domingo, março 31, 2019

Um Caso Único...


Na sexta-feira estive à conversa com um amigo sobre a famosa "crise" dos teatros do nosso país e também sobre a aposta certeira de Filipe La Féria, no teatro musical (e comercial...), que acabou por ocupar de uma forma inteligente o espaço vazio deixado pelo teatro de revista. 

Aposta que deitou por terra a tese de que o teatro só sobrevive com o apoio estatal...

Segundo ele, há espaço para pelo menos meia-dúzia de "lá férias". A única coisa que falta é talento e audácia, especialmente na escolha dos trabalhos que se querem produzir.

Acrescentou que o La Féria não dá ponta sem nó, tudo o que faz acaba por ter sentido, provavelmente por conhecer muito bem o nosso país, assim como a maneira de ser e estar do nosso povo. 

Deve ser por isso que quase todas as suas peças misturam a nossa história e o nosso imaginário artístico, sem nunca esquecer a componente da "diversão" (para dramas já basta a nossa vida...). 

A escolha da "Severa" é apenas mais exemplo...

(Fotografia de Luís Eme - Corroios)

sábado, março 30, 2019

Contradições Femininas do Nosso Tempo...


A "auto-exploração" do corpo, com poses provocatórias e a ausência de roupas nas "redes sociais", em busca de "likes" e de "seguidores" (e de dinheiro, claro...), por parte de múltiplas mulheres modelares, é uma das coisas que me faz mais confusão nestes tempos, que são mesmo de mudança. 

Se olhar para as muitas jornadas de luta femininas, contra o machismo e o assédio sexual, esta postura, soa-me no mínimo a um contra senso. 

Embora saiba que a mulher é dona do seu próprio corpo, faz-me impressão toda esta exposição, quase sempre com "conotação sexual", nestes tempos em que quase nos querem proibir de olhar com olhos de ver as "musas que enchem as ruas de cor" assim que se aproxima a Primavera...

(Fotografia de Luís Eme - Caldas da Rainha)

quinta-feira, março 28, 2019

O Testemunho de um Homem do Teatro...


Ontem festejou-se o Teatro, mas o que me ficou deste dia foi a entrevista que Jorge Silva Melo deu ao "DN". Provavelmente, por ele ter tido a coragem de colocar o dedo "numa das feridas"...

«O Estado permite que haja teatro em condições cada vez mais fechadas para os espectadores, com espectáculos que fazem três/ quatro récitas. É uma coisa inadmissível, porque é o mesmo que dizer "não venham cá", levar os empresários teatrais institucionais a não acreditarem nos espectáculos que só têm dois/ três dias porque têm a certeza que os primos, os namorados e os irmãos irão ver mas não acreditam na capacidade de se tornarem acontecimentos. São pequenas festas entre amigos e é isso que tem acontecido lamentavelmente. Nos últimos cinco anos o teatro é insultuoso para os espectadores, pois estão a dizer 'vocês não são da profissão e nós só estamos a trabalhar para os profissionais da profissão'. A maior parte dos teatros institucionais têm o seu público entre aspirantes a pessoas que fazem teatro e reformados de pessoas que fazem teatro, portanto são festas de primos em vez de abrangerem a sociedade. O teatro que eu pensei ser possível também em Portugal seria o teatro cívico, ou seja, para a sociedade numa cidade grande como foi Lisboa antes de ficar esvaziada. Qual é o lugar do teatro?»

É uma boa pergunta... Este não será, com toda a certeza.

É raro vermos alguém "do meio" a fazer um retrato tão lúcido de uma Arte (e infelizmente não é a única...), que se está a deixar  levar "pela onda", para não perder os subsídios atribuídos...

Mas é uma pena que a gente do teatro puxe cada vez menos  pela imaginação, aceitando as "regras do jogo", institucionais, sem perceber que aos poucos e poucos, vai perdendo  a independência e a liberdade, elementos-chave para que este espectáculo seja único...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, março 27, 2019

«O Verão fora de época deixa cada vez mais gente maluca»


Sorri, quando ouvi uma senhora, com idade suficiente para saber muito desta vidinha, exclamar: «O Verão fora de época deixa cada vez mais gente maluca.»

Ela até podia estar a falar dos incendiários, que começaram a riscar fósforos e acender isqueiros mais cedo. Mas não, estava a falar de um maluco qualquer que passou no centro da cidade a uma velocidade proibitiva,  ao volante de um carro vermelho que só não provocou nenhuma vitima, por uma questão de sorte...

E estava cheia de razão.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

terça-feira, março 26, 2019

A Velocidade dos Relógios que Temos Dentro de Nós...


Sempre tive a sensação de que os relógios não rodavam com a mesma velocidade, que os minutos não tinham sessenta segundos para todas as pessoas. Agora quase que me apetece dizer que tenho a certeza. Até consigo desculpar as pessoas que andam sempre atrasadas, que andam sempre numa correria atrás do tempo. Elas são as mais prejudicadas, são as que têm relógios com os segundos mais rápidos...

Claro que estou a brincar. Embora não tenha qualquer dúvida, que nem todos temos a ligeireza de trocar as voltas ao "tempo"...

E não estou a falar deste "tipo chato", por falta de assunto. É mesmo por sentir que estou a perder a tal ligeireza, que me fazia ter tempo para fazer mais duas ou três coisas, que agora me começam a escapar.

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, março 25, 2019

"O Homem Pikante - Diálogos Kom Pimenta" (um título mais que prometedor...)


As pessoas que gostam de literatura conhecem Alberto Pimenta, nem que seja pela sua irreverência e pelo seu querer, de ser único, imune a imitações.

