Mostrar mensagens com a etiqueta Lugares. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lugares. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, maio 09, 2019

A Ficção Dentro dos Sonhos...


Normalmente os meus sonhos não têm grande nexo, nem são muito fáceis de "colar" à realidade.

Curiosamente esta última noite aconteceu-me uma coisa inédita. Sonhei uma ficção, com uma nitidez que até me forçou a acordar, para a deixar registada em papel (não a queria perder por nada...).

Vou contar: vejo-me a entrar no portão da velha casa dos meus avós maternos e depois continuei a andar, pela casa dentro. Sou surpreendido por um homem, a quem me desculpo pela "invasão", dizendo que aquela era a casa dos meus avós... Foi quando resolvi acabar com o sonho.

O curioso é tratar-se de uma impossibilidade, pois a casa nunca foi habitada por ninguém, depois de a avó ter ido viver para a casa de um dos meus tios... E posteriormente foi destruída pelos novos proprietários (centro paroquial...) e hoje é um campo aberto.

(Fotografia de Luís Eme - Salir de Matos - a última vez que entrei na casa dos meus avós, em 2010. Já não nos pertencia e estava em ruínas. Mesmo assim acabei por entrar  para tirar as suas últimas fotografias...)

quinta-feira, abril 11, 2019

O Copo Meio Cheio e o Copo Meio Vazio...


A rua tem essa coisa boa de as vozes se espalharem por aqui e ali. Ou seja, são muitas vezes amigas de quem escreve (mesmo que seja apenas em blogues...), e está sem assunto. São elas que nos oferecem palavras e frases, que aparecem no ar e passam a ser de quem as quiser apanhar...

«O mundo é melhor do que aquilo que os nossos olhos vêem.» É uma frase daquelas... Até por parecer um pouco fantasiosa. 

Não consegui perceber se a senhora era religiosa, ou simplesmente optimista. 

Sei apenas que o copo meio cheio tem sempre mais umas gotas que o copo meio vazio...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Uma Galeria Diferente...


Há já alguns dias que era para falar das Carpintarias de São Lázaro (ao cima da rua com o mesmo nome, depois do Martim Moniz), que foram transformadas em galeria de arte (género XL...), que pode ser muitas coisas.

Neste momento acolhe a exposição de Jorge Molder ("Jogo de 54 cartas"). Eu que até nem aprecio muito o género, verifiquei que até nem fica nada mal ali, graças ao espaço.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, fevereiro 19, 2019

Quando os Lugares nos Absorvem...


Ao ler uma crónica, escrita por alguém, que dizia poder viver em qualquer lugar, porque a cidade onde vivia não lhe dizia nada, pensei que sentia o contrário em relação a Almada.

E sei por que razão isso acontece.

À medida que fui entrando no coração da Cidade, tive a sorte de conhecer pessoas que a amavam de uma forma livre e desprendida. Sabiam que Almada não era bela nem tinha uma qualidade de vida invejável, mas tinha outras coisas, não menos importantes, a sua história de resistência (desde a Revolução de 1383, passando pela Restauração de 1640, sem esquecer a Revolução Liberal que  foi a 23 de Julho ou a implantação da República a 4 de Outubro...), de liberdade e de humanismo.

E podia falar também dos seus "heróis" anónimos, desde o primeiro mártir do Tarrafal, que foi um almadense (Pedro de Matos Filipe), às mulheres que encabeçaram as greves da indústria corticeira nos anos da Segunda Guerra Mundial...

É por tudo isso que - embora tenha vivido nas Caldas da Rainha desde o meu nascimento até à idade maior - me sinto cada vez mais Almadense...

(Fotografia de Luís Eme - Setúbal)

quarta-feira, janeiro 02, 2019

Margens do Sul...


Há sítios que consideramos especiais, mesmo sem nunca lá termos vivido. O lugar mais perto de Almada no qual experimento essa sensação, é o Seixal.

Podia começar por falar do esplendor de toda aquela baía, que felizmente nunca foi "estragada" pelos políticos e empresários, que gostam muito de "roubar" aquilo que devia ser de todos e para todos. Mas acho que não é apenas isso.

Sinto nas suas ruelas que há ali algo de "aldeia", de "povo", que não encontro, por exemplo, em Almada (talvez o "Pragal velho", já a querer desaparecer, seja o espaço menos urbano da cidade...).

