quinta-feira, abril 30, 2026

Perder a mão para a escrita e a cabeça para as ideias...


Sei que acontece a quase todos os que escrevem, até mesmo aos chamados "melhores" (talvez até mais a estes, devido ao grau de exigência que os cerca...).

Começa-se por se sentir a falta de ideias, depois vem a falta de imaginação, e até a falta de palavras, para conseguirmos descrever o nosso mundo e o mundo dos outros.

Também sei que na literatura este "sentir" acontece mais aos poetas, que gostam de escrever coisas bonitas e não encontram as palavras certas... descobrindo o que é o vazio, que encolhe ou faz desaparecer os poemas. 

Eles bem olham para o céu, para o rio, para as pessoas, mas...

Tenho um amigo que quase foi obrigado a desistir de olhar o mundo com poesia. Começou a escrever prosa, coisas curtas, mas não é a mesma coisa...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, abril 29, 2026

Uma sociedade em que o "estilo" é um modo de vida...


Noutros tempos, ter estilo, só era entendido como uma vantagem para quem se movia nos meios em que o poder político e económico, ditavam quase todas as leis existentes.

Graças à popularidade do cinema e da televisão, o "estilo" tornou-se uma coisa facilmente copiável, mesmo pelos rapazes e raparigas mais modestos.

Pensei nisto enquanto esperava num banco por alguém que não iria chegar (fui enganado por uma secretária demasiado meticulosa, que me poderia ter dito esta coisa simples, "ele não veio hoje", em vez de me pedir para esperar...).

Ao olhar as pessoas que passavam para um lado e para o outro, vestidas para darem nas vistas, pensei para mim próprio que a coisa mais fácil de ser ter, é um estilo.

Tudo aquilo que se copia, acaba por ser mais fácil de se conseguir, porque apenas se tem de ser bom a "imitar", a "copiar".

Sorri ao pensar que quando se quer ser criativo e original, além de exigir bastante trabalho, pode ser uma chatice...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, abril 28, 2026

Um pequeno pormenor que distingue um bom de um mau político...


Não sabemos exactamente como se continua a viver na região de Leiria, mas fazemos uma pequena ideia, graças às notícias televisivas...

Milhares de pessoas, apesar dos apoios, continuam a fazer contas à vida, logo que se levantam. Nem quero imaginar o que passa pela cabeça dos pequenos empresários...

Foi por isso que achei curioso o aviso de Montenegro, quando disse, literalmente, que não havia dinheiro para toda a gente. Quem sabe como a "corrente" de apoios se processa, ficou esclarecido. Ele informou as  gentes de Leiria e arredores para se fazerem à vida, porque só ia apoiar a selecção de pessoas do costume, construída normalmente através de cunhas e simpatias políticas.

Sei que Costa não fez as coisas de forma diferente. Não foi por acaso que, quando foi preciso reconstruir as zonas de incêndios, alguns autarcas tiveram de responder em tribunal pela sua dualidade de critérios e aproveitamento financeiro na distribuição de apoios. 

Mas o que ele nunca disse às pessoas, foi a verdade crua. Nunca as deixou ainda mais abandonadas e solitárias do que já se encontram...

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)


segunda-feira, abril 27, 2026

O trabalho ainda com Abril no horizonte...


Ainda com Abril no horizonte, é bom não ficar em silêncio com a tentativa de alterar as regras do mundo do trabalho.

Os argumentos dos governantes e dos partidos de direita, não enganam ninguém. Tanto uns como outros,  não fazem mais que defender os interesses do patronato, numas nova Lei Laboral, que apenas têm como objectivo facilitar a tarefa de quem manda e lucra com o trabalho dos outros.

A memória existe para alguma coisa. E ela é a primeira a dizer-nos que os donos de qualquer empresa, nunca tiveram qualquer problema em fugir das suas responsabilidades, quando estão em equação direitos dos trabalhadores ou até pagamentos ao Estado.

Daqui a meia-dúzia de anos, estamos cá para ver, as mudanças que esta lei fez no País... 

