quinta-feira, abril 30, 2015

A Vida Já foi Mais Bela...


Não tenho qualquer dúvida de que a vida já foi mais bela, para todos nós.

E não estou a falar apenas da crise (mas se calhar está tudo ligado...).

Além da falta de humor e de palavras (tanta gente por aí cabisbaixa e de semblante triste...) parece que estamos a "embrutecer". 

Cá dentro é o que se vê todos os dias nas notícias, parece que a vida humana perdeu importância. Mata-se por um bocado de terra, por meia dúzia de euros, por amores perdidos e sei lá que mais.

E quando olhamos para fora as coisas em vez de melhorarem, pioram. É um alegado estado islamista que está a semear o terror no Norte de África e no Próximo Oriente. São os milhões de pessoas que são empurradas para sitio nenhum, depois de serem enganadas e partirem em "direcção à morte", no Mediterrâneo...

O óleo é de Salvador Dali.

terça-feira, abril 28, 2015

Fernando (Alberto Caeiro) Pessoa


A parte do "espelho" que gosto mais de Fernando Pessoa é o Alberto Caeiro, pela facilidade com que diz coisas simples e bonitas, que nem sempre nos apercebemos da sua largueza...

Um exemplo (podia dar dezenas...)?

"Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro.
Mas vivemos juntos os dois
Com um acordo intimo
como a mão direita e a esquerda.

(ou ainda...)

O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo.
Porque não interroga nem se espanta...

O óleo é de Anton Ebertgerman.

segunda-feira, abril 27, 2015

Encontro com Palavras Esquecidas


Encontrei um daqueles papeis em que escrevo coisas quase para nada, misturado com outras inutilidades. Por curiosidade fui ver o que estava lá.  Descobri a facilidade com que desenhara o meu "conservadorismo", em apenas dois apontamentos:

«Desde que comprei casa, nunca mais mudei. Mesmo em todo o tempo que vivi com os meus pais, só mudámos de casa uma vez, quando passámos de uma casa alugada para uma casa própria.»

«Os cafés que frequento são os mesmos de há duas décadas. Isso acontece sobretudo por ser bem tratado, o que faz com que me sinta quase em casa em qualquer deles.»

Se tivesse dúvidas de que sou mais conservador que liberal no curso normal da vida, perdia-as...

O óleo é de Laura Westlake.

sábado, abril 25, 2015

O Espanto dos 92 por Cento, 40 Anos Depois das Primeiras Eleições Democráticas


Faz-me confusão que as notícias falem com espanto da afluência às urnas das primeiras eleições livres realizadas a 25 de Abril de 1975, para a Assembleia Constituinte.

Se mais de 70 % dos portugueses nunca tinham votado (não me servi de qualquer dado estatístico, apenas da minha intuição de historiador para chegar a este número), é absolutamente normal que todos quisessem participar na construção do tal país, mais livre e mais justo, com que todos sonhavam, um ano depois da Revolução dos Cravos.

É por isso que não me espanta nada que a percentagem de votantes tenham atingido os 92 %, entre todos os portugueses recenseados.

Espanta-me sim, que quarenta anos depois, mais de metade dos portugueses não vão votar em todos os actos eleitorais, sem que os políticos (de todos os partidos com assento parlamentar...) demonstrem qualquer preocupação pelo que está a acontecer na nossa sociedade.

sexta-feira, abril 24, 2015

O Que nos Resta de Abril é a Liberdade


Este cartaz está muito feliz, pela simplicidade, pela beleza e pelo simbolismo.

João Santa Bárbara destaca muito bem o que ainda nos resta de Abril, a LIBERDADE.

Não é que não existam por aí tentações para também a levarem no "saco".

A última delas é a tentativa de condicionar os jornalistas durante a próxima campanha eleitoral (como todos se manifestaram contra nas primeiras páginas dos jornais, a gentalha dos maiores partidos, já veio dizer que era tudo mentira, etc).

quinta-feira, abril 23, 2015

Ironia das Ironias


É Dia Mundial do Livro e eu estou a "encaixotar" livros, para mudarem de morada, para voltarem para uma das casas onde cresci, que felizmente tem espaço suficiente para guardar parte da minha biblioteca, que começa a ultrapassar a irritação dos outros habitantes cá da casa...

Pois é, isto de gostar de livros tem que se lhe diga. É um "vício" que carece de espaço...

E compro muito menos livros. Mas como também me oferecem vários (e se há coisa que eu sou incapaz de recusar são livros...), as coisas complicam-se em vez de tornarem o dia a dia mais fácil... 

Claro que os livros que penso ler nos próximos anos, continuam por aqui, agora mais visíveis, para que não me esqueça do que lhes prometi...

O óleo é de Olivier Desvaeux.

quarta-feira, abril 22, 2015

«Não acredito que sejamos mais mentirosos que os outros.»


O ser-se português é quase sempre tema de conversa, pelos piores motivos.

Nunca fui grande apreciador do nosso "bota abaixo", nunca achei que fossemos os "piores do mundo" no que quer que seja. Somos quanto muito diferentes, em algumas coisas.

Na última conversa de café, a mentira (de perna curta e comprida...) veio para a mesa e vi-me praticamente isolado, por achar que não somos mais mentirosos que os outros povos, europeus ou de outro continente qualquer.

Alguns companheiros ainda estavam irritados por as pessoas mentirem sobre coisas perfeitamente inúteis, como aconteceu com os filmes de Manoel de Oliveira e os livros de Herberto Helder, que quase ninguém viu ou leu, embora tenham partilhado no "faicebuque" e nos "blogues" coisas extraordinárias sobre estes dois autores.

