segunda-feira, setembro 30, 2019

Há Coisas que Não se Explicam...


Gosto de museus.
Acho que sempre gostei.

Gosto deles com gente e sem gente.

Se não estiver ninguém (Acontece mais vezes do que gostaria. Quando visito os museus da minha cidade natal, sou quase sempre o único visitante...), sinto-me quase dono de tudo aquilo. Às vezes sento-me e fico por ali a descobrir uma ou outra novidade (nem sempre olhamos para as coisas com olhos de ver...).


É curioso, mesmo que esteja sozinho, nunca me sinto só.

Gosto de andar por ali, a várias velocidades. para olhar, sentir, parar, descobrir...

Sei que não é dia de nenhum museu, mas apeteceu-me escrever sobre estes lugares, onde me costumo sentir "da casa"...

(Fotografias de Luís Eme - Caldas da Rainha)

domingo, setembro 29, 2019

A Tradição e o Protesto Silencioso...


Durante a tarde acabei por passar pela Rua Cândido dos Reis e assisti ao protesto silencioso de alguns anarquistas e defensores de animais, ao habitual movimento festivo, que enche a rua de gente, às bancas de venda de artesanato... E à quase invisibilidade das burricadas...


Quase que diria que o anúncio de protesto resultou, pois verificaram-se várias alterações, inclusive  o percurso habitual dos passeios de burro (ficaram-se pelo Largo de Cacilhas...).

(Fotografias de Luís Eme - Cacilhas)

sábado, setembro 28, 2019

Quase Posto de Sentinela...


Se há lugar que normalmente é poiso de uma gaivota no Ginjal, é este pequeno guindaste, já desativado.

É quase o equivalente ao cais da colunas (também têm quase sempre duas gaivotas "de sentinela" ao rio)...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal, a preto e branco para "rivalizar" com as gaivotas da Isabel...)

sexta-feira, setembro 27, 2019

Ser "Bom Samaritano" Tem que se lhe Diga...


Hoje tentei ser simpático para um italiano que mora no meu prédio, informando-o que tinha uma encomenda na caixa das revistas (onde imagino que nunca vai à procura de correspondência...). Ele pura e simplesmente manteve o discurso patético de que não falava português e nunca fez um esforço para me perceber, mesmo quando eu falava quase em câmara lenta...

Acabei por desistir.  E fiquei com um certeza, não lhe vou oferecer mais nenhum "rebuçado".

Esta coisa de querermos ser "bons samaritanos" tem sempre que se lhe diga...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, setembro 26, 2019

As Burricadas de Cacilhas (e a protecção dos animais...)


No dia 29 de Setembro (domingo) realizam-se as já habituais "Burricadas", uma tradição antiga transportada para os dias de hoje pelos escuteiros de Cacilhas.

Quando ainda não se sabia a data do evento, o Centro de Cultura Libertária (anarquistas), com sede na rua Cândido dos Reis, onde se realiza o habitual percurso das "Burricadas", divulgou no seu blogue que iria organizar uma "jornada de protesto" silenciosa, junto ao seu espaço:

«Junto com o VOE (Veganismo de Oposição à Exploração), iremos realizar um protesto (silencioso) contra as Burricadas que se realiza anualmente na Rua Cândido dos Reis, ainda que nos tem sido recusada a informação sobre a data, estamos já com o protesto e evento preparado. Pormenores finais em breve.»

O CCL irá colocar uma faixa com estas palavras: "Os animais não são um brinquedo" e farão uma pequena performance "O burro triste".

Claro que tudo isto contraria o uso que tradicionalmente se dá a estes animais domésticos (mesmo nos lugares onde existem associações de protecção dos Burros, é normal serem realizados passeios no seu dorso, quase sempre por crianças...). 

Mas todos os "radicalismos" fazem pensar... E neste caso particular o protesto também se realiza contra a entidade organizadora (os Escuteiros), que por serem defensores da natureza, deviam proteger todas as espécies animais...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quarta-feira, setembro 25, 2019

Esconder o Sorriso numa Rua do Bairro Alto...


Quando me cruzava com um senhor de meia-idade, numa das ruas do Bairro Alto (segundos depois de ter tirado esta fotografia...), fui surpreendido pela sua voz irritada e pelo seu olhar em direcção ao céu:

«Olha o cabrão do pombo! Não tinha outro sítio para cagar, senão em cima de mim!»

Antes de entrar numa tasca ainda atirou mais uma pérola:

«Toda a merda me cai em cima.»

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, setembro 24, 2019

A Habitual "Venda de Banha da Cobra" Eleitoral...


Hoje foi um dia bom para ouvir Assunção Cristas falar da "liberalização" dos transportes do Barreiro, abrindo as travessias à "iniciativa privada".

Infelizmente quando isso acontece, as pessoas ficam quase sempre a perder: o normal é aumentarem os preços e piorarem os serviços...

Um bom exemplo destas perdas foi a privatização dos CTT (com o objectivo de passar a banco e colocar em segundo plano o serviço de correio...), degradando os seus serviços propositadamente, colocando na "gaveta" o caderno de encargos. 

