Gostava que os juízes fossem todos mais parecidos uns com os outros.
Claro que não quero que tenham todos cabeleira loura ou pesem apenas sessenta quilos. Quero sim que tenham o mesmo peso e a mesma medida da justiça.
Podia falar dos nossos casos mais mediáticos ou do que nos chega diariamente dos "brasis"... onde alguns senhores dão cotoveladas, aqui e ali, só para aparecerem no jornais ou na televisão.
Mas não, fico-me apenas por dois casos: pela senhora que tratou os pais da criança de doze anos (que quase pareceu que era ela que estava a ser julgada...) de forma diferente, ele por senhor doutor e a mãe pelo nome próprio e por "querida", entre outras coisas... e claro, ainda por outra senhora (o facto de terem sido senhoras nestes casos é apenas uma coincidência...), que a páginas tantas disse sobre o caso que julgara: «Todos reconhecem ao apresentador características que reflectem atitudes atribuídas ao sexo feminino, tal como a sua forma de se expressar... para além de que o apresentador usa roupas coloridas próprias do universo feminino e apresenta um tipo de programas também eles ligados às mulheres.» Não, não estou a falar de José Castelo Branco, mas sim de Manuel Luís Goucha (que nunca vi de saia, vestido ou sapatos de tacão alto na televisão...), que em 2009 foi vitima de uma brincadeira de mau gosto do programa televisivo, "Cinco para a Meia Noite", em que perguntavam qual era a melhor apresentadora de televisão e cuja resposta certa era, Manuel Luís Goucha.
Ele não gostou e como as pessoas da "gracinha" não se retrataram ou pediram desculpa seguiu com o caso para os tribunais. Eu na altura senti logo que tinha existido um "abuso". Sem me querer armar em "Diácomo Remédios", penso que o humor é outra coisa, não é bem isto.
E embora não seja fã do apresentador, nem veja normalmente os seus programas nem o canal para onde trabalha, acho que ele tem toda a razão em se sentir indignado com o arquivamento do processo e, especialmente, com a leitura da sentença. As suas preferências sexuais são públicas, mas não vejo que ele tenha as tais características que reflectem atitudes atribuídas ao feminino. Em relação ao colorido das roupas que usa - pelo menos aos meus olhos -, fazem parte da sua imagem de marca televisiva, tal como acontece com tantos outros colegas de profissão.
Não gosto nada, mas mesmo nada, destes "justiceiros" (nestes dois casos foram "justiceiras"...) que se acham no direito de fazer julgamentos no mínimo preconceituosos, que acabam sempre por "ferir" a lei.
(Óleo de René Magritte)