Claro que este aspecto que me agrada, desagradará a pessoas mais cosmopolitas.

É sempre assim, cada um de nós olha para as coisas com os seus olhos e com a sua "alma"...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, novembro 07, 2018

A "Tralha" que se Guarda...


Nós que vivemos em pequenos apartamentos, guardamos muitas vezes coisas que, além de "sobrarem", ocupam demasiado espaço e... inevitavelmente, passados tempos, acabamos por "esquecer" a sua existência. E não falo apenas de livros...

O que seria de nós se tivéssemos uma grande herdade, com dois ou três armazéns enormes, capazes de guardar coisa como um "carrossel mágico" ou até uma "montanha russa"...

Não pensem que exagero. Um homem recentemente falecido, tinha um armazém que era o seu espaço de sonhos e de alguma magia, onde ia acumulando coisas de que gostava e comprava em feiras de velharias, quase sempre para recuperar, mas o maldito tempo, o seu "principal inimigo", nunca lhe deu tréguas.

Dos seus quatro filhos apenas a Margarida sabia deste passatempo do pai, porque o acompanhara mais que uma vez a estas feiras, que misturam memórias com objectos. Mas estava longe de imaginar o que iria encontrar dentro de um dos armazém da quinta... 

Sabiam apenas que o outro armazém tinha umas duas dúzias de carros (o pai nunca se desfizera de nenhum carro da família, havia um mercedes dos anos cinquenta que fora do avô, mas também uma charrete de luxo que vinha do século dezanove, que ninguém sabia ao certo a origem...), porque os irmãos desde pequenos que gostavam de passar por lá e brincar às escondidas do pai. Agora o outro, só ganhou forma depois de 1974. O pai começou por guardar peças de trabalho da lavoura, entretanto substituídas por máquinas... mas quando deu por ela, tinha um verdadeiro "museu" de relíquias...

Toda esta conversa, porque de todos estes objectos, há um que acaba por ser especial e do qual já falei: o carrossel mágico, que quase lhe foi oferecido, por estar a ocupar demasiado espaço na família de um antigo feirante. Ele sempre pensou em recuperá-lo. É quase todo feito em madeira e ainda sobressaem algumas cores decorativas, especialmente as dos animais (zebras, girafas, cavalos, tigres, etc,) da selva.

E agora esta recuperação passou a ser o sonho do Miguel (filho da Margarida...). Está apostado em tornar real a vontade do avô...

(Fotografia de Luís Eme - foi o que encontrei mais parecido com um "carrossel mágico", embora este seja quase moderno)

sábado, outubro 27, 2018

(A Segunda Despedida à Francesa)


E agora a segunda e última despedida à francesa, que coincide com o fim da história...

«[...] Ao olhar para a paragem da camioneta de carreira, houve algo que lhe chamou a atenção. Aproximou-se e descobriu um cartaz teatral no mínimo curioso, que disputava o espaço publicitário com o anúncio descolorido de uma tourada do ano passado. Sem saber explicar porquê achou piada ao título da peça de teatro, “A Mulher que Falava com os Morcegos”. Podia ser apenas uma piada, mas pensou que era capaz de não ser má ideia aparecer por lá no começo da noite e conhecer esta personagem curiosa.
As sete pancadas de Molière anteciparam a entrada de uma actriz no palco, que descobriu que ia andar por ali, quase uma hora, a falar com as sombras…
O mais engraçado foi descobrir que o monólogo era interpretado por uma cara conhecida. Nada mais nada menos que a Eva, a “conversadora do café”. Embora a personagem se chamasse Laura e a actriz do cartaz fosse identificada como Cristina Nunes...
Não morria de amores pelo género teatral que ficava entre o absurdo e o intelectual, mas sentiu-se bem na sala. A espaços encontrou aquela magia que de vez em quando surge nos palcos. Acabou por ficar agradado, por que havia por ali uma autenticidade diferente, virada do avesso, com várias nuances, com a Laura a movimentar-se muito bem, quase como se estivesse num baile de máscaras.
Percebeu ao longo da quase uma hora, que ela era uma boa actriz.
E até tiveram um momento só deles, quando ela parou de representar por breves segundos.
Aproximou-se da ponta do palco, olhou para ele por mais de um segundo e sorriu. Depois fez um pequeno silêncio e disse, completamente a despropósito, apontando para cima: “Ele veio”… Embora estremecesse com a surpresa, fingiu o melhor que pôde, que não tinha nada a ver com aquele assunto. Os espectadores da plateia, por distracção ou desatenção, também de comportaram como se aquela frase curta fizesse parte do acto. E ainda bem.
No final houve muitos aplausos, Laura veio três vezes ao palco agradecer a generosidade do público beirão, que acabou a bater palmas de pé.
Se fosse numa outra cidade e numa outra vida, tinha passado pelo camarim, para lhe deixar flores e oferecer um sorriso, agradado pelo espectáculo e até pela pequena referência.
Mas preferiu imitá-la e fazer o que ela lhe tinha feito no café, nada mais nada menos, que o que alguém, para os lados de Paris, popularizara como “despedida à francesa”…»

