segunda-feira, abril 11, 2016

As Pessoas, os Livros, a História...


Agora que estou quase a acabar de ler o "Alentejo Prometido", é que percebo que muito do que li sobre esta obra de Henrique Raposo, foi dito por quem não leu o livro ou fez uma leitura completamente transversal (há quem leia apenas o primeiro e o último capítulo dos livros, outros nem isso...).

E o livro até é dos curtos (107 páginas), ainda que a letra seja pequenina.

Mas eu ainda não vou falar sobre este retrato sulista (até por ainda me faltarem vinte páginas para chegar ao fim...). Vou falar sim da dificuldade que as pessoas têm em olhar para dentro de si, de fazerem autocrítica.

Eu que tenho sido "remador" de várias barcas da cultura, estou à vontade para falar do que olho, do que escuto, e claro, do que penso. Encontro muita gente que quer ser o que não é, como refere o meu amigo Orlando. Vivem a sua fantasia quase a vida inteira, colam-se aos outros, fingem que também estiveram aqui e ali, que também fizeram isto e aquilo, às vezes de uma forma ridícula, sem se quer se darem ao trabalho de pensar que a  história gosta pouco de ser enganada...

Não é de agora que todos sonhamos ser um dia "heróis" de qualquer coisa. Essa vontade persegue-nos desde a infância. O reconhecimento (do outro...) é uma necessidade humana, de todos nós...

É por isso que quando alguém nos desenha o "retrato", de uma forma fria e despiedosa, a nossa primeira reacção é dizer que aquele não somos nós. Mesmo que a imagem que nos é oferecida esteja realmente distorcida (também não faltam por aí maus "desenhadores", mais por despeito que falta de arte...), é bom perdermos algum tempo a observar os seus traços. E depois devemos olhar para o espelho, sem fugir das rugas ou do negro que nos ensombra os olhos...

(Fotografia de Brassai)

10 comentários:

  1. ~~~
    Considerações interessantes sobre crítica e autocrítica...
    ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~

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    1. É fácil fazer considerações, Majo. :)

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  2. E tudo porque todos gostamos, uns mais outros menos, de criticar os outros, mas ninguém gosta de ser criticado. Como dizia a minha avó, "ninguém enxerga o cisco no seu olho, nem que seja uma tranca."
    Um abraço e uma boa semana

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    1. Mas não gostamos de ser criticados porque misturamos muitas vezes as coisas, Elvira.

      A critica ao que fazemos (bom ou mau) não tem, nem deve, ser pessoal. E muito menos deve ser entendida como tal.

      No fundo gostamos que nos digam que somos muito bons, mesmo que seja mentira. :)

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  3. gosto imenso da imagem.
    do tema também :)

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  4. Luís, tu trazes aqui assuntos interessantes e eu com pouco tempo. :)

    Primeiro, ainda não percebi a polémica que se gerou à volta desse livro porque nunca ouvi nem li nada que referenciasse os argumentos. Apenas bota abaixo e até com uma linguagem muito indelicada.
    Ainda não o li, mas tenciono fazê-lo.

    A autocrítica não é acessível a todos. Com isto, não quero de modo nenhum dizer que quem a consegue fazer é melhor que os outros.
    Há muitos factores em jogo.
    Pode não depender apenas da vontade. E também pode não depender da humildade para receber o retorno dos outros.
    Há pessoas que não têm ferramentas para o fazer, por vários motivos, e nem têm possibilidades para recorrer a ajuda.

    O que eu sei é que no mau também se pode e deve apanhar o bom. E que isto é muito importante para fazer autoanálise.
    Ou seja, sair da zona de conforto, procurar melhorar em coisas com que não nos sentimos confortáveis, tentar ultrapassar o que nos cai em cima sem pedir licença... podem ser caminhos para explorar o nosso lado de dentro. Mas há quem não consiga porque se entrega à revolta e arranja o pior dos artifícios que é colocar a culpa nos outros.

    Nós só existimos porque existe o outro. Nós também nos fazemos na interacção com o outro.
    Mas nem todo o 'outro' nos serve, assim como o inverso. E este não servir não tem que ver com dizerem-nos coisas que não nos agradam, mas com o veneno da destruição que engolem todos os dias. Há pessoas que fazem vida disso.

    E também é preciso aprendermos a olhar-nos no espelho. O espelho devolve-nos o eu? Talvez não... Ou nem sempre.

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    1. Sim, estás certa Isabel.

      Tanta gente que gosta de criticar o que não conhece! (algo que se agravou com as redes sociais).

      Claro que devolve, o espelho não é mentiroso, nós é que somos. :)

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  5. Uma boa proposta de leitura...
    Um abraço, Luís.

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    1. Um bom livro, uma boa leitura, Graça.

      E a polémica deu jeito (a imitar o Saramago).:)

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