domingo, agosto 11, 2013

A Miúda Gira e a Linha do Eléctrico


Nunca esqueceu Diana, a miúda gira de olhos verdes e cabelos claros, que desafiou todos os perigos e se deixou enrolar pelo vício mais cruel.

Foi com ela que percebeu pela primeira vez que as mulheres e os homens bonitos também tinham dramas, também andavam perdidos, à frente e atrás da vida.

Cobarde, nunca a conseguiu resgatar das ruas escuras, limitava-se a apanhar boleia do eléctrico que passava nas ruas que frequentava e a acenar-lhe, como se se estivesse sempre a despedir...

Ela oferecia-lhe o melhor sorriso e piscava-lhe o olho, deixando-o bastante embaraçado e sem saber o que fazer.

Acabou por lhe perder o rasto, de vez, quando a linha do eléctrico foi substituída por um autocarro muito menos contemplativo e lisboeta...

O óleo é de Jean François le Saint 

4 comentários:

  1. Um belo texto.
    Um abraço e uma boa semana

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  2. as miúdas giras também se perdem....
    como as outras...

    ;(

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  3. pois é, Pi.

    a beleza por si só não faz a diferença.:)

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