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, outubro 26, 2018

(A Primeira Despedida à Francesa)


Como expliquei na resposta a um comentário, o conto que escrevi para o livro, "Contos do Portugal Profundo", é grandito. Mesmo assim resolvi ir ao encontro de duas frequentadores dilectas do "Largo", que mostraram interesse em ler a história, publico aqui os dois momentos que acabaram por contribuir para o título da ficção ("Despedidas à Francesa num Outro Portugal"). Um hoje. E outro amanhã...

«[…] Na Vila perdeu-se um pouco pelas ruelas, quase desertas, até que entrou num café, decidido a petiscar qualquer coisa. Um dos pratos do dia era ervilhas com ovos escalfados, algo que não comia há muito tempo. Não pensou duas vezes na escolha da ementa.
No final, quando saboreava o café, foi surpreendido pelo olhar vivo de uma mulher da sua geração, cujas rugas indiciavam que poderia ter um ou dois anos a mais que ele. Mas ela não se limitou a olhar, foi-se aproximando e fez-se mesmo convidada para um café, como se estivessem numa daquelas casas onde os homens pagam bebidas às mulheres.
Ao perceber que ele não estava com muita vontade de falar, fingiu não se preocupar e fez quase todas as despesas da conversa. Esperta, começou por o provocar e fazer sorrir, quando tentou certificar se o gato da vizinha Aurora também lhe comera a língua.
Disse ser uma Eva e quis saber quem era ele. Ofereceu-lhe o segundo nome, Manel, o que foi aproveitado para ela misturar logo um pincel na conversa, em mais uma tentativa de deixar mais à vontade.
Naquele momento não sabia muito bem o que pensar da mulher, com o tal nome original que alguns homens fingem acreditar, que foi uma criação por Deus… Mas era impossível passar ao lado da sua lata…
E ela lá continuou a falar sem parar. Queria saber coisas do homem que se ia tornando um mistério, por não lhe dizer praticamente nada do que lhe apetecia ouvir. Foi quando Eva lhe explicou que podia mentir, inventar uma vida, acrescentando que às vezes era uma boa maneira de se sonhar acordado. E sem deixar que a interrompesse afirmou que todos mentimos, todos escondemos alguma coisa. Foi quando ele sorriu de novo, por ser verdade e também por ter à frente uma mulher que parecia não desistir às primeiras às segunda e às terceiras.
Talvez fosse professora de filosofia, ou então psicóloga, daquelas que fartas de ouvirem as histórias dos outros, se resolvem libertar nos lugares mais insólitos e oferecer quase todas as palavras do mundo a desconhecidos.
Ela insistiu e foi ainda mais longe na descodificação que fazia da natureza humana. Falou do medo, da impotência, da solidão, da perda… Metia-se com ele, talvez por sentir que ele fingia não ser grande adversário, E era verdade. Naquele momento estava ali sentado, com a mesma sensação de estar a assistir a uma peça de teatro ou a um filme. E como sabia que o silêncio era de ouro nos momentos em que a arte se confundia com a vida, não perturbava nem um pouco o “monólogo” da Eva…
Numa última tentativa de lhe arrancar alguma coisa dos bolsos de dentro, onde se escondem os sonhos e pesadelos, Eva contou algo que, segundo as suas palavras, nunca tinha dito a ninguém. Pensava cada vez mais vezes que talvez tivesse sido melhor ter uma vida calma, de ser apenas mãe e dona de casa. Ter uma vida mais parecida com a da avó que com a da mãe, que também teve de trabalhar a vida quase toda fora de casa… E foi ainda mais longe. Olhou para outra mesa mais distante, com dois adultos e duas crianças, e falou-lhe de uma família, que poderia muito bem ser a sua, se…
 Foi o único momento em que se sentiu quase obrigado a dizer alguma coisa. Com um sorriso leve afirmou que adoramos desculpas, quando todos estamos sempre a tempo de mudar. Sem se deixar interromper, disse que a vida tem o condão de nos oferecer mais que um caminho, tanto podemos dar um passo em frente, dois para o lado ou um para trás.
Depois das suas palavras apareceu o silêncio. Os segundos que se seguiram pareceram minutos. Foi como se ele quebrasse a magia do “monólogo” anterior.
Foi neste momento que Eva fingiu ir à casa de banho e desapareceu.
Só dez minutos depois é que percebeu que ela não ia voltar… Ainda ficou por ali a pensar, pelo menos outros dez minutos, novamente com a máquina do tempo a fazer marcha atrás, e sem grande esperança de a voltar a olhar.
O mais curioso foi ter gostado de a conhecer, mesmo que soubesse que era provável nunca mais se encontrarem, em qualquer parte incerta, porque como lhe confessou, quando ensaiou a despedida, estava ali apenas de passagem. Depois ela desculpou-se, quase à homem, que ia fazer uma “mija” e já voltava.
Mas desapareceu…
Talvez fossem as suas palavras que quebraram a magia da conversa, comandada pela mulher, do início ao fim.
Foi acordado nas suas deambulações pelo olhar de uma outra mulher, que entrou à procura de alguém e saiu. Sorriu novamente, mais pelo presente que pelo passado, porque há muito que não o olhavam de uma forma estranha, e muito menos se faziam convidados para a sua mesa. [...]»

