segunda-feira, dezembro 12, 2011

«Não achas estranho, trabalhares com três gajos com nome de mulher?»


Há pormenores que achamos tão normais, que só reparamos neles quando alguém nos chama a atenção.


Trabalhei durante quase quatro anos numa secção em que três dos meus colegas tinham nome de mulher. Não sei porquê, mas raramente nos tratávamos pelos nomes próprios. Talvez fossem resquícios da vida escolar ou militar, ou apenas hábitos herdados desses lugares onde trabalham quase só homens.

Foi por isso que fiquei quase de boca aberta quando o Silvestre me perguntou: «não achas estranho, trabalhares com três gajos com nome de mulher?» Só mesmo ele, tão distraído com as coisas importantes, era capaz de reparar numa minudência dessas.

Claro que não era estranho, eu diria que se tratava de uma mera casualidade que os meus colegas se chamassem Graça, Rosário e Paula. Se não fosse o palerma do Silvestre, capaz de tropeçar numa pedra ou meter os pés numa poça, nunca repararia nesse pormenor...

Sei que lhe disse qualquer coisa do género: «e se fosses ver se lá fora está a chover?»

O óleo é de Anna Magill.

7 comentários:

  1. lembrei-me deste episódio ontem no dentista, enquanto esperava pelo meu filho. li algo que me lembrou dos nomes e apareceu logo o Silvestre, Helena.

    acabei por sorrir, ele era aquilo que toda a gente gosta de chamar aos funcionários públicos, um traste, que andava por ali, a ver se conseguia chegar ao fim do dia sem fazer coisa nenhuma.

    só que a nossa empresa era privada e o dito cujo era afilhada da esposa do dono. era bom nas larachas e anedotas, mas péssimo para "vergar a mola".

    mas o pior defeito dele era ser bufo. lembrei-me que quase todos os bufos são maus naquilo que fazem, talvez por isso arranjem outras formas de se sairem bem no trabalho...

    quase que saiu um "post" neste comentário, mas apeteceu-me falar.

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  2. um texto que me fez sorrir.

    gostei!

    beij

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  3. :) uma resposta muito apropriada :)
    beijinho

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  4. foi, era bem mandado, Helena, desde que não fosse para trabalhar. :)

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