Era bom que a produção subisse como prometem, tal como os ordenados dos "colaboradores", mas, infelizmente, o capitalismo é o que é (e o português ainda consegue ser mais miserabílista, em tudo)...

(Fotografia de Luís Eme - Barreiro)


domingo, abril 26, 2026

Que assim seja...



Concordo.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, abril 25, 2026

25 de Abril Sempre!


Liberdade é tanta coisa (felizmente).

O importante é termos sempre coragem de a expressar, de todas as maneiras possíveis.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, abril 24, 2026

quinta-feira, abril 23, 2026

A Liberdade com livros e os livros com Liberdade...


A proximidade do Dia Mundial do Livro com o 25 de Abril é um bom pretexto para afirmar que a literatura é uma das forma artísticas mais livres que existem, por estar muito ligada à imaginação, ao sonho, à história e às pessoas.

E também é uma forma de recordar, de resistir, de denunciar, de agir.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quarta-feira, abril 22, 2026

O que é que é isso, afinal, de se ser livre?


Sei que há alguma dificuldade, em se perceber, o que é isso, afinal, de se ser livre.

Digo isto por pensar que só conseguimos ser verdadeiramente livres, quando conseguimos respeitar (e até fazer uma vénia) a liberdade, de ser, e de viver, dos outros, que teimam em ser diferentes.

Durante muitos anos achei que o meu pai era o "homem mais livre do mundo", por ter a sensação de que fazia sempre o que queria. Hoje penso de outra forma, porque havia algum egoísmo na sua forma de ser livre (aliás, ele só conseguiu viver como um pássaro sem gaiola, porque a minha mãe sempre o deixou voar para onde lhe apetecia...).

Hoje percebo que ser-se livre, é muito mais do que fazermos o que nos apetece.

A nossa liberdade não deixa de estar ligada a outra palavra, não menos importante, a dignidade. Só somos dignos da palavra liberdade quando conseguimos respeitar, da mesma forma, a nossa liberdade e a liberdade dos outros.

Parece fácil mas não é... É por isso que se confunde tantas vezes o verdadeiro significado da palavra liberdade...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, abril 21, 2026

Abril é tudo isto, e muito mais...


Abril. É uma Revolução. Abril. É um Poema. Abril. É um Cravo. Abril. É uma Canção. 
Abril. É Liberdade. Abril. É Sonho. Abril. É Igualdade. Abril. É Fraternidade.
Abril. É uma Flor. Abril. É um Abraço. Abril. É um Sorriso.  Abril. É um Amor.
Abril. É História. Abril. É Gente.  Abril. É Filme. Abril. É Memória.
Abril. É um Marinheiro. Abril. É um Capitão. Abril. É um Soldado.  Abril. É um Companheiro.
Abril. É a Lua. Abril. É a Alegria. Abril. É a Paz. Abril. É a Rua. 


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, abril 20, 2026

Abril existe para todos (mesmo que algumas pessoas não achem muita piada)...


Sei que nem toda a gente gosta de Abril.

Também sei que isso tem pouco a ver com o que a sabedoria popular nos diz, das águas mil, até porque existem guarda-chuvas e a temperaturas é primaveril.

Tem sobretudo a ver com a "vidinha" e com a famosa "saudade", que não é apenas do fado. Continua a existir gente à nossa volta não consegue esquecer os privilégios que tiveram numa "outra vida", tanto na Metrópole como no Ultramar (mesmo que o tempo tenha ficcionado ligeiramente a realidade...).

Mas isso sempre foi o menos importante.

Importante é sentir que Abril existe para todos...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


domingo, abril 19, 2026

Abril também pode ser um sorriso (daqueles que ficam cravados na memória)...


No meu último livro falo sobre o Abril que descobri aos dezoito anos na Capital, na festa que foi desfilar pela primeira vez na Avenida da Liberdade (não sei quantas cidades do mundo se podem gabar de ter uma Avenida que tem o nome de Liberdade e é tão larga e comprida, ao ponto de dar a sensação que cabem lá todos os amantes de Abril...