 (Fotografia de Luís Eme)

domingo, setembro 23, 2018

Sexo Coloca Serralves em Alta


O Museu de Serralves está em alta graças à exposição de  Robert Mapplethorpe,  um fotógrafo inglês, excêntrico, que podemos considerar produto do movimento "hippie" e das tendências artísticas que se lhe seguiram, em que a diferença, o choque e a polémica, passaram a ser mais importantes que a chamada "beleza artística".

Muitas das suas fotografias são autobiográficas e exploram a sua vivência homossexual (fotografou amantes, focando os seus órgãos sexuais e também publicitou cenas de sadomasoquismo e bondage). Se hoje continua a não ser um autor consensual, imaginem na época... Sim, ainda  quem fale de pornografia, quando olha para os seus retratos, embora isso seja nitidamente outra coisa.

Mas vamos lá regressar ao Museu de Serralves e às 159 fotografias de Mapplethorpe...

Quando se soube que tinha sido colocada uma área restrita (com acesso apenas a maiores de 18 anos, com as tais as imagens com órgãos sexuais e de sadomasoquismo), houve logo um coro de indignados a falar de uma "decisão censória" da instituição, inclusive o anterior director artístico de Serralves (eu diria que não havia necessidade)...


Talvez tenha sido por isso que o primeiro a "abandonar o barco" foi o actual director artístico, João Ribas (demissão ainda cheia de "nuvens", embora ele tenha sido o principal alvo de todas as críticas...). 

O Conselho de Administração da Fundação de Serralves (onde também "mora" Pacheco Pereira, um dos nossos "paladinos da liberdade") divulgou um comunicado, em que diz praticamente nada, embora tente "lavar as mãos" e dizer que tudo o que aconteceu estava previsto, não proibiu, nem mandou retirar nada, as 159 fotografias foram todas escolhidas por João Ribas, que também é o curador da exposição.

Claro que nos próximos dias deverão surgir mais explicações, de parte a parte. A não ser que Ribas opte pelo silêncio e acabe por ser "réu e vítima" de todo este processo.

O título que coloquei nesta posta, além de ser provocatório, não deixa de ser verdade. A polémica e o objecto desta exposição - especialmente as duas salas onde o acesso é restrito a maiores de 18 anos -, vão levar muita gente curiosa a Serralves, e ainda bem. Vão ficar agradadas com o Museu, com os jardins e por que não, com a exposição, com e sem sexo?

