sábado, janeiro 30, 2010

Diário do Meu Tio (um)

«Do meu grupo de amigos fui o único que fui à "guerra", fui o único que fiz parte de uma tropa especial. Isso tornou-me vaidoso, parecia um pavão e olhava com sobranceria para os meus companheiros, que se limitaram a fazer parte da logistica do exército, sem tempo e vontade para brincarem às guerras.

Hoje sinto vergonha da minha figura, de peito inchado, nas fotografias e na rua, mas nessa altura sentia orgulho em ser um deles, em fazer parte do clube dos "guerrilheiros" no mato e na cidade.»

11 comentários:

  1. um testemunho que respeito ao mesmo tempo que em mim existe um carinho especial por todos que fizeram parte dessa tropa especial. a força era maior que a vontade...

    já muitos anos se passaram, era na altura uma catraia, indagava-me sem ter coragem de perguntar, o porquê do meu pai não ter sido tropa, tendo eu nascido em terras de áfrica. cresci uns anitos e entendi , pela educação e a maneira de estar que tinha em casa.
    fiquei orgulhosa quando descobri...

    isso fez com que o meu respeito tivesse aumentado por todos quanto combateram

    um beijo a um desses tios e o meu eterno reconhecimento

    o meu abraço a ti que me fazes recordar momentos que passei.

    lena

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  2. Sobre esses tempos há em mim opostos que se unem. Respeito-os sempre.

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  3. Andei por lá, também, mas escapei por um cabelo à "exportação" para a Guiné. Estava mobilizado com viagem marcada quando se deu o 25 de Abril... E depois foi a grande e feliz confusão!
    percebo bem os sentimentos desse tio...

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  4. gostei muito desta fotografia. és tu? :) beijinhos.

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  5. e eu, do que me recordo desse tempo da guerra, foi ver três mães da minha aldeia completamente desfeitas a receberem os corpos dos filhos mortos em Moçambique. era pequenita e nada ou quase nada entendia de lutas para manter o "império", mas achava que nenhuma mãe deveria ser sujeita a tal sofrimento.
    vi miudos casarem, na esperança "safarem à tropa"...

    _______

    beijos Luís

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  6. foi um tempo que deixou muitas marcas, Lena, escondidas e esquecidas...

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  7. e a Guiné era o lugar mais perigoso, Méon...

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  8. claro que não, Alice.

    é de Africa mesmo.

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  9. eu também me lembro do primeiro morto na guerra próximo, o Mário, amigo de outro meu tio (fiz um "post" sobre ele nas "Viagens").

    era muito alegre e levou-me tantas vezes às cavalitas...

    mas ele sentiu que não voltava de África, disse-o ao meu tio, antes de partir...

    foi uma dor enorme para a aldeia onde viviam os meus avós maternos, onde toda a gente se conhecia.

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