Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens

domingo, setembro 01, 2019

Aveiro e Viseu, Duas Belas Surpresas


No desvio que fizemos para o Litoral Norte, vindos da Beira-Baixa, passámos por Viseu e depois por Aveiro.


Ficámos agradavelmente surpreendidos com o crescimento destas duas cidades e com a sua aposta, bastante equilibrada no turismo. 

Conseguem aproveitar, de uma forma inteligente, o que têm de melhor para oferecer a quem vem de fora (Centro Histórico de Viseu e a Ria de Aveiro...).

(Fotografias de Luís Eme)

quinta-feira, julho 25, 2019

As Boas Histórias...


Há pessoas que sempre que falam contam histórias, das boas. 

Chamo boas às que gosto de ouvir, que soam a filmes ou que parecem ter saído dentro dos livros...

(Fotografia de Luís Eme - Ayamonte)

domingo, julho 07, 2019

Não "Chega de Saudade"...


Eu sei que bastaria o seu primeiro álbum, "Chega de Saudade", lançado em Março de 1959, apresentado pelos historiadores como a invenção da Bossa Nova (invenção essa partilhada com Vinicius de Moraes e Tom Jobim), para transformar João Gilberto numa das principais figuras da música brasileira.

Mesmo que Gilberto - ao contrário de Jobim -, tenha tentado "fugir" da bossa nova, fingindo não estar dentro daquele período musical verdadeiramente revolucionário, refugiando-se apenas no samba (cabia lá tudo)...

Mas João Gilberto foi bem mais longe, inventou muito mais ritmos e melodias, com o seu violão. E até se aproximou do jazz, na companhia do saxofonista, Stan Getz (estou a ouvi-los enquanto escrevo, e mesmo sem ser um entendido, digo que está ali jazz com os ritmos mais suaves do samba, com uma beleza única...).

João Gilberto, que nos deixou ontem, não só tentou, como conseguiu, ser apenas ele próprio,  ao mesmo tempo se tornava o "mestre" daqueles que se tornariam os seus grandes seguidores e que acabariam por fazer a transição entre a  "bossa nova" e a "música popular brasileira", Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e muitos outros.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, junho 15, 2019

Fim de Semana com Corridas na Lisnave...


Este fim de semana tem mais "corridas" dentro da Lisnave, que as publicitadas, povoadas de carros que já foram "vedetas" dos nossos rallies.

São vários os fotógrafos que aproveitam esta oportunidade para "correrem" atrás  dos cantos dos estaleiros, em busca de vestígios da já "arqueologia industrial" da Margem Sul, que possam dar "bons bonecos"...

Eu também andei à procura de novidades, com a minha pequenina "canon", mas parecia um simples turista curioso, ao lado de todos aqueles artistas, com mais que uma máquinas e uma objectiva a tiracolo...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sábado, junho 08, 2019

«Somos o País das escolhas erradas. E tudo começa nas pessoas...»


Não sei se é coisa com mais de quarenta anos, mas acho que sim. Até por que já ouvi histórias sobre as escolhas e nomeações de ministros e secretários de estado dos governos provisórios  - nem vale a pena falar de outros cargos menores -, que cabem que nem uma luva no anedotário nacional. Do género de telefonaram para a casa de alguém às duas da manhã a perguntarem se queriam ser isto e aquilo, e que tinham de dar uma resposta às nove da manhã (muitas vezes eram cargos com pastas sobre as quais não tinham perdido mais de cinco minutos da vida...). A maioria refugiava-se na tese de que "era a oportunidade de uma vida" e não queriam saber de mais nada...

Sei sim, que foram raros os homens e mulheres que tiveram a coragem de dizer, não, por saberem que não "cabiam naqueles fatos"...

Infelizmente esta história não se ficou pelo "país provisório" do Verão Quente, continuou a repetir-se até actualidade. 

A coisa mais fácil de fazer na política é uma lista de ministros, secretários de estado, presidentes de câmaras, e vereadores, medíocres e incompetentes (alguns ainda acrescentaram ao currículo adjectivos ainda menos abonatórios, e só não estão na prisão porque a nossa justiça é o que é...).

Do que não faço ideia, é se essas pessoas alguma vez se questionam, sobre o mal que fazem ao país, quando deixam que os seus interesses pessoais, do partido e dos amigos,  se sobreponham aos interesses de todos nós...

