quarta-feira, novembro 02, 2011

Podia Ser um Filme...


Podia ser uma cena de filme, realizada por um europeu daqueles que gostam de dar voltas ao amor, que o preferem contar de uma forma distorcida, de maneira a que nada pareça bater certo.

Coisas do século passado, em que ainda existia teatro de revista e umas moçoilas boas que eram apelidadas de coristas. Normalmente eram mulheres desinibidas, habituadas a mostrar as melhores partes do corpo nos palcos, cantando e rindo, mas quase sem falas.

Havia um pouco de tudo, mulheres que já tinham ultrapassado os trinta e que viam os sonhos a fugir para longe. Sim, os sonhos de um dia serem as protagonistas de qualquer peça teatral, ou até de um filme. Apenas as jovens que rondavam os vinte anos e que pensavam ter forças para provar que eram mais que um corpo curvilíneo, continuavam a correr atrás dos sonhos.

Tu pertencias a este último grupo, notava-se que tinhas o mundo todo à frente.

Não sei se gostei logo de ti, ou se simplesmente fomos empurrados um para o outro, como costuma acontecer quando se juntam grupos de homens e mulheres, uns conhecidos outros nem por isso.

Sei apenas que é impossível esquecer o que vi no fim da noite, no lado escuro do quarto.

Era tão novo... nunca tinha visto uma mulher a despir-se com tanta naturalidade, sentada na única cadeira do quarto. Cantavas e sorrias de uma forma tão suave, ora olhando para mim, ora para dentro de ti.

E claro, também foste a primeira que vi usar um cinto de ligas.

O óleo é de Paul Laurenzi.

14 comentários:

  1. A revelação de um pseudo-amor de juventude. Gostei.
    Um abraço

    ResponderEliminar
  2. Gostei muito da intercontextualidade com o cinema

    ResponderEliminar
  3. memórias.

    que ficam.

    gostei de ler.

    beij

    ResponderEliminar
  4. A memória, boa narradora...
    Beijos, Luis.

    ResponderEliminar
  5. a revelação de um tempo que já não há, Elvira.

    existe outro, com memórias diferentes. :)

    ResponderEliminar
  6. é assim, gosto muito de cinema e de mulheres, Olinda. :)

    ResponderEliminar
  7. sem dúvida, Piedade, de uma outra Lisboa, que em vinte, trinta anos mudou tanto...

    ResponderEliminar
  8. Um momento memorável e marcante.
    E a vida faz-se de momentos.

    Beijinhos, Luís

    ResponderEliminar
  9. Na verdade, dava um belo filme.

    ResponderEliminar
  10. pois faz, Virginia.

    são eles que nos ajudam a construir a descontruir a matéria que também entra nos sonhos. :)

    ResponderEliminar
  11. sim. tu percebes e sentes, Laura,gostas de cinema, de olhar, de recordar, de escrever. :)

    ResponderEliminar