(Fotografia de Robert Mapplethorpe - Patti Smith, sua companheira e musa inspiradora)

terça-feira, setembro 11, 2018

A Resistência e a Liberdade Novaiorquina...


A bonita  "Livraria" da nossa Maria Vieira da Silva pode ser tanta coisa...

Sim, os livros da Maria também podiam ser "arranha-céus", daqueles que transformaram Nova Iorque numa cidade única, e que hoje continuam a ser um símbolo maior, de Resistência e de Liberdade...

sábado, agosto 11, 2018

Um Verdadeiro Parque da Paz...


O Parque da Paz é o pulmão verde de Almada.

Se há uma conquista de Abril memorável no Concelho de Almada, é este lugar, cheio de verde, de animais, e claro, de paz...


Como se pode ver pelas imagens, é bom para brincar e também para ler...

(Fotografias de Luís Eme)

quinta-feira, agosto 09, 2018

Surrealismo Infernal em Agosto...


Nem sei por onde começar, nem o que escrever...

O primeiro-ministro resolve falar ao povo misturando velas e bolos de aniversário, à habitual propaganda do sucesso e da excepção que confirma a regra.

A líder do CDS tenta tirar dividendos da desgraça alheia, como de costume.

Os estudiosos da "sociedade protectora do eucalipto" aproveitam para afirmar, aqui e ali, que a culpa dos fogos tanto é dos sobreiros, dos carvalhos e azinheiras, como da sua árvore preferida.

A protecção civil muda as chefias e o porta-voz...

Os jornalistas televisivos fingem que não dormem e continuam numa correria, de terra em terra, em busca de pessoas que gostem de colocar "a boca no trombone" e tenham contas a ajustar com alguém.

A gente anónima atingida pela desgraça pergunta, "porquê?". à resposta violenta da natureza que, apesar do rasto de destruição que deixa, continua a não ser levada a sério...

Exemplos? Apesar do susto, a árvore que dá sombra ao quintal e à casa, promete continuar por lá...

E com muitas mais asneiras pelo meio, Monchique continua a arder, ao sétimo dia.

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, julho 04, 2018

Ver e Pensar mais Longe...


Normalmente somos péssimos a olhar para as coisas com alguma distância temporal. 

Lidamos com isso quase com a mesma displicência com que tratamos as coisas, da e com, "memória"... 

Curiosamente, tanto uma coisa como a outra, dão sempre um grande jeito aos políticos, especialmente no seu final de mandato, onde tentam fazer em meses o que não fizeram em anos...

É como se o tempo fosse um "mau professor", ou a memória, algo, descartável...

E o pior  é que tenho a sensação que continuamos a caminhar como o caranguejo, e que cada vez damos menos importância às coisas que realmente importam...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, junho 08, 2018

Coisas Perigosas (Quase Escondidas)...


Esta fotografia é apenas um exemplo das coisas dramáticas e perigosas, que quase não se vêem, porque estão ligeiramente distantes do "mundo", mas que existem "aos pontapés" neste nosso Portugal, de Norte a Sul.

Normalmente não são lugares de passagem. E por isso mesmo, não são assunto de conversa ou de crítica, não se fazem abaixo-assinados nem se faz "tremer o mundo" através do facebook...

Este cais completamente arruinado fica exactamente no Olho de Boi,  um quase "bairro" de antigos operários de Almada, à beira Tejo, rente às antigas instalações da Companhia Portuguesa de Pesca.

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, junho 03, 2018

O Descanso da Salete...


A "Salete" descansa no Olho de Boi, no cais da antiga Companhia Portuguesa de Pesca...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, junho 01, 2018

Um Cartaz Feliz...


Descobri este cartaz por acaso e gostei logo dele.

Não sei se é o mais indicado para um festival internacional de banda desenhada, em Beja, mas que é bastante sulista, é. Talvez até se aproxime do norte de África...

E se estiverem perto, passem pela Casa da Cultura e pelos lugares onde é possível festejar as histórias feitas com quadradinhos, com palavras dentro de balões...

O mais curioso, é que este desenho também tem algo de juvenil, quase quase a festejar o Dia Mundial da Criança.

segunda-feira, abril 23, 2018

Os Jornais, os Leitores, os Vendedores e os Distribuidores...


Incomoda-me ir comprar o jornal e ficar por ali à espera, a ver os empregados do balcão a despacharem raspadinhas, cigarros ou a registarem apostas do placard e do euromilhões.