Comecei a escrever e como de costume fui andando... quando na conversa que tive com dois amigos, apenas falámos dos ministros da administração interna, da educação e da saúde.

E o Pedro numa frase disse tudo: «Somos o País das escolhas erradas. E tudo começa nas pessoas...»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, abril 24, 2019

O Dia que Ainda Não É...


O 24 de Abril na actualidade é sobretudo um dia de antecipações de festas por todo o País (entre nós joga-se muito na "antecipação", para ficarmos primeiro na fotografia que os outros...).

Mas há 45 anos a história era muito diferente...

Ao contrário do que por vezes se diz por aí, a preparação da Revolução foi um segredo muito bem guardado. Isso ficou a dever-se em grande parte ao facto de ter sido protagonizado por militares, que normalmente são disciplinados e têm um sentido de honra diferente do comum dos mortais. Por outro lado sabiam o que estava em risco, caso falhasse a tentativa de Golpe de Estado. Pelo que quanto menos pessoas soubessem e estivessem envolvidas melhor (especialmente para elas). 

Mesmo no dia 25 de Abril havia alguma desconfiança, pelo menos nos sectores mais politizados, pois não sabiam muito bem se o golpe era democrático ou da extrema direita (Kaúlza de Arriaga conseguia estar à direita do regime...). Foi por isso que houve quem se mantivesse na "clandestinidade" por mais alguns dias, e até meses...).

Ou seja, o dia 24 de Abril de 1974, para a maioria dos portugueses foi um dia igual aos outros. Tanto para quem ouvia as "conversas em família" como para quem conspirava contra a falsa "primavera marcelista".

A DGS continuou a perseguir e a querer prender "comunistas"... e os antifascistas continuaram a tentar antecipar os seus passos, fugindo sempre que podiam...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, abril 23, 2019

Fernando Ricardo José Pessoa Reis Saramago


Finalmente li, do princípio ao fim, "O Ano da Morte de Ricardo Reis" de José Saramago.

Ao chegar à última página, pergunto a mim próprio, porque razão interrompi duas vezes (praticamente no início...) a sua leitura...

Não é um livro com uma história empolgante, mas faz uma ligação extraordinária entre Fernando Pessoa, Lisboa e um dos seus heterónimos. E claro sobre o que se foi passando no mundo nesse ano de 1936 (como a Guerra Civil de Espanha e toda a sua envolvência, interna e externa) e também no nosso "burgo", com várias referências a acontecimentos e figuras, num tempo que corria de feição a Salazar. como foi o caso a Revolta dos Marinheiros em Setembro nas águas do Tejo (com várias referências a Almada...).

Gostei da Lídia, a criada do hotel, amante e mãe do futuro filho de Ricardo Reis, personagem pouco instruída, mas com nada de burra, como aconteceu com tantas pessoas que Saramago deve ter conhecido pela vida fora, não fosse ele de origens humildes (penso que surge no livro em sua homenagem...).

Percebo muito bem todos aqueles que acham "O Ano da Morte de Ricardo Reis", um dos grandes livros que leram. Especialmente os amantes de Fernando Pessoa, que está presente da primeira à última página (e não apenas quando faz as suas "aparições")...

Achei que a melhor maneira de festejar o Dia Mundial do Livro, foi fazer a referência a este livro especial, que tem dentro de si Lisboa, Fernando Pessoa, e sobretudo José Saramago, o nosso único Nobel da Literatura.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, abril 12, 2019

Cinquenta Anos são Pouco Tempo...


Uma das pessoas com quem gosto de conversar é um professor-poeta, que embora esteja reformado há já bastante tempo, sempre que nos encontramos, oferece-me lições de qualquer coisa, e sem perder o gosto de ouvir o outro, o que começa a rarear nestes tempos de "surdez colectiva"...

Normalmente falamos das pessoas, tentamos justificar comportamentos. E nunca é difícil encontrar explicações, mesmo que por vezes passem um pouco ao lado deste mundo, com tanta gente tonta (prefere chamar tontos aos loucos...).

Foi nesta viagem pelo tempo, que ele me fez um esboço do nosso país antes da Revolução de Abril. Falou-me das pessoas que nasciam, cresciam e viviam de uma forma completamente miserável. Das aldeias pobres, onde não havia electricidade, água canalizada, esgotos (a maior parte das casas nem sequer tinham casas de banho...), escolas ou centros de saúde. Dos "bairros de lata", sem condições mínimas de habitabilidade, que cresciam nos subúrbios das grandes cidades, principalmente em Lisboa.