Muito ao de leve falo de uma miúda amorosa, que conheci nesse dia 25 de 1981. Digo apenas: «E depois desci a Avenida da Liberdade de mão dada com uma miúda gira, a Esmeralda, que ainda gostava mais de liberdade que eu.»

Se hoje continuo tímido, com dezoito anos, era muito mais...

Lembro-me apenas de termos trocado um sorriso e de nos termos aproximado, de estarmos ao lado um do outro e de nos tocarmos, quase empurrados pela multidão.

E depois desfilámos os dois de mão dada. Sei que dissemos muitas vezes, "Abril Sempre! Fascismo nunca mais!"...

Parece ficção, mas aconteceu mesmo. Aos dezoito anos quase tudo nos é permitido.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


sábado, abril 18, 2026

Abril com Arte e Liberdade nas paredes de Almada


Tinha lido que iriam ser colados cartazes feitos por alunos num dos muros exteriores da Casa da Cerca, em Abril, mas só quando me dirigia para a inauguração da exposição de pintura, "Os Amigos" (na sede da SCALA) é que reparei numa quase multidão que enchia a rua, na tarde de hoje.


Depois de ver a exposição passei por lá e percebi que se estava a montar a tal outra exposição de Abril, cheia de cartazes com palavras, rostos, memórias, história, arte e liberdade, a céu aberto.

E sim Abril é tudo aquilo... 

E que nunca tenhamos medo de festejar a Liberdade, a Democracia, a Igualdade, a Fraternidade, em Almada, nas Caldas da Rainha ou em Albufeira...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sexta-feira, abril 17, 2026

«Estão a obrigar-nos a todos a brincar aos pobrezinhos»


A vida está mais difícil para toda a gente. O dinheiro vale cada vez menos, comparado com aquilo que se compra aqui e ali, obrigando a passar das marcas habituais para os produtos brancos... e a levar apenas meio quilo em vez do quilo habitual dos legumes e da fruta...

Só a meia dúzia de famílias do costume é que continuam a não contar neste hábito, que começa a ficar enraizado, de se brincar aos pobres, mesmo na quase desaparecida classe média.

Alguém se queixou na nossa mesa do valor da última factura da água, como se esta também tivesse atravessado o Estreito de Ormuz. Porque do gás, da electridade ou do petróleo, estamos conversados...

Quando o Carlos com o seu humor habitual disse que «estão a obrigar-nos a todos a brincar aos pobrezinhos», todos nós achámos que se tratava de tudo menos uma brincadeira.

À boa maneira portuguesa, sabíamos que a melhor solução para combater este dilema social, era não levar estas questões muito a sério.

Só que, como de costume, as coisas nunca são assim tão simples. 

Há muitas pessoas que não têm qualquer vontade de esboçar um sorriso, quando é preciso colocar pão na mesa para os filhos...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, abril 16, 2026

O regresso de um mundo a "preto e branco"...


Por se tratar de um processo lento,  nem toda a gente se apercebe de que estamos a voltar atrás no tempo.

Mas basta olhar com olhos de ver, para o se tem feito com o SNS e com a educação pública, com a não contratação dos profissionais necessários para que as coisas funcionem com alguma normalidade... ao mesmo tempo que crescem ao lado hospitais e as escolas privadas...

Mesmo esta lei laboral, que anda de reunião em reunião, até que seja aprovada,  aposta num corte significativo nos direitos dos trabalhadores, que já passaram a colaboradores há algum tempo, e cuja precariedade vai passar a ser entendida como "liberdade de acção e de mudança"...

Mas nem era disto que queria falar. Era sim do sentimento de um amigo antigo, que mesmo sem nunca ter sido comunista, nem antes nem depois de Abril, voltou a ver os outros a quererem colar-lhe este rótulo, apenas por se continuar a sentir humanista e gostar de ser livre.

A coisa mais curiosa que ele me disse ontem, foi que não é por lhe voltarem a chamar "comunista", que vai passar a chamar aos bandidos, tiranos e assassinos, que estão à frente da Rússia, do Israel, do Irão ou dos Estados Unidos, fascistas...

