sábado, abril 30, 2022

A Metáfora dos Cravos de Abril...


Este deve ter sido o único ano em que não tive um único cravo vermelho em casa (verdadeiro) em Abril.

Isso aconteceu por várias razões, a principal por ter comemorado esta data festiva longe dos palcos de música e de discursos, onde também se costumam oferecer cravos (costumam ser lançados à população...).

Claro que andei na rua no dia 25, até me encontrei com um amigo, para falarmos de um projecto, que tem vindo a ser adiado, ano após ano, por múltiplas razões (até pela incerteza em relação à sua recepção...), que não interessa trazer para aqui.

Algumas das pessoas que passavam por nós, na esplanada, traziam cravos, na mão ou no peito, embora a maior parte viesse sem este símbolo de Abril, vermelho ou encarnado (tal como nós...).

O meu companheiro e amigo achou piada ao contraste entre uma mulher que passou com quase uma dúzia de cravos na mão e outra com apenas um. E disse-me: «Este é o retrato actual de Abril, um pais cada vez mais desigual, onde uns tentam agarrar tudo o que podem, sem sequer lhe passar pela cabeça dividir o que têm, pelos que não têm quase nada.»

Limitei-me a sorrir. Mesmo sabendo que era verdade. 

Estive sempre na dúvida se devia escrever sobre isto aqui no Largo, mas acho que esta é uma é uma das várias "metáforas" que se podem encontrar em Abril, mesmo que a Revolução libertadora, não tenha nada a ver com isso...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


2 comentários:

  1. Claro que há imensas desigualdades. E cada vez mais, infelizmente!

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    1. Sim, está a perder-se muito do que se conquistou na segunda metade do século XX, Maria.

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