ainda bem que continuamos a não falar das mesmas coisas que as mulheres... Umas vezes por distracção, outras por pudor, e outras ainda, pela simples razão de nem sempre coincidirmos nos gostos e nos pensamentos...

Ao escutar as três senhoras, lembrei-me das pessoas modernas, que em nome da "igualdade", querem acabar com os mundos "azul e cor de rosa". 

Mundos que ainda nos continuam a diferenciar (mesmo que tenham o dedo do comércio)  assim que vimos ao mundo...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, junho 11, 2019

Precisa-se Urgentemente de "Cursos de Serviço Público"...


A maior parte das pessoas que nos prestam serviços públicos, não têm noção da sua verdadeira função. Fingem não perceber que estão ali para servir os outros, que precisam de informações ou de usufruir das valências que o seu local de trabalho presta à população.

Nem sequer é anormal olharem-nos de "alto para baixo", como se fossem os "donos do pedaço"... E no que toca a informações, além do ar "enjoado" que nos oferecem, fazem questão de ser poucos esclarecedores, ao ponto de serem capazes de nos darem informações erradas, brincando com o nosso tempo e a nossa inteligência... E isto tanto pode acontecer na conservatória, na segurança social, nas finanças, no município, como nos serviços que nos fornecem água, electricidade ou gás...

Benditas excepções, que de longe a longe, encontramos na segurança social, nas finanças ou noutro serviço qualquer. Enchemos-os de agradecimentos, embora se tenham limitado a cumprir o seu verdadeiro papel.

É por isso que acho que as pessoas que têm como função servir os outros, precisam, urgentemente de "Cursos de Serviço Público".

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, junho 03, 2019

A Nitidez das Palavras...


Há pessoas que não conseguem comunicar de uma forma directa, seja utilizando a via oral ou escrita.

Posso mesmo dar um exemplo familiar. A minha companheira no sábado esqueceu-se da carta de condução e quando me telefonou disse-me para dizer à filha para procurar na carteira que estava dentro da mala, que ela sabia onde estava. Poderia me ter dito simplesmente, «está na minha carteira». Moral da história: a minha filha andou às voltas da mala da mãe (a procurar um carteira mais pequena, que era a que ela tinha nesse momento...), até que eu decidi abrir a "carteira grande" e lá estava a carta de condução...

Este exemplo serve para outras coisas, em que a sua forma de comunicar choca por vezes com os filhos, por que gosta de acrescentar sempre, mais um ou outro pormenor.

O mais curioso, é que eu era para falar da escrita, daquelas pessoas que gostam de escrever com demasiados artifícios, dificultando por vezes a nossa compreensão.

E agora que estou quase no fim, devo confessar que tudo isto começou com uma frase de Frederico Lourenço: «O objectivo da minha escrita sempre foi a clareza. Não quero ser incompreensível. Procuro a maneira mais nítida de exprimir as minhas ideias, e dá muito trabalho.» 

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sexta-feira, maio 31, 2019

O Mundo Pode ser Outra Coisa...


Quando construo personagens gosto de lhes oferecer coisas que contrariam o que penso.

Exemplos? Ao escrever: «nunca leio os livros de que gostei, uma segunda vez», estou a mentir descaradamente. Já li vários livros uma segunda vez (e um ou outro, uma terceira, mais por obrigação que prazer...).

E quando o tento justificar, as coisas não melhoram: «não é medo de não voltar a gostar, é perceber que foi outra pessoa que leu aquilo. Quando tens 20, 30 ou 40 anos, não és a mesma pessoa com tem agora 50...» 

Continuo a discordar. Sei que não mudamos assim tanto...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quinta-feira, maio 30, 2019

O Calor "Marroquino"...


Com este calor "marroquino", é bom não esquecermos o guarda-chuva em casa...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, maio 27, 2019

As Conversas de Segunda-Feira


Hoje durante o almoço falámos, naturalmente, das eleições. Da abstenção já crónica, mas também da tentativa, quase sempre frustrada, de "ninguém" ter o bom senso de admitir a derrota. Nem mesmo os partidos que traçaram objectivos claros (o CDS por exemplo além de querer o segundo deputado, queria muito ficar à frente de todos os partidos de esquerda...).

Mas também falámos do papel da televisão, nesta subida da percentagem da abstenção, que gosta mais de alimentar o "espectáculo" que a "informação". Infelizmente isso não acontece apenas nos canais mais populistas (CMTV e TVI), os outros (RTP e SIC), acabam por ir atrás, assim como os seus comentadores, alinhados com os interesses de quem lhes paga o lanche (o outro Luís, ingenuamente até foi capaz de dizer que alguns políticos que comentavam política e futebol o faziam de graça, a troco apenas de "tempo de antena". Claro que nenhum de nós foi na sua "cantiga"...). 

E se eu já sabia que o Fernando Rosas tinha muitos "ques" como historiador, acabei por juntar à minha "lista" mais três ou quatro episódios, pouco abonatórios, para quem investiga o século XX, oferecidos pelo Mário.

Mas a televisão alimenta-se sobretudo dos melhores comunicadores, que poucas vezes são os melhores jornalistas, historiadores ou políticos...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)