Claro que é no mínimo triste e desolador, voltarmos a ver tanta gente com vontade de roubar as cores ao mundo e querer que ele volte a ser apenas a "preto e branco"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, abril 15, 2026

Isto de gostar de olhar para aquilo que se mexe nas ruas, com olhos de ver, acaba por ter uma ou outra coisa que se lhe diga...


A minha filha assim que entrou em casa avisou-me logo para ter cuidado, porque houve um "passeador de cães" que deixou o seu "mais que tudo" a "libertar o prisioneiro" mesmo à nossa porta (ainda apanhou a grade-tapete da entrada...).

Como a minha Sofia sabe que olho para todo o lado menos para o chão, e que sou um tipo "cheio de sorte" (houve alguém que inventou esta patranha, de que pisar "merda" dá sorte...), fez com que pensasse logo que: "isto de gostar de olhar para  aquilo que se mexe nas ruas, com olhos de ver, acaba por ter uma ou outra coisa que se lhe diga..."

O mais curioso, é que nem me apetece catalogar a personagem que "educa" o seu "bebé" a preferir a pedra da calçada do passeio ao espaço verde meio abandonado que fica a menos vinte metros...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


terça-feira, abril 14, 2026

«Sou um escritor de livros invisíveis»


Quando ouvi um amigo que escrevia livros, dizer, «sou um escritor de livros invisíveis», não o levei a sério.

Talvez por nesse tempo ainda existirem bastantes leitores de livros...

Apesar dos todo o optimismo de alguns editores, de que hoje há mais leitores e que se vendem mais livros, sei que são apenas mais duas mentiras, para juntar a tantas outras, deste nosso tempo. Tempo que perdeu a capacidade de olhar para dentro e para fora de si, e de se interrogar sobre o seu verdadeiro papel nesta bola cada vez mais achatada...

Hoje percebo melhor este meu amigo, por também eu ser "escritor de livros invisíveis"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, abril 13, 2026

As guerras das mulheres são diferentes das guerras dos homens...


Continuo à espera de um  mundo onde as mulheres consigam alcançar o poder, de uma forma natural, propensas a cometer erros, mas erros diferentes dos que são cometidos pelos homens...

Estou farto das mulheres que quando chegam a cargos de poder se transformam em "homens", sem precisarem de fazer qualquer mudança de sexo. Simplesmente se limitam a continuar a seguir a cartilha masculina de sempre, a exercer o poder como se tivessem uma pila entre as pernas.

Sei que em muitos aspectos, o maior adversário das mulheres nas últimas décadas, têm sido as próprias mulheres, por não conseguirem (ou não quererem...) sair deste registo masculino.

Embora agora até tenhamos mulheres especialistas em guerra, que falam com a mesma desenvoltura dos homens sobre armas e tácticas, nas notícias que abordam a realidade como se ela fosse quase uma ficção, continuo a acreditar que as suas "guerras" são muito diferentes das dos homens...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, abril 12, 2026

A política caseira e as viagens até à Lua...


Pensava que era possível falar de política (sei que com o futebol ainda é pior...), de uma forma descontraída, sem termos necessidade de nos afastarmos uns dos outros, num jantar mais alargado de família.

Estava enganado. Continuam a existir temas demasiado "quentes", tanto à esquerda como à direita...

A primeira discussão começou em relação ao Livre, que a minha filha chamou de um "partido capitalista", apenas por não ser contra a iniciativa privada. Claro que ninguém concordou. Confunde-se muito democracia com outras coisas...

Mas o pior estava para vir depois. Um tio disse que o Chega não era um partido de extrema-direita. Toda a gente o contrariou. Apenas eu o "defendi", dizendo que não sabia se este partido tinha ideologia, para além do populismo, de ser capaz de dizer uma coisa agora e cinco minutos o seu contrário.

Claro que houve alguém de cabelos cinzentos e sorriso fácil, que teve a habilidade de mudar de conversa, falando da "Lua". Até foi capaz de dizer que depois do homem ter chegado ao nosso satélite lunar, pensava que por esta altura já seria normal viajarmos até lá, de forma regular...

Felizmente não havia nenhum "negacionista" à mesa e a refeição continuou animada.

