terça-feira, maio 09, 2017

Uma Velha Mania...

A "vida" (há quem lhe chame outras coisas, como Deus por exemplo...) tem uma velha mania, muito antiga, que deve vir desde os tempos em que os tempos se tornaram tempos, esses mesmos em que o homem deixou de ser "macaco".

Falo dessa coisa parva de nos dar coisas com uma mão e tirar-nos outras com a outra... Ou dito de outra forma, não podemos dar dois passos em frente, sem darmos um atrás...

O que vale é que nos habituamos a tudo. Ao ponto de até já perdermos a hábito de protestar, por direitos que nos vão tirando, dia sim dia não. 

Para mal dos pecados dos sindicalistas profissionais (as mesmas caras de sempre, desde o famoso líder da Fenprof, a outros tantos que se ocupam dos lugares de relevo e gostam de se verem na televisão), qualquer dia não têm filiados...

Será que eles perdem tempo a pensar nisso? Ou culpam a "vida" e as suas velhas manias? Ou será que também andam a aprender a rezar e vão à festa a Fátima?

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, maio 08, 2017

Quando a Qualidade Pode Ser uma Bóia ou um Farol...

A idade, embora nos vá roubando coisas, ano após ano, também nos vai dando algo para a troca. Uma das coisas que noto é a forma como nos vamos tornando selectivos, pelo menos em relação ao que de facto gostamos, talvez por termos mais consciência das nossas limitações.

Ao afastarmos do acessório, para nos focarmos no que consideramos realmente importante, não só sabemos que não vamos durar sempre, como sabemos melhor o que realmente nos dá prazer.

De repente a quantidade torna-se uma mera contabilidade matemática. E a qualidade supera-a em tudo...

E nem vale a pena falar de uma coisa tão simples como a amizade, da importância que damos a um amigo de corpo inteiro, ao ponto de não o trocarmos pelo  tal "milhão" que pode estar na montra do facebook. Mas esta "contabilidade" serve mesmo para tudo.

Coisas tão simples como um livro, um filme, uma peça de teatro, um concerto ou uma exposição, são  escolhidos cada vez em função de um gosto que refinou...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, maio 07, 2017

O Mar, a Poesia e as Mulheres-Mães da Sophia (e do Frank)...




Há Mulheres que Trazem o Mar nos Olhos
  
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
... Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes e calma.
  
Sophia de Mello Breyner Andresen

Estas mulheres também são as nossas Mães...

(Óleo de Frank Wilcox)

sábado, maio 06, 2017

O Prazer da Transgressão...

A Rita tem razão, falar ao telefone tem um sabor muito diferente de falar ao vivo, podemos adivinhar sorrisos, caretas, e até um outro esbracejar... mas nunca conseguimos entrar dentro dos olhos de quem está do outro lado...

Foi por isso que lhe prometi que para a semana vou a Lisboa (mesmo sem a joaninha que avoa avoa...).

Entre outras coisas, confessámos um ao outro, as vezes que nos apetece fumar um cigarro, só para fazer nuvens de fumo em atmosferas demasiadas amareladas, povoadas de gente que finge que deixou de ter prazer em transgredir. 

Só espero que não seja o espírito do Salazar a cirandar por aí, de mão dada com o Cerejeira, novamente apostados em levar a gente do nosso país para os "bons caminhos" dos vícios privados e das virtudes públicas. 

Quem diria, que neste tempo, o fado ainda consegue ser a coisinha mais sensata e democrática, pelo menos quando comparado com as doidices de fátima e do futebol...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, maio 05, 2017

A Menina de Olhos Tristes...


Logo pela manhã descobri a menina de olhos tristes, sentada num banco, rente à paragem do autocarro. Estava de mochila, devia ir para a escola.

O nosso primeiro encontro deu-se no fim de semana passado, no interior do metro, quase vazio. Passou a viagem da Gil Vicente até Cacilhas a repreender o irmão, com menos três ou quatro anos que ela, como se fosse uma "mãe pequena".

E o pequenote, avesso às ordens da mana, fazia tudo ao contrário. Quando me olhou com ar traquina, disse-lhe que devia obedecer à irmã. Foram as minhas únicas palavras. Entretanto chegámos ao fim da linha e sai primeiro, para não se sentirem de alguma forma constrangidos.

Mas enquanto caminhava não deixei de pensar nas histórias que a minha mãe nos contava, mesmo pequena, como era a filha mais velha tinha de tomar conta dos irmãos, enquanto os pais trabalhavam nos campos...

Às vezes pensamos que o mundo mudou muito, que está tudo melhor, etc. O problema é esquecermos que não mudou para todos... Há por aí quem enfrente os desafios de outros tempos, há quem continue sem tempo para ser apenas criança...

(Óleo de Gaetano Chierici)

quinta-feira, maio 04, 2017

Só nos Desiludem as Pessoas de Quem Realmente Gostamos...


Como já devem ter reparado, ando há pelos menos dois dias, a tentar fugir das palavras.

Sei que não devo, nem quero, particularizar.

Se pensar bem, nem se pode dizer que me aconteceu uma coisa do outro mundo. Toda a gente sabe que a amizade não sobrevive a tudo. Apenas a quase tudo...

Não foi a primeira vez que descobri que a desconfiança às vezes anda perto demais do ciúme e da inveja, e que se pode tornar numa mistura explosiva... 

Nem se pode falar de uma "história de saias", até porque ela anda quase sempre de calças...

Acabei por ficar a pensar que a forma de gostar nunca tem uma medida certa, é por isso que às vezes gostamos mais dos nossos amigos que eles de nós, tal como o seu contrário. 

