Ela falava com o seu pequeno cão (quase de bolso), como se fosse uma pessoa. Depois de lhe dar uma reprimenda quase a brincar, fez-lhe uma festa.
Estou farto de ouvir falar da "transferência familiar", dos animais que são tratados como filhos pelos seus donos, quase sempre com mil cuidados. Além das conversas diárias, como a que assisti, vivem no interior das casas, são regulares visitas ao veterinário, e os seus "pais" até os costumam "vestir", especialmente no tempo frio.
Mas desta vez pensei na "transferência de afectos"... Nunca vi esta senhora com um homem ou com uma criança. A sua solidão é igual à de milhares de pessoas, especialmente mulheres, que marcadas por más experiência de amor (nós homens somos bons como "bestas humanas"...), dentro e fora da família nunca mais nos dão qualquer possibilidade de aproximação, pelo menos intima e afectiva.
Nem se trata de uma "solidão invisível", como por vezes se gosta de dizer. Ela é bem visível, está bem presente aos olhos de todos...
Basta olharmos para o mundo que existe à nossa volta.
(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)
Tenho dois gatos com quem falo diariamente, mas não como se fossem meus filhos.
ResponderEliminarSão a minha companhia, mas já cá estavam quando ainda não estava sozinha.
Não faço qualquer transferência afetiva para eles, mas compreendo o que se passa com essa vizinha e com muitas mulheres como ela.
Há dias li no Facebook que os gatos nunca se apaixonam pela pessoa errada! :))
Abraço
Abraço
Como não tenho nenhum gato, falo com as paredes. Rosa. :)
EliminarOs gatos são mais inteligentes que os cães, por exemplo, que tal como as mulheres, "também se apaixonam pelo homem errado", desses que lhes dão pontapés e estes animais, mesmo assim, não desistem deles...