segunda-feira, junho 22, 2015

O Canto dos Homens do Sul


«O que vai ficar, são aqueles minutos de canto alentejano, que ainda me fazem estremecer, quando me imagino a erguer a voz, juntamente com aqueles homens que continuam a resistir a quase tudo.

Uns dias depois encontrei o Augusto, que me falou com orgulho da primeira vez que se misturou com os homens que cantavam. Depois de ouvir o tio Abílio desabafar com o pai:
- Compadre cantamos mesmo mal, mas é tão bom juntarmos as nossas vozes. Até as nossas dores se soltam com o suor e se misturam com as cantigas.

Augusto ficou de tal maneira impressionado com as palavras do amigo do pai, que assim que pode, apareceu, para ver se sentia aquilo. E sentiu. Aquele canto, que agora é conhecido como cante, entrava-lhes mesmo pela alma adentro.»

A fotografia é de Ernst Haas.

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