sexta-feira, março 18, 2016

«Será que o jornalismo morreu, sem que tenhamos dado por isso?»

Hoje publicou-se pela última vez, em papel, o "Diário Económico".

Confesso que nunca perdi muito tempo com as leituras deste género jornalístico, por ser demasiado técnico. Foi também por isso que não comprei o último número.

Tenho lido algumas coisas que se têm escrito sobre o que se está a passar no nosso jornalismo, onde se fica com a sensação que o "jornalismo sério e pluralista" já quase que não tem leitores...

Não vou em busca de causas, mas o que se tem passado nos últimos anos na nossa comunicação social, só nos poderia levar a caminhar para "ruas tortuosas", cheias de "armadilhas". Quando se fechou os olhos à criação de autênticos monopólios - que nunca existiram nas ditaduras salazarista ou marcelista -, cujos interesses tinham a ver com tudo menos com jornalismo, não se podia esperar que o rigor e independência do "quarto poder" ficassem a ganhar. 

Sei que a televisão é em boa parte a grande culpada do quase "alheamento" das pessoas, pelo que realmente se passa no nosso país. Parece que é só ali, dentro da "caixa mágica" que está a felicidade... Com programas que enchem as manhãs e as tardes das pessoas de ilusões (basta ligar para o número da "sorte" para ganhar um carro mais um saco cheio de notas...).

Não é por acaso que o que hoje mais vende são as revistas associadas à televisão, que se alimentam dos resumos das telenovelas e das "invenções" sobre as vidas - pública e privada - dos "famosos", que tanto podem ser actores das novelas como participantes dos programas onde se finge transmitir a "vida em directo" (e que eu na maior parte das vezes não faça ideia quem são... mas isso só acontece porque eu primo por ser gajo um "mal informado"...). 

E claro, quem também vende que se farta é um jornal diário que explora ao jeito de folhetins novelescos vários casos de polícia, e que adora explorar a curiosidade mórbida de cada um de nós. Parece que este "Correio" vende mais que todos os outros jornais juntos...

Por tudo isto, não sei que diga sobre jornalismo, jornais, monopólios, patrões ou jornalistas, mas lanço uma pergunta: «Será que o jornalismo morreu, sem que tenhamos dado por isso?»

(Fotografia de Johua Benoliel)

12 comentários:

  1. Possivelmente as formas tradicionais de jornalismo, sim. Possivelmente não haverá mercado para tantos jornais em papel. E depois há muita gente que se habituou a ler em formato digital

    Beijinhos Luís :)

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    1. Tudo isso é verdade, Glória.

      Mas há outras questões, como a independência e a boa qualidade do jornalismo que é oferecido...

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  2. Se não morreu, está moribundo, Luís! Mas, no meio de mortos e feridos algum há-de escapar, passe a fraca analogia já que me refiro a jornais!

    A foto dos jovens ardinas está simplesmente deliciosa!
    Outros tempos. Assim como novos tempos virão!

    Bom fim-de-semana.

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    1. Sim, está quase moribundo, Janita.

      Outros tempos e outras vontades...

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  3. Escolheste uma bela chapa. :)

    Luís, hoje temos acesso à informação de outras formas. Também me parece que, em comparação com os livros, os jornais em papel contam menos. Ou seja, quem gosta muito de ler livros e fá-lo há muito, tem dificuldade em descolar do papel porque há todo um ´código, imaginário' associado ao papel. No jornal é diferente porque 'tem prazo', e por isso é mais fácil abandonar essa forma.

    Nesta, como em muitas áreas da cultura, as pessoas colhem o que semeiam. Se o "Correio da Manhã" vende muito é porque o compram, e se o compram pode aumentar tiragens. Leis simples do mercado. O facto de não me identificar com o modelo e mais meia dúzia, são trocos para o negócio. Um negócio não se sustenta assim e com um remar contra a maré sem limite.

    Não, o jornalismo não morreu e tu sabes bem disso.
    Há nichos de muito bom jornalismo, só que são pouco mediáticos. Precisamente por serem bons.
    A desgraça sem rei nem roque, as facadas, muitos centímetros de pele nua, é que vendem mais.

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    1. Concordo com o que dizes, Isabel.

      E sim, as pessoas gostam mais de "lixo" que de bom jornalismo. É triste mas é verdade.

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  4. O jornalismo tem vindo a decair em qualidade, os jornais estão a emagrecer também e muito por causa da obediência cega aos patrões políticos e ao dinheiro. Mas não podemos esquecer a sucção vinda das televisões, da internet, das redes sociais... (quanto ao «correio da manha» não comento porque nunca o considerei um jornal.)

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    1. É um pouco de tudo isso, Graça.

      Mas é do que o povo gosta este "CM"...

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  5. A foto é muito boa! O jornalismo tal como o conhecemos outrora terá os dias contados sim amigo. Com tanta informação online.
    Um abraço

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    1. Sim, estamos em mudança, Elvira. :)

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  6. Curiosamente, creio que no tempo destes ardinas (de miséria bem patente no pé descalço) haveria mais pessoas a comprar jornais, repito jornais (CM não é jornal é vómito). Lembro-me (no tempo do pé descalço-talvez uns anos mais à frente) à tarde uma grande, mas grande maioria das pessoas comprava ou o "Diário Popular" ou o "Diário de Lisboa" e de manhã "O Século" ou o "Diário de Notícias". Era no tempo da Censura - agora é o tempo dos Mercados; qual será o pior?

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    1. Essa é uma boa questão, Severino.

      E não qualquer dúvida que estes tempos são piores para o jornalismo. A censura até criava uma agilidade especial para se brincar ao "gato e ao rato" com os donos do lápis...

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