terça-feira, janeiro 14, 2020

A Esperteza Lado a Lado com a Bondade Humana...


Podia continuar a falar do Paulo Gonçalves, pelo seu exemplo como desportista, que parava sempre para auxiliar alguém que estivesse com problemas, e que foi realçado por todos os seus companheiros e até rivais, nas competições de todo o terreno, para falar da bondade humana, que por vezes parece estar em extinção.

Mas vou relatar um episódio, aparentemente banal, que me aconteceu ontem, depois do almoço. 

Vinha com dois amigos e um senhor de idade, bem composto, vem direito a mim e efusivamente estende-me a mão, com um boa-tarde. Retribuo o cumprimento sem a menor ideia de quem era o sujeito. Segundos depois percebi de onde é que não o conhecia, quando ele me estendeu a mão novamente, agora noutra posição, a pedir uma moeda. Comecei a sorrir com a lata do homem, ao mesmo tempo que lhe disse que não tinha qualquer moeda no bolso (tinha gasto as últimas no café...). Mas os meus dois amigos, atentos e bons samaritanos, deram-lhe cada um deles um euro.

Penso que mesmo que tivesse uma moeda no bolso, não a dava ao "pedinte", por achar toda aquela encenação (digna de ser filmada) no mínimo pouco séria, retirada de qualquer manual da "chico-espertice".

Acabámos por falar sobre aquele episódio nos metros seguintes. Um dos meus companheiros até nos sugeriu (pela boa compostura do senhor), que o homem podia nem ter qualquer necessidade de pedir, provavelmente tinha qualquer problema mental. Mas nenhum deles teve uma atitude crítica em relação aquele gesto. Nada que me causasse admiração, porque estes meus dois amigos são gente boa, daquela que começa a destoar com estes tempos...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, janeiro 13, 2020

A Informação há Muito Tempo que Já Não é o que Era...


Ontem era para escrever qualquer coisa sobre a forma como Paulo Gonçalves se despediu do mundo dos vivos (involuntariamente), montado na sua companheira de tantas horas, quase sempre boas. 

Sei que há quem diga que uma das formas mais dignas de partirmos, é a fazermos uma coisa da qual gostamos muito... Por não querer ir tão longe, acabei por não escrever nada...

Hoje ouvi algumas coisas que me fizeram pensar. Mas quando alguém é capaz de dizer que o Paulo já tinha idade para ter juízo, está um pouco deslocado das andanças do "todo o terreno", que costuma receber "reformados" das várias disciplinas do desporto motorizado, que tanto podem chegar dos campeonatos de ralis como dos da fórmula um.

Também não fazia ideia que a prova que nasceu como "Paris-Dakar", andasse agora pela Arábia Saudita, depois de ter sido forçada a abandonar uma África demasiado perigosa e viajar pela "Latina-América".

A informação há muito tempo que já não é o que era...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

sábado, janeiro 11, 2020

Olhar para o Futuro e Ver o que "Ainda não Existe"...


Há pessoas que conseguem olhar para o futuro e ver aquilo que "ainda não existe", como se lhes fosse possível levantar uma ponta de "qualquer coisa", e ver o amanhã, e o depois de amanhã...

João Bénard da Costa foi uma dessas pessoas. Em "A Casa Encantada" (a sua crónica  semanal do "Público") de 3 de Outubro de 2003, conseguiu antever a geração "Trump", com uma referência ao cinema, que tanto amou, que transcrevemos:

«Lembro-me de um filme de 1994 - "Forrest Gump" chamava-se - em que o herói (Tom Hanks) era uma espécie de atrasado mental, que só tinha uma pálida ideia dos problemas e conflitos americanos ou mundiais. O filme retratava-o como um típico produto do que se chamou a "Baby Boomer Generation", a que foi dominante entre a ascenção de Elvis e a queda de Nixon. Mas aquilo que no livro (de Winston Groom) serviu de base ao filme - uma sátira, mais ou menos verrinosa, contra essa geração - transformou-se, no filme de Zemeckis, numa apologia do "pobre de espírito", que triunfava, porque milhões de americanos se achavam iguais a ele e queriam que a América e o Mundo fossem de homens como ele.
Quando vi o filme. tive um primeiro prenúncio que aquele personagem não representava um tempo passado, mas um tempo futuro. O êxito desse elogio à estupidez deixou-me perplexo. Mais ano menos ano, não iria a nova minoria reclamar direitos e a comemoração do Dia do Estúpido?
Estúpido fui eu, porque infelizmente, essa minoria é maioria, na América ou em qualquer país.»

