terça-feira, abril 19, 2016

O Acumular de Inutilidades que se Fingem Úteis...


Ao longo dos anos fui acumulando inutilidades, cadernos ou papeis soltos que acabaram por perder o prazo de validade. Falo de recortes de jornais mas também de muita coisa que escrevi. Encontro muitas coisas que quase me pedem para "viver", para ficarem dentro de qualquer história.

Alguns títulos ridículos, como o do caderno que passei a pente fino, datado 2003, "Tempos Novos". Provavelmente nessa altura fazia sentido. Mas doze anos depois são mesmo tempos velhos...

Mesmo assim encontrei coisas algumas interessantes, como as frases guardadas de uma entrevista do grande arquitecto brasileiro, Niiemeyer, ao "Expresso". Alguns projectos jornalísticos que não passaram disso mesmo. Uma história infantil, no mínimo curiosa. Memórias sobre o meu pai, que tinha falecido dois anos antes. Ou seja, coisas que fui sabendo da sua vida, quase sempre contadas pelo tio Valentim, que viveu com ele na Capital. Alguns começos de poemas que se transformaram em "gente", ou seja, no meu primeiro caderno de poesia publicado. E ainda várias personagens inventadas para livros que nunca chegaram a ser escritos.

Ou seja, há papeis que ficam. Apenas porque sim. Ou talvez porque gosto mesmo de acumular inutilidades...

(Óleo de Arshile Gorky)

8 comentários:

  1. eu também guardo tudo e surpreendo-me tanto!

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    1. O melhor é quando descobrimos algo fixe que já não nos lembrávamos que tínhamos, Laura.:)

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  2. Como te entendo!
    Guardo tudo, desde que me lembro.
    A minha sorte é, de vez em quando, seleccionar o que quero mesmo guardar. Entretanto, liberto a casa de uns sacos cheios de tralha. :)

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    1. Estou nessa fase, Carla.

      Mas acabo sempre por guardar mais do que deito fora.:)

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  3. Ainda conservo cadernos escritos em Moçambique e Angola, entre 1970/75.
    Abraço

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    1. Por certo boas memórias, Elvira. :)

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  4. Por cá sofre-se do mesmo. Mas é tão giro reler coisas - nossas ou dos jornais - uns anos depois! Eu gosto. E depois guardo outra vez...

    (quando desaparecer, as minhas filhas têm muito que queimar, reciclar, pôr no lixo...)

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    1. Pois é... o tempo que perdemos a reler, Graça. :)

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