sábado, maio 20, 2017

A Arte Enquanto Espaço Criativo e Espaço de Sobrevivência...

A meio da semana encontrei-me com um amigo pintor, que já leva muitos anos de pinturas e de exposições. Um dos traços mais marcantes da sua personalidade é a exigência que tem para cada obra, basta não gostar de um pormenor do que está a pintar, para rasgar o que faz e colocar no lixo (tenho algumas obras dele, que salvei do "caixote"...).

Falámos de muitas coisas, inclusive do mercado de arte, que mudou muito nos últimos anos (há cada vez mais dificuldade em vender obras de arte... a excepção devem ser os grandes artistas, cujas obras continuam a atingir valores recordes em leilões).

Foi nesta altura da conversa que falei dos muitos artistas de rua, que enchem as ruas de Lisboa de "cópias" de eléctricos, ruas de Alfama, que vendem a presos irrisórios. Achei curioso ele não ter utilizado nenhum adjectivo negativo para qualificar estes vendedores de pinturas, que são outra coisa, que passa um pouco ao lado da arte.

Até me falou do exemplo de um pintor amigo, que pintava os quadros quase todos iguais (isto ainda antes de Abril...). Quando lhe disse que isso o reduzia como artista, este argumentou que antes de ser artista era chefe de família. Ou seja, como se dedicava exclusivamente à pintura, pintava o que lhe encomendavam das galerias, ou seja o que era mais procurado e se vendia (as ruas típicas de Lisboa). Porque sem este dinheiro não conseguia sobreviver. O artista das obras originais aparecia depois...

Com este argumento  o meu amigo ficou sem palavras.

Óleo de Ralph Hedley)

6 comentários:

  1. pois...pois
    a sobrevivência obriga por vezes a muitos "sacrifícios"
    uma cronica muito bem escrita, como aliás é teu apanágio.
    gostei!
    a imagem de suporte ficou muito bem
    beijinhos
    bom fim de semana
    :)

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    1. O lirismo nunca foi para todos, Piedade. :)

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  2. Luís, uma adaptação da versão "primeiro a obrigação, depois a devoção". Uma questão de prioridades e de bom senso.

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    1. Claro, Isabel.

      Quem não fizer isso invariavelmente acaba mal...

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  3. Pois é amigo, a sobrevivência é uma coisa lixada, porque os artistas precisam comer todos os dias como todos os mortais.
    Um abraço

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    1. Exactamente, Elvira.

      É sempre fácil falar de barriga cheia...

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