domingo, novembro 10, 2013

Álvaro Cunhal, o Homem e o Mito


Álvaro Cunhal faz hoje cem anos.

Continua a ser uma figura controversa no nosso país, amado por uns odiado por outros. Poucas pessoas lhe foram e são indiferentes.

Eu sempre gostei dele. Não vou dizer que não sei porquê, porque seria mentira.

Gosto dele pela sua coerência (que não tem nada que ver com burrice, embora os "salta-pocinhas" gostem de dizer que só não muda quem é burro...). Coerência que seguiu a vida inteira. 

O seu desapego aos bens materiais, o seu sentido colectivo, a sua inteligência, a sua cultura e também a sedução que exercia sobre todas as pessoas com que convivia ou simplesmente conhecia de passagem (como foi o meu caso...), fizeram o resto. 

Foi por isso que aceitei as suas "regras" enquanto jornalista. Quando o quis entrevistar para o "Record", só havia uma possibilidade de o fazer, enviar-lhe as perguntas escritas... aceitei (a única vez...). Como mostrei interesse em o conhecer pessoalmente, tive a oportunidade de receber as perguntas das suas mãos e de conversar com ele durante alguns minutos, sobre literatura e jornalismo, na Soeiro Pereira Gomes. Como devem calcular, se já o admirava como resistente e político, essa admiração aumentou graças à afabilidade e simpatia com que me recebeu.

Sei que cometeu erros (quem não os comete?), mas não o poderão acusar de ter sido desonesto, incompetente ou mentiroso, como se pode fazer a grande parte dos políticos deste país...

Poderei gostar mais do "mito" que do homem. Mas não é nada que me incomode, sinceramente.

6 comentários:

  1. Absolutamente de acordo.
    Um abraço e bom domingo

    ResponderEliminar
  2. Concordo.
    Realmente não existem muitas pessoas como ele.
    Bom domingo

    ResponderEliminar
  3. Subscrevo o teu texto.
    Para mim não é um mito, é um Homem que aprendi a respeitar por tudo o que disseste e, mais ainda, porque era igual a qualquer um de nós que convivíamos com ele com alguma frequência. Faz-me falta!

    Beijinho, Luís.

    ResponderEliminar
  4. pois não, Rita.

    não conheço outro.

    ResponderEliminar
  5. sim, nunca quis ser mais que ninguém, só igual, Maria.

    foi em bom exemplo em muitos campos.

    ResponderEliminar