E depois disse-me que cinquenta anos são muito pouco tempo para que pessoas, que viveram em condições tão difíceis, possam ter evoluído, ter cultivado o gosto pelas coisas que realmente interessam na vida. E ainda se torna pior se viverem num tempo em que o dinheiro está no começo e no fim de tudo...

Respondi-lhe que a minha geração e as seguintes já cresceram em liberdade, e por isso, devíamos ser diferentes.

Pois, mas nada é perfeito, disse-me ele. Acrescentando que continuam a nascer demasiadas coisas tortas à nossa volta. E como diz o povo, muito bem, o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, março 31, 2019

Um Caso Único...


Na sexta-feira estive à conversa com um amigo sobre a famosa "crise" dos teatros do nosso país e também sobre a aposta certeira de Filipe La Féria, no teatro musical (e comercial...), que acabou por ocupar de uma forma inteligente o espaço vazio deixado pelo teatro de revista. 

Aposta que deitou por terra a tese de que o teatro só sobrevive com o apoio estatal...

Segundo ele, há espaço para pelo menos meia-dúzia de "lá férias". A única coisa que falta é talento e audácia, especialmente na escolha dos trabalhos que se querem produzir.

Acrescentou que o La Féria não dá ponta sem nó, tudo o que faz acaba por ter sentido, provavelmente por conhecer muito bem o nosso país, assim como a maneira de ser e estar do nosso povo. 

Deve ser por isso que quase todas as suas peças misturam a nossa história e o nosso imaginário artístico, sem nunca esquecer a componente da "diversão" (para dramas já basta a nossa vida...). 

A escolha da "Severa" é apenas mais exemplo...

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)

quinta-feira, janeiro 24, 2019

Temos Passado, mas não Temos Futuro...


Apesar de todas as mudanças económicas e sociais que têm transformado a nossa sociedade, ainda  se sente que a história das localidades têm uma influência directa no comportamento das pessoas. Ou seja, uma cidade que tem como principal actividade económica o comércio, será sempre diferente de uma localidade com profundas raízes industriais, seja em Portugal ou na China. E, obviamente, a mentalidade das pessoas também será diferente.

Mas não sei até quando é que será possível compor estes "retratos"...

Digo isto por que nos tempos que correm, as localidades começam ser mais difíceis de caracterizar. O comércio mudou completamente (está quase tudo centralizado nas grandes superfícies comerciais, esvaziando o coração das cidades...) . E a industria também vive num outro paradigma (quase toda ela é mecanizada e não emprega milhares e milhares de pessoas como noutros tempos...).

Poderei mesmo dar o exemplo das minhas cidades (Caldas da Rainha e Almada). A primeira  tinha no comércio o seu grande alicerce socioeconómico, a segunda tinha profundas raízes industriais (no sector naval e corticeiro). Ambas vivem hoje tempos de grande indefinição, que poderão provocar inclusive "crises de identidade", num futuro próximo.

Só não sei é se se há espaço para vivermos quase exclusivamente de serviços e de turismo, de Norte a Sul do País...

(Fotografia de Luís Eme - Seixal)

terça-feira, janeiro 08, 2019

Uma Coisa em que Somos Bons...


Apesar de existir por aí muito boa gente que gosta de nos retratar, em alguns esboços "fadisteiros", vestidos de cores escuras, e misturados com a tristeza e melancolia, penso que estão ligeiramente enganados.

Provavelmente já fizemos parte desse "retrato", mas isso aconteceu num tempo especial, em que quase todos os dias nos roubavam coisas e não tínhamos grandes motivos para sorrir (sim, falo do período de 1926 a 1974...). Estávamos "viúvos" da liberdade...

Hoje, não somos exactamente aquele povo que foi retratado por um político holandês (do Sol, das mulheres fáceis e das bebidas fortes...). Sim, ele não pode, nem deve, confundir os seus amigos governantes e empresários, com o povo português. 

Mas continuamos a ter uma característica muito nossa: somos capazes de nos rir de nós próprios. Explico isto com dois bons exemplos: a criação pelo grande Rafael Bordalo Pinheiro do já centenário Zé Povinho, que ainda "anda aí para as curvas", e a popularidade do teatro de revista, durante a ditadura.