Edgar Pêra, provavelmente por estes motivos, resolveu fazer um documentário sobre esta "peça" rara, que é professor universitário e poeta (sim, e desses, dos malucos, com éme grande...).

O documentário (que quero ver...) vai estar muito pouco tempo nos cinemas (e penso que só no Porto e em Lisboa, e depois, com sorte, em alguns auditórios menos comerciais, que existem de Norte a Sul...). O título é todo ele um tratado de humor e um bom chamariz, para quem ainda não conhece este homem de baixa estatura, mas capaz de "cair com estrondo", em qualquer lugar. Sim, "O Homem Pikante - Diálogos Kom Pimenta", só por si, dispensa apresentações (grande Pêra...).

Não estou à espera de uma "biografia", mas sim de um documentário onde o Alberto Pimenta se deve recriar, no seu melhor. Até porque se trata de um filme com imagens de vários tempos, de várias performances do "artista" Pimenta, onde o humor e a diferença estão sempre presentes. Talvez até seja capaz de se sentir melhor em frente à câmara que um peixinho a nadar no interior de um lago cheio de delícias e tentações...

(Fotografia de autor desconhecido)

domingo, março 24, 2019

Beber Café na Trafaria...


O Sol do começo da tarde convidava a sair de Almada.

Pensámos que não devia ser muito boa ideia ir até à Costa de Caparica, por já haver muita gente à procura de praia. Sabíamos que iríamos ter dificuldade em estacionar o carro.

Foi por isso que acabámos por passar pela Trafaria, que até estava em festa, no fim de semana.

Bebemos café e ficámos por ali, a ver as vistas. Comentámos que a Vila era  cada vez mais uma "aldeia"...

Ideia que foi reforçada quando subimos a uma espécie de miradouro e olhámos as vistas da Trafaria, de cima para baixo, já com a companhia das nuvens.

O seu perímetro urbano é o mesmo de há cinquenta anos (mas muito mais envelhecido...). Se há lugar por onde não passou a Revolução de Abril, foi nesta bonita "varanda" para o Tejo...

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)

sábado, março 23, 2019

A Tal Amizade, sem Medida...


Ao longo dos últimos vinte anos participei em dezenas de lançamentos de livros. Quase sempre de amigos. 

Em mais de uma dúzia escrevi prefácios e fiz a sua apresentação. Mas também aconteceu, mesmo sem ser o apresentador da obra, os autores, amigos, fazerem questão que eu estivesse presente na mesa de honra, para lhes oferecer algumas palavras. É quase sempre uma forma de agradecerem a amizade (mesmo que esta não se agradeça...) e também o apoio que oferecemos à edição.

Nos últimos tempos recusei esta "honra" meia-dúzia de vezes. Não só achei que não fazia sentido (não devemos nos repetir  e mostrar em demasia...), como também senti que faltava a "chama da amizade", que nos faz fazermos, até o que não nos apetece, pelos amigos... 

É, a algumas pessoas quase nunca somos capazes de dizer não. E ainda bem que isso acontece (como hoje, por exemplo...). É sinal de que a amizade que sentimos por elas é tão grande, que não nos dá espaço para pensarmos em coisas pequenas...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sexta-feira, março 22, 2019

Um Poema no Dia Vinte e Dois...



Não


Tentei agarrar a tua mão e tu fugiste
afastando o corpo.

Foi apenas mais uma forma de me dizeres não...

Fui ficando para trás
agarrado ao coração
preocupado, não fosse ele cair
e ficar, despedaçado, no chão...


Luís [Alves] Milheiro


(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, março 21, 2019

Festejar a Poesia Quase sem Palavras...




(Fotografias de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, março 20, 2019

Nem os Alertas da Natureza Param a Selvajaria Ambiental...


Eu sei que devíamos andar por aqui um pouco mais assustados, até por já termos percebido, que nem mesmo as catástrofes naturais, cada vez mais banais, retraem a vontade cega e selvagem, de subjugar, tudo e todos, ao poder do dinheiro.

Moçambique agora fica logo ali ao virar da esquina, mas não sei se muda alguma coisa...

Até porque as lágrimas de crocodilo, como de costume, não resolvem nada...

Continuo a pensar que os "donos do mundo" acham que  estão imunes a todas as tragédias, e que vão ficar por cá, uns para "semente", outros "para contar".

Pobres diabos, ainda não perceberam que a ilusão é uma coisa terrível, até mesmo para os mágicos...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

terça-feira, março 19, 2019

Querer Trocar um Olhar e um Sorriso...


Acho que nunca falei aqui do meu Pai, ou se falei, foi de uma forma quase invisível.

E aqui há três ou quatro dias, escrevi algumas frases no meu bloco de todas as horas, num daqueles períodos, em que estamos a olhar para essa coisa gigantesca, que é o "nada". Pensei que num dia de mais inspiração, podia transformar estas palavras num poema...

«Lembro-me de ti. 
Tenho saudades.
Apetecia-me ver-te, poder dizer-te, olá!
Não precisávamos de falar, Pai.
Só precisávamos de trocar um olhar e um sorriso...»

No domingo fomos passear em família. A fotografia que publico é do meu filho, que tem uma relação com as alturas parecida com o avô. Até lhe contei um episódio, em que eu o meu irmão e ele fomos às pinhas (das boas, as que têm pinhões...). Nós tínhamos vinte e muito poucos anos e ele cinquenta e qualquer coisa. O que é certo é que foi ele que se descalçou e trepou até quase ao cruto do pinheiro enorme, deixando-nos  cá em baixo, quase de boca aberta. 

Nós que fazíamos desporto e gostávamos de aventuras...

(Fotografia de Luís Eme - Alcácer do Sal)