O último fim de semana teve muito Sol, nem parecia que já tinhamos atravessado metade de Outubro.
segunda-feira, outubro 18, 2010
Mar e Sol
quinta-feira, outubro 14, 2010
Almoço com Bilhete de Viagem
Almocei há pouco com um amigo raro, que encontro muito menos vezes que as que queria.
Recuámos no tempo e falámos de pessoas, lugares, até voltámos à noite lisboeta que nos empurrava fora de horas para espaços distintos, que tanto podiam estar povoados de "putas" a tomarem a ceia (guardadas por proxenetas de casacos amarelos, vermelhos, camisas berrantes de colarinhos grandes, e claro, dentes e fios de ouro, que brilhavam quando se cruzavam com as luzes dos candeeiros, dignos de qualquer filme) - como eram os casos do "Truque" ou da "Cave do Vale" - ou de "paneleiros" (discretos e indiscretos...), do "Finalmente" ao "Harris".
Isto porque as discotecas e bares normalizados fechavam às quatro da manhã e depois desta hora, só era possível beber uma cerveja nos espaços alternativos, abertos. Aventuras da primeira metade dos anos oitenta do século passado, em que quase ninguém tinha carro e o primeiro cacilheiro só se banhava no Tejo, quase às seis da manhã...
Este meu amigo era o mais bem sucedido com a fauna feminina, por razões que escapam quase sempre à compreensão masculina. Era e é uma pessoa extremamente séria, mas quando estava com uma mulher, era capaz de lhes contar as histórias mais absurdas, satisfazendo para lá dos limites do tolerável, a curiosidade e a intuição feminina. Muitas vezes eu tinha de virar a cara para o lado para não me desmanchar a rir.
Quando lhe disse que ele é que devia escrever estórias e não eu, sorriu com o ar malandro que ainda mantém.
Recordámos quando um dos nossos amigos comuns quis saber qual era o truque que ele usava: «tens de me explicar como é que engatas as gajas.» E explicou, com um ar sério: «primeiro olho bem para elas, depois finjo que me esqueci da sua presença. Escondo-me, atrás das colunas ou das pessoas e fico a ver se elas andam com a cabeça no ar, à minha procura. E está feito.»
O nosso amigo seguiu à letra as instruções, mas de pouco ou nada lhe valeram, olhava-as profundamente, escondia-se e recebia toneladas de indiferença...
Há coisas que não se explicam e embora hoje existam muitos livros de "auxílio", provavelmente é necessário um livro de instruções para cada mulher...
O óleo é de Pierre de Mougins.
quarta-feira, outubro 13, 2010
O Regresso das Profundezas
Segundo as últimas notícias, os primeiros mineiros chilenos aprestam-se para subir, a caminho da superfície, depois de terem passado mais de dois meses, isolados num pequeno recanto, a setecentos metros de profundidade.
Graças aos avanços tecnológicos foi possível conseguir o que há uma dúzia de anos não passaria de um milagre.
terça-feira, outubro 12, 2010
Mulheres Sim, Homens Não
Pensava que a homossexualidade já era encarada com normalidade na nossa sociedade, não estava à espera de assistir a um diálogo, quase a roçar o ordinário, entre a dona do café e um cliente, que estava a meu lado.
A conversa teve inicio assim que um um rapaz deixou o balcão do café, com a discrição possível. O fulano virou-se logo para a mulher que me tinha acabado de servir o café e disse: «viu esta coisa? O mundo está mesmo perdido!» Recebeu como resposta feminina: «e ainda não viu o outro, esse até pinta as unhas dos pés.» Ele foi ainda mais longe: «esta gente devia ser proibida de andar na rua e frequentar lugares públicos.» A mulher resolveu meter mais gente na conversa: «mas não são só eles que entram aqui, há duas jeitosas que passam aqui de manhã, que também não enganam ninguém.»
segunda-feira, outubro 11, 2010
Uma Rameira Diferente (IV)
«O passeio a Espanha foi a oportunidade de ouro para o avô e a amiga se conhecerem melhor, ainda por cima fora do ambiente de "alcova".
Passaram momentos inesquecíveis nos primeiros dias, aproveitando a aventura da melhor maneira, como se o amor andasse no ar.
domingo, outubro 10, 2010
A Minha Barbearia
Embora não seja um freguês muito assíduo, pois corto o cabelo quase de três em três meses, frequento uma barbearia especial - aliás, estes espaços são quase todas especiais -, onde quem me corta o cabelo é uma mulher.
Enquanto ela faz desaparecer a "trunfa", conversamos sobre isto e aquilo. Desta vez achei-a mais calada que o costume, foi então que procurei satisfazer a minha curiosidade, com uma pergunta que poderá ser entendida quase como "sexista": como é que ela tinha ido parar ali, aquele reduto tradicionalmente masculino.
Ela, com a sua simplicidade contou-me que já estava ali há dezassete anos, e que antes trabalhara num cabeleireiro de senhoras, mas por necessidades financeiras teve de arranjar um outro trabalho, onde fosse mais bem paga.
Depois falámos da diversidade de ambientes existentes num cabeleireiro e numa barbearia, e claro, das diferenças mais nítidas entre os homens e mulheres, o género de conversas, as exigências, as intrigas, etc.
Fiquei a saber, entre outras coisas, que os homens são mais exigentes e chatos que as mulheres em relação ao corte e penteado. E esta?
