quarta-feira, janeiro 20, 2016

A Dor Que Antecede o Parto Criativo...


Na semana passada estive com um amigo poeta, com obra publicada, que me confessou estar a viver um dos maiores dramas da sua existência, pois há largos meses que não consegue escrever um poema, por mais pequeno que seja.

Para o cidadão comum isto até pode parecer quase anedótico e servir para dizer que os poetas não passam mesmo de uns fingidores...

Mas qualquer "criador" percebe bem o drama deste meu amigo.

António Lobo Antunes fala muito disso nas suas entrevistas. A transcrição que faço da revista "Visão" de Junho diz quase tudo sobre o acto de criar:

«Sinto-me como um cão à procura de um osso enterrado que não sabe onde está. Cavo aqui com as patas da frente, cavo acolá e nada. Se calhar acabaram-se os ossos, se calhar acabei. É sempre assim e o medo de não ser mais capaz é horrível. Um vazio, uma angústia. Não sei fazer mais nada, desde que me conheço não faço mais nada. Sento-me nesta cadeira, sento-me naquela. Eu só queria sentir qualquer coisa a inchar cá dentro, ainda não bem palavras, uma coisinha qualquer, mesmo mínima, que depois, pouco a pouco, se transforma, cresce, ganha sentido, vai aparecendo.»

(Óleo de Everett Shinn)

4 comentários:

  1. interessante o teu artigo, o meu último poema fala disso da falta de inspiração, mas é interessante que por vezes ela falta e ressurge pelas mais variadas situações.
    gostei muito de ler-te.
    um beijo
    :)

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    1. Pois é, e toca a todos, Piedade. :)

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  2. Deve ser um desespero sem tamanho.
    Um abraço

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