terça-feira, novembro 15, 2016

A Proibição (ou não) de Fotografar...

Há cada vez mais sítios com placas que indicam ser proibido tirar fotografias.

Em parte percebo algumas proibições, numa época em que se usa e abusa da utilização de imagens nas chamadas "redes sociais".

Normalmente quando estou em lugares privados, pergunto se posso ou não fotografar (até mesmo nos museus...). E aceito com algum desportivismo, a resposta negativa.

Hoje passei pela Pousada de Juventude de Almada com o objectivo de tirar fotografias das imediações. Como toda a zona com vista para o rio estava ocupada, acabei por entrar e perguntar se podia tirar fotografias da vista. Os funcionários da recepção disseram-me logo que sim, facultando-me inclusive a passagem para a varanda exterior.

Senti mesmo que foram de uma simpatia pouco habitual, até por eu não ser um cliente da Pousada...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, novembro 14, 2016

A Lua "Gigante"...

Sei que esta fotografia, tirada a pouco mais de uma centena de metros da minha casa, às 18 horas e poucos minutos, não faz justiça à beleza da Lua, gigante, só por esta noite...

Sei também que sem uma grande máquina e tripé, era difícil fazer melhor...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, novembro 12, 2016

Trafaria, a "Praia-Pesadelo"...

Sempre que passo pela Trafaria, fico sem perceber o que foi que aconteceu a esta Terra, que tinha (e em parte continua a ter...) condições para ser um lugar sossegado e agradável para se viver.

Os silos de cereais não podem ser os culpados de tudo. Por exemplo a sujidade da praia, deve-se mais à incúria de uma parte dos seus habitantes, que a utilizam para fazer todo o tipo de limpezas, pinturas e remodelações das embarcações.


Tenho a certeza que não é o Tejo que pinta a areia, que já foi amarelinha, de cinzento...

(Fotografias de Luís Eme)

sexta-feira, novembro 11, 2016

Leonard Cohen (1934 - 2016)


Pergunto-me quanta gente nesta cidade

Pergunto-me quanta gente nesta cidade
vive em apartamentos mobilados.
Altas horas da noite quando olho os outros prédios
juro que vejo um rosto em cada janela
que me olha também
e quando volto para dentro
pergunto-me quantos se sentam às suas escrivaninhas
e escrevem isto mesmo.

Leonard Cohen

(fotografia de autor desconhecido)

quinta-feira, novembro 10, 2016

Ser Mulher na América...


Não tinha a noção de que a condição da mulher nos EUA ainda estava distante do cargo da presidência do país... E muito menos que estivesse um passo atrás em relação à cor da pele, por exemplo.

Digo isto porque ao conversar com amigos sobre os resultados eleitorais na "terra dos sonhos", chegámos à conclusão (simplista) que Hillary Clinton não tinha sido eleita por duas razões: ser mulher, e ser esposa de Bill Clinton.

O grave da coisa é serem duas conclusões tão sexistas, em pleno século XXI...

(Óleo de Kees Van Dongen)

quarta-feira, novembro 09, 2016

Ora Aqui Está uma Quarta-Feira, Farta em Conversas e Emoções...


Ao cair da noite de ontem fomos surpreendidos pela notícia inesperada da rendição às autoridades de Pedro Dias, conhecido como o "Piloto", o suspeito de dois homicídios que andava a monte há quatro semanas.

E para colocar os especialistas do crime da TVI e CM a "roerem meias de sem abrigo", teve ainda a  lata de oferecer o exclusivo da sua entrega à RTP.

Apesar de se ter tornado quase num "herói" cinéfilo de filmes de acção (provavelmente sem ter saído muitas vezes do "quentinho" de algum lar amigo...), e ser suspeito de todas as peripécias que aconteceram por aqueles lados e descoberto por essa Europa fora, não consigo sentir qualquer simpatia pela personagem.

Compreendo o seu medo de ser apanhado pela GNR e fico à espera das "versões" que se seguem (ele para já diz-se inocente...), em mais uma daquelas "séries" que prometem durar várias temporadas...

Ao começo da manhã outra surpresa (pelo menos para mim...), a vitória de Donald Trump nas presidenciais americanas. A primeira coisa que me apetece dizer é que os americanos só têm o que merecem, que foi nada mais nada menos que aquilo que a maioria dos votantes escolheram.

Claro que gostava de ser surpreendido pela positiva, perceber que afinal ele não é tão "maluquinho" como gosta de mostrar na televisão e descobrir alguém mais inteligente e sensato que o último presidente eleito pelos republicanos...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, novembro 08, 2016

Gaivotas em Terra, sem Tempestade...

As gaivotas tornaram-se uma presença habitual nas ruas de Almada. E isto acontece em qualquer estação do ano. Talvez se estejam a querer fixar na cidade como aves urbanas, imitando os pombos...

Fazem-se estudos para tudo, mas ainda não li nada sobre este fenómeno.

É por isso que não sei se isso acontece por causa das grandes quantidades de lixo que produzimos, de a recolha do lixo ter deixado de ser diária e possibilitar a existência de pequenas "lixeiras" rente aos contentores superlotados de sacos de plástico, ou por outra coisa qualquer.

Sei sim, que os poetas que escreviam que só havia gaivotas em terra quando se aproximava uma tempestade, estão a ficar ultrapassados pela evolução - natural ou não - das espécies...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, novembro 07, 2016

Uma Segunda-Feira Alegre (e Poética)

À segunda-feira almoço com um grupo de amigos de Almada, onde nunca falta boa disposição e vontade de conversar, seja com leveza ou com profundidade.

Como normalmente almoçamos bacalhau cozido com grão, baptizámos este nosso convívio comensal por: "Tertúlia do Bacalhau com Grão".