Um dos resultados desta degradação são as reclamações diárias, por causa das cartas e encomendas que não chegam ao destino...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

segunda-feira, setembro 23, 2019

Belenenses Centenário


Embora seja benfiquista, sempre gostei do "Belém", talvez pelo Azul, pela Cruz de Cristo e também por ter uma excelente equipa de futebol. A par da Académica e do Vitória de Setúbal, o Belenenses era das poucas equipas que jogava de igual para igual com os grandes na minha meninice... E isso não se esquece.

E depois também fiz atletismo nesta "grande casa desportiva", em 1981/82...

O único reparo, é que na comemoração do primeiro centenário, continuem a existir "dois belenenses"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

Esconder (e fugir) a Realidade...


Estes tempos estão cada vez mais perigosos, porque esconder a realidade tornou-se o "jogo" preferido dos vários políticos irresponsáveis, que chefiam alguns dos países mais importantes no Mundo.

Já nem se trata de negar a ida do homem à Lua ou a existência do holocausto, é muito mais grave que isso. 

Não sei por quanto tempo mais irão continuar a fechar os olhos a todas as evidências sobre as mudanças climáticas e  a fazer de conta que o futuro não faz parte do presente...

(Fotografia de Luís Eme - Lua)

domingo, setembro 22, 2019

«Eles não falam, só ouvem música clássica, baixinho»


Alguns relatórios de agentes e colaboradores da PIDE/DGS, conseguem ter alguma graça e explicar que a inteligência nem sempre era o seu forte...

O filho de um amigo de um dos meus primos contou-me um episódio, que se passou no começo dos anos setenta do século, passado na "casa da liberdade" (era o nome que davam à casa deste meu familiar, por estar sempre aberta a quem vinha por bem...). Sabiam que lhes observavam os passos, quanto mais não fosse pelo corrupio de gente que entrava e saía do prédio. Mas não tinham pensado na hipótese de terem sido colocadas "escutas" nas divisões da casa, durante as suas visitas de surpresa, feitas quase sempre no começo do dia. Além de virarem a casa do avesso, eram especialistas em levar papeis e livros insignificantes. Embora tivessem cuidado com as palavras, só  começaram a desconfiar que estavam a ser "escutados", quando ouviram uns ruídos estranhos que vinham da parede onde estava a estante, quase da família dos "cliques" esquisitos do telefone...

Continuaram a conversar, com os mesmos cuidados, embora uma vez ou outra inventassem umas coisas "para ver se pegava"...

Mas o que eu queria era falar do relatório... que dá um relevo especial ao dois oposicionistas que se encontravam ao fim da tarde, para ouvir música clássica, sem abusarem dos decibéis... 

Durante a hora e meia que duravam estes encontros semanais o único diálogo audível entre os dois, eram pequenos apontamentos musicais sobre os títulos das músicas e algumas histórias sobre os seus compositores.

Se já existissem câmaras de filmar minúsculas tinham tornado tudo mais fácil, perceberiam que estes dois companheiros passavam os encontros a trocarem mensagens de papel... E não tinham escrito esta pérola: "Eles não falam, só ouvem música clássica, baixinho".

(Fotografia de Luís Eme - Salir de Matos)

sábado, setembro 21, 2019

As Pessoas que Contam...


Apesar da chuva da tarde, o lançamento do caderno, "25, uma experiência associativa em almada (1994-2019)", correu bem.

Além dos mimos do prof. Américo Morgado, que apresentou a obra (mesmo que exista exagero, gostamos sempre que falem bem de nós...), foi muito bom contar com a presença de tantos amigos, do clube das "Pessoas que Contam"...

E a conversa até esteve animada, o associativismo é mesmo assim...

Tenho de fazer uma referência especial a três pessoas especiais, a quem nem mesmo as contrariedades da vida (e a chuva...), desviaram  da Sala Pablo Neruda do Fórum Romeu Correia. Falo da Clara, do Orlando e do Américo...

(Fotografia de João Miguel - Almada)

quinta-feira, setembro 19, 2019

A Importância das Tertúlias e dos Cafés...


Hoje tudo mudou. Fala-se menos cara a cara, há mesmo quem deteste estar próximo das mesas animadas dos cafés, onde ainda se fala alto e se gesticula (adoro este "parlar à italiana"...).

Das três "tertúlias" que frequentava, só uma continua activa. Isso acontece por que os anos levam alguns bons animadores, outros são forçados a mudar de cidade (outras até de país, como foi o Gui...), devido às contingências da vida...

Falo sobre as minhas "tertúlias" de Almada no meu caderno "25" e na respectiva exposição.

Até aproveito duas frases que esboçam muito bem a importância e o porquê das "tertúlias" nos cafés:

«A ideia do café é latina, ligada às discussões intelectuais e a uma certa classe média pobre que, em vez de convidar pessoas para as suas casas modestas, ia para os cafés. Onde havia tertúlias, algumas revolucionárias.» (Maria Filomena Mónica, socióloga)

«Passávamos todos a vida no café, que é uma espécie de Universidade ambulante, um espaço muito importante no desenvolvimento cultural de um país.» (Eugénio Granell, pintor)

(Fotografia de Luís Eme - Viseu)