(Fotografia de Luís Eme - Tejo - a Lua hoje...)

sexta-feira, janeiro 10, 2020

Andava por aí, de um lado para o outro, quando pensei que viajar é outra coisa...


Viajar não é a mesma coisa que andar por aí, nunca foi. Mas nem sempre damos por isso. São as chamadas distracções do quotidiano...

Viajar é partir, procurar outras paragens. Puder olhar, cheirar, tocar e sorrir a outras coisas, mesmo que essas  coisas sejam pessoas.

Mas partir mesmo, até porque nunca foi tão fácil e barato andar por aí à volta do mundo.

Sei que nem tudo é agradável, os aeroportos parecem centros comerciais ao fim de semana, para pior. Os aviões parecem comboios, daqueles que nunca chegam a horas a sítio nenhum. Mesmo assim, as pessoas fazem filas para embarcar, ainda que seja num "avião-autocarro" (e as viagens de pé, estão quase...), porque fica mais em conta.

O barco podia ser uma boa alternativa, se estes também não tivessem sido transformados em "cidades", que transportam e dão abrigo a reformados endinheirados,  que navegam para Norte e para Sul, por esse mundo fora.

Até me lembrei se a mochila com que fiz o "inter-rail" em 1985, ainda existia. Talvez, lá para os cantos do sotão da casa dos pais... Antes já pensara que não é possível viajar como nesse tempo (passaram quase 35 anos... o tempo não perdoa). A liberdade entretanto também é outra coisa...

Transformámos quase tudo (nem sempre para melhor), é por isso que viajar também é outra coisa (cada vez mais material e menos espiritual)...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quinta-feira, janeiro 09, 2020

A Exploração (Abusiva) das Emoções...


Sei que o jogo das emoções faz parte dos muitos teatros de vida que nos cercam, mas também sei que a televisão não precisava de "abusar", explorando cada vez mais as nossas fragilidades. 

As notícias são o que são, e já não descuram a componente do espectáculo... Mas pior são os programas diários, de entretenimento, onde até se "oferecem uns trocados", a quem não tiver qualquer pudor em exibir publicamente as suas fragilidades humanas. E se conseguirem chorar sem cebola, ainda é melhor, para as audiências...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, janeiro 08, 2020

Nem o Pão Escapou...


Normalmente os preços vão aumentando, de uma forma ligeira, ao longo do ano, para que a malta não se chateei nem ligue muito.

Foi por isso que estranhei que um dos pães que eu costumo comprar, tenha passado de 1,50 para 1,70 € (e ainda fiquei com a sensação que estava mais curto de tamanho...). Ainda lhes disse que podiam ter sido mais meigos, não era necessário ultrapassarem os dois dígitos em termos percentuais no aumento. Ficaram a olhar para mim com cara de parvos e com um sorrizito amarelado.

Embora goste bastante do pão, estou a pensar seriamente em deixar de ser cliente.

Também estranhei o aumento do jornal desportivo ("A Bola") que comprei na segunda-feira (mais dez cêntimos). Numa altura em que estão a perder leitores, não será com aumentos que lá vão... Perguntei se o "Record" também tinha aumentado. Disseram-me que sim. 

É curioso, como a "rivalidade" se esbate, no que toca à "concertação dos preços"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, janeiro 07, 2020

O Mau Aproveitamento das Coisas Boas...


A utilização do video-árbitro no futebol tem sido bastante mais polémica do que se poderia pensar, quando este foi criado. Embora reconheça que tem de ser aperfeiçoado (as paragens de jogo são muito longas...), continuo a pensar que foi uma boa inovação e um bom auxiliar para o futebol e para a verdade desportiva, pois fez com que se acabassem com os chamados "roubos de igreja" (expressão que penso ter sido transportada para o futebol pelo grande José Maria Pedroto...), também conhecidos como "erros grosseiros", como eram as grande penalidades e os foras de jogo, que toda a gente conseguia ver (menos alguns árbitros, mais habilidosos que incompetentes), sem ter necessidade de se socorrer das "mil e uma repetições" televisivas ...

Apesar das mudanças, os erros de arbitragem (mesmo os que não são erros...) têm hoje nas nossas televisões  uma maior "caixa de ressonância" , ao ponto de estas terem criado um outro campeonato, povoado de "comentadores-adeptos", em que ganha quem fala mais alto, quem interrompe mais vezes o outro e quem consegue dizer as coisas mais bizarras, sobre o que quer que seja.

Este é apenas mais bom um exemplo da nossa dificuldade em aceitar algumas coisa boas e de lhes dar o melhor aproveitamento.

