domingo, abril 10, 2022

«A normalidade é uma coisa quase abstracta»


Há alturas que as conversas "marcianas" nos fazem bem, porque neste nosso tempo não há muito para contar de bom, sobre o nosso planeta e sobre os "seres terrestres".

Mesmo assim, quando escutei a frase, «a normalidade é uma coisa quase abstracta», não deixei de ficar surpreendido. Até porque me parecia que a normalidade era tudo menos isso... sempre a olhei como algo mais "realista" que qualquer outra "anormalidade".

Ou seja, parecia aberto o caminho para uma conversa de loucos. Mas não. O que a Vera quis dizer foi, que, embora cada um de nós andasse com a sua normalidade colada ao corpo, esta está longe de ser uma coisa comum. Até foi capaz de acrescentar que muitas vezes a nossa normalidade vem acompanhada de alguma ficção e até de mentiras. Sim, algumas pessoas só conseguem levar uma vida normal se lhe misturarem algumas coisas que "não existem".

Mas onde ela quase que me convenceu, foi quando falou da existência das leis e regras que nos são impostas, para que "sejamos todos quase normais". E algumas delas até são contrariadas, sempre que nos é possível.

Depois de me despedir da Vera, continuei a pensar que o termo abstracto era demasiado forte na frase que me ofereceu (só podia partir de uma pintora...). Mas também senti que a normalidade, afinal de contas, não era uma coisa assim tão normal quanto isso...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

6 comentários:

  1. Bom dia
    Ou seja. A normalidade é anormal pelo que entendi.

    JR

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    1. Anormal não diria, Joaquim, mas está longe de ser uma norma. :)

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  2. Não sabia que conhecias a minha filha, Luís 🤣

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    1. Estão sempre a dizer que o mundo é pequeno, Maria. :)

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  3. A normalidade é pura ficção!

    Abraço

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