Pensei nestas coisas depois de passar por um homem de uns quarenta anos, que acabara de estacionar o carro e quando saiu, gritou alguns dos nomes feios que conhecia para outro condutor, que entretanto já dera a curva e caminhava para outro planeta e lhe apitara segundos antes.
Provavelmente apitara com razão, o que não faltam nas estradas é gente que não faz uso dos sinais luminosos do carro quando muda de direcção ou estaciona.
O meu lado mais moralista teve vontade de perguntar ao homem, se ficara mais feliz depois de encher a rua de nomes feios. Sabia que se o fizesse, acabaria por sobrar para mim, qualquer coisa ainda mais feia que um "mete-te na tua vida"...
Também pensei que talvez hoje estejamos mais malucos que ontem, e a tendência seja continuarmos a piorar, dia após dia, ignorando algumas palavras calmas, da família do civismo...
(Fotografia de Luis Eme - Lisboa)
Fico sempre irritada com essas falhas de sinalização, não digo palavrões mas chamo-lhes "camelo" apenas para mim. 😀
ResponderEliminarAbraço
Obriga-nos a estar mais atentos, Rosa.
EliminarSe formos atrás do carro durante algum tempo, percebemos que o condutor não sabe para que é que existem os sinais...
Às vezes parece que o habitáculo do carro funciona como uma redoma que desumaniza quem está fora dele. O silêncio que guardou foi, provavelmente, a única resposta sensata — responder ao barulho com mais barulho só validaria o caos. Às vezes, o exercício mais difícil de cidadania é precisamente esse: respirar fundo e não deixar que o "nome feio" do outro estrague o nosso caminho. Fica a reflexão: será que estamos a desaprender de partilhar o espaço comum?
ResponderEliminarQuase sempre, Daniel.
EliminarDeve ter a ver com o sistema nervoso, com a pressão da estrada, todos devemos ficar diferentes. O que não quer dizer que se parta para a violência...
Exige sim, mais paciência.
E claro que estamos cada vez com mais dificuldade em conviver com o outro...