Se as coisas não se alterarem, penso que o futebol perderá (como tem vindo a perder nos últimos anos...) muita da sua autenticidade e da sua imprevisibilidade, afastando cada vez mais as pessoas dos estádios (agravando o que já acontece hoje, em que a maior parte dos estádios com lotação para milhares de pessoas, têm assistências de apenas algumas centenas de pessoas...).

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)

domingo, janeiro 05, 2020

Uma Casa da Cerca Diferente...


Não me apetece qualificar o trabalho que se está a fazer na Casa da Cerca, que nasceu como Museu de Arte Contemporânea, com uma apetência especial para o desenho.

Apenas posso dizer que estou a gostar da diversidade, das várias misturas artísticas e também da ocupação dos espaços exteriores, naquele que é um dos lugares mais agradáveis de Almada, pela Arte, pelos Jardins, e sobretudo, pela vista soberba sobre o Tejo e sobre Lisboa...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sábado, janeiro 04, 2020

A "Ignorância Atrevida" Fez-me Pensar (e ainda bem)...


O que aconteceu em Leça de Palmeira, a um monumento do Cabrita (o artista deixou cair o Reis em 2020...), encomendado pelo Município de Matosinhos, fez-me pensar nos vários monumentos de ferro ferrugento que estão espalhados por Almada, da autoria do escultor José Aurélio (devia ter um contrato de exclusividade com a Câmara na vigência de Maria Emília de Sousa...).

Apesar do exagero do mesmo estilo escultórico (devem existir  quase um dezena de obras feitas com o mesmo material e pelo mesmo escultor...), nunca existiram manifestações públicas contra as respectivas obras, ou actos de vandalismo como o que sucedeu em Leça...


Acho que isso acontece porque Almada gosta de se afirmar através da Cultura e finge ter um olhar mais abrangente do mundo das artes, que o dos habitantes do concelho de Matosinhos.

Neste caso em particular, gostei da "ignorância atrevida", de quem se resolveu manifestar, não tanto contra a obra (umas vigas metálicas soldadas e pintadas de branco...), mas sim contra o valor pago ao artista. 

Provavelmente pensaram que esse dinheiro podia ser investido em algo que fosse mais benéfico para a população local...

(Fotografia retirada do Site do Município de Matosinhos e de Luís Eme) 

sexta-feira, janeiro 03, 2020

O "Milagre" (quase diário) das Compras...


Faz-me confusão a nossa prática, quase diária, da corrida às compras.

Fico com a sensação de que não podemos ver um autocolante preso a uma montra, a dizer "saldos" ou "promoções".

Nem parece que recebemos tão pouco dinheiro ao fim do mês (sim conseguimos viver há mais de uma década praticamente sem aumentos de ordenados, ao mesmo tempo que tudo vai aumentando à nossa volta, desde os alimentos de primeira necessidade, às rendas de casa ou à gasolina e gasóleo (um dos "manás" dos governos do nosso país... provavelmente ainda melhor que o turismo...).

(Fotografia de Luís Eme - Alcochete)

quinta-feira, janeiro 02, 2020

Lisboa, Capital Verde Europeia


Uma das boas notícias deste começo de ano é a escolha de Lisboa como a "Capital Verde Europeia 2020".

Esperemos que se aproveite da melhor maneira esta distinção, que se consiga tornar a Cidade mais verde, mas de uma forma duradoura, que não seja mais uma daquelas coisas, apenas para "inglês (francês, espanhol, italiano ou japonês...) ver" durante todo o ano.

É bom que o Município olhe mais para os lisboetas e que se dêem passos consistentes na melhoria da vida de todos nós. Especialmente de todos os que têm sido "corridos" para as pontas desta Lisboa, como se estivessem dentro de um "fado triste".

Agradecemos tudo o que se tem feito, especialmente a  devolução de uma boa parte da margem do Tejo, mas queremos mais. 

Mais sombras, mais jardins e menos carros.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, janeiro 01, 2020

Sobriedade...


Apetecia-me há já algum tempo mudar o "rosto" do Largo da Memória.

Mas tinha algum receio de "mudar para pior", mesmo que no momento da mudança me senti-se satisfeito (às vezes acontece...).

Deve ter sido por isso que optei por lhe dar um ar sóbrio. 

Talvez possa parecer mais triste, quase "viúvo", mas eu sempre gostei do preto e branco (no cinema, na fotografia e nas roupas...), mesmo que nunca as tenha resumido à minha vida (é bom ter também as outras cores dentro na nossa vida)...

Sei que nos primeiros tempos poderá parecer que o Largo perdeu um pouco a sua identidade. 

Mas espero que seja mesmo só coisa dos primeiros tempos, até porque a cor agora escolhida ilustra mais a memória...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)