Talvez estivesse a meter gente a mais ao barulho e ser apenas eu que não sabia, muito bem, qual o verdadeiro significado da palavra...
Mais uma vez, a conversa não adiantou grande coisa. Mas pelo menos falámos disto e daquilo, sem querermos "levar a taça para casa"... Há muito tempo que entre nós deixou de ser importante saber quem é que está certo e quem é que está errado.
Comecei por dizer, que uma coisa é escreveres o que te vem à cabeça, que para o bem e para o mal, passa a ser uma coisa tua, mesmo que tenha por detrás, mil e uma apropriações (dos livros, dos jornais ou das vozes que nos rodeiam...). Ou seja, esteja longe de ser uma coisa original...
O que eu fui dizer ao António...
Ele disse que se formos atrás do meu ponto de vista, a originalidade não passa de uma utopia. Para de seguida me dizer que isso estava longe de ser uma coisa que lhe fizesse perder o sono. E depois lá me ofereceu uma frase, quase batida:
«O importante é sermos criativos, escrevermos, pintarmos ou tocarmos, dando ouvidos apenas à nossa cabecinha, com a ilusão de que são coisas apenas nossas.»
E ainda foi mais longe, trouxe o "pecado original" para a mesa, para me dizer, que este era apenas o primeiro, quase a convidar-me para meter esta palavra no saco das coisas inúteis.
Claro que no meio ainda falámos dos pintores-copistas, dos músicos que cantam sempre a mesma canção e dos poetas que escrevem por cima dos poemas dos outros, que normalmente se têm em grande conta (e ainda bem, é isso que os mantém à "tona de água")...
(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)
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