(Fotografia de Luís Eme - Céu)


sábado, abril 11, 2026

Achei delicioso alguém me contar que "lia para acordar"...


A expressão mais comum que se ouve, na relação que existe entre os livros, as pessoas e as camas, é "ler para adormecer".

Estava farto de saber que quem vive sozinho pode fazer coisas diferentes de que quem partilha casa com outras pessoas. 

Mas mesmo quando vivemos com os outros, podemos ter um quarto, que é quase como um de hotel, com a porta fechada para o exterior. Acho que hoje isso acaba por ser levado ao extremo pelos nossos filhos, que passam demasiado tempo fechados na sua "divisão de hotel"...

Mas não é sobre isso que quero falar. Até porque, como já perceberam pelo título, é de livros que se trata a conversa.

Livros e leitores. Às vezes lembro-me de ter passado a noite toda a ler (deve-me ter acontecido apenas duas ou três vezes...), quando vivia sozinho e quando um livro (desses que são cada vez mais raros...) me pedia para ser lido da primeira à última página.

Mas a história que vos vou contar é outra. A Zé costuma acordar demasiado cedo, a horas quase indecentes, como seis e meia da manhã. É então que resolve "ler para acordar"...

Sorri quando ouvi a expressão. Sei que todos os leitores que têm livros na cabeceira, já o fizeram, uma ou outra vez. Mas achei delicioso alguém me contar que "lia para acordar"...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Pipa)


sexta-feira, abril 10, 2026

As pessoas com quem me cruzo nas ruas de Almada...


A cidade não está deserta, muito menos despovoada. Está apenas diferente, porque tem habitantes diferentes.

Pessoas que chegaram de fora, que trazem normalmente os seus hábitos e as suas culturas coladas à pele. Muitos deles, se não forem pessoas curiosas, ficarão a saber poucas coisas da nossa história e cultura. Nem tão pouco  irão alterar muitos dos seus hábitos, por viverem fechados nas suas comunidades. 

Acredito que as mudanças só acontecerão com os seus filhos e netos, que ficarem... e que se sintam ligeiramente portugueses. 

Se forem bem integrados (o que nem sempre acontece, porque as crianças estão longe de ser "a melhor coisa do mundo" e nem sempre tratam bem outras crianças... E se seguirem os maus exemplos dos adultos lá de casa, tudo piora...), poderão ser parte do nosso futuro...

Apesar de termos sido "colonizadores" diferentes dos ingleses, franceses ou holandeses, não foi por isso que fomos menos racistas que eles.

Nem sei se algum dia deixaremos de ser "racistas" ou outras coisas com esta terminologia... porque mesmo entre nós - a gente de pele cor de rosa -, nunca irão acabar as pessoas que pensam que "têm mais direitos e mais importância", que o vizinho do lado. Não lhes basta ter um carro ou uma casa melhor, querem sempre mais e mais...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quinta-feira, abril 09, 2026

A perda do sentido de comunidade e a precariedade reinante...


A sociedade está organizada de uma forma que valoriza cada vez menos o sentido comunitário, a importância do outro, seja na escola, no bairro ou no trabalho.

Penso que isso tem muito a ver com o sistema político e económico que "comanda", cada vez mais, as nossas vidas. 

O capitalismo tem conseguido "capturar", de uma forma inteligente, muitos dos valores que lhes podiam fazer frente, sobretudo os colectivos. É também por isso que tem conseguido "secar" instituições como os sindicatos, que normalmente funcionam como um obstáculo aos seus objectivos, já que a sua função primordial deve ser a defesa os interesses dos trabalhadores.

Isto deve-se muito à precariedade do trabalho. Estares a prazo em qualquer lugar faz com que a tua adesão a qualquer tipo de protesto, por muito justo que seja, possa conduzir ao teu despedimento. 

