sábado, novembro 30, 2019

Gente com Cada vez Menos Palavras no Bolso...


Estávamos sentados à mesa e estranhamos o silêncio das duas únicas crianças que estavam em casa. Algo impossível noutros tempos, em que se tinha uma atenção especial à escada, que era descida e subida em correrias levadas da breca... Estavam presos aos sofás da sala pelos telemóveis, onde deviam correr, mas apenas com os olhos e os dedos...

Na mesa, o uso abusivo do telemóvel foi transportado para o desconhecimento de palavras, que fujam do "vocabulário básico" usado nas mensagens, nos jogos e nas redes sociais, que substituem cada vez mais, uma boa conversa... Com exemplos e tudo, dados pelos dois professores presentes.

O Chico falou dos livros que hoje não se lêem (ou se lêem cada vez menos...), onde descobríamos uma porção de palavras novas. E eu acrescentei a quase ausência de conversas, substituídas pela "conversa com os dedos", que enviam mensagens para cá e para lá, a um ritmo quase diabólico, mas utilizando quase sempre as mesmas palavras, e até abreviações...

São os tempos modernos, da economia das palavras, da gente com cada vez menos palavras no bolso...

(Fotografia de Luís Eme - Costa de Caparica)

sexta-feira, novembro 29, 2019

Finge-se Muito, nesta Coisa que é o Ser-se Português...


Eu já sabia, há muito tempo, que não somos um país de gente que "dá murros na mesa". Somos sobretudo povoados por fulanos que quando se irritam, agarram-se aos outros, e pedem-lhes que não os libertem, porque são "capazes de desgraçarem a sua vida"...

Preocupam-se muito com os problemas que nos afligem a todos nós, mas esperam sempre que alguém dê o primeiro passo, que arrisque, que grite. E depois se as coisas correrem bem, até são capazes de saltar para a frente e esgotarem os fatos de "super-heróis", preparados para o carnaval, que sempre foi móvel...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quinta-feira, novembro 28, 2019

O Deslumbramento...


Mesmo quando pensamos estar preparados, para exercer determinados cargos ou funções, ao sentirmos quase todos os holofotes a incidirem por cima de nós, e à nossa frente, pode acontecer o inexplicável. Como por exemplo, fazer com que nos "espalhemos ao comprido".

É mesmo muito difícil resistir ao deslumbramento, sem se ficar com marcas (internas e externas)...

Nem todos transportamos dentro de nós a "estrela" e o "brilho" do nosso chefe de Estado (eu diria mesmo, que são raros...), que lhe dá o à vontade, para ser ele a perseguir os "holofotes", se necessário for...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, novembro 27, 2019

Palavras, entre o Sábio e o Sensato...


A experiência de vida faz-se notar de várias maneiras: através dos cabelos brancos, das rugas, mas sobretudo, da oferta de palavras, umas vezes sensatas, outras sábias.

Falou-se da deputada do Livre e no "lastro" que deixa quase todos os dias, por onde passa, dentro e fora do parlamento. 

O Carlos fez jus das suas barbas, quase de Pai Natal, ao explicar-nos:

«Todos nós conhecemos pessoas, que têm o condão de atrair problemas. E quando são boas nisso, é vê-los chegar,  uns atrás dos outros. O que nos vale é que acabamos por perceber, mais tarde ou mais cedo, que são elas próprias, o problema...»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, novembro 26, 2019

Os Sonhos não Voam no Dia Seguinte...


O que escrevi ontem foi falado hoje à mesa do café.

Quem é pessimista por natureza, tem medo dos dias seguintes, do que vem depois da festa. Ao ponto de ser capaz de amaldiçoar todos os dias vinte e seis das nossas vidas...

De Abril, por ter escancarado as portas aos oportunistas; de Novembro, por ter fretado aviões para os fascistas.

Não valeu de nada eu dizer, que "os sonhos não voam no dia seguinte..."

Depois da conversa, vinha na rua a conversar com "os meus botões", às vezes com som (pois é, eu sou como os maluquinhos, gosto de falar comigo nas ruas...), satisfeito por não ter nenhum amigo a querer que Abril seja Novembro... 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, novembro 25, 2019

25 de Novembro


Podia falar de várias coisas, neste 25 de Novembro, que 44 anos depois, tem a "novidade" de ver alguém fingir que descobriu a pólvora, ao ponto de querer colocar este golpe militar, ao mesmo nível do 25 de Abril. 

Essa ideia só poderia "nascer" no seio de gente com pouco conhecimento de história, e sempre à espera de uma oportunidade, para dar nas vistas, mesmo que seja pelos piores motivos.

Mais de quatro décadas depois, não é difícil chegar à conclusão, de que não foi uma mudança totalmente feliz, nem mesmo para os seus principais protagonistas (Melo Antunes, Ramalho Eanes e Vasco Lourenço). O objectivo do "grupo dos nove",  era evitar uma "guerra civil", mas... 

Acredito que estavam longe de pensar, que com o 25 de Novembro seria possível "recuar" quase até ao 24 de Abril, muito menos em oferecer o poder económico às mesmas famílias que dominavam o país durante a ditadura. Mas os golpes políticos nem sempre se conseguem fixar nos seus objectivos, e foi vê-los regressar à "pátria amada", vindos do Brasil e Espanha...

Sei que seria mais feliz falar de Jorge Jesus, que conseguiu antecipar o Natal no Rio de Janeiro, mas o céu hoje nem sequer está pintado de azul.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, novembro 24, 2019

Os Leitores é que Decidem...