Contra a corrente, disse que só por isso, tinha sido útil escreverem pequenos textos ou frases sobre o Manoel e o Herberto, pois pelo menos contactaram com a sua obra (mesmo que se tenham limitado aos títulos, e talvez tenha ficado alguma curiosidade pelos filmes e poemas...).

Por outro lado, com a liberdade e a possibilidade da existência de "comentadores anónimos", acredito que muitos também devem ter "pintado a manta" da pior maneira possível, por isso...

Mas continuo na minha: «Não acredito que sejamos mais mentirosos que os outros.»

O óleo é de Ivo Petrov.

terça-feira, abril 21, 2015

A Vertigem da Fama


Ele passou rente às mesas e olhou de uma forma insinuante para quem por ali estava sentado, à espera de um olhar, e porque não, de um pedido de autógrafo.

Escondi os meus olhos dentro do jornal, ao perceber que a "vedeta" estava a passar de novo naquele "corredor", aparentemente indiferente à fama.

Acabou por se afastar e ir à procura de outra "passerelle" mais iludida pelas revistas "cor de rosa".

Não era a primeira vez que assistia a algo do género. E até me lembrei de uma história de um amigo que conseguiu fingir que não conhecia um actor  de parte nenhuma, depois de este lhe ter sido apresentado, desculpando-se que não tinha televisão em casa. Algo que acabou por embaraçar a "vedeta", que não lidava bem com o anonimato...

Embora muitas vezes digam que não, penso uma boa parte das figuras que passam a vida dentro da televisão sentem uma grande necessidade de exposição, de serem olhados, comentados e até falados na rua. 

O óleo é de Angela Bandurka.

segunda-feira, abril 20, 2015

A Inteligência, o Medo e os Sentidos


Ia dizer que não sabia o que é que nos segura, o que faz com que não nos deixemos ficar reféns dos "sentidos" pelas ruas do mundo, cheias de cores e de encantos, mas estava a mentir.

A inteligência, a tal  "arma" que nos separa dos outros animais e que nos faz pensar duas e três vezes, em vez de nos deixarmos levar pela febre do desejo, muitas vezes momentâneo, deita quase sempre tudo a perder.

Parece um jogo, que começa e acaba na nossa cabeça, quando esta se descobre avessa às "loucuras" alimentadas por um olhar mais intenso e nos recorda a "vida" e nos obriga a "acordar"...

É isso que faz com que seja tão difícil entrarmos num quarto, deitarmos as roupas para o chão, darmos  apenas voz ao nosso corpo, sem querer mais nada que o objecto do nosso desejo, e mais importante ainda, sem precisarmos de saber quem entrou no nosso jogo...

Somos baralhados pela honra, pela dignidade, pela ética, pela fidelidade (essa coisa tão canina...) e sei lá por mais o quê. 

Espere, sei de pelo menos mais uma coisa que nos confunde: o medo.

O óleo é de Achilles Droungas

sábado, abril 18, 2015

Não Conseguir ficar Indiferente


Há pessoas que partem e que não nos deixam indiferentes, mesmo que nunca nos tenhamos cruzado pessoalmente com elas, e tenham vivido com a discrição possível (longe dos "holofotes", que acabam por ser uma tentação e perdição para tantos...).

Uma dessas pessoas é o antigo ministro Mariano Gago, que deu um impulso extraordinário ao ensino superior e à investigação científica. Mas não o fez de olhos fechados, pois teve a coragem de combater as universidades e os cursos que não passavam de negócios "fraudulentos".

Infelizmente uma boa parte do seu trabalho foi desperdiçado nos últimos anos. Os nossos melhores jovens com formação superior têm sido forçados a emigrar para outros países, que além de lhe oferecerem melhores condições de trabalho, valorizam a sua qualidade como investigadores.

Quando olhamos à nossa volta e observamos que 80 % (não é exagero...) dos nossos governantes - locais e nacionais -, não só são incompetentes como promovem a mediocridade, só podemos sentir que o desaparecimento de Mariano Gago é uma grande perda para o país.

sexta-feira, abril 17, 2015

Gostar de Ver a Chuva a Cair


Há muitos motivos para gostarmos de ver a chuva a cair.

Eu durante a minha infância gostava muito de ficar do lado de lá da janela, a ver os fios de água a inundarem as ruas. E se recuar até quase às minhas primeiras memórias, quando a minha rua ainda não era de alcatrão, consigo "ver" a chuva implacável a abrir buracos, as populares poças, que ficavam com uma cor lamacenta e eram um perigo para as pessoas que circulavam na rua. Embora ainda não existissem ainda muitos carros, não era de excluir a possibilidade de ficarem com as roupas castanhas...

E que dizer a um passeio pelo centro da chuva com uma boa companhia? De preferência com chapéu e com algum romantismo...

Tudo isto porque este Abril anda entre o Sol e a chuva...

A ilustração é do Loui Jover.

quinta-feira, abril 16, 2015

Contradições da Vida...


De entre as muitas coisas que gosto da escrita, escrever diálogos e criar personagens, são capazes de ser as mais estimulantes.

Hoje a propósito de nada, pensei que para escrever mais (e melhor claro) precisava sobretudo de receber estímulos dos outros, de que me pedissem para escrever sobre isto e sobre aquilo...

Esqueci-me por momentos o quanto a escrita é solitária, o quando podem ser aborrecidas as "encomendas"...

Contradições da vida...

O óleo é de Sean Mahan.