É esta mesma precariedade que faz com que as pessoas sejam educadas e vivam neste sistema que alimenta o "cada um por si", fazendo com que se acredite cada vez menos na importância dos valores colectivos. Quem entra no mercado de trabalho, rapidamente percebe que a maior parte das pessoas que estão à sua volta, estão mais preocupados com o seu umbigo e a sua vidinha, que em ser solidário ou combater o sistema injusto que está instituído...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


quarta-feira, abril 08, 2026

Marcas de um tempo que não nos deixou saudades...


Prestei hoje homenagem a um grande associativista almadense no meu "Casario" e acabei por ficar a pensar num dos vários malefícios da pandemia: o roubo das ruas a uma grande parte de pessoas que já tinham ultrapassado os oitenta anos.

Sim, houve muitas pessoas que não voltei a encontrar nos cafés e esplanadas de Almada, porque aqueles dois anos que os obrigaram a estar fechados em casa, alteraram-lhe completamente as rotinas, além de também lhe diminuirem a capacidade física, já de si frágil...

O pior, é que muitas vezes só sabemos que já não estão entre nós, algum tempo depois de nos deixarem...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, abril 07, 2026

Continuar a andar por aí com livros na mão...


Normalmente não ando com livros na mão, quando os levo comigo para me fazerem companhia de viagem (às vezes mesmo as curtas de cacilheiro...) vão na mochila. Não vou tão longe como o Henrique, que achava que as pessoas que usam o livro quase como adereço, eram mais "passeadores" que "leitores" de livros.

Mas achei que devia escolher este título, por me apetecer continuar a falar de autores antigos, nem sempre bem considerados. O primeiro nome que me veio à memória foi Alves Redol, que o mestre Lagoa Henriques despiu na sua estátua de Vila Franca de Xira (a pensar na sua escrita e na forma como sempre tentou viver, livre de preconceitos e das "roupas" que queriam que vestisse, mesmo que estas não lhe servissem...).

Junto à conversa uma das localidades que mais gosto (mesmo sem nunca lá ter vivido, foi apenas lugar de trabalho transitório...), a Vila Franca de Redol e de tantos outros homens da cultura e da resistência antifascista. Não esqueço que foi graças às viagens de comboio entre Santa Apolónia e esta local ribeirinha, que voltei a ler com paixão e a sentir vontade de escrever com se fosse "escritor"...

Recordo-me de ler algumas opiniões pouco abonatórias sobre a forma como escrevia, vindas da gente do mundo  dos livros. Nunca concordei. E estou à vontade para o escrever, porque nunca estive muito afastado dele, fui lendo os livros da sua autoria que me iam chegando às mãos. Iniciei-me com o "Constantino, guardador de rebanhos e de sonhos", ainda nos primeiros anos de liberdade, por ser leitura obrigatória no ciclo. Só o voltei a ler no tal regresso às leituras apadrinhado pela terra que sempre foi mais que de "touros ou toureiros" - como era identificada com alguma brejeirice -, com os "Gaibéus". Uma década depois li o seu grande livro, "Barranco de Cegos", um dos melhores do século XX (na minha opinião, claro). Alguns livros depois da sua autoria e já em 2021, li a "Fanga", que também não foge (e muito bem...) do Ribatejo e da vida difícil  das pessoas.

É provável que exista neste gostar, algum parcialismo, por saber que foi um grande ser humano e também por conhecer o seu filho António, que não lhe fica atrás...

(Fotografia de Luís Eme - Vila Franca de Xira)


segunda-feira, abril 06, 2026

Faz-nos muita falta ler coisas que nos façam pensar...


Há muitos anos que não lia um livro de Jorge Amado (provavelmente, há mais de trinta...). No início estranhei aquela forma "crescente" de agarrar o leitor à história, de quem não está preocupado em prender o leitor logo no primeiro capítulo, mas depois vamos ganhando confiança com as personagens e por ali ficamos até à última página. Foi assim com este "Terras do Sem Fim".

Mas não é sobre isso que quero falar, aliás escrever. Ao ler estes romances que falam sem rodriguinhos da vida das pessoas num tempo que parece estar a voltar, em que se volta a desvalorizar a vida humana e se cresce socialmente pisando e matando os outros, fico a perceber o quanto são importantes os livros que falam com crueza sobre a vida e sobre as pessoas. São eles que nos ajudam a abrir os horizontes em relação a este "novo-velho" mundo que nos cerca...

