terça-feira, novembro 22, 2016

Porque Partimos (ou não)...


Eu sei que as pessoas que escrevem nos jornais quando não têm assunto, inventam (também já me aconteceu... e acontece aqui no blogue). É por isso que algumas ideias muitas vezes repetidas vão-se tornando "verdades"...

Uma das coisas de que continuo a ter dúvidas da sua veracidade, é a história de que quem parte são os melhores, e que sempre foi assim. Quanto muito é mais uma daquelas "meias-verdades" que somos bons a explorar e nos levam a viajar pelo menos até aos descobrimentos...

Esquecem-se é que quem partia nessas "empreitadas" de há quinhentos anos era o "povo", eram aqueles que pouco ou nada tinham para comer, e que aceitavam com maior facilidade o risco de partir para o desconhecido, muitas vezes para a "morte"...

Mesmo durante os grandes períodos de emigração, quem partia era quem vivia pior, e como ambicionava a mais qualquer coisa, partia... Mais uma vez, não eram os melhores de nós. Quando muito eram os mais atrevidos e ambiciosos.

Sei que hoje as coisas são um pouco diferentes. Por que se procura uma emigração de qualidade, gente já formada que faz falta aos países mais desenvolvidos (médicos, engenheiros, enfermeiros, arquitectos, etc).

E mesmo quem faz mutações internas, quem muda apenas de terra, não o faz por ser melhor ou pior. Não vou dizer que é o "destino", para não dar um ar fadista a esta prosa, mas acaba por ser a soma de vários acasos. Eu por exemplo, deixei as Caldas, aos dezoito anos. Além de saber que se continuasse por lá, teria o futuro muito condicionado, não me sentia bem a "respirar" aquele ar. Aquela mentalidade pequeno-burguesa não cabia dentro de mim. Mas não havia qualquer tipo de valorização, de ser melhor ou pior que os outros, que ficaram.

Acho que também tem muito que ver com uma frase utilizada pelo anterior governo, que convidava as pessoas a saírem da "zona de conforto" (embora nessa altura fosse utilizada com outro sentido, de fazer com que as pessoas não ficassem à espera de empregos que nunca mais iriam existir...). Se te sentes bem na tua pele, no teu emprego e na tua casa, não precisas de ir para fora...

(Fotografia de Luís Eme - ainda não sei se vou utilizar esta imagem na minha próxima exposição, mas já tem título: "Pisar o Mundo")

6 comentários:

  1. Luís

    Eu acho que as gerações agora são um pouco diferentes, são mais europeias e é preciso ver a europa como um todo. Também o "viajar" já não demora tanto como era antigamente. Há mais facilidade de comunicação e muitas opções. Acho que actualmente as distâncias estão mais "curtas". Claro que sair do nosso país custa a todos e começar de novo em outro sítio é difícil :)

    Beijinho

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    1. Pois são, Glória.

      E sabem "ingalês", a língua universal. :)

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  2. é muito boa, a imagem.
    cheia de planos e respetivos movimentos :)

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    1. Sim, muitas distracções, Laura. ;)

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  3. Penso que está certo.
    Um abraço e bom fim de semana

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    1. Eu também acho que sim, Elvira. :)

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