As palavras são tramadas, queria colocar por aqui, uma simples transcrição, que também fala de nós como povo, da tal capacidade de nos rirmos de nós próprios e de invenção, ao mesmo tempo que mostra que olhamos com  bonomia (se calhar demasiada...), para os políticos,  hábeis na oratória e na manipulação de dados, como é o caso do nosso actual primeiro-ministro.

Mas vamos lá à anedota que recebi por e-mail:

"O Custo de Vida"

- Tem a palavra o Senhor Deputado do BE.
- Senhor Primeiro-ministro, isto está de tal maneira, que até as raparigas licenciadas, têm de se prostituir para sobreviver.
O Senhor Primeiro-ministro com o seu sorriso, responde:
- Lá está o Senhor Deputado a inverter tudo, o que se passa é que o nosso sistema de ensino está tão bom, que até as prostitutas hoje são licenciadas...

Eu sei que devíamos ser mais exigentes com esta "gente", mas não é das coisas piores, esta criatividade e capacidade de nos rirmos de nós próprios.

(Fotografia de Luís Eme - uma parede alegre do Barreiro)


sexta-feira, janeiro 04, 2019

As Coisas que o Venta Leva...


O excesso de informação leva, inevitavelmente, ao esquecimento.

Senti isso hoje, por duas vezes, durante uma conversa com dois amigos.

Falou-se da casa onde morava um escritor local e eu acabei a pedir referências do lugar. Depois de as receber, percebi que afinal sabia perfeitamente onde ficava o primeiro andar onde habitava...

A segunda "branca" não foi muito diferente. Falou-se da GNR de Almada nos anos quarenta, cinquenta do século passado (da sua acção repressiva...) e eu disse que nessa época o Forte (Castelo...) era militar, e que não sabia onde ficava o "quartel" da GNR. Voltaram a oferecer-me referências e eu voltei a recordar a sua antiga localização, na Boca do Vento...

Depois destes dois "enganos" fiquei a pensar que é um erro "saber coisas demais"... porque uma boa parte delas acabam por voar com o vento.

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, dezembro 03, 2018

As Boas e as Más Memórias...


Não deixa de ser curioso o que as pessoas fazem com as memórias. 

Para algumas pessoas, as más são para esconder em qualquer baú, que existe algures dentro de nós. Se puderem dão preferência às coisas boas, porque sabem que os dias felizes são bem melhores que os outros...

Embora isto tanto possa acontecer, voluntária como involuntariamente. Sim, podemos ser nós a querer esconder os passados maus (o que nem sempre se consegue com sucesso...), ou pode ser a própria memória a trocar-nos as voltas...

Lembrei-me disto quando um grupo de octagenários me falaram da "fome" que os perseguiu durante a infância, enquanto a Europa se "autodestruia" na Segunda Guerra Mundial.

Falaram desses tempos sem qualquer problema, cientes, de que há coisas na vida que não são para esquecer...

Recordaram com emoção o senhor Oliveira, que andava pela Vila de Almada a distribuir pão, com um pequeno carrinho (quase em jeito de "caixa de pão"), pelos lares dos sócios da Cooperativa Almadense (era praticamente toda a gente, porque a "caderneta" permitia pagar tudo no final do mês, mesmo nos meses que tinham mais de trinta dias...). Com ele havia pão para todos, sabia que o pão não se negava a ninguém...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, dezembro 02, 2018

Dinheiros, História e a Politiquices...


Ontem comprei o "Público" apenas pela notícia sobre a Fundação Mário Soares, que embora tenha feito um trabalho notável na preservação da história do século XX no nosso país, também tem sido vítima do muito que se diz de negativo destas instituições.

Como é hábito no nosso país, as pessoas gostam de falar (e criticar...) sobre o que não sabem, mesmo as "inteligências pardas" que comentam sobre tudo e mais alguma coisa, na televisão. Misturam dinheiros com partidos, levantam suspeitas sobre pessoas, e nem se preocupam em saber o mais importante: qual tem sido o verdadeiro papel de instituições como a Fundação Mário Soares na nossa sociedade.

A Fundação recebeu e organizou nos últimos anos dezenas de espólios, de gente com história, ligada à política e à cultura do nosso país (uma parte significativa dos documentos já estão digitalizados e disponíveis para consulta online...). Trata-se de uma trabalho, que não deve ser feito em regime de voluntariado, até por exigir conhecimentos e gentes com formação superior (historiadores e arquivistas) no seu tratamento.