Podem ser histórias do século XIX, princípios do século XX, mas percebe-se que podem ser facilmente transpostas para o período actual que estamos a viver no século XXI. Sim, tanto Trump como Putin ou Netanyahu, podem muito bem ser comparados com os "coroneis" dos romances de Amado, pela forma como não respeitam as leis (o "Direito Internacional" tornou-se uma anedota...) e se tentam livrar dos inimigos políticos.

Faz-nos falta voltar a ler livros (ou até reportagens de revistas e jornais...), que nos façam pensar e sentir que pode existir um outro mundo, melhor para todos nós. Um mundo distante destas "matanças diárias", que só estão a acontecer pela ambição humana doentia e desmedida provocada pelo poder.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


domingo, abril 05, 2026

A Páscoa, as tradições e a arte


A Páscoa e o Natal, apesar da "invenção" das amêndoas e do pai natal, continuam a ser marcos fortes do cristianismo.

Nota-se isso através das tradições religiosas que se mantêm, ano após ano, com a realização de inúmeras procissões em várias regiões do país, que recordam os últimos dias de Jesus de Nazaré, na sexta-feira Santa (de forma diversa), assim como as festividades do domingo de Páscoa, em que se aviva e festeja a ressureição de Cristo.

Também na arte, Jesus surge representado de inúmeras maneiras, seja na Última Ceia com os seus apóstolos, seja crucificado (cujas reproduções mais populares fizeram parte da decoração de muitos lares, durante o século vinte...).

Não fazia ideia de que Pablo Picasso também tinha pintado o seu "Cristo Crucificado", ainda no século dezanove (1897), com que ilustramos estas palavras.


sábado, abril 04, 2026

«Tinha medo de já não conseguir gostar de ler os livros dos meus escritores...»


Embora ainda estivesse a alguma distância dos oitentas, sabia que era uma idade complicada. Além das doenças que apareciam, quase do nada, havia também algumas coisas que começavam a funcionar mal, outras deixavam mesmo de funcionar...

Tinha à minha volta pessoas que me lembravam desta perda de faculdades, desde a minha mãe ao Chico. Mas as queixas deles eram mais físicas que intelectuais (e ainda bem...).

Sento-me menos vezes na esplanada do café da minha praça, porque raramente encontro alguém conhecido, com quem possa trocar algumas palavras. Desta vez apeteceu-me ficar um pouco por ali, à sombra, a beber café a ver quem passa.

Foi quando um senhor com quem não falava há uns dois, três anos (ou mais que agora o tempo também começa a passar a correr por mim...), me perguntou se se podia sentar. Claro que podia, e devia.

Com o tempo fui percebendo que tinha muitas falas guardadas, por não ter pessoas que gostassem de livros por perto. Foi por isso que foi falando mais do que eu. Até me contou que às vezes tinha saudades de escrever um poema, mas as palavras já não lhe saiam da cabeça, há muito tempo. Mas disse isto sem qualquer mágoa.

Depois disse-me que tinha uma coisa boa para me contar, acrescentando: «Boa para mim, claro.»

E depois contou-me que a leitura deixara de lhe dar o prazer de outros tempos. E estava reticente em voltar aos "autores da sua vida" por um "medo" que nem é assim tão estranho no seio dos leitores.

Mas encheu-se coragem e lá voltou a ler um dos vários livros de Camilo Castelo Branco que nunca lera. Sentiu-se muito reconfortado, por encontrar o Camilo de sempre. Sorriu quando me disse:

«Tinha medo de já não conseguir gostar de ler os livros dos meus escritores...»

(Fotografia de Luis Eme - Lisboa) 


sexta-feira, abril 03, 2026

Fingimos quase todos, que isto é normal...


É verdade, praticamente desde que chegámos ao século vinte e um, que deixou de haver um rumo, do que quer que seja, tanto no nosso país, como no Mundo, começando na Europa e acabando nas Américas.