Mas percebo esta nova realidade, se se vendem poucos jornais (e com pequenas margens de lucro...), é normal, que me dêem cada vez menos atenção.

Mas segundo li ontem no "Diário de Notícias", na crónica assinada por Joel Neto , jornalista e escritor açoriano, há coisas bem mais graves a acontecerem por este país fora no que toca à compra de jornais. Por exemplo nas ilhas:

«[…] Os jornais perderam massa crítica, os leitores de jornais também e, no geral, a indústria contraiu-se. Mesmo assim, as lojas do Carlos e dos colegas vendiam bastantes jornais - quase todos os que se vendiam nesta ilha. E agora, de repente, já não vendem quase nenhum. 
Não porque não reste ninguém para os ler: ainda há quem os queira, mesmo se não tanta gente como no passado. Não porque não sobre às lojas força para os vender: ainda é nos jornais que sentem mais em jogo todo o seu sentido de missão. Simplesmente porque os aviões da SATA e da TAP já não os trazem. Ou porque os trazem apenas no voo da madrugada seguinte, quando já ninguém os lerá.[…]»

Não há muito a dizer. Uma coisa é venderem-se poucos jornais, outra coisa é não aparecerem sequer nas bancas...

(Fotografia de Luís Eme - não é esta a tabacaria onde habitualmente compro o jornal, por que fica "fora de mão"...)

terça-feira, abril 17, 2018

Quem Atravessa o Rio...


Penso sempre que quem atravessa o rio, entre o Cais Sodré e Cacilhas, quase que não tem tempo para saborear a viagem, quase sempre agradável.

Um olhar pelas margens, a distracção da passagem de uma barca qualquer, e quando damos por ela estamos a chegar...

Esqueço-me do "martírio" de quem trabalha em Lisboa e que tem forçosamente de atravessar o rio todos os dias, sem morrer de amores pelas águas movimentadas do Tejo, e muitas vezes sem saber nadar...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, abril 14, 2018

Um País Cheio de Fios...


Quem gosta de tirar retratos a lugares, encontra quase sempre um obstáculo comum (mesmo na aldeia mais recatada...), um conjunto de fios de várias "nações", que também gostam de ficar, e "estragar", a fotografia.

Sei que existem programas que os podem "apagar", mas de pouco vale. Talvez embeleze um pouco mais as fotografias, mas não altera em nada a paisagem, porque os fios continuam no mesmo sítio, muitas vezes já sem qualquer préstimo para os residentes...

Era bom que o Estado se preocupasse com esta questão, de uma vez por todas, e obrigasse as empresas que continuam a ter o "monopólio" de fios (EDP e Altice), a começarem a retirar tudo aquilo que está inerte e rouba a beleza a tantos lugares, de Norte a Sul.

É por estas e por outras que tenho de dar razão ao dono da vivenda que afixou um letreiro bem visível na sua propriedade, que "proíbe" (mesmo que seja ilegal...) a passagem de qualquer fio pelas paredes da sua casa.

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, abril 13, 2018

A Familiaridade (Pública) Abusiva...


Hoje de manhã estava no talho à espera de ser atendido e comecei a ficar incomodado com a forma como um dos empregados falava com uma cliente, que mesmo sendo freguesa habitual (tratava-a pelo nome...), estava longe de se sentir à vontade com aquele quase "abuso" de lugares-comuns, em volta do facto de não ter cara de quem tinha acordado com boa disposição. Percebi pela forma como me olhou - e por evitar responder -,  que  só por educação (ou para não ser mal servida...), é que a senhora não disse ao homem do talho para se meter na sua vidinha.

Hoje é raro andar de táxi, mas houve uma altura que andava bastante. E se havia coisa que me chateava era estar sem vontade de conversar (normalmente sem paciência para aturar as suas "sindicâncias" e "ideias feitas"...) e o "xófer de praça" insistir, insistir. 

A meio do quase monólogo, lá acabava por desistir. Mas antes de desistir ainda era capaz de ter um dito daqueles "engraçados" sem graça nenhuma.

Sei que as pessoas têm de se entreter com qualquer coisa, mas não precisam de incomodar os outros (algo que fingem quase sempre não perceber)...

(Foto de Garcia Nunes)