A morte de Mário Soares fez com que os subsídios começassem a ser reduzidos (alguns drasticamente, o exemplo da Fundação EDP é sintomático, passagem de 75 mil euros para 7 mil...), provocando a dispensa de vários colaboradores e o aparecimento de prejuízos, que só no ano passado quase que chegaram aos 400 mil euros...

O mais curioso (e negativo, na nossa opinião, embora se deva a uma questão de sobrevivência...) é a proposta defendida pela actual direcção da Fundação, que quer que a Instituição guarde apenas o arquivo pessoal de Mário Soares e de mais dois ou três amigos próximos. Proposta que implica a saída de quase todos os arquivos à sua guarda de grandes personalidades do século XX (da Primeira República ao 25 de Abril), que em princípio irão para a Torre do Tombo.

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, novembro 22, 2018

A "Fabricação Gratuita de Personagens"...


Depois de falar alguns minutos com uma pessoa que apenas conhecia de vista, sobre um episódio da história de Almada, ela antes de se despedir, disse-me que eu não era a pessoa de quem lhe tinham falado, uns dias antes. E com alguma lata ainda me piscou o olho e ofereceu-me um sorriso, dentro de uma despedida com até um dia destes.

Hoje telefonou-me e disse que precisava de saber mais umas coisas para a sua tese, misturadas com um café.

Disse-lhe que sim. Amanhã.

E depois fiquei a pensar em alguns "inimigos de estimação" que vou tendo por aqui, a quem não passo qualquer cartão. E segundo o Orlando, é das coisas mais parecidas com "sarna", faz uma comichão do caraças.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, novembro 13, 2018

Uma (boa) Rota de Vida...


Hoje, ao fim da tarde será apresentada na Biblioteca do Palácio Galveias, a biografia de José Saramago, assinada por Joaquim Vieira.

Pelo que li na notícia publicada no DN, assinada por João Céu e Silva, é uma obra extremamente importante, e única (até agora...), pela abordagem diferente que faz do nosso Nobel da Literatura. 

Deixo-vos duas transcrições da peça jornalística:

«O biógrafo Joaquim Vieira faz um levantamento exaustivo do seu percurso de vida com recurso a inúmeras entrevistas de quem o conheceu ou trabalhou com ele, revê estudos e investigações de outros sobre o biografado, e escreve o mais longo trabalho que Saramago teve até agora sobre a sua vida e obra. Que esclarece bastantes pormenores de uma vida que foi dourada por amigos, contestada por inimigos, maltratada por estudiosos da literatura das últimas décadas, analisada com despeito ideológico por alguma crítica literária e até amaldiçoada por várias figuras governativas pouco esclarecidas.»

«A melhor notícia é que esta biografia escapa à hagiografia habitual dos que estavam próximos de Saramago e dos que lhe estão ainda. Não retira um ponto da sua vida ideológica como se vai tentando esbater, não ignora a sua roda-viva emocional que colegas seus fazem questão de debicar em sussurro, não passa ao lado das invejas na vida editorial que o "jovem" Saramago tem de enfrentar quando se tenta aproximar dos "grandes" durante o anterior regime, não esquece as duas primeiras mulheres nem o papel de Isabel da Nóbrega nos primeiros grandes sucessos de Saramago.»
                                                  

sexta-feira, outubro 12, 2018

Fugir da Biografia...


Embora se diga que tudo o que escrevemos é "autobiográfico", penso que só o é, por sair de dentro de nós.

Muitas vezes criamos personagens completamente opostas e diferentes daquilo que pensamos ser. Claro que fazemos a sua construção, a partir do nosso mundo interior. E por isso, mesmo, sem querermos, podem ficar com uma costela (pelo menos...) "autobiográfica".

Nos últimos tempos tenho aproveitado os momentos de lazer para construir histórias sobre pessoas, que têm um ponto em comum: são completamente desconhecidas para mim. Ou seja, não conheço ninguém com aquelas características (pelo menos é o que penso...). 

Estou a gostar, é bastante estimulante esta busca pelo desconhecido.