Quase nunca pensamos nisso. São as conversas mais profundas, mais doridas, que nos fazem pensar de como era a vida no final do século passado e como é agora. 

E nem sequer estou a pensar nas guerras...

Estou a pensar nas mudanças que se deram dentro e fora de nós. Passo a passo, os governantes em quem votamos, vão-nos roubando qualidade de vida, fazendo da "mentira uma nação".

Depois de um século de conquistas, de ganhos em dignidade e valor do trabalho, eis que a exploração capitalista volta a surgir como uma inevitabilidade, como se tivéssemos quase todos de ser explorados porque há um fulano que gosta de ter na sua garagem uma colecção de ferraris, outro sonha viajar até à Lua, e por aí em diante. 

Para tornar tudo mais legal, há uma lei laboral (que acabará por ser aprovada, com mais ou menos pontos...), que promete numerar, cada vez mais  os "colaboradores" e tratando-os quase como se estivessem no final do século XIX, princípios do século XX, em que se ia diariamente para a entrada das fábricas, ver se havia algum trabalho para nós...

O mais curioso, é que fingimos quase todos, que isto é normal...

(Fotografia de Luís Eme - Olho de Boi)


quinta-feira, abril 02, 2026

«Sabes tão bem como eu, que viver é tudo menos uma teoria...»


Quando apareceu uma questão mais difícil, na nossa conversa, lá apareceu a simplicidade a querer meter-se com a ciência...

«Sabes tão bem como eu, que viver é tudo menos uma teoria...»

Sabia mesmo...

E depois a conversa continuou, ainda mais para lá das coisas simples, ao encontro da sempre sapiente "sabedoria popular"...

Ela deu-me dois exemplos, apenas dois, que nos levaram para outros lados, como acontece sempre. É verdade, o que não falta nas casas dos ferreiros, são espetos de pau (é uma profissão em extinção, mais dia menos dia, este ditado perde a validade...). E depois lá surgiu aquilo que se pratica cada vez mais, "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço".

E depois lá chegámos à conclusão, que as pessoas preocupam-se cada vez mais em "sobreviver" e menos em "viver" (e nem sequer fomos para Gaza ou para o Irão...).

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


Perdedores que são vencedores...


Lembrei-me de um vencedor que sempre foi olhado como um perdedor,  dentro de uma conversa sobre as nossas diferenças, sobre nem todos conseguirmos competir da mesma forma, depende sempre bastante do ambiente que nos rodeia.

Por o desporto ser o lugar onde se distribuem mais rótulos de vencedor e de perdedor, Fernando Mamede veio-me logo à memória.

Talvez ninguém tenha percebido de uma forma tão marcante, que o desporto não é para perdedores, como Mamede. Nem mesmo o facto de ter batido o recorde do Mundo dos dez mil metros com uma grande marca, que perdurou no tempo (cinco anos...), amenizou a imagem que se ficou dele, para todo o sempre...

Como homem frágil que era, deve ter sofrido horrores por lhe colarem na testa a palavra "derrotado", ignorando todos os seus êxitos. Recordo que esteve imbatível durante mais de um ano nos grandes meetings europeus, onde corria  ao lado (aliás, à frente....) dos melhores atletas do mundo. 

Logo o Fernando Mamede que ganhou tanto... Mas as pessoas só têm memória para Jogos Olímpicos, Campeonatos do Mundo e da Europa...

Infelizmente, a imagem que ficou, foi de que se ganhou muita coisa ao longo da sua carreira, mas foram sempre as provas erradas...

Pois é, a história diz-nos que um vencedor também pode passar por perdedor, mesmo que tenha sido um dos melhores fundistas do mundo, no seu tempo.

(Fotografia de autor desconhecido - que também é uma forma de homenagem a Moniz Pereira, o "Senhor Atletismo", que sempre o apoiou, mesmo nos momentos mais dramáticos)


quarta-feira, abril 01, 2026

Um dia que quase perdeu a graça


A mentira está de tal forma institucionalizada, que as habituais brincadeiras do primeiro dia de Abril quase que deixaram de fazer sentido.

Quem diria que este dia iria perder a graça...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)