quarta-feira, junho 29, 2016

Dois Mundos Quase Diferentes...

Apesar de receber algumas informações em sentido contrário, continuo a pensar que as conversas entre homens se desenrolam de uma forma diferente das entre mulheres.

E não me refiro apenas ao calão utilizado - ou ao vernáculo -, mas sim à forma descontraída com que se processam as conversas, mesmo as aparentemente sérias.

Há sempre alguém capaz de contar uma anedota ou dizer uma graçola, cortando a "seriedade da coisa". Claro que há quem viva as coisas de uma forma mais intensa e seja capaz de saltar de exaltação em exaltação, mas não é a norma (pelo menos no seio dos meus amigos...).

Até porque quando estamos entre amigos, o objectivo acaba por ser mais a diversão, passarmos um bom bocado, que carpir mágoas... E sabe sempre bem ouvir: «Ainda hoje não tinha soltado uma gargalhada. Só mesmo vocês para me fazerem rir...»

(Fotografia de Henri Cartier-Bresson)

6 comentários:

  1. Vivo isso quando converso com amigos homens, curiosamente...

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    1. Então sou capaz de ter razão, Carla. :)

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  2. Luís, gosto deste tema e tenho pena de saber pouquíssimo sobre o assunto.
    Tenho mais percepções, se assim se pode dizer, porque:
    - não tenho amigos antigos (julgo que faz diferença nesta análise);
    - a maior parte dos meus amigos, que já de si são poucos, são homens;
    - devido às circunstâncias anteriores, por ter um escasso reduto de socialização e por ter tido algumas experiências desinteressantes em grupos de conversas só com mulheres, raramente participo neles.

    A percepção que eu tenho e alguma experiência do passado, levam-me a pensar que na relação entre mulheres há uma tendência de competição, de cobrança e de afinarem pelo facto de não se contar tudo. Estes aspectos são amaciados, e quase desaparecem, em amizades feitas numa idade madura, o que é um dado interessante.
    Para as mulheres, e falo em generalidades, é mais difícil aceitar que existem segredos, assuntos de reserva, e costumam interpretar isso como falta de confiança. Julgo ser a razão principal que fez com que uma ou duas amigas mais antigas abalaram. E vou aqui registar uma coisa que já tenho dito, portanto não se trata nada de confidencial, e até pode ser comum a outras pessoas, nomeadamente mulheres: desde que amarrei palavras em livros e as mostrei ao mundo e, depois, aquando da abertura do blogue, houve mudanças significativas ao nível de tratamento. Por parte de mulheres. Pelo registo intimista que é apetecível para avaliar o todo através de uma parte, pela possibilidade de haver mais reserva do que supunham.
    Não, não me estou a desviar do assunto, pois, quero contrapor com o facto de tal não ter acontecido com homens.
    Nas amizades recentes com mulheres tenho percebido que a conversa muito banal de compras, minudências do dia-a-dia, desvalorização dos homens, gostar de ir ao nervo da vida privada de outras mulheres, são temas com pouco peso. Para além disso, há maior tendência para aceitar que existem assuntos de reserva.

    Não creio que existam muitas diferenças de graçola permeadas pelo género. Julgo que têm mais que ver com a personalidade. Por exemplo, se eu estiver num grupo em que se critica a vida privada de alguém (que é coisa que não se sabe, mas é giro imaginar, enfim), manifesto logo desagrado, até porque "nas costas dos outros vemos as nossas" e não me agrada que procedam assim. Se for ao contrário, também gostaria que o fizessem.
    Este meu traço revela-se pouco compatível com convivênvias de grupos que andam por essa onda. Tenho consciência disso e encaixo-o no "não se pode ter tudo".

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    1. Claro que também não tenho certezas, Isabel.

      Penso apenas que sim. :)

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    1. Então estás como eu, Piedade. :)

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