Há muitas formas de convívio, de estar e de conversar com os amigos.
Gostei de estar ali sentado, de sentir que havia uma outra forma de gostar, de conversar e até de rir nas esplanadas. Por ser um estranho, deixaram-me beber apenas uma imperial, enquanto eles já iam na quarta ou quinta.
Não deixei de ser bem recebido, porque um "amigo de um amigo", naquela mesa recebe também o mesmo tratamento.
Sorri muitas vezes, porque as conversas são muito diferentes das que estou habituado entre amigos. Há um jeito trocista na forma como se olha para o bairro, para o país e para o mundo, que é descontraído com os lados cómicos da vida, alimentados pelas imperiais de Verão e pelas taças de tinto no Inverno.
Nas nossas mesas com livros, teatros e cinemas não se ia falar das "quatro mulheres" de um dos convivas, que querem se encontrar e conhecer no aniversário dele, muito menos qualificá-las com o habitual humor masculino de tasca, com gargalhadas de todos, inclusive do homem que fazia o papel de "galã" na mesa e que se preparava para fazer setenta anos.
O meu amigo fez-me sinal, de que estava na hora. Despedi-me daqueles companheiros de ocasião, que como acontece em quase todas as tertúlias, me trataram como se fosse um deles.
Já no carro, ele ainda disse que esperava que não tivesse desgostado de todo daquele "circo humano". Claro que não, respondi com um sorriso. Ainda acrescentou que havia ali um ou outro rapaz, que até poderia querer ser personagem de alguma das minhas aventuras literárias.
O maias curioso naquela tertúlia de "amigos do copo", era terem nascido todos por ali e serem amigos desde os tempos da primária. E perceber-se que continuavam a gostar, muito, de estar uns com os outros...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
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