Ninguém estava à espera que a Rita sintetizasse as diferenças do mundo com uma simples frase.
Frase dita de uma forma irónica e com um sorriso nos lábios. Percebia-se que Rita aceitava as regras do "jogo da vida", que nos eram impostas, por alguém que nunca dava a cara, pelo menos de uma forma visível, mas não em silêncio.
O mais curioso foi ter sido o frio e a humidade a convidarem o Verão para se juntar à mesa...
Tudo começou com uma conversa simples sobre o facto da roupa não secar no estendal, com este tempo, mais inglês que português. Todos sentiam a falta do "Deus-Sol", por coisas tão simples como abrir as janelas de par em par.
Depois vieram outras comparações. Mas a melhor de todas foi a da Rita. Depois de falar das saudades do mar e da praia, disse que num planeta normal não devia ser permitido alguém gostar do Verão e do mar e ter a pele branca, povoada de sardas e de cabelos ruivos.
Sem perder o sorriso disse a tal frase-chave: «Deus dá com uma mão e tira com a outra.»
Rita tem toda a razão. E Deus, entre outras coisas, é um brincalhão...
O óleo é de Eva Navarro.