Ao fazer este exercício literário lembrei-me de Alberto Caeiro, o heterónimo de Fernando Pessoa mais afastado da sua biografia e um dos meus preferidos...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, outubro 04, 2018

Recordar o 4 de Outubro...


Hoje é um dia especial pelo menos para Almada, Loures e Montijo, que se anteciparam um dia na proclamação da República.

Isso aconteceu porque apesar dos tempos não serem pródigos em instrução e cultura, os operários da cintura industrial de Lisboa sabiam bem do que não gostavam. 

Por exemplo, Reis, Condes ou Baronesas, era coisa não lhes caía nada no goto, assim como a Igreja que gostava de coitadinhos, muito pelos seus usos e abusos...

E gostavam ainda menos de ser tratados como escravos.

A República era, entre outras coisas, a esperança da transformação do mundo em algo menos desigual...


sexta-feira, setembro 21, 2018

O Excelente "Big Mal & Companhia" do Gonçalo


Acabei de ler o ensaio, "Big Mal & Companhia", da autoria de Gonçalo Pereira Rosa, que recomendo a todos os leitores, especialmente aos largos milhares que gostam de livros e de futebol.

Os mais entendidos sobre o "Desporto-Rei", facilmente percebem que este título se inspira na época de 1981-82, em que o Sporting beneficiou da acção verdadeiramente revolucionária que Malcolm Allison  imprimiu no clube.  Acção relatada pelo Gonçalo com grande rigor e entusiasmo (ficamos colados às suas palavras da primeira à última página...).

Um dos principais atractivos deste livro é contar com o testemunho dos então pupilos do "Big Mal", que muitos anos depois reviveram e contaram, com emoção, muitas das histórias deliciosas que partilharam em Alvalade. É notório o seu orgulho por terem tido o prazer de serem treinados por um técnico diferente, que gostava de dar liberdade aos seus jogadores, para também lhes exigir responsabilidade, dentro e fora do campo. Esta nova filosofia acabará por colher bons frutos, tanto no campo desportivo como social. Além de terem conquistado o Campeonato Nacional, a Taça de Portugal e a Supertaça, nessa época inesquecível, todos recordam com alegria, a amizade, a camaradagem e o convívio que existia no plantel, dentro e fora do balneário.

Também é feita justiça a João Rocha, presidente do Clube na época, que além de ter sido o principal "arquitecto" desta equipa, é um dos grandes dirigentes da história do Sporting.

Um dos melhores elogios que posso fazer a esta obra, é que li ,as suas mais de trezentas páginas, em apenas três dias. 

Embora goste bastante de ler ficção, não posso deixar de salientar que este ano tive o grato prazer de ler dois excelentes ensaios escritos por dois jornalistas portugueses. Refiro-me a este excelente Big Mal & Companhia do Gonçalo Pereira Rosa e também ao melhor retrato  que li do inesquecível "Verão Quente", Quando Portugal Ardeu de Miguel Carvalho.

quinta-feira, agosto 23, 2018

Não. Não há Contradição...


Recebi um e-mail amigo, de alguém que não comenta em blogues, mas que resolveu fazer-me uma chamada de atenção pela minha aparente contradição, nos dois últimos textos que escrevi.

Disse-lhe que lhe respondia no "Largo".

E não, não há qualquer contradição.

O Eduardo nunca andou à procura de um segundo que fosse de fama. Aliás, quando alguém lhe falou de contar as suas histórias na televisão, sorriu e disse logo que não. Desculpou-se depois que os seus oitenta e alguns anos de vida, faziam com que baralhasse um pouco os países por onde andou e as histórias que viveu. Nem ele próprio sabia onde começava a ficção e acabava a realidade. E foi ainda mais longe, disse que às vezes contavam-lhe episódios da sua vida, que não se lembrava de os ter vivido...

Claro que o Eduardo continua a gostar de brincar, e é bastante salutar que ele mantenha o seu sentido de humor.

Aquilo que ele sabe, é que nunca irá entrar no jogo das pessoas que fazem fila para participar nos programas da manhã e da tarde, cheias de vontade de aparecer e de distorcer a realidade à sua vontade...

Lembrei-me também que há algumas pessoas estranhas (muito poucas, eu sei...) que nunca tiveram televisão, muito menos telemóvel, computador ou internet...

Cada vez me convenço mais que uma das melhores coisas que nos podem acontecer, é não nos levarmos demasiado a sério...

(Fotografia de Luís Eme)