quarta-feira, abril 21, 2010

Somos Assim, Estranhos...

A família há uns bons tempos que já não é o que era...

Estava sentado a escutar o desabafo de uma voz amiga e a pensar como foi desvalorizada a família, esse elemento essencial de qualquer Sociedade, que nos foi deixando mais solitários e até quase órfãos...
Um tio, daqueles que o tempo vai afastando morrera e o funeral acabou por ser um motivo de reencontro com os tios e primos, que não via há anos. Ela não percebia como nos deixávamos enrolar pelo tempo...
Eu também não.
Foi estranho, foi quase como se estivesse a ver-me ao espelho. Há tios e primos que também só reencontro em casamentos (já está quase tudo casado....) ou em funerais.
O óleo é da brasileira Tarsila do Amaral.

11 comentários:

  1. É verdade, Luís. Cada família dentro da própria família está tão ocupada com os afazeres do dia a dia que não faz tempo para encontros mais frequentes. Também a distância faz com que isso aconteça. Há famílias, cujos membros estão espalhados por esse mundo fora que nem se conhecem.

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  2. às vezes até nem é a distãncia Catarina. e é ridícula a nossa disponibilidade para quando as pessoas já não precisam da nossa visita ou presença. não arranjamos nós tempo nessas ocasiões?
    culpo-me por esta situação vezes sem conta, e sou como todos. uns tempos juro a mim mesma que as coisas vão passar a ser diferentes, mas depois sou" engolida" e penso: mas afinal que raio de bichos nos tornámos nós?


    ___

    beijos Luís

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  3. Acho que um dos problemas (se problema lhe podemos chamar) é tomarmos as coisas, os actos, as pessoas garantidas. Vamos adiando para mais tarde o que deveríamos fazer já. Pensamos que temos uma vida à nossa frente para fazer tudo (e as outras pessoas também), mas muitas vezes não é assim. Por outro lado, pensar – diariamente - que devemos viver a vida na sua plenitude cada dia que vem, é stressante! : ) Mas que devemos tentar conviver mais com os nossos familiares e amigos, devemos! E passear mais, e, uma ou duas vezes por ano fazermos algo que nunca fizemos e que provavelmente nunca faremos depois dessa primeira vez! Algo agradável, divertido, intenso... : )

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  4. A mim acontece-me o mesmo. Há família que só vejo mesmo nos funerais...
    Um abraço, Luís.

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  5. É o irremediável ritmo de vida que nos enclausura dentro de nós mesmos e faz com que nos acomodemos ao contacto com aqueles que estão mais próximos fisicamente...

    E o mais irónico é serem os momentos mais penosos que acabam por nos aproximar...

    Vida estranha!... a nossa...

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  6. parece que deixámos de controlar a vontade e os relógios, cada vez mais velozes, Catarina...

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  7. é, há muito comodismo nestas "falhas", Maré.

    somos cada vez mais estranhos...

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  8. temos de mudar, Graça, antes que este tempo nos "devore"...

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  9. é verdade, Synne...

    que vida estranha a nossa.

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