E eu na semana passada escrevi esta "espécie de poema", dedicado a eles:

A Segunda-Feira
  
A segunda não tem de ser um drama
por se seguir ao dia de descanso.
Se escolhermos um bom programa
ganhamos no mínimo um dia de avanço

É por isso que deixo uma sugestão:
um encontro à mesa com boa gente
que seja capaz de nos afagar o coração
e fazer da segunda um dia diferente

Sei que se a comida for regada
com as palavras e a alegria  “italiana”
não há espinha que fique atravessada
neste belo começo de semana

É isso que acontece na nossa mesa
com o bacalhau a ser uma mera formalidade
porque há uma “vela” sempre acesa
que ilumina e abraça a nossa amizade
  
Luís [Alves] Milheiro

(Gravura da Cervejaria "Leão de Ouro", de J. Christino) 

sábado, novembro 05, 2016

Estranhas Formas de Protestar...


Na sexta-feira também acabámos por falar sobre o péssimo serviço que os funcionários do metro têm prestado a todos aqueles que são forçados a utilizar este tipo de transporte diariamente.

Fui "apanhado na curva" dois dias e não achei muita piada aos anúncios de perturbações nas linhas por que os trabalhadores estavam em plenário. Agora imagino aqueles que utilizam este transporte todos os dias...

Por mais argumentos que coloquem em cima da mesa, não aceito as formas de protesto escolhidas pelos trabalhadores da generalidade dos transportes, em que prejudicam essencialmente os utentes dos transportes. Que tem ainda outro contra, em vez de estes ficaram solidários com as suas lutas, ficam revoltados porque além de chegarem atrasados aos locais de trabalho, são forçados a viajar dentro de carruagens superlotadas, tal como acontecia há duas décadas, sem qualquer necessidade...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, novembro 04, 2016

As Duas Lisboas...

A Rita hoje resolveu dividir Lisboa em dois. De um lado ficou a cidade que recebe todos aqueles que trabalham e ultrapassam diariamente as múltiplas fronteiras invisíveis, ora dentro de transportes públicos ora em carros lentos que se deixam engolir pelas filas intermináveis que os trazem e levam para os subúrbios da Capital.

Do outro  está a cidade prazenteira que abraça turistas de todas as idades, que descobrem encantos até nas obras que irritam os lisboetas. Tiram fotografias e talvez pensem que Lisboa é como Roma, uma daquelas cidades onde é fácil tropeçar em "escavações arqueológicas".

Mas a dualidade não parou aqui...

Se nunca houve tantas "casas de pasto", com vistas deslumbrantes, plantadas nos cumes das sete colinas, que em vez de terem cozinheiros têm chefes, tal como hotéis com todas as estrelas possíveis e imagináveis, os "hostels" também crescem como cogumelos (e irritam cada vez mais os donos das grandes cadeias de hotelaria). E também continuam a existir imensas tascas com refeições económicas, que ainda têm as ementas só em português.

Ela também não acha muita piada aos "turistas de pé descalço", que se deliciam a fazer cruzeiros no Tejo nos cacilheiros com travessias por pouco mais que um euro e comem sardinhas e carapaus assados nos restaurantes de Cacilhas, como se fossem manjares de deuses.

Perguntei-lhe se queria que existissem dois tipos de bilhetes, uns para os de dentro e outros para os de fora. Abanou os ombros. Limitou-se a dizer que ainda bem que era sexta-feira...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, novembro 03, 2016

Olhar (e Amar) o Mar...


Ainda hoje gosta de ir ver o mar.  Vai quase sempre sozinha e fica por  ali a olhar, a ouvir e a recordar... 

Sim, recorda a praia da meninice e da adolescência, onde se deliciava a olhar  as ondas e todos aqueles que eram capazes de enfrentar o mar. 

Ficava ali junto às barracas de pano branco a ver os rapazes, muitos deles bonitos, que em grupo desafiavam as ondas do mar. Queria tanto ser um deles, como uma ou outra rapariga mais afoita, que se misturava com eles. Mas o seu papel era ficar por ali, deitava na toalha que lhe deixava o corpo desenhado na areia, a sonhar acordada...

Nunca aprendeu a nadar, a mergulhar ou o que quer que fosse. Talvez fosse tradição familiar ficar por ali, apenas a ver o mar. Os banhos eram tomados na Lagoa e com cuidado porque facilmente se perdia o pé. Naquele mar apenas tinha autorização para molhar os pés, a água chegar aos joelhos já era sinal de perigo.

Nunca esqueceu um grupo de rapazes de várias idades que chegavam de bicicleta e passavam o tempo a correr, saltar, jogar à bola e a mergulhar. Eram a alegria de quem ficava por ali a ver a graça e coragem com que desafiavam o mar alto.
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Ao contrário do pai, ela quis que os seus dois filhos soubessem nadar e andaram na natação. Mas nem assim aconteceu nenhuma "revolução", tal como o companheiro, vivem bem sem o mar. Só ela experimenta sempre um conforto único, de estar ali a ouvir a voz do Oceano. 

E às vezes sente mesmo uma vontade enorme de caminhar por cima das águas, até à linha do horizonte…

(Óleo de Duffy Sheridan)

terça-feira, novembro 01, 2016

A "Ronca" do Cacilheiro Desvia as Atenções

Se tivesse de escolher uma legenda para esta fotografia, tirada ao fim da tarde, em Cacilhas, só podia ser: «A "ronca" do Cacilheiro desviou as atenções e interrompeu o "sermão aos peixes" dado pelo padre, na habitual comemoração do "Milagre da Nossa Senhora do Bom Sucesso de Cacilhas".

(Fotografia de Luís Eme)