Neste ano de centenários literários, de esquecidos e recordados, de quem fica e de quem parte, a Sophia ficou com os melhores bocados do "bolo". 

Isso não aconteceu por acaso. Ela é não é apenas diferente dos outros (neste caso particular de Fernando Namora e de Jorge de Sena), é melhor.

Sei que estas palavras poderão ser polémicas, mas não é esse o seu objectivo. Trata-se apenas de uma pequena análise pessoal (embora goste muito mais da Sophia que de Namora ou Sena), sobre o que se continua a ler e porque se continua a ler... 

A única coisa que sei, é que a "imortalidade" dos escritores é decidida sobretudo pelos leitores, por muito que os editores se esforcem. E claro pela qualidade dos escritores. A "vulgaridade" da escrita terá muito poucas possibilidade de resistir ao tempo...

A Sophia só quis ser poeta, das melhores, mesmo quando escreveu histórias infantis. O Sena quis ser tudo e mais alguma coisa, complicando a vida a quem passa a vida a fazer "rascunhos". O Namora nunca saiu do "Domingo à Tarde", poderá ter-se esforçado muito, mas nunca conseguiu ser um grande escritor.

Claro que tudo isto é muito simplista. Mas a única coisa que eu queria deixar bem clara, é que são sempre os leitores que decidem o destino dos escritores e dos livros...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sexta-feira, novembro 22, 2019

A "Corrida ao Ouro" dos Nossos Tempos...


Acredito que ainda existem algumas pessoas (embora devam ser cada vez menos...), que acreditam que o dinheiro não traz felicidade... 

Se em relação ao "alívio" das costas que proporciona, terá muitos mais "crentes", com toda a certeza, em relação à infinidade de prazeres, que pode "comprar", nem é bom falar...

Para lá das mulheres bonitas (nas conversas "compram-se" sempre mais mulheres que homens bonitos, não sei porquê...), é o dinheiro que compra os "ferraris", as quintas com cavalos, as viagens de cruzeiro e as manhãs fartas de golfe...

A falta de assunto transporta-o para conversas, quase invejosas, em mesas de cafés, onde se partilham sonhos diários que se "materializam" nas tabacarias, transformadas em "casas da sorte", onde gente madura de ambos os sexos, constrói filas infindáveis, "viciados" na troca de moedas de um euro por "raspadinhas", enquanto não surge a terça e a sexta do "euromilhões"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, novembro 21, 2019

Estes Dias com Nuvens...


Não há nada como estes dias, que fingem ser de Inverno, para quem gosta de "apanhar boleia das nuvens", e andar por aí, meio perdido, quase à boleia do vento...

(Fotografia de Luis Eme - Monte de Caparica)

quarta-feira, novembro 20, 2019

"Crime e Castigo" em Almada


A Casa da Cerca volta a receber uma exposição comissariada por Jorge Silva, desta vez com ilustrações da literatura policial portuguesa, com o título, "Crime e Castigo".


É extraordinário o efeito das capas dos pequenos livros, em tamanho de poster. Só assim olhamos com olhos de ver para a sua qualidade artística (e muitas delas foram mesmo feitas por grandes artistas plásticos portugueses...).

É uma exposição simples, mas bonita, e que vale a pena apreciar...

(Fotografias de Luís Eme - Almada)

terça-feira, novembro 19, 2019

A Falta de Memória do Futebol...


Faz-me confusão a quantidade de pessoas, pelo mundo inteiro, que depois de tantos recordes, tantos títulos e tantos golos, ainda continua a colocar em causa a qualidade futebolística de Cristiano Ronaldo.

Por estar com problemas físicos (informação dada pelo seu treinador e por ele próprio) e por não gostar de ser substituído (visionado pelo mundo inteiro e assumido pelo jogador), tem sido alvo de todo o género de ataques, alguns de onde menos se esperava, da própria Itália, que viu Ronaldo colocar a Serie A, de novo, no topo nas principais ligas de futebol da Europa...

Um treinador italiano de renome mundial até foi capaz de dizer a patetice, mentirosa, de que Cristiano não faz um drible há três anos (além de driblar em todos os treinos, também o faz em quase todos os jogos... claro que há muito tempo que não faz "números de circo", por saber que são quase sempre inconsequentes...).

Sei que o futebol é a área social com mais falta de memória, passa-se de besta a bestial e vice-versa, em minutos, mas Cristiano Ronaldo é Cristiano Ronaldo.

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

segunda-feira, novembro 18, 2019

Os Três "Falsos Cavalheiros"...


Quando cheguei à paragem do autocarro, estavam lá apenas duas pessoas.

Alguns minutos depois, quando chegou o primeiro autocarro, já éramos uma dúzia.

As pessoas de idade - como de costume - são quem menos respeita a ordem de chegada. Nada que me preocupe, até por a minha viagem ser curta, pouco mais de cinco minutos.

Mas achei curioso que três homens de idade me passassem à frente e depois quando já estavam quase a entrar, interrompessem a marcha para deixarem passar duas senhoras da sua geração, tendo um deles dito com alguma vaidade "primeiro as senhoras". Esqueceu-se foi que atrás dele estavam duas senhoras de cor, que me olharam com cara de caso e responderam-lhe com alguma lata, "Então e nós?". 

Eu deixei-as passar à minha frente e disse-lhes que era por virem de calças, o que as fez sorrir.

O mais curioso foi elas fazerem questão de se sentarem ao lado de dois dos três "maduros"... Até porque havia mais lugares sentados vagos (fizeram-lhes quase marcação cerrada).

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)