Foi então que entrou um daqueles homens que nós tradicionalmente chamamos de "molheres", que adoram falar da vida dos outros, com pormenores que inquietam qualquer pessoa.
Mal ele sonhava que tínhamos acabado de falar do "género" e que nos fez sorrir com cumplicidade...
O óleo é de Leone Holzhaus.
sexta-feira, outubro 08, 2010
Mário Vargas Llosa, Nobel da Literatura
Sei que escrever hoje sobre o Prémio Nobel da Literatura soa quase a lugar comum. Mesmo assim acho que devo dizer algo sobre Mário Vargas Llosa e sobre a magia da literatura da "latina-america".
As minhas leituras de autores da América do Sul começaram com Gabriel Garcia Marquez e os seus "Cem Anos de Solidão" (passando ao lado de Jorge Amado, claro, que é quase português e de quem li ainda na adolescência coisas tão deliciosas e marcantes como os "Capitães da Areia", "Mar Morto", "Navegação de Cabotagem" ou "Capitão de longo Curso").
quinta-feira, outubro 07, 2010
Uma Rameira Diferente (III)
«Quando o avô me falou do livro de Hemingway, que foi bem adaptado ao cinema e deu um bonito filme sobre a Guerra Civil Espanhola, com Ingrid Bergman e Gary Cooper, perguntei-lhe, porquê aquele livro.
O avô respondeu-me simplesmente porque era e é um bom livro. E tinha toda a razão. Só não imaginava o que vinha atrás do livro...
Embora nem fosse um adepto fervoroso de futebol e do Benfica, aproveitou a euforia da primeira metade dos anos sessenta, provocada pelo Eusébio, para fingir que ia acompanhar o clube da Luz à capital espanhola...
quarta-feira, outubro 06, 2010
Bolo de Aniversário da SIC Sem Cerejas
Nos últimos anos temos sido "educados" a encarar as coisas mais bizarras como normais. E nem estou a falar das "cambalhotas" e dos "pinos" dos políticos. Falo sim da tentativa frustrada de se "apagar" da fotografia, pessoas cujo valor ultrapassará sempre a vontade da gente pequenina, que, graças ao poder que tem, pensa que "pode fazer tudo", inclusive "fintar" o rumo da história.
segunda-feira, outubro 04, 2010
Almada Antecipou a República
Almada faz jus à sua situação geográfica, na Margem Esquerda do Tejo e sempre que pode antecipa-se às revoluções, foi assim a 23 de Junho de 1833 e também a 4 de Outubro de 1910. E se recuarmos mais algum tempo, em 1580 também vendeu cara a derrota aos espanhóis...
Voltando ao 4 de Outubro, de há exactamente cem anos, a presença de dois dirigentes republicanos e a acção dos agentes políticos locais, com realce para Bartolomeu Constantino, sapateiro de profissão e ainda mais revolucionário que os próprios republicanos, graças ao seu ideário, próximo do socialismo e do anarquismo, fizeram com que Almada se tornasse republicana, antes do tempo.
Bartolomeu Constantino tinha qualidade oratórias invulgares e foram as suas palavras, junto das fábricas, que conseguiram trazer para a rua cerca de oito mil operários, que percorreram as principais artérias de Almada, com vivas à República, e claro, com outros "mimos" muito menos agradáveis, em relação ao Rei, à Monarquia e à própria Igreja.
O cortejo revolucionário só parou em frente aos Paços do Concelho, ocupados pacificamente e onde se ergueu a Bandeira do Centro Republicano Capitão Leitão e se fizeram discursos inflamados pelas principais figuras da revolta.
O Castelo de Almada também foi ocupado, com a cumplicidade da guarnição, que viu ser içada a Bandeira do Centro Republicano Elias Garcia.
E mais uma vez se fez história em Almada, antes do tempo...
Nota: A República também foi proclamada a 4 de Outubro no Barreiro, Loures, e Aldeia Galega (Montijo).
domingo, outubro 03, 2010
O Filme do Desassossego
Se há um filme que quero ver, é o "Filme do Desassossego" de João Botelho. Tenho uma grande curiosidade em ver o que o realizador fez deste livro.
Pessoa escreveu nas suas páginas: «[...] Cheguei hoje, de repente, a uma sensação absurda e justa. Reparei, num relâmpago, aquilo onde supus uma cidade era um plaino deserto; e a luz sinistra que me mostrou a mim não revelou céu acima dele. Roubaram-me o poder ser antes que o mundo fosse. [...]»
João Botelho disse à "Ipsilon, a 24 de Setembro", algumas coisas sobre o filme. Escolhi estas:
«"O Livro do Desassossego" não é um livro definitivo, é um livro aberto.»
«O filme são fragmentos em série, tal como a escrita de Bernardo Soares.»
«Quis mudar a geografia de Lisboa porque Pessoa foi o maior viajante do mundo sem nunca ter saído da cidade.»
E tal como ele também tenho pena, mas:
«Desapareceu a ideia da sala escura, a dignidade do espectáculo.»
Vejo pelos meus filhos, que não conseguem separar as pipocas dos filme que vêem numa das salas dos centros comerciais...
sexta-feira, outubro 01, 2010
Uma Rameira Diferente (II)
«Durante largos meses não voltámos a falar da mulher misteriosa, que o avô visitara num dos bordeis da cidade.
O óleo é de Peter Samuelson.