E claro que fiquei desiludido. Sei que só nos desiludem as pessoas de quem realmente gostamos...

(Fotografia de Rurik Dmitrienko)

quarta-feira, maio 03, 2017

Palavras Frescas (e às vezes confusas)

Quando se escreve directamente no "blogger", as palavras acabam por sair quase sempre mais frescas, mas por vezes também mais confusas (foi o que aconteceu ontem e é o que vai acontecer hoje...).

As ideias são tão complicadas como nós, às vezes misturam-se num simples parágrafo e fazem com que se mude o sentido das coisas. Ou seja, a ideia inicial é "derrotada" por outra que entretanto apareceu, e que me disse que tinha vindo para ficar.

Outras vezes é uma telefonema, como aconteceu agora, em que me estavam a oferecer uma data de coisas (os fulanos que vendem os pacotes de telecomunicações gostam de fazer o número de "pai natal"...),que acabamos por não usar, para no final acabarmos por pagar mais.

Pois é, queria falar de uma coisa e já estou a falar de outra.

Mais um telefonema. Afinal vou ter de ficar por aqui. Vou lá fora até ao mundo (pode parecer que estou a ficar maluco, mas não, passo só ao lado da casa amarela, onde mora um bom grupo deles...)

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, maio 02, 2017

Gente que Parece Só Saber Viver em Montras...

Eu sei que nem toda a gente quer ser feliz, por uma razão ou por outra.

Também sei que a felicidade às vezes é apenas um fogacho, e outras nem isso, continua muito mais perto das utopias que das realidades...

Realidades que às vezes são quase "macacas" e fazem com que algumas pessoas prefiram ficar a ver o mundo passar, na montra para onde se esgueiraram, disfarçados de manequins, com a cumplicidade dos outros.

(Fotografia de Luís Eme) 

segunda-feira, maio 01, 2017

Um Primeiro de Maio Demasiado Maduro...

Saio de casa e sinto a diferença de outros primeiros dias de Maio, O Dia do Trabalhador por esse mundo fora...

Nem volto atrás no tempo para ver o que escrevi quando aquele senhor que é dono de uma rede de supermercados abriu as portas e colocou todos os seus produtos a metade do preço.

Mas incomoda-me ver tantas casas de comércio abertas (não são só os chineses e os paquistaneses...), tantos trabalhadores "espoliados" do seu dia, tanta gente a deixar fugir a dignidade em nome de meia dúzia de euros.

Sinto alguma tristeza por sentir que este nosso Primeiro de Maio, está demasiado maduro... e que um dia cai mesmo no esquecimento da gente que finge não ter memória.

(Fotografia Henri Cartier-Bresson)

domingo, abril 30, 2017

Cinema & Mitologias


Olhei para esta caixa e achei feliz a coincidência da colagem de cartazes, de dois filmes que também coincidem nas salas de cinema, e ainda um cartaz do PCP a espreitar.

E este "Fátima" do João Canijo com algumas das suas actrizes fetiches, promete... muito mais que o "Jovem Karl Marx", pela forma como aborda o mistério da peregrinação.

No campo das mitologias, as Aparições de Fátima e a Revolução Soviética festejam os seus centenários este ano. Curiosamente acabaram por ficar ligadas também pela ficção que se apoderou dos segredos da irmã Lúcia, que talvez seja muito mais que "vidente", pode muito bem ter sido a "criadora" de todo o fenómeno, instrumentalizando os primos mais novos, que só por tudo o que devem ter sofrido, merecem ser santos...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, abril 29, 2017

Olhar o Tejo na Nossa Margem...

A nossa Margem, Sul ou Esquerda (ou ainda a Outra Banda...), podem escolher o termo, é muito mais agradável para o olhar que a Direita ou Norte. 

Sim, não há qualquer dúvida, Lisboa tem muito mais que ver.

Neste caso particular, a ilusão óptica até permite pensar que vai haver acidente no meio do rio

Não era por acaso que muitos pintores vinham até Almada, para melhor pintarem Lisboa, a partir dos nossos majestosos miradouros naturais...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, abril 28, 2017

O Amor Com e Sem Óculos


Não sou muito de contar os meus problemas pessoais. Nunca fui. Feitios...

Mas tenho um ou outro amigo, que não só é capaz de contar a sua vida toda, com ainda dá algum colorido às suas cambalhotas e tropeções, muitas vezes repetidos...

Foi o que aconteceu com um rapaz da minha idade, incapaz de ter uma vida calma e pacata, que entre a frescura e a desilusão de quem tinha acabado de sair do quarto casamento, resolveu culpar quem aparentemente não tem qualquer culpa da "estupidez" humana. Andou para trás e para frente, com a Joaquina, com a Maria, com a Celeste e com mais uma dúzia de moçoilas, com um único objectivo: deitar todas as culpas dos seus fracassos românticos em cima do amor, essa coisa que se sente e que nem sempre se vê com muita nitidez (aqui ele tem razão...).

Foi por isso que, dentro de um sorriso rasgado, me disse que deviam existir óculos capazes de nos curar da cegueira do amor, que nos obrigassem a ver aquilo que mais tarde será a nossa perdição...

Felizmente não é nada que o preocupe e desanime, pois ele já anda no terreno em busca da sua "quinta vida".

(Fotografia de Autor Desconhecido)

Nota: Hoje foi publicado um texto meu no blogue, "Delito de Opinião", uma ficção sobre o mundo do futebol (foi um prazer Pedro)...